PÚBLICO x PRIVADO + PROCESSOS: LIÇÃO PARA BLOGUEIROS

Presta muita atenção ao depoimento acima. O ator Pedro Cardoso é um cidadão de primeiríssima qualidade, altamente consciente e nada afetado. O fato de ser carioca da zona sul, de vir de família abonada, de ser ator televisivo exclusivo da Rede Globo e de ser primo do ex-presidente FHC não podem, de maneira nenhuma, desautorizar a sua posição. Até porque ele aparece rarissimamente no programa paparazzo da sua empregadora, o Video Show.

A chamada classe artística deveria mirar-se nesse espelho e aprender a diferenciar o que é notícia de interesse público e o que é prestar-se ao papel de um mero objeto vendável. A bem da verdade, há o predomínio de artistas, jornalistas e políticos que comportam-se como “celebridades”: infelizmente, sujeitam-se a aparecer de qualquer jeito só para ganhar dinheiro. Sua crença na máxima “quem não é visto, não é lembrado” os faz esquecer de que, do mesmo cume do vulcão de onde se mira o horizonte, pode-se morrer com um simples escorregão. E, para chegar a esse triste fim, não é preciso sequer tocar a lava…

A função social dessas criaturas dinheiristas, egocêntricas e – não-raro – de questionável qualidade profissional e cultural remete apenas ao entretenimento: pouco aprendem e pouco ensinam. Nesse sentido, impera a mediocridade responsável pela longa demora do país em poder finalmente alcançar um nível mais alto em sua evolução civilizatória.

Incontáveis exemplos me levam além nessa discussão. Dois deles, em particular:

– MARADONA E A IMPRENSA: longe de mim concordar, aceitar ou incitar a agressão ou a violência. PORÉM, é necessário compreender minimamente o porquê de um Diego Maradona ter ameaçado “periodistas” com um rifle defronte a sua mansão em Buenos Aires num momento delicadíssimo do seu primeiro casamento durante o auge da sua drogadição;

A MORTE DA PRINCESA DIANA: ela e seu namorado Dodi Al-Fayed morreram em um acidente automobilístico em 1997 durante tentativa de fuga não de bandidos, da polícia ou da justiça mas – pasmem – dos infames e onipresentes paparazzi.

Isso posto, vamos ao terceiro e mais importante exemplo dessa conflituosa relação: intrometer-se nos atos de pessoas públicas dentro de seus ambientes privados é fofoca, é ignorância (pelo menos ignorância jurídica), é estupidez (mesmo que não tenha sido movida pela maldade ou pelo oportunismo, o é pelo excesso de parcialidade) e é crime (independentemente da discussão entre o legal e o justo, não se pode corrigir um erro com um outro erro). Mesmo quando essas pessoas são suspeitas ou até mesmo formalmente acusadas de crimes graves e amplamente conhecidos, tal intromissão na vida privada não se justifica.

Nesse ponto, que me perdoem meus amigos blogueiros que estão sofrendo processo em nome dos netos da economista e (momentaneamente) política Yeda Crusius: hoje, o que menos importa é especular se ela quer levar algum, se a sua ação foi orquestrada (quer seja pelo seu advogado, pela classe que a sustenta no poder, pelo seu partido ou, ainda, pela intervenção de sua filha – a mãe das crianças). Importa menos ainda se ela processou inclusive o intelectual orgânico do poder econômico que transforma boa parte da classe média gaúcha em classe mérdia bovina a fim de supostamente devolver ao PIG guasca parte da sua credibilidade perdida…

…Na frieza dos códigos de lei sacramentados e atualmente válidos que determinam direitos e deveres relacionados à essa linha tênue que separa o interesse público do privado, seja para quem torce a favor, seja para quem torce contra ela e as forças que a sustentam no poder, é preciso admitir, respeitar, aceitar e acatar o fato de que –pelo menos neste caso (mesmo que, no frigir dos ovos, possa ser tão-somente neste caso) – ela tem toda a razão social e técnica a seu lado.

Sei que é indignante e quase impossível resistir ao impulso de querer fazer justiça com o próprio teclado. Todavia, há um gigantesco desconhecimento jurídico por parte de jornalistas profissionais (funcionários do PIG ou não) e de opinionistas em geral – principalmente os hoje dispostos na blogosfera, como muitos de nós.

A resistência contra um poder hegemônico (econômico, político e coercitivo) conservador, reacionário, oportunista e ignorante é fundamental. Porém, é preciso municiar-se de todas as armas disponíveis para, ao invés de ser um Flik, não passar de um pobre Don Quijote de La Mancha. O risco de errar, de pagar mico, de ser obrigado a gastar um dinheiro que não se tem e de virar a vida de cabeça para baixo em termos profissionais, afetivos e financeiros é muito grande quando não há interesse em buscar assessoria técnica adequada.

Deixo aqui a contribuição de um professor fantástico que me ensina bastante. O conheci graças às amizades que fiz pelo Twitter. Pra quem não conhece, o prof. de Direito da UFMG dr. TÚLIO VIANNA possui um blog no qual discute uma série de questões sobre direitos humanos, cidadania, política, software livre e as imbricações dessas questões com as práticas jornalísticas.

Sigam-no e leiam atentamente o artigo que escreveu junto com Cintia Semiramis sobre calúnia, difamação e injúria.

PIG + GOVERNO x BLOGS GAÚCHOS

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Tal quadro me leva a crer que a emergência (v. Steven Johnson) da blogosfera como uma mídia social capaz de roer os pés de barro da mídia corporativa já põe em xeque reputações de marionetes outrora tidas como formadores de opinião.

Quando o discurso hipócrita, raso e ineficiente de seus funcionários celetistas e terceirizados é desmascarado, eles que se virem. Mas quando esse discurso devassa a palavra oficial do PIG, entra na jogada a maior conjunção de poderes (econômico, coercitivo, político e midiático) que este mundo já viu.

PIG e os governos autoritários não percebem é que tanto esses processos absurdos como suas campanhas publicitárias desesperadas que buscam resgatar a credibilidade perdida já não encontram o eco que encontravam antigamente perante a classe média urbana.

Gigantes: queiram ou não, vocês precisam necessariamente fazer jornalismo investigativo. Entrevistar referências profissionais fora de seus pares é muito fácil, desde que não se tenha preconceito. Apurar até o fim o desdobramento de um fato qualquer antes de publicá-lo é o mínimo que se pede. Finalmente, corrigir o erro rapidamente desculpando-se em letras garrafais demonstra maior capacidade de assimilar o golpe e voltar a ter uma imagem crível.

Não sei se sou pessimista demais ou se já passei da idade de acreditar em Papai Noel. Mas ainda acho que posso assistir em vida à transformação desse círculo vicioso em um círculo virtuoso.

Um último recado: não confundam críticas à qualidade técnica, histórica e ao respeito factual ou ficcional de uma dada informação e a denúncia de práticas comprovadamente antiéticas ou ilegais com algo passível de calúnia, difamação ou injúria. Deem-se ao trabalho de nos conhecer e de dialogar de maneira saudável.

Afinal de contas, todo debate inicia-se a partir de um estranhamento. As diferentes opiniões podem até ser incapazes de mudar aquela versão jogada aos leões. No entanto, a versão seguinte tende a dar um salto de qualidade, proporcionando reflexão e crescimento.

Já falei disso aqui e repito: o modelo autoritário e centralizador da modernidade não tem mais vez na pós-modernidade. Quem não se dispõe a aceitar que pode melhorar e ser muito mais útil à sociedade é, para Kant, menor. Quem se força a ser menor, não amadurece. Mas sabe-se que até os gigantes contentam-se com a menoridade, pois não é fácil crescer…
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SAIBA MAIS:

POLÍBIO BRAGA x NOVA CORJA
FELIPE VIEIRA x NOVA CORJA
(DES)GOVERNO YEDA x NOVA CORJA
RONALDO BERNARDI (aka. RBS) x PONTO DE VISTA
LETICIA WIERZCHOWSKI x MILTON RIBEIRO

DANTAS, JORNALISMO, DIREITO, ESTADO, CIBERCULTURA

FATO 1: o Brasil não possui uma Grande Imprensa predominantemente confiável, honesta, justa, investigativa, inquisidora, denunciadora, minuciosa e nem tampouco apuradora. Sinto muito aos bons bacharéis que, ao invés de fazerem valer seu juramento, calam e consentem. Meu diploma de publicitário vale o mesmo que o de jornalista: menos do que um rolo de papel Neve usado. Essa é a realidade.

FATO 2: há vários tipos de jornalista que vivem de jabá. Quando o contrato de prestação de serviços firmado entre ambas as partes assim o permitir, alguns desses profissionais poderão seguir ligados às corporações de mídia. Outros, ao deixarem de ser funcionários dessas corporações, publicam blogs nos quais usualmente procedem de três maneiras predominantes: a) entrevistam predominantemente a mesma base de sustentação política, econômica, social, financeira e cultural de seus antigos chefes, funcionando apenas como um novo megafone para o discurso único; b) não passam de meros assessores de imprensa ou de relações públicas de seus anunciantes; c) em função de a e b, recebem muito mais do que quando eram empregados não por causa do mérito, da trajetória, da suposta credibilidade profissional, mas, sim, porque são mais conservadores e mais realistas do que o rei quando são editores de si mesmos; d) Não passam de uma mera marca, publicando notícias requentadas através do control-C control-V do que saiu em veículos maiores.

Só no RS, há vários exemplos: 1, 2, 3, 4, dentre outros. Reparem como os patrocinadores são, quase sempre, os mesmos. Há como denunciar ou como pensar diferente sendo financiado pelas mesmas fontes?!

Feliz ou infelizmente, o tão criticado, ridicularizado e até mesmo frívolo XICÃO TOFANI cumpre muito melhor com o papel ao qual se propõe a fazer do que os quatro exemplos acima.

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CONCLUSÃO 1: os fatos 1 e 2 comprovam que a midiatização da sociedade é um fenômeno que mistura funções, profissões, atribuições, direitos e deveres de cada um em uma salada cujos ingredientes são absolutamente impossíveis de serem separados voltando-se ao sabor original de cada um.

CONCLUSÃO 2: creio que nenhuma das profissões técnicas atravessada pelos meios de comunicação tem sofrido tanto com esse desencaixe da alteridade e com essa multiplicidade funcional meramente empírica sem grandes reflexões a respeito do verdadeiro papel social de cada um como os verdadeiros assessores de imprensa e os verdadeiros relações públicas. Afinal de contas, seu território foi invadido por pseudo-profissionais ou por profissionais de fato cujo treinamento e prática tinham como objetivo trabalhar outras técnicas enunciativas. Para os RRPPs e para os assessores de fato e de direito, o caminho inverso ou o rápido encontro de outro nicho no qual possam exercer a sua função sem distorções é quase impossível.
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Isso posto, há tanto no “mercado” como na academia opiniões que consideram a profissão de relações públicas extinta em função do canibalismo do assessor de imprensa. Da mesma forma, se a função do jornalista é a de criticar, investigar, denunciar, ouvir os dois lados da questão, traduzir a linguagem vicária de todos os demais campos sociais para a sociedade laica através da temporalidade e da discursividade de seus meios produzindo um discurso aparentemente homogêneo e facilmente compreensível, no momento em que a maioria dos jornalistas depende de patrocínios que carregam valores econômicos, sociais e culturais embutidos em seus objetivos comerciais que devem necessariamente deter a hegemonia sobre seus concorrentes materiais e simbólicos, o jornalismo também QUASE não existe mais – a não ser quando este não dependa da espetacularização de alguns valores e da omissão de outros para sobreviver.

Dado o atual contexto sociotécnico, não podemos mais recuar àquele antigo patamar de compreensão e de operação facilmente percebido até mesmo pela classe média ainda presa ao modus operandi da modernidade: não há como forçar a barra nem para o passado “como o ‘meu tempo’ era bom”, nem para pensar o futuro de maneira apocalíptica (‘o mundo acabou’).

Leis supostamente socializantes (leia-se moralizantes) normalmente são incompletas, arbitrárias às avessas (pois apresentam os mesmos componentes que repudiamos na autocracia de direita legitimados por oportunistas que pareciam estar do nosso lado) e repletas de brechas para que o status quo continue deitando e rolando. Na mesma direção, não consigo ser tão otimista a ponto de crer em um hipotético, utópico, ufanista e espetacularizante código de ética que torne magistrados, políticos, empresários de comunicação, jornalistas corporativos, jornalistas de mídia independente, blogueiros, radialistas, cineastas e artistas tão responsáveis e conhecedores sobre seus direitos e deveres não com a lei mas, sim, com a sociedade.

Vejo blogs dando prioridade à análise do que saiu no jornalão A ou B. Ora, jornal e revista são o de menos. Primeiro: só compra quem quer; segundo: não são concessões públicas; terceiro: cada vez menos gente lê jornais e revistas – os leitores de jornal
tradicionais estão morrendo de velhos. Seus filhos e netos ou trabalham
tanto, ou têm tantas outras opções de lazer e informação disponíveis
online que a tiragem dos jornais está caindo vertiginosamente
PRATICAMENTE NO MUNDO INTEIRO
; quarto: quase sempre, o consumidor padrão do bem simbólico crítico-noticioso pertenceu às classes A e B, cuja influência na base da pirâmide diminuiu drasticamente nas últimas décadas; quinto: a cultura pós-moderna é audiovisual, dinâmica, ubíqüa, fragmentada, inconstante – uma foto num jornal significa muito pouco para essa geração, pois a experiência sensorial que oferece é muito baixa. Seu texto correspondente, menos ainda.

Portanto, o poder do indivíduo está no atravessamento das mídias e no uso que o receptor faz do seu conteúdo na sociedade em que vive. Podemos até julgar, criticar, avaliar, duvidar e até mesmo subvalorizarmos essa experiência midiática multidimensional particular. Todavia, nenhum receptor é passivo: todos estão, cada um a seu modo, ressemantizando e ressignificando tudo o que chega até eles, transformando, reciclando, adaptando e, acima de tudo, PRODUZINDO DIFERENÇA.

Falo sempre em resistência pós-moderna. Em comunicação atomizada, descentralizada, produzida a partir de nós que estabelecem uma teia repleta de laços fortes e de laços fracos ao redor da Terra. Na solução de demandas locais, pontuais, simples, pequenas, mas que resolvem a vida de muita gente ao mesmo tempo – porém discutidas e reverberadas do local para a rede, a fim de que a rede traga de volta para o local uma repercussão em potência de 10 na comparação com a intrusividade do carro de som, das palavras de guerra inúteis do líder sindical mal articulado com o vernáculo, do panfleto mal redigido e de chegar à praça pública de maneira desordenada, impensada, não-planejada, previamente anunciada (dando a cara a tapa para a polícia e para a mídia corporativa vociferar como bem entender a respeito dessa manifestação).

Portanto, o Paulo Sant’Ana, o Nelson Sirotsky, os políticos de direita, empresários e latifundiários que eles usam em seus editoriais e até mesmo a página 10 da Rosane de Oliveira e nada são QUASE a mesma coisa.

Claro que o que fica registrado por escrito pode ser documentado e retomado tantas vezes quantas o suporte dessa informação (papel, plástico, pano) permaneça intacto. Mas o peso da mídia corporativa (sobretudo a impressa) é realmente muito menor do que parece ter. O que fede mais é o que é ouvido, o que é assistido e o que deixa mais marcas na memória – o audiovisual: o Sant’Ana no Jornal do Almoço; a Rosane de Oliveira na Rádio Gaúcha e na TV COM; o Lasier Martins na RBS TV, na Rádio Gaúcha e na TVCOM e tantos outros produzem subjetividades mais intensas e tão marcantes quanto efêmeras ATRAVÉS DE CONCESSÕES ILEGAIS DE ONDAS ELETROMAGNÉTICAS REGIDAS PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E PELA LEI GERAL DAS TELECOMUNICAÇÕES.

Mesmo assim, a TV aberta felizmente está sofrendo do mal do gigante do pé-de-feijão: não é apenas o seu público tradicional que está desenraizado da sua alteridade, da sua territorialidade e que não sabe como nem em que espaço discutir política. Ela mesma desconhece os meninos nascidos desde o início da década de 1990. No começo, atraíram-nos até o seu castelo sobre as nuvens. Depois, deixaram a galinha dos ovos de ouro ao seu lado e pegaram no sono. Finalmente, João já está de volta ao solo e já pegou o seu machado.

Portanto, é preciso ter um QI de funcho ou uma visão de mundo restrita ao volume de um ovo de tênia para acreditar piamente nos produtos políticos e consumistas das corporações mídia de massa. Afinal de contas 40% dos brasileiros já possuem acesso freqüente à internet, mais de 20% já possuem computador + acesso discado em casa e, a despeito do uso mais freqüente ser para e-mail, MSN, ORKUT, YOU TUBE, notícias (predominantemente dos mesmos grupos de mídia de massa) e, um pouco mais abaixo na lista, para ler, comentar e blogar (sendo que menos de 10% dos blogs lidos são sobre política),

Escrevi este post em função da prisão do DANIEL DANTAS (que, em breve, será solto porque JOSÉ DIRCEU é funcionário dele e JOSÉ EDUARDO GREENHALGH é seu braço jurídico e político dentro do PT, que possui o rabo preso sim, senhor) e da catrefa de peixes pequenos tucano-pefelês pega na mesma tarrafa (FHC, ACM, LUIZ EDUARDO MAGALHÃES, SERJÃO – todos escaparão); da crise no judiciário; e, finalmente, por causa das conclusões da blogosfera sobre o episódio POLÍBIO ADOLFO BRAGA x NOVA CORJA.

Até bem pouco tempo atrás, confesso que levava muito a sério o acompanhamento da mídia corporativa de massa (rádio, televisão, jornal, revista). Hoje, ela me irrita: se intromete na minha vida, no meu trabalho, no meu lazer, na minha intimidade, no meu espaço, na minha privacidade, usa um megafone a 10 cm de distância do meu ouvido, cores berrantes e letras garrafais a 1 cm dos meus olhos e passa o tempo todo dizendo o que e como comprar, como educar os filhos, como votar, quais deveriam ser os meus valores, como ela acha que eu deveria ser cidadão e por aí afora.

Não nego que, embora socialmente precário e reduzido, o seu papel informativo existe e possui lá a sua importância. Também não nego nem a necessidade e tampouco a importância de algo que me irrita muito mais do que o suposto efeito dos meios de comunicação, que são as instituições políticas e sociais. Também não pretendo me tornar um fora-da-lei.

Todavia, o que se vê na política, nas corporações e em parte da mídia nada mais é do que o reflexo da pior crise de identidade da história da humanidade. Tal crise torna-se ainda mais dramática à medida que nem metade da população das duas últimas gerações brasileiras ainda é capaz de enxergar o mundo simultaneamente a partir de todos os significados pessoais e sociais de pertencer a um certo território ao mesmo tempo em que teletransporta-se incessantemente no ritmo da vazante da infomaré.

As leis e o uso do poder no Brasil contemporâneo não dão conta nem dos integrados, nem dos apocalípticos. A aproximação e o intercâmbio entre ambas as maneiras extremistas de reconhecer a si mesmo dentro da sociedade surgem em ondas disformes, impermanentes, imprecisas que, assim como vêm até a praia, voltam para o oceano.

Então, como é que eu posso aceitar me submeter passivamente a um sistema caduco que só me prejudica?! Pra que chover no molhado tentando convencer tanta gente diferente a pensar como eu se nem eu mesmo sei se o que é melhor pra mim hoje vai ser melhor pra mim ou pra todos amanhã?!

Se eu quero adesão, parece ser mais fácil eu disponibilizar o que eu penso não através de um outdoor, de um megafone ou de um locutor piegas cheio de caras e bocas: eu vou deixar poucas idéias – nada muito complexo – num lugar onde quem quiser ver, vai encontrar. Se gostar, vai falar comigo. Se quiser aderir, vai multiplicar à sua maneira. Quando houver massa crítica suficiente (que pode ser de Porto Alegre, de Roma ou de Nairobi), a gente articula um plano de ação, cada um no seu lugar. Quando tudo estiver pronto, a gente sai pra rua sem ser contra ninguém, mas apenas a nosso favor.

POLÍBIO BRAGA, NOVA CORJA, JUSTIÇA E BLOGOSFERA

O experiente jornalista e advogado POLÍBIO ADOLFO BRAGA teve seu pedido de Ação Ordinária Cominatória c/c Indenização por Danos Morais e Antecipação de Tutela no valor de R$950,00 cobrado do editor do blog NOVA CORJA, jornalista WALTER VALDEVINO OLIVEIRA SILVA, indeferida pelo juiz Regis de Oliveira Montenegro Barbosa da 18ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre.

Contra fatos não há argumentos: o blog dos jovens jornalistas safou-se do processo simplesmente por ter feito o seu trabalho. Um jornalismo tecnicamente correto e minucioso através de pesquisa, entrevistas, documentação e conferência que contou com a colaboração de um atento leitor. Braga pagou um micaço daqueles ao ter seu pedido de indenização acima citado (ele queria a “fortuna” de R$950,00) indeferido.
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PERRRGUNTAS:

1) Quantos jornalistas que formam ou formavam a tropa de choque do poder hegemônico local recebem ou receberam jabá?

2) Por que “ajudar” a manter o blog de um único jornalista (se não houver outros beneficiários desse ‘agrado’)?

3) O que a FENAJ pensa sobre isso?
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Só para constar, os patrocinadores do blog de POLÍBIO são os seguintes:

CREMERS (Conselho Regional de Medicina do Estado do RS)
“MEDICINA COM ÉTICA E DIGNIDADE”

TAURUS (ferramentas e ARMAS DE FOGO)
“GERANDO EMPREGOS/DIVISAS PARA A NOSSA INDÚSTRIA”

SIMERS (Sindicado Médico do RS)
“A VERDADE FAZ BEM À SAÚDE”

ALERGS – ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RS
“SOCIEDADE CONVERGENTE

BANRISUL (Banco do Estado do RS)
“QUEM TEM BANRISUL TEM TUDO”

ARACRUZ
“FAZENDO JUS AO SEU PAPEL”

DTD DATADROME
“DATA CENTER E HOSPEDAGEM WEB SOB MEDIDA”
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PORTANTO, MAIS PERRRGUNTAS:

4) Por que que duas entidades de classe dos médicos, cujo juramento é o de preservar a vida, investem em um blog sobre política lado a lado com uma empresa que fabrica uma linha de produtos cuja única função é lesionar, traumatizar, aleijar e matar (TAURUS) e com uma empresa que gera apenas um emprego a cada 167 hectares, planta milhões de pés de eucalipto onde, CADA UM, consome 30l/dia?

5) Não há uma grave contradição entre entidades médicas estarem lado a lado com um fabricante de armas? O que o CONAR diria sobre isso?

6) Qual o interesse da ALERGS e do BANRISUL em bancar o jornalista?

7) O parlamento gaúcho não deveria ser uma casa que prezasse o debate e a representatividade de TODA a sociedade gaúcha? Logo, por que não vemos banners de órgãos públicos em sites e blogs de ideologia contrária a fim de equilibrar as visões multifacetadas da sociedade?

8) Por que a desgovernadora pediu penico ao BIRD se há verba até mesmo para pagar um blogueiro amigo?

9) Por que o BANRISUL, lucrativo e
bem administrado que é, não fomenta o pequeno agricultor nem com
plaquinhas de madeira pintadas à mão na porteira de suas propriedades
humildes porém honestas, produtivas e sustentáveis?
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A blogosfera brasileira já dispersou, pulverizou, divulgou a torto e a direito esse triste caso de onipotência, presunção e negação daquilo que se fez, que se faz e que se é. Confiram abaixo nos vários links que pesquisei em poucos minutos:

POLÍBIO QUEM?

CARTA ABERTA A POLÍBIO BRAGA

POLÍBIO BRAGA? EU NÃO CONHEÇO

EU NÃO CONHECIA O POLÍBIO BRAGA

POLÍBIO BRAGA – IMBECIL JORNALISTA BRASILEIRO ESCREVEU…

POLÍBIO BRAGA: O PRÓPRIO

POLÍBIO BRAGA: INVEJA É COISA FEIA!

POLÍBIO BRAGA (Wikipedia)

EU NÃO CONHEÇO O POLÍBIO BRAGA

POLÍBIO ADOLFO BRAGA ATACA UNISINOS COM ÓDIO

POLÍBIO BRAGA RESPONDE NOTA SOBRE AÇÃO AJUIZADA CONTRA BLOG GAÚCHO

QUEM É POLÍBIO BRAGA?

EU NÃO CONHEÇO O POLÍBIO BRAGA

JORNALISTA GAÚCHO AMEAÇA BLOGUEIROS DO ‘NOVA CORJA’

POLÍBIO BRAGA CAI NO CONTO DE QUE O ABORTO DIMINUI A CRIMINALIDADE

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Só nos exemplos acima, o jornalista:

a) Quase criou um incidente diplomático com Portugal e acabou ridicularizado em outro continente;

b) Criou um incidente contra uma das maiores universidades privadas do Cone Sul só porque ela foi acadêmica, teórica, técnica e empírica ao defender dialeticamente o fato de que os movimentos sociais (no caso, o MST) podem – por que não – ser um excelente mercado de trabalho para os novos profissionais de comunicação;

c) Virou motivo de chacota não no meu blog ou na NOVA CORJA, mas em blogs como o BAR DO EDNEY, o IMPRENSA MARROM e o LADYBUG, que possuem MILHARES DE VEZES a audiência DIÁRIA que todos os 20 principais blogs gaúchos de política e mídia possuem SOMADOS.

Para um homem sério, respeitado, reconhecido e experiente (sem ironia), que até já foi chefe da Casa Civil estadual, secretário municipal de Alceu Collares e ainda é filiado ao PDT, a repercussão amplamente negativa que atingiu não foi pouca coisa.
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Por fim, eu não tenho nada contra o senhor POLÍBIO ADOLFO BRAGA, nem tampouco contra sua profissão ou família. Apenas repercuto o fato diante de algo que me soa como censura, arbitrariedade e uma visão juridicamente equivocada dos conceitos de calúnia e difamação.

A postura ameaçadora e agressiva deste senhor foi baixa, quase gangsterista.

A vida continua. O mundo gira. Ele continuará com seus leitores fiéis, com seus defensores contumazes e fazendo parte da mesma rede social que crê nos mesmos valores em que ele acredita. E, salvo raras exceções, até o final de sua vida, seguirá recebendo uma quantia mensal dezenas de vezes maior do que a de todos os blogueiros que o elogiam e o criticam eventualmente.