NÃO SOU BLOGUEIRO DE ALUGUEL

Infelizmente, há blogueiros contratados pela mídia corporativa e outros que dela se desincompatibilizaram cujos blogs possuem diversos anúncios (banners) tanto de empresas estatais como privadas. Essa opção pela parcialidade faz com que apenas parte da concorrência receba elogios e recomendações e a outra seja esquecida ou criticada de maneira imprópria.
Tal postura comprova uma ação profissional totalmente dependente da prática comercial e política de seus patrocinadores: de jornalistas, travestem-se como relações públicas e assessores de imprensa extra-oficiais em troca de uma viagem para conhecer a matriz e/ou de um belíssimo soldo, que sabe-se ser muito mais alto do que o ridículo valor do anúncio em uma página web.
Saindo do terreno das notícias e dos comentários sobre política e economia, a nova coqueluche em marketing viral e em publicidade online consiste no empréstimo de produtos materiais e na oferta da experiência de uso de bens intangíveis para blogueiros que recebem um agrado ($) para elogiarem ou criticarem determinados produtos ou serviços, pois a palavra de um blogueiro inteligente, bem articulado e educado pode ser mais eficiente do que a voz dos formadores de opinião da mídia de massa, tendo em vista o alcance desses blogueiros dentro de nichos bastante ecléticos, multiculturais, expressivos e distantes.
Não é uma atividade ilegal. Porém, considero tal procedimento um tanto baixo.

Como diz o pessoal da NOVA CORJA, a tropa de choque do jornalismo oligárquico “num sabe usá tenéti” e fica ameaçando com bravatas e denúncias vazias porque não tem por onde sair, já que seu modus operandi comercial compromete – e muito – a credibilidade de suas notícias e comentários.

Em época de uma nova campanha política no Brasil (a primeira cujo conhecimento prático e teórico no uso das Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação – as NTICs – também demanda e é demandada pelos atravessamentos da sociedade midiatizada), precisamos estar sempre atentos para a ignorância da censura que instituições supostamente isonômicas como o TSE, o TRE, o STF e todos os MPs brasileiros têm realizado neste ano.

Pior: nosso Congresso tem a cara-de-pau, a ignorância, a estupidez ou até mesmo a má intenção de aprovar um projeto de arapongagem digital proposto pelo ex-desgovernador de MG tucanóide e atual senador EDUARDO AZEREDO (confiram a carta que o TRÄSEL enviou para o Senado e assinem a PETIÇÃO ONLINE que a dupla SÉRGIO AMADEU + ANDRÉ LEMOS abriu contra essa lei estapafúrdia), que – diz a mídia alternativa em Minas – parece possuir estreitas relações com uma enorme empresa de segurança em TI que deseja monopolizar a rede no país. Comprovem isso logo e, de uma lei ridícula, teremos apenas um reles castelo de cartas registrados nas páginas negras dos anais da internet.

Uma das melhores opiniões disponíveis sobre tal aberração é do IDELBER AVELAR. Interessante como todos os con$ervadore$ que criam e conseguem quorum para votar uma estupidez de tamanha magnitude, seja aqui ou em PALAU (com o devido respeito aos nativos daquele paraíso), não entendem patavina sobre internet.

Em suma: o uso do jabá por parte de vários “colonistas” e o uso da publicidade através da voz de blogueiros pagos para puxarem o saco ou detonarem um determinado produto ou serviço, nos incomodam e devemos resistir a tal arbitrariedade e falta de ética. Por hora, apesar desse empecilho temporariamente significativo para o pleno desenvolvimento da blogosfera brasileira estar diante de nós, adiante apresento um exemplo de como a comunicação e a articulação de redes sociais não pode ser controlada:

Sem entrar no mérito se ele é ou não um político honesto; se ele estaria mesmo voltado para satisfazer as demandas daqueles que mais precisam nos EUA e se verdadeiramente pretende tornar-se um líder pela paz e pela redução da miséria no mundo, BARACK OBAMA angariou centenas de milhões de dólares em doações de pessoas físicas e jurídicas e dezenas de milhares de voluntários espalhados por todos oe 50 estados de seu país porque sua assessoria soube trabalhar com ferramentas como e-mail marketing (spam para quem não gosta de receber e-mail no formato de mala direta) e pelo menos DEZESSEIS (16) diferentes sites de relacionamento voltados para nichos de eleitores completamente diferentes.

Como exemplos, cito o FACEBOOK (um site de redes sociais muito mais popular nos EUA do que o Orkut é no Brasil ou na Índia), o MY SPACE (site personalizado de notícias e de relacionamento vinculado ao MESSENGER, ao HOTMAIL e a um serviço de agenda e calendário disponibilizado pela MICROSOFT), vídeos da campanha no YOU TUBE, álbuns de fotos coletivos com fotos de Obama tiradas por amadores em todas as prévias e entrevistas das quais participou no FLICKR, ranking de notícias e artigos sobre OBAMA indicados pelos internautas no DIGG, a nova febre de comunicação em rede na internet, também utilizada pelo jornalismo conhecida como TWITTER, um perfil no site de relacionamento voltado para redes de colaboração profissional LINKEDIN e, finalmente, o envio massivo de torpedos via celular.

O problema é que, no Brasil, quem foi mais esperto em utilizar essas ferramentas e em estabelecer sociabilidades através dessas novas tecnologias foi a pseudo-esquerda da esperta MANUELA D’ÁVILA (E AÍ, BELEZA?) e a juventudi (bela expressão também “chupada” da NOVA CORJA – sorry, guys!) da direita e do – sem comentários – candidato a vice-prefeito pelo PP na chapa de ONYX LORENZONI (DEM), o deputado estadual MANO CHANGES.

Enfim, a campanha de OBAMA pelos democratas foi o maior exemplo mundial até agora da mobilização através da internet. E serve como mais um subsídio para a minha hipótese de que não há esvaziamento nem alienação política: o que há é o deslocamento da pertença local e terrestre para uma pertença global diretamente relacionada à satisfação das demandas pontuais de determinados grupos sociais, normalmente minoritários, periféricos ou marginais.

Mas aqui vai um recado para nossos juristas, políticos e aDEvogados (com todo o respeito aos advogados): se eu quiser dizer em quem irei votar no meu blog, eu digo. Se eu quiser dizer por que eu acho que eu e quem lê o que eu escrevo deveRIA ou não votar em fulano, beltrano ou ciclano do partido que for e para o cargo que for, eu vou dizer.

E não poderei ser processado: sabem por que? Porque a minha liberdade de expressão está garantida pela CONSTITUIÇÃO FEDERAL. No momento em que eu não estiver mentindo, caluniando nem difamando, posso dizer o que eu acho sobre qualquer coisa e está acabada a discussão.

Agora vocês sabem meus motivos por ter aderido à campanha NÃO SOU BLOGUEIRO DE ALUGUEL graças ao post do GLOBAL VOICES ONLINE, que repercutiu a excelente iniciativa do FREELANDO PRO DIABO. É  por isso que creio ser tão importante vocês também levarem essa idéia adiante.

clipped from freelandoprodiabo.com

Os anunciantes estão descobrindo a melhor maneira de usar esta ferramenta para chegar a nichos que beiram os meios convencionais de comunicação. Blogs são interessantes porque consistem em doses periódicas de conteúdo assinadas por alguém que cativa audiências com interesses afins. Muito já se tentou: blogs fictícios, personagens, banners, até o famigerado post pago disfarçado de post autoral, modalidade repudiada pelos blogueiros que prezam pela sua credibilidade e respeitam seus leitores.
Blogueiro de verdade fala a verdade, doa a quem doer.
Blogueiro de aluguel é quem não conhece a dinâmica do meio e tenta enganar.
Mas não adianta: o diálogo acaba não acontecendo porque fica mentiroso, vazio, falho.
Quem rouba no jogo é blogueiro de aluguel. Quem censura a livre expressão dos blogueiros não deveria nem participar da discussão. Antes de ser mídia ou veículo, blog é opinião registrada de quem tem voz ativa e diz o que pensa: eu não sou blogueiro de aluguel.
blog it

RS: REI DAS DOENÇAS DESNECESSÁRIAS NO BRASIL

Acompanho o primeiro post de hoje do CRISTÓVÃO FEIL no DIÁRIO GAUCHE:

Meu cunhado possui um boteco. Ele é caprichoso com a higiene, paga seus impostos, todos os funcionários têm carteira assinada, etc.

Porém, os alimentos que mais têm saída são empadão de queijo, croquete, kibe, cachorro quente e assemelhados.

Ele pertence a uma família de obesos: na família dele, quem tem dinheiro é movido a Coca-Cola e MacDonald’s. Quem não tem, a suco de saquinho e empada.

Uma sobrinha dele nem chega perto de frutas e verduras. E outro não toma água – só refrigerante.

A oferta de sucos naturais é pífia porque as pessoas não compram.

Outras guloseimas como tortas, doces e outros tipos de salgado, café preto, biscoitos e assemelhados também têm uma procura enorme.

A publicidade promove o produto de quem a paga. É a técnica de comunicação social que mais depende da economia de mercado. Há um código de ética entre agências, clientes e produtos concorrentes, mas não há uma Lei da Publicidade no país.

O máximo que existe é a regulamentação dos comerciais de bebida e álcool e a informação dos componentes dos alimentos.

Todavia, o RS é o estado que, na média, pior sabe se alimentar no Brasil. Devido ao chimarrão, ao café e ao tabagismo, o estado é um dos que possuem maior incidência de câncer de boca, faringe, esôfago e pulmão no país.

Como se come pouca salada, pouca fruta e se possui o péssimo hábito do lanche e do café da tarde, aqui também é o reino da obesidade, das doenças cardíacas e circulatórias.

Finalmente, como se tudo isso ainda fosse pouco, as famílias italianas e alemãs consideram gordo sinônimo de forte e magro sinônimo de fraco.

Infelizmente, sou pessimista quando a uma mudança de hábito para quem já é adolescente ou adulto. Meu melhor amigo é dono de uma academia de ginástica e, só de olhar para uma pessoa na rua, dependendo da circunferência e da dificuldade de se locomover, pode merecer ou não o triste rótulo de “bomba-relógio”.

Este é o oposto dos corpos dóceis de MICHEL FOUCAULT: são os CORPOS INDOLENTES.

Qualquer pessoa tem o direito de fazer com o seu próprio corpo o que bem entender. Ao mesmo tempo, há uma série de biotipos diferentes que não tendem a mudar por questões genéticas e devem ser aceitos e respeitados. Ninguém precisa ser um atleta de ponta, nem um glutão: é preciso ter consciência de que a saúde é o único bem indispensável para que possamos ter condições físicas, mentais e psíquicas de nos motivarmos para adquirirmos conhecimento, que é o único bem que ninguém pode nos tirar.

Um país melhor passa pela sapiência desses detalhes.

Este é mais um motivo pelo qual defendo intransigentemente a agricultura familiar, a pequena agricultura e a desconcentração populacional nas metrópoles e megalópoles.

E, sob esse ponto-de-vista, não é a publicidade ou a mídia mas, sim, todo o sistema industrial e comercial voltado para o consumismo aliado a péssimos hábitos individualistas que levam as pessoas a se alimentarem mal.

É uma questão de saúde pública das mais graves: onde a hipocrisia der lugar à consciência, constatar-se-á que a violência urbana e no trânsito representam quase um grão de areia em relação às mortes causadas pelas doenças acima.

No final das contas, os próprios mantenedores do atual status quo, tão preocupados com desempenho, produtividade, economia e lucro, agem totalmente às avessas ao torrarem fortunas em hospitais particulares e também perdem toda a sua razão ao reclamar dos impostos que pagam para o SUS tratar os pobres das mesmas doenças desnecessárias.

Então, é com profundo pesar que afirmo que, apesar de alguns avanços e de raros focos de massa crítica, o Brasil possui uma cultura alimentar predominantemente burra.

Mas a RBS e a GLOBO jamais irão fazer uma campanha maciça para comprar as hortaliças do tio Nestor em Coqueiros do Sul/RS (cuja economia é muito maior do que a dos municípios do sul do estado onde predominam as lavouras de eucalipto e as monoculturas extensivas de arroz, trigo e soja além da pecuária) em detrimento da Bunge, da Cargill, da Bayer Crop Science e por aí afora…

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GLOBO QUER DERRUBAR DUNGA?

Não estou acusando nenhum dirigente ou jornalista de corrupto, lobista ou de incompetente. Estou apenas fazendo uma avaliação do contexto, que pode ser rebatida por novos fatos ou por pessoas que pensem diferente de mim, desde que apresentem argumentos racionais, complexos e não simplistas ou verborrágicos.
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Dunga é inexperiente? É.

Dunga passa uma imagem antipática e arrogante? Sim.

Dunga não proporciona um ambiente de trabalho descontraído? Não.

Dunga transmite a seus comandados a mesma garra que apresentava quando jogador? Não.

Dunga e Jorginho são subalternos passivos a Ricardo Teixeira? Sim, pois sua autonomia para reivindicar e reclamar é muito reduzida – bem ao gosto de um presidente que está no poder há longos 18 anos e de uma rede de comunicação hegemônica que prefere vender a Seleção para sua audiência como pão e circo.

Dunga e Jorginho transmitem confiança e firmeza aos jogadores, à direção da CBF, à imprensa e à torcida brasileira? Não.

Dunga deve ser demitido antes que o Brasil passe por um apuro sério nas eliminatórias. Sim.

A imprensa em geral mente ou omite os fatos acima? Não.

Um fato, desde que devidamente comprovado, deve ser escondido? Não.

A intenção da cúpula de algum grupo midiático é a de meramente divulgar, denunciar, investigar ou elogiar? Definitivamente não.
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Quase todos os amantes do futebol brasileiro e da seleção querem Dunga e Jorginho fora da CBF. Mesmo que não haja unanimidade nem consenso, tal opinião é predominante.

Esperava-se de Dunga e Jorginho mais carisma, menos conflito, maior conhecimento de causa e, acima de tudo, maior sensibilidade. Tudo isso influencia diretamente no rendimento de um grupo.

Apesar de tantas evidências, o cerne da questão não é a personalidade de A ou B nem tampouco os resultados de campo. Não enquanto o que interessa à banca são a publicidade, a politicagem e o poder. Os negócios no mundo capitalista funcionam assim. Infelizmente, esta é uma lógica da qual raramente se pode escapar.
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A Globo tem mais dinheiro e mais profissionais para cobrir a Seleção do que qualquer outro concorrente. Isso resulta em equipamentos de ponta, melhor imagem, maior cobertura, chegar antes e furar os outros veículos e assim por diante. Por ter mais audiência, atrai patrocinadores mais ricos. Com tamanho aporte de renda, pode adquirir a exclusividade de uma série de eventos esportivos, mesmo que seja para não transmiti-los.

Quer queiram ou não, enquanto não houver uma alteração na lei de imprensa, nas leis comerciais e enquanto não houver uma lei anti-truste decente no Brasil, esse tipo de relação comercial não é “indecente”.

O que não pode é várias emissoras ficarem com suas câmeras distantes ou não terem a mesma possibilidade da Globo para realizarem entrevistas exclusivas. O que não pode é a Globo não liberar os gols e os melhores lances de uma partida para as outras emissoras divulgarem em seus noticiários, já que elas são, nesse ponto, mais éticas do que a “vênus platinada”.

A CBF gosta da Globo porque a Globo a critica muito pouco. A Globo não investiga as relações políticas e econômicas da CBF.
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Dunga, mais do que uma ameaça ao futebol brasileiro, é uma ameaça à exclusividade e aos privilégios legais porém anti-éticos que a CBF costumava dar ao jornalismo esportivo dos veículos da Rede Globo.

Dunga merece elogios e aplausos não por ser arrogante, pouco inteligente, arredio, hostil, medroso e agressivo perante a imprensa em geral mas, sim, por dar a todos os jornalistas de todos os grupos midiáticos as mesmas oportunidades.

Mais do que divulgar um fato, oferecer uma pauta diferente, criativa e curiosa, já repararam que as ditas “leituras labiais” dos técnicos e jogadores de futebol apresentados no Fantástico só surgem quando o risco do time ir para o buraco é iminente?

Por que ela (a Globo) só mostra as inconfidências quando o trabalho do técnico praticamente não possui mais volta?!

Além do mais, não surgiu nada diferente nessa conversa de casamata que a maioria dos telespectadores e torcedores brasileiros não soubesse.
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FORA DUNGA. Infelizmente, por causa da Globo e não do futebol em si. Este seria um lado da história e uma constatação possível.

Contudo, evidências não são provas. Ao mesmo tempo, será que o poder e a força da Globo são tão significativos assim?

Se o técnico estivesse indo bem e se tivéssemos uma geração de jogadores brilhante, nem Bill Gates, nem George W. Bush, nem a Monsanto, a Sony, a General Motors, Hollywood ou a máfia teriam força, competência ou vontade suficientes para derrubar Dunga, pois há um limite que determina aonde começa e aonde termina a autonomia, a liberdade e o poder das alianças entre os diversos entes pessoais e institucionais que compõem a indústria do futebol como negócio e como entretenimento.

Consenso e concorrência andam de braços dados: há uma multiplicidade de opiniões dentro da mesma rede social que pode alterar radicalmente uma articulação antes previsível.

Então, seja entre a torcida, dentro da própria CBF ou na Globo, há uma porção de gente que quer a caveira do técnico, outros estão em dúvida, outros ponderam mais para sim ou mais para não e, finalmente, há aqueles que o defendem.

Agora, quem, o que, como, quando, aonde e por que irá decidir contra ou a favor de Dunga, não há como prever com certeza: isso depende muito da influência e do interesse dos caras que decidem (na CBF, na mídia, nas empresas anunciantes).

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