COMUNICAÇÃO COMPARADA E DESCONSTRUÇÃO

Meu querido professor WLADYMIR NETTO UNGARETTI faz um trabalho árduo de COMUNICAÇÃO COMPARADA* nos principais jornais brasileiros através do seu blog PONTO DE VISTA.

No BOVINÃO, os blogs AGENTE 65, ALMA DA GERAL, DIÁRIO GAUCHE, DIALÓGICO, LA VIEJA BRUJA e RS URGENTE estão entre os principais expoentes da comunicação comparada. Na maioria das vezes, quando se propõem a analisar o que ficou opaco no discurso político revelado pela mídia corporativa, costumam fazer análises muito difíceis de serem desfeitas com honestidade e conhecimento de causa.

Mais do que um exercício de pesquisa e ensino, este é, sobretudo, um trabalho de conscientização social. Creio que tudo o que não encontra coro na esmagadora maioria das chamadas classes A e B precisa ser insistentemente trazido à discussão.

Em primeiro lugar porque, salvo raras e honrosas exceções, a verdade faz com que seu status quo seja ameaçado. Em segundo lugar, porque eles realmente não sabem ler (o que é muito mais vergonhoso do que grande parte da esquerda, dos movimentos sociais e, sobretudo dos excluídos, não saberem interpretar mensagens escritas em português com um mínimo de competência escolar).

* Segundo a ementa do bacharelado em COMUNICAÇÃO SOCIAL – HABILITAÇÃO: JORNALISMO da FABICO/UFRGS, a disciplina chamada COMUNICAÇÃO COMPARADA trabalha os seguintes tópicos:

Desenvolvimento de estudos comparativos de sistemas de Comunicação: Tipos de Propriedades, objetivos, funções, conteúdos e estética. Questões culturais, ideológicas e de controle. Condições de produção, circulação e consumo de mensagens.

Este é um quesito fundamental para a compreensão do papel dos meios de comunicação no Brasil e no mundo. No entanto, a multiplicidade de veículos independentes atuando na internet e as próprias contradições inerentes ao gigantismo e à crença no pensamento único em defesa do capitalismo neoliberal pressopõem que haja misturas e referencialidades entre tudo e todos, sejam concorrentes ou parceiros.

Ao mesmo tempo em que a mídia corporativa brasileira formou-se a partir de benesses em concessões públicas e na permissão do exercício parlamentar diretamente exercido por alguns barões da comunicação social, ela também apresenta uma faceta positiva, embora minoritária, de informação relevante para pequenas comunidades. Nem tudo é ideologizado, embora seus cadernos de Política, Economia e também boa parte de Esportes e Cultura ergam certas bandeiras – tudo em nome do patrocínio.

Já a mídia de esquerda, mesmo que minta, omita e procure manipular menos a interpretação dos fatos, infelizmente também apresenta contradições que põem em risco a sua credibilidade, pois ela também comete irresponsabilidades.

O mundo das oito famílias que dominam o cenário no Brasil é tão nocivo quanto o do antigo PRAVDA russo ou do cubano GRANMA. Portanto, a luta pela democratização nos meios de comunicação deve ser sempre pautada por tiragem, alcance, meios técnicos e clareza ideológica o mais equilibrada possível.

Duvido que, caso a esquerda fosse mais inteligente para fazer dinheiro e para criar, manter, fortalecer e expandir sua rede social, ela não seria igualmente totalitária e manipuladora. Afinal de contas, sempre haverá oposição e discordância em todos os níveis.

Feita essa advertência, considero que a possibilidade teórica mais viável para a manutenção e para a melhoria da prática da comunicação comparada na pós-modernidade parece ser mesmo uma adaptação da teoria da DESCONSTRUÇÃO criada pelo filósofo argelino-francês do século XX JACQUES DERRIDA para os campos da Comunicação, das Ciências Sociais e das Ciências Humanas Aplicadas em geral.

Ao contrário do que muitos pensam, desconstrução não significa nem nunca significou destruição ou desmontagem: o autor considera que há sempre dois lados diametralmente opostos em qualquer discurso literário. Um desses lados está sempre ocupando uma posição central, de domínio, predomínio, hegemonia, comando, poder, coerção, procurando fazer de tudo para que o lado contrário seja sempre minimizado, criminalizado, desprezado, ignorado, desvalorizado. Se puder desaparecer, melhor.

Porém, ambos os lados, sem exceção, não são heróis, não são os melhores, não são completos e nem tampouco os vilões ou os piores da história: as suas contradições e a sua alternância entre o centro e a periferia são fundamentais para a maior de todas as utopias humanas, que é a eterna busca da paz através da racionalidade e do equilíbrio, possíveis somente pelo diálogo entre os humanos.

Powered by ScribeFire.

CIDADÃO HONESTO DEVE EXIGIR IMPEDIMENTO DE YEDA

Diante da série final de duas perguntas e duas respostas que o jornalista PAULO HENRIQUE AMORIM fez com o ex-secretário de Justiça e Segurança Pública ÊNIO BACCI a respeito dos detalhes daquilo que ele revelou à CPI DO DETRAN, não resta a menor dúvida: a desgovernadora incompetente, clientelista e desonesta YEDA RORATO CRUSIUS TEM CULPA NO CARTÓRIO, SIM, SENHOR!!!

SE ELA NÃO ROUBA, PROTEGE QUEM ROUBA. E A RBS A PROTEGE. PORTANTO, NÃO EXISTE NEM O INTERESSE REPUBLICANO POR PARTE DELA, NEM A LIBERDADE DE IMPRENSA E O INCENSADO “MITO DA IMPARCIALIDADE” NO JORNALISMO CORPORATIVO!!!

Por favor, leiam as questões abaixo. A farra com o dinheiro público e com as não-licitações apenas neste caso (o vice-desgovernador FEIJÓ denunciou uma ponta de iceberg também no BANRISUL e nas terceirizações feitas pela FAURGS), sem levar em consideração o pior estágio da saúde, da educação e da pequena agricultura na história do RS, já seriam suficientes para que a POLÍCIA FEDERAL FIZESSE UMA DEVASSA NAS CONTAS DE YEDA!!!

 

Conversa Afiada – Deputado, eu soube que o senhor esteve no Ministério Público do Rio Grande do Sul aí em Porto Alegre, não é isso?

Ênio Bacci – Exato e tive agora com a promotora que cuida do patrimônio público aqui no Rio Grande do Sul, bem como o promotor, a Dra. Luciana Maria Ribeiro Alice e o Dr. Eduardo de Lima Veiga, levando a eles documentos que comprovam diversas ilicitudes, irregularidades, dentro do Dentran. Algumas eu já tinha recebido quando lá estava e outras vieram posteriormente à minha saída: contratos de segurança, imagine, o prédio da segurança tem uma empresa privada cuidando da guarita, ao invés de colocar ali policiais militares, ao custo de R$ 2 milhões por ano. Uma empresa que limpa as delegacias e ganha R$ 6 milhões por ano e nenhuma delegacia que se saiba recebeu visita da empresa para limpa-las. Então, é no mínimo estranho que se gaste dinheiro desse jeito, quando o governo diz que não tem dinheiro para investir na saúde e na segurança. E tem também contratos de veículos locados pelo Detran, que eu vi agora, a cerca de um mês atrás, contratos de veículos a R$ 12 mil por mês, um Marea locado por R$ 12 mil por mês. Doze veículos durante o ano locados a R$ 500 mil por ano. Então é uma farra de com o dinheiro público, que pode até não ser crime, mas que é uma falta de ética e um desrespeito com uma população que não tem os serviços essenciais.

Conversa Afiada – Quer dizer que a gente pode dizer com tranqüilidade que o senhor avisou a governadora sobre isso enquanto o senhor era secretário e que ela retirou de suas mãos a investigação?

Ênio Bacci – Olha, isso já está evidente, claro. A própria governadora diz que eu lhe informei, só que ela alega que eu tenha prevaricado, porque eu que tinha essa informação teria que montar um expediente, só que eu tinha que informar a minha superiora porque era uma questão de governo isso. Isso poderia desestabilizar o governo para que ela desse os rumos do que fazer. E eu não tive tempo, porque eu estive lá durante 90 dias e o Detran esteve sob o meu comando apenas até o dia 09 de fevereiro. A partir dali o Detran não era mais ligado à Secretaria de Segurança. Então, a governadora não nega que eu estive junto à governadora e que eu informei a ela, quando num primeiro momento negava. Então isso já é um sinal de que onda há fumaça pode haver fogo.”

YEDA, ESCUDEIROS E FIDELIDADE

A chapa está esquentando: tanto as opções de blindagem midiática como os argumentos vazios contra fatos cada vez mais comprometedores que envolvem seus sempre fiéis escudeiros estão pondo a DESgovernadora cada vez mais contra a parede. Os mais arrogantes são justamente aqueles que mais aparentam através de seus gestos o quão subservientes são a um sistema que favorece tão-somente a si próprios.

Segundo clipping abaixo, me parece que, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come: Culau demitido significaria assumir a culpa nas entrelinhas. E a permanência de Culau comprovaria que a DESgovernadora é, até certo ponto, leal a quem tanto a ajudou a chegar aonde chegou.

Como secretários que nem sempre participam de todos os encontros de gabinete com a maioria de seus pares simultaneamente pediram para participar da reunião da próxima sexta, isso me leva a crer que o lado honesto da direita gaúcha representado por alguns deputados e secretários irá pedir satisfações e não estaria descartada uma possível ruptura com a governadora.

Por outro lado, infelizmente, a tendência de tudo acabar em pizza até que a situação dela se torne insustentável ainda é grande.

“SE O SUJEITO CAGOU
PISOU NA BOLA
TEM QUE RESOLVER AQUI
NÃO PODE CAIR FORA”

Pedro Luís e a Parede
Pena de Vida

clipped from zerohora.clicrbs.com.br
 

A governadora disse que Ferst é um homem livre, e que é “um companheiro de partido”. Quando recebeu a ligação de Ariosto, Yeda questionou o secretário sobre o que ele fazia no shopping:
— Ele respondeu que tinha ido celebrar o fim do processo que criou condições jurídicas para a nova licitação do Detran.

A governadora antecipou que o assunto será discutido na reunião semanal realizada nas sextas-feiras. O encontro contará com a participação de outros secretários que pediram para participar após o episódio envolvendo Ariosto Culau.

  blog it

RBS E FEIJÓ: EXERCÍCIO FUTUROLÓGICO

O clipping abaixo citado do meu querido professor da FABICO/UFRGS WLADIMIR UNGARETTI, explica parcialmente mas não explica totalmente o porquê do envolvimento da RBS no escândalo do DETRAN. Concordo com ele, mas pretendo ir mais adiante.
A visão do WU é a do editor experiente e honesto, que não briga com a notícia como ele mesmo fala. É, ainda, reflexo de um minucioso processo de comparação entre jornais impressos brasileiros, permeada por opiniões contundentes adquiridas a partir de suas incontáveis leituras sociológicas e filosóficas como acadêmico de Comunicação.

Além disso, há uma questão bastante complexa de ordem prática, mercadológica e pragmática, que segue a lógica neoliberal. É minha opinião pessoal, sem nenhum viés acadêmico ou comprovação factual. Posso até estar enganado, mas que vai de encontro àquilo que posso deduzir dos movimentos dos empresários em função do que aprendi com alguns deles no MBA.

Normalmente, empresários MEGAPODEROSOS (não estou falando nos chinelões que viraram vereadores, deputados estaduais ou federais e possuem uma afiliada da Globo aqui, uma olaria ali, uma empresa de ônibus acolá) obtêm afrouxamento legal para praticarem o seu livre mercado a partir de lobby plantado na mídia corporativa a qual patrocinam e dos financiamentos de campanha a políticos que não fazem parte do seu meio social.

Tal processo sempre se deu de maneira muito mais eficiente sem que esses megaempresários precisassem sujar suas mãos candidatando-se a algum cargo público de alta visibilidade e poder decisório direto.

Ao mesmo tempo, muitos empresários chinelões já chegaram quase ao status de “mega” em função de seus cargos públicos. Também não é nenhuma novidade o fato de que, eventualmente, a agenda do empresariado nacional e transnacional em busca do “laissez-faire laissez-passaire” exija que alguns deles envolvam-se diretamente na gestão, a fim de transformarem a coisa pública em coisa particular com maior rapidez.

Pois bem: PAULO AFONSO FEIJÓ é o atual vice. Ao que tudo indica, muito em breve, será o governador do RS.

Não vou especular em torno de supostas teorias da conspiração, pois quero que este post seja motivo de reflexão e não de chacota. Que fique bem claro.

Ainda não há fatos para comprovar que a corrupção no DETRAN, o envolvimento do BANRISUL na questão e o desdém com a TVE, com a educação, com a saúde e com a previdência no RS tenham sido meticulosamente orquestrados para facilitar a aceitação das privatizações por parte da sociedade laica.

Já ouço os emebeeístas dizerem que “se o DETRAN fosse uma empresa, esse roubo JAMAIS teria acontecido”. O próprio delegado Tubino (de cuja honestidade pessoal e competência técnica não se pode desconfiar – ele apenas pensa alto porque foi criado sob uma lógica de mercado que indica um discurso e um caminho único a seguir rumo à transparência e à honestidade, nada mais do que isso) revelou à CPI do DETRAN que “O BANRISUL e o DETRAN são duas torres que precisam ser investigadas e derrubadas. Isso vai mudar para melhor a vida política do RS”.

Feijó assumiria com todo o respaldo da RBS que, por sua vez, passaria uma borracha por cima de quase um ano e meio de apoio incondicional a YEDA.

Feijó seria visto como um baluarte da moral e dos bons costumes. Um exemplo de prosperidade, de inteligência. Ele iria “arrumar a casa”.

Feijó jamais seria vinculado ao governo do qual foi o vice-governador eleito. Ao contrário, seria tratado como se fosse o mui valeroso representante da “verdadeira oposição” gaúcha – fórmula discursiva a qual estamos mais carecas do que ele de conhecer.

A parcela da classe média que é conservadora, racista, ignorante, reacionária e ainda dá ouvidos para a mídia corporativa irá odiar ainda mais o PT, pois este não se juntou à “unificação” do Rio Grande parte 5.

Tais argumentos ficarão ainda mais verossímeis agora do que o foram nos governos Britto, Rigotto, Fogaça e Yeda. Afinal de contas, uma séria crise de confiança e um escândalo inédito suficientemente violento a ponto de abalar o mito do gaúcho raçudo, confiável e destemido provocaria um verdadeiro DESENCAIXE (v. Giddens).

Os carinhas pintadas gaudérios das escolas particulares serão insuflados a pedir a cabeça de Yeda através da RBS, assim como suas mães que não ralam estarão todas em peso defronte ao PIRATINI.

AH! E a comoção será tamanha que mostrará a indignação e o arrependimento de quem votou em Yeda mas jamais irá admitir que o fez. E nem precisam: afinal de contas, manter-se-á no poder um representante dos valores que acostumaram-se a defender ou por advogarem sempre em causa própria, ou por comportarem-se como melancólicos inocentes úteis.

Alguma dúvida de que tamanho ardil seria anos-luz mais pesado do que o da Globo, Estadão, Abril e Folha em São Paulo pró-Serra, Alckmin, Kassab, FHC e outros menos votados?!

A RBS é, para o povo, pior do que a mídia hegemônica do resto do país. Primeiro, porque seu objetivo é o de sempre manter o status quo. Segundo, porque espetaculariza a notícia de uma maneira ainda mais maniqueísta e sectária do que suas confrades do centro do país.

clipped from www.pontodevista.jor.br
Relacione todas as informações desta postagem e pense a conjuntura, o momento que estamos vivendo. E deixe de ler o lixão que é Zerolândia, boletim de propaganda do PRBS. Não estamos dizendo que um jornal seja melhor do que o outro. Todos, na mídia corporativa, têm a mesma função. A guerrilha midiática atua nas fissuras. Nas brechas. Utilizando, em alguns casos, informações do próprio sistema. Contra o sistema, evidentemente. Ações de fustigamento do inimigo. Com vara longa e dura.
blog it