BLOGOSFERA POLÍTICA GAÚCHA: O QUE FALTA PRA BOMBAR?

Agora há pouco, li a imperdível e obrigatória série de posts do Marco Weissheimer (editor-chefe da AGÊNCIA CARTA MAIOR) no RS URGENTE sobre o desmascaramento da hipótese falaciosa de que o PT havia mandado a Ford (por enquanto, parte Iparte IIparte III) embora do Bovinão. Pra quem não sabe, a hiperexposição midiática dessa grande mentira foi a grande orquestração articulada por empresários, pela mídia corporativa e pelos políticos vinculados ao conservadorismo e ao reacionarismo guasca, cujos reflexos a bovinidade sente fundo e geme abafado até hoje.

O Marco está contribuindo com jornalismo histórico e investigativo de primeira qualidade (coisa rara neste país): a partir de depoimentos e de notícias oriundas de pessoas e de instituições de viezes ideológicos e de práticas muitas vezes antagônicas disponíveis na web, chegou a hora não apenas do Brasil, mas de todo o mundo lusófono terem contato com essa realidade. Afinal de contas, renúncia e guerra fiscal são um círculo econômico vicioso: primeiro, porque leva à exponenciação da dívida pública; segundo, porque favorece amplamente a corrupção e, consequentemente, porque o Estado para de investir em saúde, educação, infraestrutura e em várias dezenas de setores da sociedade.

Elogios à parte, o que era para ser uma sugestão voltada a ele em um singelo comentário dentro de um dos posts dessa série, agora virou uma sugestão geral a todos os blogueiros gaúchos independentes que se envolvem com política. Sei que muitos estão com medo dos processos contra blogs amigos (o PONTO DE VISTA do professor Wladimir Ungaretti, o MILTON RIBEIRO e o NOVA CORJA (processos umdoistrês), só para ficarmos no RS). No entanto, mesmo com a famigerada LEI AZEREDO rondando a liberdade de expressão como um fantasma, ainda sinto-me confiante para afirmar que a internet é livre e que há muitos mecanismos para desviarmos dessas arbitraridades.

Imagino que as conclusões da minha dissertação de mestrado em março possam ter frustrado um pouco aqueles que a assistiram e também aos raros que tiveram tempo e interesse para baixá-la no meu SCRIBD (link DISSERTAÇÃO na barra à direita do conteúdo). Primeiro, porque talvez eu tenha sido muito superficial; segundo, porque talvez não tenha sido claro nem na apresentação do trabalho diante da banca e da audiência; terceiro, porque meu trabalho não podia, de forma alguma, trabalhar com análise de conteúdo (senão, não poderia ter feito pós em Ciências da Comunicação mas, sim, em Linguística Aplicada) nem com Sociologia ou Ciência Política (de competência das Ciências Sociais, dominadas pelo CRISTÓVÃO FEIL).

Já escrevi bastante sobre redes sociais aqui no blog. Porém, parece que o conceito não foi bem assimilado. Pra compensar a minha incompetência, deixo aqui uma dica valiosíssima: o blog da RAQUEL RECUERO (o TWITTER dela é @raquelrecuero ), uma pesquisadora bem mais experiente do que eu, está repleto de posts que explicam uma série de conceitos com bastante propriedade. Melhor: ela acaba de publicar uma versão atualizada de sua tese de doutorado em uma linguagem menos academicista de graça para download do livro em PDF aqui ou disponível para compra por R$30,00 no site da SULINA.

Voltando à vaca fria, não tenho a menor dúvida de que o blog independente de jornalismo político e opinião de maior credibilidade e de maior influência no RS é o RS URGENTE. Durante anos, o Marco trabalhou com o problemático e limitadíssimo domínio zip.net, que não oferecia widgets nem grandes possibilidades de interação. Depois, ele foi para o Blogspot, mais flexível e mais popularizado. Ainda com seu conteúdo hospedado no Blogspot mas já com domínio registrado, teve seu domínio inexplicavelmente perdido. Felizmente, o banco de dados de posts, comentários e blogroll não foram perdidos. Hoje, o RS URGENTE é um blog vinculado ao blogring O PENSADOR SELVAGEM (OPS), a convite do grande MILTON RIBEIRO.

As três maiores vantagens de se possuir um domínio próprio são as seguintes:

a) Sem restrição de acessoo em órgãos públicos cujos servidores web bloqueiem domínios zip.net, blog.uol.com.br, blogspot.com, blogger.com, blig.com.br, wordpress.com, blogdrive.com e qualquer subdiretório …/blog;

b) Facilitar a memorização do endereço ou URL por parte dos interagentes que visitem o blog ao evitar nomes compridos e ininteligíveis como http://www.jambolaopereira.org/work/blogdojuvenal.html;

c) Ser reconhecido a partir de um nome que signifique uma marca própria (um dos requisitos que facilitam a visibilidade do blog em campos de busca).

Além do domínio próprio, é essencial na busca por maior audiência seguir o ditado popular “a união faz a força”: como todos os blogs d’OPS são subdomínios desse criativo nome que virou marca, cada blog d’O PENSADOR SELVAGEM que for acessado acaba aumentando enormemente a possibilidade de que outros blogs que façam parte desse blogring ou condomínio de blogs também sejam visitados. Isso aumenta o ranking do blog nas páginas do Google, tornando-o mais acessível nas páginas de busca. Em virtude disso, tenho certeza de que, depois que o pessoal tiver se acostumado com o novo endereço do RS URGENTE n’OPS, a audiência do Marco irá aumentar um monte – isso se já não estiver maior do que nos tempos em que o blog estava desvinculado do blogring.

Finalmente, todo blogueiro deve ter um perfil no TWITTER. Um blog não é suficiente pra gerar tráfego pra si mesmo, assim como copiar e colar posts inteiros em listas de e-mail só funciona quando se joga pra torcida, isto é, sem atingir redes sociais de pensamento diferente porém não radicalmente oposto. Acima de qualquer outro, blogs como o RS URGENTE e o DIÁRIO GAUCHE estão perdendo uma oportunidade gigantesca de potencializarem as visitas ao twittar links para seus posts assim que eles saírem do forno, bem como se deve divulgar quase à exaustão links para notícias e artigos que os próprios blogueiros endossam como formadores de opinião.

Por que isso? As pesquisadoras Raquel Recuero da UCPel (provavelmente a maior sumidade em redes sociais da América do Sul) e GABRIELA ZAGO constataram em pesquisa recente sobre o uso do Twitter no Brasil que, entre mais de 1100 twitteiros (amostragem impressionantemente alta, o que dá grande credibilidade à interpretação desses dados), eles e seus seguidores costumam clicar em 94% (!) dos links recebidos.

VOLUNTARIADO: AS REDES SOCIAIS DOS RICOS

Embora a atuação cidadã e politizada priorizando a base da pirâmide social MUITO PROVAVELMENTE represente a minoria no pensamento de grande parte dos ricos, aqueles que tem dinheiro o bastante e são voluntários comprovam algo em que creio. Adaptando as palavras ditas pelo magnata estoniano RAINER NOLVAK, mentor do TEEME ÄRA [v. próximo post, à minha maneira, afirmo o seguinte:

“Ser muito rico PODE proporcionar viver sob a égide do valor mais importante que um homem pode ter, que é a liberdade. Contudo, viver de renda apenas cultivando atitudes meramente hedonistas PODE transformar-se em um vício: normalmente, isso costuma destruir a saúde do indivíduo. A cura é o envolvimento enérgico com pelo menos uma causa capaz de mudar a sociedade. Mais do que nunca, ser voluntário é uma necessidade individual e coletiva.”

Sob essa ótica, qualquer movimento social e qualquer ONG deve valorizar – E MUITO – a altamente ramificada rede social de uma pessoa rica. Independentemente desse abonado ter ingressado no voluntariado há pouco tempo ou de ele não possuir nem a cultura da e tampouco intimidade ou afeto com a comunidade em questão a ser ajudada, deve-se, sim, nomeá-lo de cara para um cargo de grande responsabilidade dentro da organização. Contudo, o papel de destaque dado ao voluntário endinheirado não pode ser a liderança máxima: afinal de contas, é preciso valorizar ao máximo as lideranças locais e fundadoras. Assim, evita-se melindres e rachas ocasionados pelo não-reconhecimento do empenho até então empreendido e pelas constantes disputas de ego – males comuns a toda e qualquer organização social.

Apesar dessa ressalva, muitas vezes, quando se deseja MESMO realizar algo significativo de maneira rápida e metódica sem precisar discutir o sexo dos anjos nem passar trabalho desnecessário para angariar fundos, a democracia e a meritocracia tem, sim, que ser postos em segundo plano. Por exemplo: se a família Sirotsky por acaso oferecesse um jato para transportar mantimentos para a enchente no Nordeste ou se a família Setúbal (Banco Itaú-Unibanco) oferecesse um fundo de investimentos para recuperar as estruturas de gás e energia elétrica das cidades atingidas mais rapidamente e se a Odebrecht oferecesse mão-de-obra de graça, deveriam ser ignorados?! Independentemente de qualquer coisa, eles solucionariam o problema em seis meses ao invés de 10 anos.

Pesado esse ponto, volto a uma questão já discutida em um antigo post: independentemente da ONG PARCEIROS VOLUNTÁRIOS ser mal pensada de acordo com os padrões do Serviço Social, da Psicologia e da Educação, ela é extremamente bem pensada dos pontos-de-vista da Administração, da Economia e do Direito. O calcanhar de Aquiles dessas ONGs fundadas e mantidas por ricos (no caso, Gerdau) está justamente no fato de que seus principais atores vem de uma cultura baseada mais em estatísticas do que no subjetivo. Dessa forma, as disciplinas que melhor dominam são as que o mercado de trabalho melhor remunera, em detrimento das disciplinas que, normalmente, são especialidades dominadas por pessoas oriundas, no máximo, da classe média.

Enfim, como eminências pardas alçadas a postos como, por exemplo, de “embaixador” da causa, os ricos possuem zilhões de contatos igualmente graúdos. Normalmente, uma rede de confiança estabelece-se a partir de uma série de elementos sociais em comum que faz com que, por exemplo, eu confie muito mais na opinião e nas atitudes pró-ativas de A e não de B. Ora, se A e B tem um modus vivendi e um modus operandi extremamente parecidos, por melhor que trabalhe C (que não faz parte do grupo primevo do qual vieram A e B) e C esteja engajado há muito mais tempo nesta causa, é fundamental que C mantenha a sua posição com sabedoria suficiente para não ver-se diminuído nem para adotar uma postura arrogante como forma de autoproteção perante A e B. Da mesma forma, A e B não podem JAMAIS entrar de cabeça ditando regras nem tampouco pretendendo obter funções diretas na hierarquia e na burocracia reinantes. Eles deve, sim, funcionar como o grande diferencial que espalhe a importância da causa na mídia corporativa e entre seus pares, que também são formadores de opinião – inclusive agilizando infraestrutura do próprio bolso, mas sem nunca pretender exigir em troca algo maior do que a satisfação de fazer parte de uma CORRENTE DO BEM.

Isso só será melhor entendido quando eu falar mais profundamente em conceitos de redes sociais que justifiquem a necessidade de valorizar os estamentos mais abastados da população sem preconceito por parte do pensamento de esquerda despartidarizada e capitalista.

Aliás, já falei sobre isso comentando um post do DIÁRIO GAUCHE ou do RS URGENTE há poucas semanas atrás: não é nada incoerente e tampouco invencionice ser socialista e capitalista ao mesmo tempo. Afinal de contas, vivemos em um mundo no qual até mesmo a sustentabilidade e a economia popular solidária chegam a um ponto no qual torna-se imprescindível admitir a necessidade de trocar dinheiro e de recorrer aos bancos.

O que precisa haver é um regramento bem mais severo em relação às fusões, aos limites de lucratividade e à abolição total de taxas bancárias.

COPA 2014 EM PORTO ALEGRE

Selo da Copa 2014 no Brasil seguindo a programação visual da FIFA

Selo da Copa 2014 no Brasil seguindo a programação visual da FIFA

No momento em que a desgovernadora cara-de-pau ergueu aquele fake da Copa FIFA junto de Fogaça (que terá oito anos de desgoverno), Fortunati (que terá 10 anos de prefeitura) e do bom dono de restaurante, folclórico, conservador e oportunista Gaúcho da Copa, somente eu ouvi a minha própria voz berrar “LADRA!” bem alto por três ou quatro vezes. Todavia, ao contrário das visões dos jornalistas André Machado (RBS) e Marco Weissheimer (AGÊNCIA CARTA MAIOR), cheguei ao local 40 minutos antes e permaneci por mais 15 ou 20 minutos após o anúncio de Porto Alegre e não ouvi vaia alguma.

Por outro lado, não havia defronte ao palco (circo) armado as três mil pessoas que Zero Hora disse que havia: o público seguramente não superava algo entre 2000 e 2500. Os aplausos e a vibração foram poucos, mas bem maiores do que o silêncio que não se traduziu em vaias por parte dos transeuntes. os portoalegrenses mais empolgados eram disparado os mais humildes entre todos os presentes.

Ninguém contrariou meus brados. Porém, só recebi apenas uma comedida concordância de uma senhora.

Cidadãos de todas as idades e predominantemente dos estamentos B, C e D vindos das mais diversas regiões da capital estavam no Parque Farroupilha durante as horas que cercaram o anúncio da óbvia escolha de Porto Alegre como uma das 12 sedes da Copa do Mundo de 2014. Como sempre, prevalecia mais a classe C, os moradores dos bairros cercanos ao parque e as pessoas da classe D vindas sobretudo dos bairros e dos municípios limítrofes da capital ao norte.

A Redenção, sempre tida como o mais simpático, mais central, maior e mais antigo parque da capital bovina, é o termômetro da politização e do interesse solidário e cidadão do Rio Grande do Sul. A localização e a história privilegiada desse parque atraem e repercutem uma série de práticas sociais. A amplitude dessa repercussão no Parque Farroupilha é maior do que a repercussão que se costuma nas demais áreas públicas de lazer e desporto contidas neste estado sulino.

Constato tristemente que a crise política, moral, econômica e educacional do RS contemporâneo não é causada somente ou primordialmente pelos protagonistas decanares dos poderes financeiro, coercitivo e político ora em voga nessa região do Brasil: a responsabilidade vai desde os raros empresários honestos que não sonegam impostos, pagam salários justos, oferecem benefícios e assinam a carteira de seus funcionários até o pedinte doente e analfabeto porém educado e pacífico.

Não se pode creditar única e exclusivamente ao poder econômico o ao não-cumprimento das leis antitruste brasileiras contra a concentração dos meios de comunicação de massa nas mãos daqueles poucos sempre mancomunados com entes da política partidária e do controle patronal. A técnica do discurso simples e editado objetiva positivar os valores interessantes aos patrocinadores da mídia corporativa e negativar os valores antagônicos a esses interesses. No entanto, a ignorância, o consumismo, o egoísmo e a não-percepção da sociedade como um campo de colaboração e de convivência em rede iniciou-se muito tempo antes.

O cansaço e a preferência por não reivindicar “para não se incomodar” resulta da divisão dos três lugares (1º casa; 2º trabalho-escola; 3º lazer - sendo que os terceiros lugares presenciais e os terceiros lugares online proporcionam diferentes discursividades) trazida pela industrialização massiva sob o método da linha de montagem taylorista-fordista do início do século XX. A passividade e o não-envolvimento com questões coletivas de grande escala são fruto do desmanche do ensino público gratuito e de qualidade proporcionado pela ditadura militar. O consumismo e o oportunismo barato, por sua vez, são frutos da exponencialização das características anteriores ocorrida em função do neoliberalismo.

Ocorre então a desorientação das gerações anteriores em função da dissociação entre o espaço e o tempo: tais características já eram observadas durante a primeira metade do século XX por alguns pensadores. Ainda de maneira incipiente e em uma escala muito menor do que a escala com a qual tais heterotopiasheterocronias (Foucault, também discutido posteriormente por Bergson) ora são percebidas, começou ali a ocorrer o que hoje verifica-se em um sentido muito mais dramático.

A inadaptação à velocidade das mudanças de discurso e de valores da pós-modernidade que ocorre com a esmagadora maioria das pessoas nascidas nas gerações anteriores àquela que já utilizava o computador e a internet resulta na incompreensão da sociedade tal qual ela se apresenta na atualidade. Esse desencaixe (Giddens) desconsidera que o trabalho e o ativismo da atualidade podem ser feitos a partir de um tom menos grave e mais lúdico.

Portanto, a dinâmica social é muito mais complexa do que se possa imaginar. Como já escrevi em vários posts anteriores, insisto na defesa da percepção da importância das redes sociais. As redes sociais mostram relações pessoais, lúdicas, comerciais, políticas e econômicas que afetam a toda a humanidade. Queiram ou não, tudo está interligado. E, concordando ou não com os caminhos que o nosso ambiente tem tomado na sua caminhada, concordando ou não com os formadores de opinião de cada campo social (midiático, médico, jurídico, político, industrial, esportivo, artístico, militar ou religioso), todos somos responsáveis por tudo o que ocorre de positivo ou de negativo.

Se as coisas não ocorrem como os valores da esquerda gostariam que acontecesse, ela é responsável pelo seu atraso e pela sua ignorância. Por isso, quem quer fazer e quem quer acontecer dá muito mais importância ao estabelecimento de relações solidárias e temáticas com indivíduos de origens heterogêneas do que compartimentando a sociedade em bons e maus.

Independentemente do fato de aqui ainda haver um nível escolar um pouco menos pior do que o do resto do país e de haver uma diversidade étnica maior, o Rio Grande do Sul tornou-se a vanguarda do atraso não por causa direta ou primeira da RBS, dos latifundiários, dos banqueiros e dos “cordéis de fora” como dizia meu pai: o RS é atrasado e bovino porque existem os hipócritas e os ignorantes que propagam o discurso do “caminho do meio” e o resto são maniqueístas que, seja de esquerda ou de direita, ao invés de trabalharem por uma política de estado que concentre esforços na inclusão permanente da maioria da população, trabalham para privilegiar única e exclusivamente aqueles que rezam a sua cartilha.

Postos os fatos e determinados sejam os atores que estarão no centro das decisões, o que importa é fiscalizar, informar-se, participar, envolver-se. O futuro da cidade, não foi nem nunca será aquele que os partidarizados, sindicalizados e atrasados “proletários” desejam. E tampouco será aquele que os igualmente atrasados ricos conservadores, excludentes e intolerantes e a sua medíocre claque famosa por comer galinha e arrotar faisão desejariam que fosse. Dessa forma, a realidade que se desenha está mais próxima das aspirações destes últimos do que dos primeiros.

Consequentemente, as redes de afeto e de cooperação que determinam as articulações, a forma e o tamanho das forças que compõem a pressão por determinadas demandas precisam necessariamente atravessar e ser atravessadas por protagonistas que seguem ambas as matrizes ideológicas. Afinal de contas, é importante salientar que há, tanto na esquerda quanto na direita, uma cooperação conservadora e repleta de trocas de favores entre seus protagonistas mais bem-relacionados com o dinheiro, com os negócios, com a política e com a comunicação. Há, tanto na esquerda quanto na direita, uma maioria de excluídos das decisões que, menos conservadores e mais abertos, encontram pontos em comum que podem ser resolvidos a partir de uma união de forças.

Não dá mais pra confundir política com partido. Não dá mais pra dizer que a esquerda é “do bem” e que a direita é “do mal”. Ao mesmo tempo, não há heróis nem vilões, não existe ninguém insubstituível e tampouco deve-se depender de uma liderança centralizada.

A competência profissional, a inteligência emocional e o poder decorrem da comunicação. A comunicação eficiente decorre da sensibilidade e do aprofundamento das redes sociais de cada indivíduo ou coletividade. E não é ignorando ou detratando comportamentos típicos da mídia, dos empresários ou de políticos tradicionais que se irá solucionar os problemas. Afinal de contas, tudo o que está posto sempre foi e sempre será assim no decorrer da história da humanidade.

Tanto os otimistas como os intelectuais puristas dirão que não se pode ser determinista nem tampouco inteligente tentar convencer a si e aos outros de que não existe mudança ou que existiriam certas características inerentes a uma suposta natureza humana. Talvez seja um tiro no pé eu me expor publicamente com um pensamento aparentemente conformista, conservador e até mesmo ditatorial dependendo da falta de sensibilidade e de conhecimento do interlocutor. No entanto, o que eu busco aqui é apenas mostrar que, como a maioria tem feito até agora, as medidas mais socializantes e inclusivas não tem funcionado.

Com isso, proponho que se procure fazer do limão uma limonada. Mas que essa limonada não seja aguada, azeda e nem doce demais. A falta de método e de planejamento da esquerda tradicional e a hoje aberração que significa seguir um líder carismático ou procurar fazer de tudo para pertencer a uma determinada classe ou instituição são a sua parcela de culpa por ter deixado o Rio Grande do Sul ter chegado aonde chegou.

Concordo com Cristóvão Feil quando o sociólogo comparou o Acampamento Farroupilha a uma feira medieval. Pois a partir do exemplo de ontem na Redenção, comparo a movimentação de qualquer festividade ou de  qualquer fato espetacularizado (Debord) com uma ópera bufa. De agora em diante, o que realmente importa é verificar como, quando, em que ritmo e a que custos (financeiro e, principalmente, social) as melhorias na qualidade de vida da população prometidas serão efetivamente cumpridas ou até mesmo superadas.

ALEA JACTA EST

ENVOLVIMENTO POLÍTICO: VALE A PENA? COMO?

Quem tem acesso frequente a webcam e banda larga não pode deixar de aproveitar o espaço de debates em vídeo proporcionado pelo SEESMIC. Cadastrem-se! Vamos fazer essa rede bombar no mundo lusófono! ;)

De outra forma, quem prefere escrever poderá dar o prazer de comentar o tema logo abaixo deste post. :)

PARTICIPEM!!! :D