PAULA OLIVEIRA, XENOFOBIA, VIOLÊNCIA, SENSO COMUM, PIG

Espero encerrar minha participação nesse assunto com este post.

Poucas pessoas tem (acho que caiu o acento diferencial), como eu, verdadeira desconfianca e pavor de todo e qualquer mecanismo de controle e de poder desumanizante, criminalizante, arbitrário e autoritário. Não morro de amores por nenhum tipo de patriotismo ou nacionalismo de onde quer que venha e de quem quer que seja. Portanto, não acho o Brasil ‘o máximo’ nem uma ‘república de bananas’, assim como não acho que a Europa Ocidental, os EUA, o Japão e Israel sejam países bons, livres, humanistas, cultos e maravilhosos e nem o supra-sumo do que há de pior no planeta.

Sempre me pergunto (ainda vou postar sobre isso e quero respostas pra poder entender um pouco a respeito dessa questão): o que leva uma pessoa de qualquer origem social, com qualquer escolaridade, que tenha OU NÃO passado por algum trauma relacionado à violência urbana ou doméstica, seja na infância, seja na fase adulta, a desenvolver a crença de que a polícia é tão justa, disciplinada, honesta e ágil que vale a pena ser um policial ou um militar. Será que apenas espírito de justiça ou de vingança; civismo; abnegação; dom; tradição familiar ou desejo de fazer parte do poder instituído são motivos suficientes para uma pessoa sujeitar-se a ser intolerante de um lado (contra quem está abaixo deles) e extremamente dócil de outro (em relação às instituições e à hierarquia)?

Enfim… A família da moça JAMAIS foi veemente em sua defesa (isso que seu pai é advogado). A própria Paula Oliveira é advogada. E eu duvido muito que os amigos que desconfiaram da veracidade da gravidez e da autenticidade ecografia tenham sido comprados. Seria muita gente próxima da moça a ser comprada ou silenciada. Será que essas pessoas teriam sangue de barata ou canalhice suficiente para se venderem a um veredicto policial estrangeiro?

O histórico de lupus confirmado por seu pai; a falta de convicção dele na defesa de sua filha; o fato de os riscos terem sido feitos somente em lugares onde a Paula teria alcance; um ataque de neonazistas sem hematomas fortes, cortes profundos que demandariam pontos e nenhum indício de pauladas, socos ou pontapés e também sem tentativa de estupro não é algo estranho? Neonazistas ‘do bem’, que só teriam apelado para a humilhação e para alguns arranhões?

Apesar de tudo isso, NESTE CASO, acho exagero dizer que a mídia corporativa provocou um incidente diplomático para prejudicar o Governo Lula. PODE ATÉ TER TENTADO, mas esteve longe de conseguir.

Muitos blogueiros defensores incondicionais do patriotismo, da Paula e atacantes incondicionais da mídia corporativa enxergaram pelo em ovo e, ATÉ PROVA EM CONTRÁRIO, foram muito precipitados.

Enfim… Mesmo diante desse quadro, nem a moça, nem sua família devem ser execrados. Como eu postei, o problema é deles, com uma assistência adequada do Itamaraty.

Pra terminar: sinceramente, não vejo uma relação direta e imediata entre o exemplo de um brasileiro isolado que comete algum erro no exterior sair do particular ou do pontual para o geral no senso comum estrangeiro – nem mesmo diante do quadro de desemprego e de imigrações na Europa.

Dar uma de midiota é, sim, o brasileiro classe mérdia ficar com vergonha de seus patrícios pobres e do que ALGUNS dos estrangeiros com os quais essa classe mérdia tem contato (normalmente tão conservadores e tapados quanto eles).

É a própria classe mérdia midiota quem mais detona os brasileiros no exterior. Ela fala tão mal (e até faz denúncias) que, aí, sim, o PIG reverbera e faz com que o comércio local de vários países da Europa Ocidental, Japão e EUA mais as suas polícias ajam de maneira truculenta e generalizada contra os turistas e imigrantes brasileiros.

EUROEGOÍSMO: MATRIZ CULTURAL BOVINÓIDE

Infelizmente, ainda não tive a honra e o imenso prazer de conhecer pessoalmente a querida MARIA DA GRAÇA M. G. TÜRCK.

Ela é mãe do GUGA e sogra da TÊMIS, os queridos amigos do COLETIVO CATARSE e do blog ALMA DA GERAL, de leitura diária.

Neste momento, creio que a Graça ainda deva estar em férias na Europa, continuando o seu belo registro etnográfico que nos revela que não é à toa que PORTO ALEGRE virou o que virou.

De maneira geral, a visão social, política e econômica conservadora, desinformada, pouco solidária e adepta do discurso do “novo” (não o novo de verdade mas, sim, a retórica do mais do mesmo) que observamos no RS e, mais particularmente, em POA, com desdobramentos noticiados pelo RS URGENTE e criticados pelo DIÁRIO GAUCHE não vem necessariamente do american way of life e do consumismo propagado pela mídia de massa.

Nesse ponto, sofremos com maior intensidade a influência da vertente alemã e italiana da moral judaico-cristã.

Deixo vocês com as palavras da Graça. Tirem suas próprias conclusões…

clipped from graturck.blogspot.com

Londres: “os negros não gostam de trabalhar de dia, são preguiçosos e ficam acordados à noite”. As praças públicas cercadas em bairros de luxo, só quem tem a chave do portão as freqüenta. Por quê? Porque os moradores do bairro as cuidam, pagam, são privatizadas, logo, excludentes.

Paris: empregos subalternos ocupados por estrangeiros de países de 3º mundo. Eles aprendem que neste mundo, se tiverem dinheiro, terão valor. Logo, para consegui-lo, aprendem que têm que enganar, extorquir.

Frankfurt: “eles estão dormindo na rua porque querem. Não querem trabalhar. Começam com drogas e terminam com vinho. O governo lhes dê condições de albergue, mas ficam na rua porque querem”.

Pelo jeito, não se questiona a sociedade de classes. Parece que não existe. Tudo é culpa do sujeito ou das etnias. Logo, pode-se inferir que a Questão Social na Europa se expressa pela alienação, através do preconceito que se viabiliza pela exclusão, muito bem caracterizada nas relações cotidianas.
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CLASSE MÉDIA GAÚCHA LANÇA BOATOS À VONTADE

Candidatos definidos, o trabalho sujo não precisa ser feito pelos próprios políticos de direita do Rio Grande do Sul, o Bovinão, a República Reaça dos Gaudérios.

Vocês acham que quem trabalha para eles formal ou informalmente é quem mexe os pauzinhos?! Menos do que se imagina!

Vocês atribuem a formação da opinião da classe mérdia à mídia corporativa e a seus patrocinadores? Hummm… ACORDEM!!! Tem muita gente sem tempo nem vontade de assistir telejornais, ouvir rádio, ler jornais e revistas. E ainda há muita gente que, mesmo com acesso à internet, a utiliza apenas para e-mail, Orkut e MSN.

Essa é apenas uma parte de um sistema gigantesco, amplo, em rede, totalmente informal.

O problema do reacionarismo guasca é social, econômico, político, cultural e midiático ao mesmo tempo. A história e a psicologia social são disciplinas que deveriam participar mais desse debate e da detecção desses padrões, pois as disciplinas da sociologia, da antropologia, da filosofia, do direito, da administração, da economia e da comunicação não são suficientes para darem conta de desvelar cada um dos múltiplos nichos de uma sociedade tão ampla quanto heterogênea.

Executivos de médio e baixo escalão sem visibilidade midiática, dondocas que vivem se empetecando, parentes de militares, habitantes de cidades regidas pelo latifúndio ou onde um punhado de megacorporações globais sustenta a esmagadora maioria dos empregos e dos impostos estaduais e municipais é que jogam a merda no ventilador.

O rico anda menos reacionário nos últimos anos porque precisa de uma nova massa de consumidores e de escravos ainda mais dóceis porém muito mais qualificados do que na atualidade. Do contrário, serão engolidos pelos seus concorrentes.

Já a classe mérdia, morre de medo de ter seu padrão de vida posto por água abaixo. Morre de medo que aquelas pessoas feias, sujas, pobres, ignorantes, famintas, ladras, mal educadas, que não sabem ler, escrever, se vestir, que não usam perfume como eles estejam pau a pau freqüentando os mesmos cinemas, os mesmos restaurantes, os mesmos shoppings e por aí afora.

Não é toda a classe média que é mérdia. Mas a classe mérdia é a bucha de canhão dos ricos que não são inteligentes e que não pensam em fazer a economia crescer, mas tão-somente em lucrar o máximo e gastar pouco.

Ultimamente, têm voltado com força nas rodas da classe média alta bovina os papos de que Olívio é bebum, que Bisol é veado, que Lula cortou o dedo de propósito pra se aposentar por invalidez e que ele homologou a nova “absurda” lei do álcool na direção é porque “ele tem motorista pra levá-lo aonde quiser e beber à vontade”.

São eles que mandam contra as cotas nas universidades. São eles que dizem que 3% de todos os impostos que a gente paga vão para o PT…

Ora, ora: isso seria um caminhão de dinheiro suficiente para comprar todo o PIG e mandá-los pastar cada nota!

Gozado: NINGUÉM VOTOU EM YEDA! E ninguém comenta o escândalo do DETRAN ou do BANRISUL (a não ser pra dizer que ‘em uma empresa, essa roubalheira nunca teria acontecido’) nessas rodas!!!

Enfim… Considero que essa parcela da sociedade, por mais que diga que “ralou pra chegar onde chegou”; que realmente não sonegue impostos; que não utilize o mal fadado “jeitinho”; que viva com ética e que possua a ficha limpa na polícia, é a verdadeira escória.

Porém, há um comportamento igualmente deplorável em parte da esquerda, que se julga mais culta, mais solidária, mais politizada, mas nega falhas semelhantes de seus políticos, dos empresários com os quais simpatiza e por aí afora, como a história de que, apesar de péssimo, Antônio Britto era veado, foi para a Espanha com seu enteado, ou então que ele era “brocha”.

Discutir pessoas ao invés de discutir idéias e tornar essas discussões uma prioridade social é, mais do que um interesse comercial da mídia corporativa, um interesse dessa classe mérdia que retroalimenta a mídia de informação: eles não são reféns da desinformação que recebem e tampouco a mídia tem o poder que a ela se atribui com tamanha intensidade, por mais que ela esteja presente mediando todos os campos sociais.

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