YEDA, CPI, CONJUNTURA, PT, AÇÃO SOCIAL

O Agente 65 pergunta o seguinte no post que originou o que mais abaixo escreverei:

“Minha opinião é que sai a CPI, deputados renunciarão, secretários pedirão demissão, Yeda abdica do trono e muita gente vai pra cadeia. Duvida?”

Respondi a ele nos comentários que adoraria não duvidar. Porém, não confio no Judiciário, que é tão oligárquico quanto os corruptos que mandam no RS há zilhões de anos. Não adianta: o Judiciário é tão viciado quanto o jornalismo corporativo porque a origem econômica e social dos funcionários mais destacados é similar à dos donos da indústria para a qual produzem.

A necessária mudança na mentalidade e no perfil conservador e preconceituoso do grosso dos integrantes atuais dos campos jurídico e midiático só se dará no Brasil quando pelo menos duas gerações de novos juristas e de novos magistrados for oriunda do Bolsa Família, do ProUni e da tão esperada quanto lenta e gradual qualificação do magistério público no Brasil.

Por semelhança de valores e por não existir imparcialidade em absolutamente nenhuma questão humana, a referência de todos costuma ser sempre a da proximidade (comunitária, étnica, religiosa, profissional, etc.): quanto mais parecido for o réu, a testemunha ou o acusador com o advogado, com o juiz, com o desembargador, com o procurador e assim por diante, maiores serão as suas chances de ser culpado ou inocente, dependendo da situação.

Sou do tempo em que figuras lamentáveis que estão em evidência no cenário político-partidário gaúcho há anos possuíam seus 45, 55 anos. Nesse sentido, vendo-as hoje com 70 a 80 anos e repletas de sucessores estúpidos e menos inteligentes, percebo um tom positivo: afinal de contas, parece que a sucessão “real” passará mesmo a ser uma sucessão mais democrática caso as leis de financiamento de campanha reduzam a possibilidade de caixa dois.

Voltando à questão: como tudo isso irá demorar, na minha opinião, não menos do que duas décadas, por ora, o PT não tem como se coligar com nenhum dos grandes partidos por duas razões: primeiro, porque a esquerda como um todo se fragmentou; segundo,  porque não adianta nada o Tarso ter 35% contra 28% do Fogaça agora (acho que essa diferença não aumenta nem diminui grande coisa até as eleições), já que a direita se junta e derrota a esquerda quase sempre.

Contudo, o pior desse quadro é o fato de que a prática da mídia corporativa tende a se manter muito semelhante à prática atual em função de ainda não verificarmos uma pressão considerável do Governo Federal contra as concessões públicas concentradas nas mãos de poucos. Quero crer que o projeto secreto do qual Eduardo Guimarães fala que está agilizando com um determinado grupo de interessados (que, a meu ver, não precisava ser secreto) e que a Conferência Pró-Democratização da Comunicação (não sei se o nome é bem esse – estou com pressa de procurar), que envolve concessões bem mais flexíveis e baratas para rádio e TV digitais juntamente com a aceleração na instalação de banda larga nas periferias realmente decolem. Do contrário, a emergência de ações políticas, sociais e econômicas contundentes na direção da satisfação das demandas da base da pirâmide oriunda das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) ainda não se dará no mesmo nível em que ocorrem nos EUA pelo menos desde 2004.

Continuando essa estrutura conjuntural da mídia e do Direito no ponto em que nos encontramos hoje, infelizmente, preciso dizer que as chances do Desgoverno Yeda cair de vez antes do final de seu mandato será pequena. Caso Yeda caia, Feijó será governador. Em um lance rápido, poderá privatizar tudo. Portanto, não adianta entrarem os suplentes de possíveis deputados afastados pela  ação de uma lenta CPI. Os comprovadamente culpados de corrupção, tráfico de influência e outros tipos de crimes só serão julgados anos após o final de seus mandatos.  Mesmo assim, uma quantidade considerável dos meliantes se safará dessa em função do Judiciário que temos.

Se quem julga e quem é julgado pensa o mundo de maneira muito parecida e costuma fazer parte das mesmas redes sociais, independentemente de nomes, partidos, intenções pessoais e de não terem absolutamente nada contra si na Justiça, a tendência é a de que a maioria dos suplentes que porventura venha a ocupar os cargos vagos será conivente por interesse. Nesse caso, a conivência por interesse é irmã do “calar e consentir”. Normalmente, essa prática é muito mais nocivo ao sistema do que o ladrão direto e explícito: afinal de contas, não é preciso meter a mão na grana pra se beneficiar largamente.

Classe mérdia bovina, obrigado por tudo. Ontem, hoje e durante mais um bom tempo…

Enquanto isso, sigo o verso da canção Caio no Suingue do grupo de percussão carioca Pedro Luís e A Parede:

SE TODOS REALIZAM ALGO, O MUNDO SEGUE O SEU CAMINHO.

É por isso que, embora necessária e por mais que eu seja ideologicamente identificado com a esquerda; por mais que eu siga votando no PT por identificação programática e por simpatia pessoal com muitas pessoas, gostaria de ter opções mais sólidas, que fizessem menos concessões e conseguissem ter peito de agilizar mais as reformas em curso no país.

Nesse ponto, confio mais na ação do voluntariado, nas redes sociais, no uso das TICs e na mudança de um discurso menos partidário e menos evangelizador, voltado para a juventude através de uma linguagem mais imagética do que textual.

Pressionar o poder institucionalizado é muito mais eficiente do que fazer parte dele. Afinal de contas, sem envolvimento partidário direto, é muito mais fácil preservar a integridade dos valores e aglutinar pessoas próximas com objetivos comuns a fim de meter a mão na massa e desburocratizar as ações enquanto estivermos vivendo sob este contexto.

ESQUERDA INTELIGENTE = ATIVISMO EM REDE

A notícia do dia no RS foi a imperdoável nomeação do emeerreoitista ex-peemedebista, neoliberal, amigo dos detrânicos e, quem sabe, talvez até chantagista de vice-governador para uma secretaria estratégica na cidade vizinha de CANOAS, agora governada por uma inacreditável aliança do ex-PT com os latifundiários herdeiros da ARENA. Fico com a posição do DIÁRIO GAUCHE e acresento:

É o dirceuzismo guasca dando seus ares: se a executiva estadual do partido exigir que o prefeito JJ volte atrás na nomeação dessa hiena, a RBS vai dizer “Quando surge um político promissor, diferente, não-sectário, que só pensa em agregar ao invés de dividir, vem o ‘velho’ PT que, com sua intolerância a novos tempos de tentativa de consenso, segue sendo do contra.”

Se o PT ainda não morreu, está respirando por aparelhos. É por isso que eu digo: RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA – NEGRI e HARDT

Resistir ao poder simbólico utilizando armas simbólicas em rede, de maneira descentralizada, sem uma liderança central, sempre trabalhando horizontalmente.

Pressionar o poder sem jamais almejar fazer parte dele. Exigir demandas populares, progressistas.

Não importa o partido, nem a instituição: esse tipo de resistência não patrocina nem é patrocinado; não apóia e não é apoiado; não representa e não é representado por nenhuma instituição cujo auge se deu na modernidade (partidos, governo, exército, clubes, sindicatos, federações de empresas, igreja, forças armadas + polícia, legislativo ou judiciário.

Pressão, proposta, cobrança, ironia, textos curtos, muitas imagens, usar a internet pra conclamar e não apenas para criticar ou para informar aquilo que a mídia corporativa oculta sob a opacidade de seus processos.

Ativismo e política não são sinônimos de política partidária.

CHEGA DE APOIAR O PODER INSTITUCIONAL. Precisamos dele por uma questão de leis e de organização. Porém, a postura precisa ser, mais do que crítica, cética.

A militância operária perdeu o sentido, pois o Brasil é um país de quase 90% de população urbana, da qual quase 60% vive nas capitais. Quem foi criado já sob o predomínio do comércio e dos serviços nas grandes cidades não possui identificação com o operariado.

É por isso que eu acho que o MST tinha que começar a ensinar os favelados a plantar hortas comunitárias: iriam ganhar moral com o grosso da população que, aí, teria condições melhores de não se deixar enganar pelo PIG tanto quanto se deixa hoje em dia.

ILUSÕES E DESILUSÕES DE UM MILITANTE DE ESQUERDA BURGUÊS

Bem sei que minha opinião formada por um olhar que me força sempre a duelar contra as minhas crenças a fim de encontrar nelas as suas próprias idiossincrasias ou contradições através do distanciamento crítico cria muitas discordâncias em relação ao pensamento da própria esquerda bovina (sim, os bovinos estão por toda a parte na capital e no RS).

Fui líder estudantil no final do 1º grau em escola pública. Estudei em universidade pública, gratuita e, até então, ainda de qualidade. Viajei pelo país em três ENECOMs; fui militante do PT durante quase duas décadas e, sempre que tiver tempo ou julgar minha opinião útil e – acima de tudo – passível de ser devidamente ouvida, respeitada e aceita, ainda participarei eventualmente de reuniões no diretório municipal.

Tenho vários episódios de embates urbanos durante campanhas partidárias-eleitorais que, felizmente, posso garantir com toda a honestidade do mundo que JAMAIS foram provocadas por mim ou por qualquer um dos millitantes que estavam junto comigo em tais ocasiões:

1) No canteiro defronte à Praça da ENCOL, um homem com menos de 40 anos muito bem vestido e bem grande (gordão e com cerca de 1,90m de altura), arrogante e irônico, atravessou a rua para provocar a nossa militância. Algumas professoras estaduais e seus filhos queriam apelar para a ignorância. Felizmente, meu distanciamento permitiu-me ser o único do grupo a enxergar um carro estacionado defronte à praça com um cara de estilo muito parecido com o do que veio nos provocar cujo motorista estava sorrindo com uma câmera de vídeo. Prontamente, apontei-o para todos e apartei o princípio de desentendimento (1994);

2) Quase fui atropelado com o sinal fechado por um jovem motorista de um Gol que sentiu-se muito incomodado com as bandeiras do PT tomando conta do cruzamento da Mostardeiro com a Goethe defronte ao Parcão de maneira alegre, pacífica e hegemônica (1998);

3) Me deixei ser “espancado” pelo inócuo “pauzinho de plástico” da bandeira de uma eleitora do Rigotto defronte ao HSBC da 24 com Olavo Barreto Viana. Se o filho dela não fosse um guri sensato, a merda estaria feita: eu tinha tanta razão que fiquei parado e ameacei processá-la e chamar a imprensa (2002);

4) De 1989 até 2006 (a última campanha da qual participei nas ruas), sempre bandeirando nas avenidas Nilo Peçanha, Carlos Gomes, Plínio Brasil Milano, 24 de Outubro, Goethe, Independência, Osvaldo Aranha, Parcão, Redenção, Gasômetro e indo a todos os comícios no Largo da EPATUR (em 2008, foi a primeira vez que eu sequer soube quando haveria algum comício e perdi os dois ou três que ocorreram), cansei de ser abordado por pessoas que perguntavam se eu era CC, professor, funcionário público, dirigente sindical, delegado de partido, desempregado, se não tinha coisa melhor pra fazer, “como é que um moço tão ['bonito, inteligente, alegre, cheio de energia', etc. - dependendo do interlocutor, que quase sempre, esteve enganado em relação a mim] é capaz ‘disso’?”

Além dessas histórias urbanas, sempre tive calorosas, pouco civilizadas e extremamente traumatizantes discussões familiares (sobretudo quando eu era muito novo e era conscientemente censurado e inconscientemente humilhado perante estranhos pelo meu pai e pelo meu irmão), as quais durante muitos anos, mesmo coberto de razão, não conseguia saber me defender nem contra-atacar de maneira racional e fidalga. Essas são as marcas que mais doem e que nunca irão se apagar: mesmo sem ódio, sem raiva e procurando evitar esse tipo de desgaste, não nego minha fraqueza de, mesmo conseguindo entender o porquê deles serem assim, é impossível para mim não guardar rancor. Nenhuma demonstração atual ou futura de amor, carinho, atenção, respeito, solidariedade ou coisa parecida até hoje foi capaz de fazer com que eu esqueça, minimize ou seja capaz de me sentir melhor em relação a esses sentimentos.

Meus bons e velhos amigos, em muitos momentos foram mais significativos e mais importantes em termos de empatia e de afinidade do que com a minha própria família. Contudo, hoje sei que não há como contar nem com os amigos, nem com a família para tudo: cada grupo de afeto e de identidade supre determinadas necessidades individuais e coletivas, mas é incapaz de satisfazer a todas.

As escolhas profissionais e a maneira com que cada um foi criado, mesmo tendo uma adolescência de esquerda a partir de pais entre 10 e 20 anos mais jovens do que os meus que efetivamente tentaram lutar contra a ditadura civil e militar de direita, hoje são muito divergentes das minhas: pode-se dizer que eu nunca consegui ser pragmático e que sempre tive severas divergências em relação a me tornar ou a me sentir como um escravo do “deus-mercado”. Mantendo-me parcialmente à margem do sistema, ainda não tive filhos, não possuo patrimônio, não viajei pelo mundo e não consegui estabelecer uma rede social capaz de me ajudar profissionalmente.

Foi extremamente difícil tentar integrar-me a esse sistema. Demorei muito tempo até descobrir minha vocação autêntica e para entender que politicagem, subjetividade e, acima de tudo, a necessidade de estabelecer laços HONESTOS e SINCEROS com pessoas influentes (ou muito populares, ou dotadas de um alto poder político, social e/ou financeiro) é a única forma de se conseguir chegar aonde se quer sem sectarismo e com a capacidade de poder circular com respeito por vários ambientes diferentes inclusive em meio a severas divergências.

Jamais mudarei de lado. Porém, sei que que meu ponto-de-vista baseado em uma matriz teórica contemporânea gera um afastamento da visão reducionista e simplista que é progressivamente irreversível e autofágica em função da miopia da única forma aceita e conhecida de se fazer política: partidos e sindicatos mandam, os outros “bedecem”.

A paixão, a idolatria e a defesa incondicional de práticas e de pessoas cuja contribuição política e cidadã não vale meio centavo furado em relação a tudo o que OLÍVIO DUTRA protagonizou me fez estudar e pesquisar seriamente outras alternativas legitimamente políticas, politizadas e politizantes, atuantes, ativistas, cidadãs, esclarecidas e mobilizantes ainda emergentes cujos resultados têm sido muito mais eficientes do que sob lideranças centralizadoras baseadas em uma visão atrasada e retrógrada (que não tem nada a ver com o discurso direitista do ‘novo’).

Para mim, o declínio do sistema representativo político baseado em partidos cujo financiamento de campanha funciona de maneira X e que depende de uma espécie de relacionamento Y a fim de sobreviver às forças conservadoras (banqueiros, megacorporações globais, latifundiários, agronegócio, políticos de direita e corporações de mídia) exige uma ampla discussão a fim de buscar uma nova legislação capaz de fazer com que alterações profundas nesse modelo falido possam fazer com que ele volte a fazer sentido para a sociedade como um todo.

Enfim… Tudo o que demanda centralização, autoritarismo e pensamento único me torna extremamente pessimista e faz com que eu, alguém disposto e interessado em debater a respeito de qualquer coisa desde sempre, chegue ao extremo de considerar perda de tempo discutir política sob os moldes partidários, eleitorais e representativos sob este modelo.

Há muita gente extremamente lutadora, de biografia tão longa quanto significativa e que é muito conhecida no meio da esquerda sul-riograndense por uma quantidade enorme de militantes mergulhando em uma espiral de ilusão, de auto-enganação e de incapacidade total de analisar o macroambiente, por mais que leia, por mais que participe de palestras e cursos, por mais que viaje.

Há, tamb

FOGAÇA ESTÁ SE LIXANDO PARA OS POBRES

O Governo Lula, o Governo Yeda eo Governo Fogaça definitivamente consideram válidas as reivindicações feitas tão-somente por pessoas que possuem certidão de nascimento + carteira de identidade + carteira de trabalho + endereço fixo.

Isso significa que, em nosso país de regime varguista neoliberal, cidadania e direitos são altamente seletivos, retirando do poder público a responsabilidade acerca da exclusão social. Agradecem os defensores do “Estado mínimo”, os financistas, os latifundiários e os políticos coronelistas e clientelistas.

Pelo menos neste caso, ainda há mínimos resquícios do ex-PT, já que MARIA DO ROSÁRIO – ao menos no discurso – foi minimamente capaz de responder às questões feitas pelo BOCA DE RUA.

Toda e qualquer candidatura, todo e qualquer programa de governo, todo e qualquer estatuto de partido e toda e qualquer pessoa vendida como mercadoria não passam de LIXO: a única vantagem do PT é que MARIA é reciclável e JOSÉ é altamente poluente.

Estou constrangido de fazer campanha e de me sentir impelido a votar, pois tudo o que é sólido se desmancha no ar. As pessoas que ainda têm um pouquinho de hombridade para quererem fazer política, que o façam fora de partidos, dentro das comunidades.

Não sei até que ponto é “bom” ou “ruim” fazer coro aos milhares de ingênuos iludidos que ainda crêem em política partidária de “esquerda”, em greves e, sobretudo, no atual movimento sindical burro e hipócrita calcado na mera reivindicação por “emprego” e “salário ao invés de juntar a rica contribuição de seus filiados para oferecer-lhes cursos de empreendedorismo, de legislação tributária e de finanças para que eles deixem de ser dependentes de migalhas do Governo, dos grandes empresários e dos próprios sindicatos.

clipped from bocaderuanainternet.blogspot.com

Os integrantes do Boca de Rua elaboraram nove perguntas aos candidatos à prefeitura de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB) e Maria do Rosário (PT). As perguntas foram encaminhadas às assessorias das candidaturas no dia 10 de outubro, às 16h30min. A assessoria da candidata Maria do Rosário enviou as respostas no dia 18, às 20h30min. Avisamos, então, a assessoria do candidato José Fogaça que, se não recebêssemos suas respostas, teríamos que publicar somente a entrevista de Maria do Rosário. Até o momento, não recebemos retorno da assessoria de Fogaça, portanto, seguem abaixo as respostas da candidata Maria do Rosário.
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