PARÓDIA INTELIGENTE: ALTERAÇÃO – A AGÊNCIA MAIS BONITA DA CIDADE

 

Mais uma dica do Marcos: Alteração é uma edição de som e uma redução na duração do maravilhoso vídeo anterior da Banda Mais Bonita da Cidade em uma brilhante sacada de jovens publicitários.

O bom é que não foi uma paródia para ridicularizar nem a banda, nem um político, nem um artista, nem uma celebridade qualquer: foi uma música bem cantada e uma substituição de palavras com o mesmo arranjo voltada para instigar aqueles que não sabem o que nem como pedir para uma agência de publicidade ou para um estúdio de design.

Este vídeo já se aproxima das 200 mil visitas no You Tube.

ESQUERDA INTELIGENTE = ATIVISMO EM REDE

A notícia do dia no RS foi a imperdoável nomeação do emeerreoitista ex-peemedebista, neoliberal, amigo dos detrânicos e, quem sabe, talvez até chantagista de vice-governador para uma secretaria estratégica na cidade vizinha de CANOAS, agora governada por uma inacreditável aliança do ex-PT com os latifundiários herdeiros da ARENA. Fico com a posição do DIÁRIO GAUCHE e acresento:

É o dirceuzismo guasca dando seus ares: se a executiva estadual do partido exigir que o prefeito JJ volte atrás na nomeação dessa hiena, a RBS vai dizer “Quando surge um político promissor, diferente, não-sectário, que só pensa em agregar ao invés de dividir, vem o ‘velho’ PT que, com sua intolerância a novos tempos de tentativa de consenso, segue sendo do contra.”

Se o PT ainda não morreu, está respirando por aparelhos. É por isso que eu digo: RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA – NEGRI e HARDT

Resistir ao poder simbólico utilizando armas simbólicas em rede, de maneira descentralizada, sem uma liderança central, sempre trabalhando horizontalmente.

Pressionar o poder sem jamais almejar fazer parte dele. Exigir demandas populares, progressistas.

Não importa o partido, nem a instituição: esse tipo de resistência não patrocina nem é patrocinado; não apóia e não é apoiado; não representa e não é representado por nenhuma instituição cujo auge se deu na modernidade (partidos, governo, exército, clubes, sindicatos, federações de empresas, igreja, forças armadas + polícia, legislativo ou judiciário.

Pressão, proposta, cobrança, ironia, textos curtos, muitas imagens, usar a internet pra conclamar e não apenas para criticar ou para informar aquilo que a mídia corporativa oculta sob a opacidade de seus processos.

Ativismo e política não são sinônimos de política partidária.

CHEGA DE APOIAR O PODER INSTITUCIONAL. Precisamos dele por uma questão de leis e de organização. Porém, a postura precisa ser, mais do que crítica, cética.

A militância operária perdeu o sentido, pois o Brasil é um país de quase 90% de população urbana, da qual quase 60% vive nas capitais. Quem foi criado já sob o predomínio do comércio e dos serviços nas grandes cidades não possui identificação com o operariado.

É por isso que eu acho que o MST tinha que começar a ensinar os favelados a plantar hortas comunitárias: iriam ganhar moral com o grosso da população que, aí, teria condições melhores de não se deixar enganar pelo PIG tanto quanto se deixa hoje em dia.

APRENDIZADOS DE CAMPANHA PARA O PT-POA

Infelizmente, há nuances político-eleitoreiras que são negligenciadas até mesmo pelas raras pessoas esclarecidas, críticas e socialmente conscientes. Vamos a elas:

1) A mídia corporativa não possui necessariamente o poder que a ela se atribui: caso contrário, não teria havido nenhuma espécie de contestação à administração atual. Portanto, todos os votos não-dados a Fogaça (ou seja, mais da metade dos votos válidos foram destinados a todos os demais candidatos) significam insatisfação – mesmo que seja uma insatisfação predominantemente despolitizada;

2) Tecnicamente, o senso comum confunde marketing, propaganda e publicidade, mas são três técnicas distintas. Ei-las:

- O marketing é um arranjo entre quatro variáveis: produto, preço, escolha dos pontos-de-venda e promoção. Essas quatro variáveis, conhecidas como os 4 P’s (em inglês: product, price, place e promotion), dependem de produção, transporte e transformação material ou produção de um bem intangível como, por exemplo, um site de comércio eletrônico. Portanto, a comunicação (publicidade E/OU propaganda; assessoria de imprensa e relações públicas) é apenas uma parte dentro do composto promocional. Portanto, não existe marketing político;

- Propaganda é a promoção de um produto ou idéia de cunho político-ideológico. Portanto, uma campanha para a Rosário é propaganda, assim como contra o porte de armas ou a favor do presidencialismo. Mas a aparição midiática sob uma linguagem persuasiva, normativa e/ou envolta em um determinado juízo de valores de uma bicicleta, de um perfume ou de um automóvel não são propaganda;

- Finalmente, a publicidade é a promoção de um bem (seja ele simbólico ou material) que precisa ser apresentado e consumido: pacote de viagens, bola de futebol, apartamento, conta bancária, etc. são publicidade e não propaganda.
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Atualmente, a sociedade midiatizada, isto é, a sociedade na qual cerca de 80% de tudo o que se discute é produto de mediações (história premeditadamente editada) e remidiações (atravessamentos entre pautas semelhantes ou contrárias em todos os meios de comunicação), não dá valor nem importância à ágora pública (praças, parques, avenidas). E, sendo predominantemente consumista, pouco letrada e de classe média, não adianta forçar a barra pra tentar “conscientizá-la” acerca do seu papel social, “instruí-la” ou “educá-la” sobre política, cidadania, sociologia, filosofia, psicologia ou pedagogia de maneira informal através de explicações longas. Da mesma forma, é um erro crasso querer impor que a maioria dessas pessoas tenham de crer no discurso de um partido qualquer.

Hoje em dia, os partidos não têm mais cara e todo candidato é um produto. Os pobres, vítimas de racismo, sexismo, maior probabilidade de doenças, subnutrição, ignorância e todo tipo de violência, não são mais a classe operária de Marx, nem tampouco o “povo”: as pessoas podem até se unir em torno de uma causa em comum. Porém, não é por terem-se unido em torno de um determinado objetivo neste instante que terão que unir-se e defender as mesmas demandas sempre, já que não há mais um “povo” uno e nem uma “massa” facilmente manobrável: a sociedade atual é composta por uma MULTIDÃO que não é homogênea e não precisa fazer parte de um determinado grupo classista – é a causa que gera a união e não uma crença e práticas individuais predominantemente comuns, já que todos são diferentes.

Portanto, o desafio é reivindicar por transformações radicais nas leis que regem o sistema político-partidário-eleitoral, as prestações de contas da campanha e repensar o papel da cidadania política separada dos partidos. A falta de consciência a respeito de todos esses fatos fez o PT porto-alegrense parar no tempo em que a sua base militante ainda era formada por uma grande parcela da população representada por operários da indústria e por funcionários públicos moradores da periferia.

Atualmente, os filhos e netos dos operários, dos funcionários públicos e da pequena parcela da classe média que lutou contra a ditadura militar e fez política há 30, 40 ou 50 anos atrás não são mais pobres e compõem a maioria da população da capital sul-riograndense. Distantes do ensino público de qualidade e completamente dissociados da história do país, não possuem a menor identificação com os valores políticos e sociais nos quais seus pais e avós acreditam – ou acreditavam.

A classe média é predominantemente conservadora, pois quer preservar o pouco que possui e almeja ser como os figurões que encontram nos cadernos de “variedades” dos jornais, em revistas de fofocas ou através de programas sensacionalistas de rádio, televisão e portais da internet.

Apesar desse quadro, a esquerda precisa aceitar vender seus candidatos como mercadorias ao mesmo tempo em que deva esmerar-se tecnicamente para saber apresentar suas idéias e suas realizações confrontando as falhas dos seus oponentes com dinamismo, velocidade e sem confrontos contraproducentes.

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PT CRESCE COMO NUNCA NA GRANDE PORTO ALEGRE

DSC00089.jpg por você.

Sinceramente, não tenho acompanhado as pesquisas fora da capital. As
daqui, só leio no CORREIO DO POVO, pois a assinatura custa menos do que
dois almoços em algum buffet livre do BOMFIM. E eu já vi tanta coisa em
20 anos como eleitor, líder estudantil e militante partidário que não
tenho considerado muito as pesquisas nem a favor, nem contra a
esquerda, pois a única que acerta com uma margem de erro minimamente
aceitável (uma pesquisa com amostragem significativa não pode permitir
uma margem de erro superior a 2% sob hipótese alguma) é a de boca de
urna e aí já é tarde demais.

Nas ruas da capital e através das janelas do trem, tenho visto que o PT
também se rendeu à militância de aluguel – e com um volume de
investimento que diria ser bem próximo daquele gasto pela direita em
situação semelhante. Essa é uma das conseqüências mais tristes da
midiatização: a necessidade de conviver com o neoliberalismo para poder
sobreviver como sigla e, acima de tudo, para poder realizar algo pelos
mais necessitados sem a possibilidade de fugir completamente da lógica
que trata os discursos como palavras-chave meramente retóricas e da
roupagem meramente publicitária dos candidatos, que são vendidos como
mercadorias. Enfim, um sinal do esvaziamento do espaço público como ágora…

Em função do quadro de blindagem da administração FOGAÇA e da extrema inteligência eleitoral e mercadológica da candidata MANUELA e do partido coligado ao seu PC do B (o PPS) aqui em PORTO ALEGRE, a alienação promovida pelos empresários, políticos e donos dos meios de comunicação oriundos da oligarquia branca guasca maneja direitinho a parcela otária da classe média (ou, seja, aquele tipo que come galinha e arrota faisão). Portanto,não é aqui que está a minha maior esperança de conquistas políticas e eleitorais voltadas prioritariamente para aqueles que mais precisam mas, sim, na maior parte dos municípios da GRANDE POA.

Tenho convivido mais proximamente com pessoas muito humildes da GRANDE POA através do TRENSURB entre as estações AEROPORTO e UNISINOS. À exceção da estação MERCADO no Centro da capital, as estações mais densamente freqüentadas são as de CANOAS: NITERÓI/UNIRITTER, FÁTIMA, CANOAS/LA SALLE, MATHIAS VELHO, SÃO LUÍS/ULBRA e PETROBRÁS.

Sem sombra de dúvida, o maior contingente de pessoas muito sofridas e bem pobrezinhas costuma subir ou descer nas quatro primeiras estações do município vizinho. Muitos trabalham como feirantes, seguranças, porteiros, secretárias, faxineiras, jardineiros, pedreiros, carpinteiros, motoristas ou fazem algum dentre os tantos cursos técnicos baratos do Centro da capital. Fazem um esforço hercúleo para sobreviver com um ou dois salários mínimos e, ainda, tentar estudar à noite. Triste mesmo é a situação de quem já possui mais de 55 anos com uma aparência 20 anos mais velha, sem o ensino fundamental completo e ainda precisa trabalhar para poder comer…

Pois bem: dentro do metrô, já acompanhei muitas conversas entre amigos, vizinhos e colegas de trabalho falando sobre os candidatos a vereador de Canoas. Um mais informado procura explicar aos demais quem é e o que já fez pela comunidade o seu candidato. Para minha surpresa, a maioria dos candidatos bem recomendados são do PT. Embora em SÃO LEOPOLDO tenha visto uma certa eqüidade de material de campanha de candidatos a vereador pelo PT e PDT e em SAPUCAIA DO SUL pareça que o candidato a prefeito pelo PMDB seja o mais exposto, em GRAVATAÍ, SÃO LEOPOLDO, VIAMÃOCACHOEIRINHA e – pasmem – até NOVO HAMBURGO, os favoritos a essas prefeituras são do PT. E o número de vereadores petistas seguramente irá crescer em todos esses municípios, sendo que em alguns deles pode ocorrer pela primeira vez na história uma maioria de esquerda na Câmara Municipal.

A conservadora NOVO HAMBURGO seria uma conquista de valor simbólico e prático extremamente densa, pois é muito difícil a esquerda vingar até mesmo entre os pobres em municípios de herança cultural predominantemente alemã. A possibilidade do candidato do PT ser eleito abriu-se no instante em que negros, índios e mestiços já representam grande parte da população pobre, que era antigamente composta pelas mesmas etnias hegemônicas.

GRAVATAÍ, SÃO LEOPOLDO e VIAMÃO já tornaram-se redutos petistas mesmo com apenas dois ou três mandatos petistas nos últimos 20 anos. A ex-prefeita e deputada estadual STELA FARIAS (extremamente combativa na CPI do DETRAN) ajudou a formar novas lideranças, assim como seu colega DANIEL BORDIGNON em GRAVATAÍ (que vai ganhar provavelmente com a maior margem de diferença da GRANDE POA), de volta para o seu terceiro mandato. Em SÃO LEOPOLDO, o prefeito ARY VANAZZI também vai para o “bicampeonato”.

Poderia ainda falar sobre outras grandes cidades do RS, como CAXIAS DO SUL, SANTA MARIA, PELOTAS e BAGÉ. Porém, dou preferência ao que está próximo da maioria dos leitores e também do meu cotidiano, trazendo-lhes o meu olhar e não o olhar mediado pelas notícias dos jornais, mesmo que sejam boas para a esquerda.

Neste ano, também passei a circular por regiões de PORTO ALEGRE pelas quais não tinha o hábito de circular anteriormente como, por exemplo, a enorme região do PARTENON. E também passei a conviver mais freqüentemente com pessoas de menor poder aquisitivo, porém não necessariamente pobres. Percebo que, apesar das urnas de bairros classe AB muito provavelmente elegerem KEVIN KRIEGER e BETO MOESCH do PP, MÁRCIO BINS ELY do PDT e REGINALDO PUJOL do DEM, além de caras tipo MAURO ZACHER do PDT, há gente nova que nunca foi eleita anteriormente pelo PT que parece ter uma excelente densidade eleitoral sem tirar muitos votos de vereadores.

Enfim, um aumento na CÂMARA DE VEREADORES para o PT não seria de todo mal caso não consiga eleger MARIA DO ROSÁRIO: apesar da perda de mais quatro anos para a cidade, o PT volta na próxima com certeza se vencer FOGAÇA e vai para o pau no 2º turno em 2012 contra MANUELA.

O alento seria o movimento bottom-up de quase todos os municípios ao redor de POA forçando um crescimento da esquerda da periferia para o núcleo central: daqui a quatro anos, essa pressão será irresistível.

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MANO CHANGES MORRE PELA BOCA

deputado Mano Changes

A foto acima foi publicada no blog BAFOS E DESABAFOS em 30/04/2008. Na ocasião, o  contraditório (o que ele diz aqui não é bem o que ele diz aqui nem o que ele deixou de fazer aqui) deputado estadual MANO CHANGES, atualmente candidato a vice-prefeito de ONYX LORENZONI do DEM (PSD > ARENA > PDS > PFL) pelo PP (PSD > ARENA > PDS > PPB), estava de casaco do paletó, camisa social para fora da calça jeans, tênis ALL STAR e boné – sendo que a vestimenta para a cabeça tem uso proibido em plenário.

Ontem, no debate, ele me chamou a atenção mais do que qualquer outro candidato. Calma: isso não quer dizer que ele me surpreendeu positivamente pelas suas idéias, nem tampouco que o parlamentar gaúcho tenha pendurado uma melancia no pescoço.

O que me deixou pasmo foi o seu vocabulário extremamente pobre, pouco sofisticado, para alguém que ao menos terminou o 2º grau. Para quem tira sarro do sotaque de deputados vindos das zonas rurais do interior, ao menos eles cometem muito menos erros “de português” do que o nobre deputado, comprometido com a causa da educação.

Outro detalhe que me incomodou bastante foram os seus trejeitos, que desviam muito a atenção de quem o assiste ou conversa com ele. Sempre que o apresentador da BAND RS, jornalista FELIPE VIEIRA, avisava que o seu tempo estava-se esgotando, Changes interrompia imediatamente o seu raciocínio e encerrava sua fala com um estranhíssimo:

- [Bla, bla, bla]… DEMOROU?!


Representar o jovem não quer dizer falar como um abobado – a não ser que ele ache que seu eleitorado seja abobado.

Mas a estupidez-mor proferida pelo jovem candidato foi a redundância típica de quem não possui assessoria técnica e qualificada nem em Educação, nem em MÍDIAS DIGITAIS:

- [Bla, bla, bla]… INCLUSÃO DIGITAL COM INTERNET…

Obviamente, é de se desconfiar da inteligência e do interesse político de quem vota num cidadão com tais atributos.

Apesar de tudo o que relatei acima (não se esqueçam de ler os links – realmente valem a pena), o pior ainda estava por vir: em uma de suas tantas falas durante o debate, o rapaz chegou a dizer algo que o marqueteiro da campanha deve ter pensado em dar com um gato morto em sua cabeça:

- [Bla, bla, bla]… EU NÃO DEVERIA NEM ‘TÁ’ AQUI…

Erro de concordância à parte, ele realmente crê que possui nobreza suficiente para desapegar-se um pouco de sua banda de rock e na importância do seu papel político e social, tudo a favor da juventude.

Se ele não deveria nem fazer parte do circo e da fauna política, por que diabos está-se prestando a pagar esse mico?!

Acho que o cachê da COMUNIDADE NIN-JITSU deve estar valendo menos do que o cachê de uma banda cover. Então, o salário e o prestígio de um cargo político-eleitoral valem muito mais a pena…

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