Infelizmente, não é questão de ser otimista ou pessimista: nunca antes ocorreu uma diferença tão grande entre os dois candidatos que vão ao 2º turno, seja à Prefeitura de POA, seja ao Governo do Estado do RS a partir do colégio eleitoral da capital.
O PT da capital e os antigos baluartes do partido perderam o trem da história: é preciso saber fazer mídia. A propaganda eleitoral tem mais é que vender um candidato como se fosse um produto, mesmo.
Não dá pra querer forçar a barra e querer “conscientizar”, “educar”, “ensinar” as pessoas. Cada um acredita naquilo que quiser. Como a maioria da população de POA não é mais pobre mas, sim, classe média, a maioria da população passou a ser extremamente conservadora por medo de perder o pouco que tem.
As escolas são um lixo: os analfabetos funcionais estão em todas as classes sociais, em todas as profissões, na esquerda, na direita ou desinteressados da política. É preciso saber comunicar-se através de uma linguagem que as pessoas possam compreender.
O PT se isolou e foi isolado. Não dá mais pra exigir que o partido não se coligue com outros que não pertençam ao mesmo campo ideológico. Só se deve cobrar um mínimo de sensatez e respeito, ou seja, não fazer coligações nem dividir palanque com PP, DEM, PPS e com 2/3 do PMDB.
Por pior que seja, PDT e PTB poderiam ser bastante úteis e fariam toda a diferença caso não fizessem parte da aliança pró-Fumaça.
A política partidária está morrendo porque não é jogo para puritanos nem para quem é 100% honesto: mesmo que a maioria das pessoas não aceite ladrões e corruptos, não vê nada demais nos oportunistas.
Quem ainda acredita em uma sociedade justa deveria se juntar pra mudar as leis de representatividade e de financiamento de campanha. Se isso não funcionar, a única saída é fazer trabalho voluntário comunitário ou através de ONGs idôneas.
O PT só conseguiu prefeituras pequenas (à exceção de Canoas e, talvez, Pelotas). Surpreendeu em Santa Rosa, Erechim e Bento Gonçalves. Retomou Bagé. Na Grande POA, só ganhou porque a população das cidades por onde passa o Trensurb é muito pobre. Onde predomina a classe média, vai dar sempre centro-direita ou extrema-direita.
As perdas em Santa Maria, Alvorada, Viamão e Caxias do Sul e a esmagadora e humilhante derrota em Porto Alegre possuem um significado muito maior do que o de ter eleito mais vereadores e mais prefeitos em municípios inexpressivos.
Eu fico muito triste por estar acompanhando a morte de algo que me fez acreditar que poderia existir política partidária honesta e capaz de trabalhar para a maioria das pessoas sem ser excludente.
Quando morei no Rio de Janeiro, descobri uma coisa: lá, as pessoas comuns que são pobres, de classe média baixa ou idosas de classe média alta são muito mais solidárias, exigentes e cidadãs do que aqui.
O Rio praticamente não tem mais políticos relevantes de esquerda nem partidos de esquerda com grande quantidade de filiados: o que importa pra eles é deixar de lado a preocupação se o prefeito ou governador vai ser do PSDB, PP, DEM, PTB, PDT e PMDB pra se envolverem mais em trabalho voluntário.
Na zona sul do Rio, essa consciência existe porque a favela é grudada aos bairros mais ricos: existe convivência diária entre classes sociais.
Agora… Na Barra e no Recreio, como as pessoas moram em condomínios fechados, são mais preconceituosas, excludentes, reacionárias e ignorantes. Porto Alegre está-se tornando uma grande Barra.
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