REDES SOCIAIS: POR QUE NÃO DÁ MAIS PRA PARTIDARIZAR AS REIVINDICAÇÕES

Agora há pouco, em função do POST onde critico o fato de a ação multitudinária predominante na resistência dos movimentos sociais do campo e proponho ações de conexão com atores que podem simpatizar com o seu movimento (os favelados e os sem-teto) de maneira que a mídia corporativa e a classe média sofram um inevitável e irresistível nó epistemológico, troquei idéias com A CARAPUÇA.

A CLÁUDIA CARDOSO do DIALÓGICO, o GUGA TÜRCK do ALMA DA GERAL, o JEAN SCHARLAU, A CARAPUÇA e o RODRIGO CARDIA do CÃO UIVADOR tem opiniões que, de maneira geral, não divergem da minha quanto à defesa incondicional da intenção humanística, laboral, de saúde pública, de sustentabilidade e de desenvolvimento econômico acima da média que a pequena agricultura sem transgênicos nem agrotóxicos baseada na policultura proporciona aos municípios que assentaram antigos sem-terra.

Todavia, discordo de algumas posições dos amigos quando considero que as ocupações (sempre necessárias) seriam a única, a melhor ou a mais eficiente solução possível para a questão agrária. O Guga diz que a única solução possível é realizar as ocupações. A Cláudia diz que as ocupações costumam agilizar a desapropriação de terras para assentamento de pequenos agricultores. O Jean crê que, na contemporaneidade, as soluções de resistência que considero eficientes apenas em ambientes onde predomine o modo de produção taylorista-fordista permanecem sendo as melhores sem levar em consideração o fenômeno da MIDIATIZAÇÃO da sociedade. O Rodrigo, por sua vez, diferencia muito bem os termos ‘invasão’ e ‘ocupação’.

Aliás, de maneira geral, acho que não apenas o Rodrigo manifestaram-se com certa contrariedade por eu ter usado invasão ao invés de ocupação. Não é que eu tenha me enganado ou que eu ache que o ‘certo’ seria dizer ‘invasão’. Naquele post, eu não estava chamando única e exclusivamente o pessoal assumidamente militante e ativista de esquerda para conversar, mas também a CLASSE MÉRDIA FORREST GUMP.

Costuma-se falar em CLASSE MÉRDIA HOMER SIMPSON por causa de uma antiga declaração do âncora do JORNAL NACIONAL (nome bom de marketing: dá a impressão de ser oficial e confiável), WILLIAM BONNER. Acho que essa classe que tem um certo poder de consumo mas é conservadora, despolitizada e ignorante não é apenas fruto da concentração dos meios de comunicação de massa nas mãos de poucos, nem do ‘pensamento único’ resultante dessa configuração de forças em nosso país. Ela também é, sem perceber, o resultado da cultura do medo, da alienação, do consumismo e da omissão que, salvo nas rarar ocasiões nas quais se percebe que o BRASIL chegou ao fundo do poço, predomina neste país desde 1500, mesmo quando ainda não havia mídia de massa, alfabetização em massa, políticas de saúde pública, projetos de desenvolvimento e assim por diante.

Como essa parcela considerável da sociedade deixou-se abater sem reagir pelo sucateamento da educação iniciado durante a ditadura e maquiavelicamente aperfeiçoado no período puramente neoliberal que predominou até o início do lulopetismo, ela lê mal, interpreta mal e não sabe pensar em rede: ela considera-se desconectada do mundo que está além de suas preocupações com dívidas e consumismo. Então, por mais deprimente que isso seja, é necessário explicar-lhes as coisas como a mãe do FORREST GUMP fazia para o seu meninão de QI baixo: “falar de uma forma que ele possa compreender”. Se os Forrests da vida pensam que ocupação e invasão são a mesma coisa, primeiro temos que dourar a pílula para depois apresentarmos as diferenças fundamentais.

Não sei se eu menosprezo ou se tenho um preconceito acima do normal em relação ao perfil desse substrato populacional brasileiro. Só sei que os movimentos sociais precisam alcançá-los e conquistar pelo menos 20% deles como massa crítica. É mais ou menos como se faz pra uma criança entrar em conexão e em sintonia com a fala do adulto: o adulto precisa se agachar para ficar do tamanho do pequeno ser. Do contrário, a distância dificultará consideravelmente o contato tão necessário entre as gerações.

A discussão se estendeu num post do Guga através de comentários tão legais quanto os que eu recebi.

Obviamente, não tenho o contato pessoal com o pessoal do MST que o Guga tem. Realmente, a realidade do MST é como o Guga disse: eles não se sentem pertencentes, integrados e nem mesmo interessados no modus operandi da sociedade de consumo. Primeiro, porque eles não são notícia positiva; segundo, porque eles ainda estão correndo atrás de um mínimo de bens para poder sobreviver com dignidade; terceiro, porque eles tem uma política clara e engajada de defender a sustentabilidade e a saúde; e quarto, porque eles não são público-alvo de nenhum tipo de bem de consumo defendido pela publicidade. Eles assistem pouca televisão, ouvem pouco rádio, leem pouco jornal e, em seu meio, ainda é raro ter acesso à internet. Isso tudo é muito claro.

Contudo, o fato de saber que, NORMALMENTE, os movimentos sociais não costumam ter um espaço minimamente aceitável de veiculação massiva de suas demandas e a APARENTE inviabilidade deles serem apresentados por esse PIG sob uma agenda positiva não poderia funcionar como um incentivo à dissociação deles em relação ao principal consumidor e cliente da mídia hegemônica.

Um movimento civil que não sustenta e não é sustentado por ONGs, partidos e empresas é, por si só, um oásis no meio do Saara. As ocupações são 100% legais, pois eles vão direto nas terras improdutivas. Todo novo assentamento é uma vitória inimaginável para quem não passa pelo que eles passam. Todavia, há uma confusão muito grande entre dissociar-se e isolar-se de quem costuma nos fazer mal ao invés de mantermos uma convivência que possibilite aumentar o nosso contato com outros grupos que têm forte ligação com a mídia que pode funcionar como CONECTORA entre os movimentos sociais e nós sociais relevantes no meio urbano mesmo que essa mídia hegemônica tente evitar apresentar um ao outro.

Vou dar um exemplo bobo do pensar em rede que ilustra bem essa questão. Digamos que eu tenha uma turma de futebol sete e esteja desempregado. Quase sempre, os caras que jogam nos dois times são os mesmos. De vez em quando, uns dois ou três não podem jogar. Pra completar os times, é preciso convidar alguns “amigos dos amigos”. Como a gente não mistura os times, o que era uma brincadeira virou rivalidade. Aí, quando um dos times ganha duas ou três partidas seguidas e começa a rolar aquela corneta, as ‘chegadas’ começam a ficar mais fortes. Aí, rola um revide. Pronto: o pau comeu.

Eu nunca falto ao jogo. O cara com quem eu briguei, também não. No meio dessa turma, ninguém trabalha ou tem algum conhecido na minha área. Só que, um dia, o ‘pau no cu’ traz um parceiro que, mesmo que seja amigo íntimo do primeiro, por mais que o PNC tenha falado mal de mim pra ele, de alguma forma, eu vou com a cara dele e vice-versa. Aí, depois do jogo, mesmo que o PNC esteja entre nós na mesma mesa, não dá pra eu deixar de sentar ali pra conversar com o boleiro convidado por causa do meu desafeto, assim como não precisamos andar armados um diante do outro. Basta que um ignore o outro. Da mesma forma, é preciso aceitar que o meu problema é só com o PNC e vice-versa. Não necessariamente ele é um mau caráter e tampouco eu. Por isso, a relação do PNC com os meus amigos e a minha relação com os mais chegados dele não pode ser interrompida nem por mim, nem por  ele.

Pois esse parceiro que o PNC trouxe é chefe de uma equipe de representantes de uma fábrica de chocadeiras de carrapatos – a única coisa com que eu havia trabalhado antes de ser demitido. Pois graças ao PNC, fiz um novo amigo e, de quebra, recebi uma nova oportunidade de trabalho.

O PNC é um hub ou conector altamente ligado a uma grande quantidade de nós. Eu, que sou meio retraído e ando sem grana pra ir a botecos, jantas, festas, etc. com meus contatos, tenho poucas conexões. E a minha ausência nos encontros com os amigos verdadeiros aos poucos vai enfraquecendo os nossos laços. De alguma forma, preciso voltar a tornar esses laços fortes ao mesmo tempo em que administro os novos laços recém estabelecidos.

Com a auto-estima recuperada, passo a jogar melhor. O PNC vai pensar duas vezes antes de torrar o meu saco, pois seu amigo também é meu amigo e, por alguma razão, a amizade entre os dois é tão cara ao PNC que ele não vai mais bulir comigo de maneira ostensiva. Senão, o laço entre eles vai enfraquecer e tornar o meu laço com o novato mais forte.

Pensar e agir em rede articulando táticas de guerrilha a partir das ENORMES brechas que essa mesma mídia corporativa sempre apresentou deveria ser objetivo da maioria da esquerda.

Ao contrário do pensamento social verticalizado, centralizador, burocrático, pouco criativo e segregador que prevalece nos ambientes onde ainda se utiliza o modo de produção capitalista moderno (taylorismo-fordismo, baseado na uniformidade e na linha de produção), os movimentos sociais não estão à margem da sociedade nem da mídia corporativa e, menos ainda, do consumidor, do produtor ou do financiador dessa mídia hegemônica.

Os grupos humanos são multifacetados e, hoje em dia, não se pode mais pensar na separação ou na padronização do que seriam o povo, a classe operária, a burguesia ou a oligarquia. Só que a experiência mostra que a esquerda ortodoxa quase sempre perde porque evita ter que cruzar o caminho do grande conector para juntar-se a outro grupo de esquerda que segue um caminho paralelo. Já a direita quase sempre ganha porque sempre percebeu a importância dos laços fracos, dos laços fortes e dos conectores: se ela tiver que pedir penico para um grande conector de esquerda, ela pede sem constrangimento, pois é a maneira mais rápida dela juntar forças com a outra parte da direita que corre em paralelo.

Esse antagonismo é representado em ambientes modernos por dois móveis que iniciam suas respectivas trajetórias a partir do mesmo ponto zero e seguem a direção horizontal. Porém, um deles segue o sentido da esquerda e o outro segue o sentido da direita. Isso na cabeça da esquerda ortodoxa…

A direita, por sua vez, sacou muito antes direita que a representação físico-matemática da pós-modernidade através de um gráfico consiste em uma circunferência. os dois móveis partem do mesmo ponto em direção circular. Porém, um dos móveis desloca-se sempre para a esquerda (sentido anti-horário) e o outro desloca-se sempre para a direita (sentido horário). Dessa forma, ao invés de se afastarem ad infinitum como na representação linear, suas trajetórias ao redor da circunferência sempre irão proporcionar pontos de cruzamento que nem sempre serão opostos, isto é, nem sempre a distância entre os dois móveis será exatamente inversa (180º), já que a velocidade de cada um deles é sempre variável ao invés de ser constante ou de ir acelerando sem parar.

Vamos agora para uma representação biológica com traços marxistas: em um formigueiro, a vida em comunidade e o cumprimento integral das atividades que cabem a cada um de seus diferentes grupos de membros (rainha, sentinelas, operárias, enfermeiras e larvas) é a condição moderna de sobrevivência da colônia. Tudo parece sempre igual: a primeira gera larvas; as segundas protegem o castelo; as terceiras constroem e reformam e as quartas alimentam as quintas que, com o passar do tempo e de acordo com a necessidade da colônia, serão uma nova rainha, novas sentinelas, operárias e enfermeiras. Ao dono dos meios de produção, a manutenção dessa estrutura funcional é muito cômoda. Inicialmente, os funcionários não percebem a força que tem ao submeterem-se à ordem vertical, imutável, purista desse modelo.

A pós-modernidade, por sua vez, pode funcionar como uma colônia de formigas antropomórficas a la VIDA DE INSETO: um indivíduo, FLIK, destaca-se na sociedade não por ser o mais rico, o mais forte, o mais inteligente e nem mesmo um grande líder mas, sim, por ser o mais conectado. Criativo e visionário, cometeu um erro grave ao permitir que o poder hegemônico (HOPPER, o chefe dos gafanhotos – conectado a seus subordinados e às formigas) pusesse a colônia em risco. Ele foi isolado pelo hub do formigueiro, que é a RAINHA. Seus laços enfraqueceram com a maioria dos membros da colônia, menos com a princesa DOT, que o manteve conectado tanto à sua mãe quanto à sua irmã, a princesa ATTA.

Mais adiante, ele próprio virou o maior de todos os conectores: primeiro, DOT convenceu-o a não desistir, a não fugir, a fazer por si o que ele havia dito à sua pequenina amiga e fã para fazer.

SEESMIC, BLOG, TWITTER, LINGUAGEM, CONTEXTO, ATIVISMO, COMUNICAÇÃO

Mistura de vodcast com Twitter: excelente p/quem prefere discutir e conversar sem precisar ler/escrever

Mistura de vodcast com Twitter: excelente p/quem prefere discutir e conversar sem precisar ler/escrever

Quando tenho um pouco mais de tempo e saco pra escrever, eu escrevo. Do contrário, gravo um vídeo e converso com vocês de uma maneira mais ágil, embora infelizmente quase ninguém aqui no Brasil tenha ainda sacado a essência do SEESMIC, que não é apenas um serviço pra gravar recados com a webcam e postá-los mas, sim, estabelecer uma CONVERSAÇÃO MAIS DINÂMICA.

Explicando melhor o que já havia dito NESTE POST AQUI, o objetivo, a idéia ou o fundamento para o qual os desenvolvedores do SEESMIC pensaram o serviço não é, de forma alguma, exaltar o ego de alguém que cultiva a singela vontade de aparecer midiaticamente através de um recurso audiovisual: ele foi feito para que possamos estabelecer conversações ou particulares (dá pra configurar a visualização das respostas e do acesso a determinados tópicos restrita a um pequeno grupo de interagentes), ou – e aí é que está o grande barato da ‘brincadeira’ – para muita gente trocar idéias.

A maneira mais produtiva e gratificante de utilizar o SEESMIC consiste em iniciar a conversação a partir de uma pergunta ou de um comentário sobre uma questão cotidiana qualquer a partir de um usuário iniciador, estimulante, instigador. Depois, em resposta ao mesmo vídeo sem criar um assunto ou um título novo, surgem diversas pessoas, cada uma dando o seu pitaco.

Em outras palavras, o SEESMIC possibilita que se evite perder muito tempo para articular um texto complexo. E mais: pelo menos de acordo com observações preliminares sobre as pessoas que eu sigo, boa parte dos meus contatos são canadenses e australianos. A maioria dessa rede social que estou acompanhando apresenta alguns sexagenários, aposentados e free lancers (principalmente de setores que costumam trocar o dia pela noite) não tão jovens quanto a amostragem que a RAQUEL RECUERO e a GABRIELA ZAGO encontraram em relação ao usuário brasileiro do TWITTER. (IMPERDÍVEL: confiram resultados preliminares em três partes: UM, DOIS e TRÊS) Embora precise efetuar uma verdadeira pesquisa quantitativa, qualitativa e netnográfica, até o momento, o SEESMIC parece estimular mais a participação de um internauta mais maduro.

Nesse ponto, penso que o discurso de crítica das práticas jornalísticas e de ativismo político que costuma ser bastante combativo e bem argumentado dentro dos nichos de blogueiros como os compostos pela maioria dos meus amigos gaúchos e também por vários blogueiros espalhados pelo país (a maioria deles vinculada ao coletivo SIVUCA) poderia atingir um público um pouco diferente, tendo em vista dois aspectos (que, por enquanto, ainda não passam de uma mera impressão deste que vos fala):

a) JOVENS QUE NÃO GOSTAM/ACHAM QUE NÃO SABEM ESCREVER: esses, sim, depois de uma experimentação inicial provavelmente baseada no ego e, consequentemente, em um conteúdo singelamente CURCUBITAL, provavelmente tenderão a explorar o SEESMIC com menos filtros sociais e com maior desinibição. Passado o momento de autoidolatria ou de brincadeira, eles irão, aos poucos, passar a discutir sobre assuntos que os afligem ou que os atraem. E é aí que se pode diminuir radicalmente o DESENCAIXE (v. GIDDENS) entre a geração de militantes e ativistas que vivenciaram a ditadura militar e ainda creem em povo, classe operária e em comunicação massiva e a atual geração que, a meu ver, não é tão alienada nem tão hedonista quanto muitos teóricos franceses apocalípticos costumam crer. É a chance de aprender, de praticar e, sobretudo, de fazer parte, de conviver, de compartilhar uma estética e uma retórica condizentes com o contexto no qual essa geração está crescendo;

b) IDOSOS E PESSOAS COM PROBLEMAS DE VISÃO (falando em PNE ou Portadores de Necessidades Especiais e CMC ou Comunicação Mediada pro Computador, sugiro que acompanhem o relevante trabalho que a professora SANDRA MONTARDO faz no MESTRADO PROFISSIONAL EM INCLUSÃO SOCIAL E ACESSIBILIDADE da FEEVALE): definitivamente, esse é um público que apresenta dificuldades em ler e escrever. Além disso, pertence a uma geração que possui muito mais dificuldades em aprender a utilizar as Tecnologias da Comunicação e da Informação do que a juventude atual (aprendizado instintivo e inato) e do que a geração de meia idade (altamente influenciada pela imprensa escrita e pela televisão, meios cuja gramatologia é, para este público, inata).

Escolas, LAN houses, telecentros e, em ambiente doméstico, um contingente cada vez maior de consumidores dos estamentos chamados pelas pesquisas de mercado como ‘classes’ A, B e C que não tem por hábito blogar.

Portanto, considero fundamental jogar com o blog, com o TWITTER e com o SEESMIC em conjunto com as primeiras TICs (listas de e-mail e web fora).

Na primeira vez em que citei e mostrei rapidamente o SEESMIC para alguns amigos ativistas, houve algumas manifestações de preocupação em mostrar a cara. Digo que cada um sabe aonde lhe aperta o calo e que há certas pessoas que, infelizmente, nas empresas públicas ou privadas de qualquer área do conhecimento nas quais trabalham, correm o risco de sofrer perseguições políticas e ideológicas decorrentes de diferenças entre a sua crença em valores mais humanistas e entre a crença de donos e de executivos em valores mais dinheiristas. Outros, temem pela integridade física e moral de suas famílias em função de denunciarem interesses suspeitos.

Todavia, há uma série de questões sociais sérias e politizadas que oferecem um risco muito pequeno de sofrer represálias que não são discutidas à exaustão como deveriam ser, que podem contar com esse público menos afeito à leitura e à escrita como participantes ativos da construção e da retomada da cidadania plena.

DISSERTAÇÃO ONLINE

A todos os interessados, agora que já possuo o título de mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (um dos únicos cinco cursos da área com conceito 5 na CAPES – rumo ao primeiro 6 em Comunicação do Brasil) com o conceito final 9,25 (A), posso liberar os arquivos em PDF para apreciação pública.

Antes de defender minha pesquisa e de obter a titulação, era extremamente arriscado publicar um material inédito, pois existem muitos pesquisadores que escrevem muito rápido e estão habituados a publicar nos periódicos da área com bastante desenvoltura. Isso poderia matar o caráter original do objeto que decidi observar e da árdua construção metodológica moldada pelas transformações ocorridas no objeto com o passar do tempo e também pela matriz teórica que eu escolhi, já que algum deles poderia ter tido as mesmas sacações que eu tive antes de mim, inutilizando dois anos de trabalho.

Pra quem se incomoda com política, com gaúchos, com crítica do jornalismo e não entende bulhufas de Comunicação, aviso que a banca gostou muito da fluência do meu texto, que facilita a vida de qualquer leigo, apesar de eu ainda precisar reforçar uma nota de rodapé na pág. 14 e de afirmar a metodologia adocada como netnografia e não como etnografia, pois o encontro presencial não consiste em etnografia.

Ofereço todos os arquivos do trabalho final através de links para dois excelentes sites de redes sociais colaborativas de compartilhamento de arquivos: o SCRIBD e o BOX.net. Recomendo que todos assinem a versão gratuita de pelo menos um desses serviços – o que já dá bastante pano pra manga. ;)

E o link no SCRIBD, é ESTE AQUI.

O link no BOX.net, por sua vez, é ESTE OUTRO.

Espero que muita gente se interesse e que este blog se encha de comentários com críticas, sugestões e dúvidas. Responderei com todo o prazer e paciência deste mundo. :)

VERVE EARTH

Meu perfil no VERVE EARTH

Meu perfil no VERVE EARTH

[clearspring_widget title="VerveEarth" wid="49056ba7d4582404" pid="49981e5bae640456" width="400" height="300" domain="widgets.clearspring.com"]
VERVE EARTH é mais uma dentre dezenas de redes sociais. A particularidade desta é o foco na localização de blogueiros através do mundo via RSS feeds.
Dá pra descobrir e acompanhar as atualizações dos blogs cadastrados no VERVE EARTH através de um mapa mundi igualzinho ao do YAHOO e do FLICKR.
Sua interface é muito simples: ela permite escolher blogs por cidade, estado ou país e adicionar quantos blogs quiser como favoritos. Também é possível deixar recados para os blogueiros e navegar pelos resumos dos posts em RSS atualizados em cada blog.
Além de procurar blogs por localidade, naturalmente o serviço não poderia deixar de trabalhar com etiquetas (tags) definidas pelo próprio usuário que, assim como no TECHNORATI, cadastra seu blog também incluindo palavras-chave que o identificam e o categorizam junto a todos os demais blogs que tiverem a mesma tag.
Por exemplo: cadastrei meu nome completo, e-mail, senha, nome de usuário, localidade, URL (endereço) do blog e, para identificá-lo melhor e facilitar a vida de quem gosta de ler posts predominantemente de uma mesma região ou sobre um assunto específico adicionei as seguintes tags: social networks, politics, soccer, activism e cyberculture.
Por enquanto, é um serviço ainda pequeno e pouco utilizado por brasileiros. Como ele é muito recente, ainda não possui tradução para português ou castelhano. Devido à sua simplicidade e à sua utilidade (pelo menos pra quem prefere passar mais tempo online lendo blogs ao invés de prestigiar a mídia corporativa mais do que ela mereça ser), tende a crescer e tornar-se ainda mais útil.
Na coluna à direita, há um banner do VERVE EARTH com o link para o meu perfil no serviço. Por enquanto, meu único contato é o blog GRÊMIO ACIMA DE TUDO, que já está nos links de futebol do meu blogroll (lista de links) há muito tempo.
De qualquer maneira, o VERVE EARTH obviamente não deve ser a principal forma de interação entre blogueiros que já trocam figurinhas há bastante tempo e que estão inclusos em seus respectivos blogrolls, pois é muito mais fácil citar posts interessantes de outros blogueiros, comentar e receber comentários dentro dos próprios blogs. Pra mim, o VERVE EARTH serve pra possibilitar algumas variáveis de busca, de categorização e de endosso (p. ex. adicionar como favorito é um sinônimo de sugestão) que o TECHNORATI, o GOOGLE e o YAHOO não oferecem.
Essa idéia de reunir blogs através de múltiplos cruzamentos das informações resultantes da combinação de seus feeds em RSS, tags e localização no planeta me parece bastante promissora. Principalmente porque, quando temos um grupo considerável de blogueiros que conversam entre si com frequência e compartilham grande parte dos mesmos links, o  leque não costuma se abrir tanto quanto poderia, já que a maioria do grupo pensa parecido e conhece as mesmas coisas.
Enfim, o VERVE EARTH mostra o seu valor quando torna-se necessário expandir a natureza dos contatos. Pra mim, a blogosfera ativista e politizada só será plenamente capaz de produzir informação quando puder gerar diferença na sociedade. E pra gerar diferença, não pode ser partidarizada, institucionalizada e nem tampouco deixar de pôr links e referências PARA QUEM QUER QUE SEJA (falarei mais sobre isso na sequência).

BRASIL, LULA, 2010, CONSERVADORES DE VOLTA

Primeiro, critiquei, denunciei e culpei o comportamento da maioria da classe média egoísta, elitista, preconceituosa e ignorante (a quem denomino por CLASSE MÉRDIA) em uma série de posts, que podem ser (re)visitados AQUI.

Depois, critiquei a preferência das discussões políticas em todos os ambientes midiatizados voltada para a política formal, partidarizada, congressista e, via de regra, pessimamente representativa. Também sugiro a (re)leitura do principal desses artigos AQUI.

Neste fim de semana (mais precisamente na madrugada de sexta para sábado), passei a ver e a rever posts do DIALÓGICO, onde a CLÁUDIA CARDOSO sempre defende e informa a respeito dos movimentos pela democratização da Comunicação dos quais faz parte; os vídeos do COLETIVO CATARSE do GUGA e da TÊMIS do ALMA DA GERAL e também do JEFFERSON, do ANDRÉ e de outros colegas que prestam um trabalho inestimável ao jornalismo brasileiro ao nos apresentarem o lado cru e sincero da reforma agrária, da busca pela tolerância e pela igualdade legal dos cidadãos de sexualidade não-heterossexual e também da igualdade de cor.

Hoje, me deparei com o depoimento de JOÃO PEDRO STÉDILE à AGÊNCIA CARTA MAIOR, também comentado e parcialmente reproduzido pelo MARCO WEISSHEIMER do RS URGENTE e reproduzido no VI O MUNDO de LUIZ CARLOS AZENHA. E, pouco depois, vi o EDUARDO GUIMARÃES projetar a ameaça quase concreta da volta da direita ao poder.

Infelizmente, isso vai acontecer. E o BRASIL acabará na contramão do momentum sulamericano de tentativa simultânea de quebrar o paradigma do clientelismo, da corrupção e da desobediência lega com total leniência do Judiciário.

Apesar dos avanços históricos, da quantidade e da qualidade de investimento em quase todos os setores, não defendo incondicionalmente o Governo LULA como a maioria do pessoal de centro-esquerda o defende e tampouco jamais o atacaria como a corja e os ignorantes da extrema-direita e da extrema-esquerda o atacam. O apóio, o apoiei e seguirei apoiando-o única e exclusivamente onde pode haver uma revolução continuada de melhoria na qualidade de vida da população como um todo. Contudo,  Além disso, a REFORMA AGRÁRIA é condição sine qua non para que o país deixe de ser um dos líderes (senão o líder) mundial da triste estatística da distribuição de renda mais concentradora do planeta.

Vou fazer uma pequena lista sobre alguns poucos setores da economia e da sociedade que deveriam ser considerados absolutamente estratégicos nos quais verifico ou incompetência, ou clientelismo ou deslumbramento, ou morosidade ou inversão de prioridades neste governo. Vejamos:

– EDUCAÇÃO: embora haja um projeto futuro e tenha-se investido em um piso salarial para o magistério em âmbito nacional e também tenhamos o melhor programa de inclusão digital do mundo, a reciclagem, a qualificação, as cobranças e as gratificações dos professores está muito aquém de um país enorme que precisa, mais do que nunca, erradicar a miséria e a ignorância;

– SAÚDE: continua muito mal, apesar da ampliação dos investimentos em reformas de hospitais e em programas de saúde da família. Ainda predomina a presença de equipamento insuficiente para todos os exames nos hospitais antigos e uma maior qualidade apenas EM ALGUNS dos hospitais cosntruídos neste governo;

– PREVIDÊNCIA SOCIAL: está cada vez mais próxima do modelo neoliberal do que do welfare state;

– SISTEMA BANCÁRIO: ainda não possui uma regulamentação que o impeça de praticar CRIME DE USURA e ainda prevalece uma mentalidade política e técnica que vê esse setor como “a” locomotiva do sistema;

– ESPORTE: falta de cuidado, deslumbramento, submissão. O Governo especializou-se em tapar furos, pôs dois ministros altamente incompetentes na pasta, que não cobram resultados dos investimentos feitos e negociam com políticos, empresários e dirigentes de federações incompetentes, clientelistas e dinheiristas. O esporte, por mais dinheiro que receba e já tenha recebido, ainda não funciona no BRASIL como uma forma positiva de disciplina, competição, organização, cooperação, garra e responsabilidade não sob um aspecto coercitivo mas, sim, a partir do lado lúdico do homem;

– CULTURA: o nome de GILBERTO GIL trouxe exposição midiática e valorização do reconhecimento da existência da pasta. Contudo, o desenvolvimentismo varguista de LULA obviamente não dá a importância pedagógica, social e cidadã que a arte tem na formação de uma sociedade mais sensível, observadora, detalhista, criativa, autônoma, menos preconceituosa e mais integradora;

– MEIO AMBIENTE: considero esse modelo de desenvolvimento predominantemente industrial e exportador extremamente poluente e depredador, pois altera o clima e prejudica a qualidade de vida de milhões de brasileiros transformando de maneira sensível tanto os verões quanto os invernos. O que há de mais grave nesse setor? 1) O DESERTO VERDE do eucalipto na BAHIA, no ESPÍRITO SANTO e no RIO GRANDE DO SUL; 2) a perspectiva do BIOCOMBUSTÍVEL manter o país cada vez mais latifundiário e monocultor; 3) o loteamento da AMAZÔNIA; 4) o dar de ombros para as queimadas e para a invasão de ecossistemas pela agropecuária intensiva; 5) o fato de nenhum plano econômico-social ter sido feito à luz da multidisciplinaridade regida pela HISTÓRIA, pela GEOGRAFIA e pela ANTROPOLOGIA tendo essas disciplinas o mesmo peso técnico e político das tradicionais ECONOMIA, DIREITO e ENGENHARIA. O BRASIL é multifacetado: logo, não temos 27 estados ou 5 regiões geográficas mas, sim, mais de 80 regiões pontuais e específicas cuja produção e cultura não se repetem fora dali;

– REFORMA AGRÁRIA: é condição sine qua non para que o país deixe de ser um dos líderes (senão o líder) mundial da triste estatística da distribuição de renda mais concentradora do planeta. É a forma mais rápida de acelerar o crescimento de pequenos municípios afastados dos grandes centros, de diminuir a superpopulação nas capitais, de reduzir a miséria e a violência e de preservar a natureza e a saúde;

– COMUNICAÇÃO SOCIAL: não pode mais haver leniência do Judiciário em relação aos monopólios e oligopólios formados a partir da ditadura militar e não se pode mais permitir que o espectro de ondas seja loteado uma frequência para um único veículo por todo o país. A Comunicação de qualidade é um direito, pois o setor orienta os movimentos e a compreensão da sociedade a partir da fragmentação na qual cada cidadão forma seus valores. Se a TV BRASIL não for transmitida em canais VHF nem ser obrigatória a sua presença em todos os planos de TV por assinatura do país, então o próprio Governo Federal apresenta a sua alternativa de qualidade através de uma distribuição incompetente.

Sabe-se que o BRASIL foi formado por náufragos, traficantes, deserdados, nobres e ex-nobres corruptos e pusilânimes que aqui foram postos para povoar, extrair recursos naturais e manterem-se ricos porém bem distantes da Coroa Portuguesa para não encherem o saco do imperador e do empresariado lusitano da época. Eles trouxeram consigo um imperdoável sistema de depredação do meio ambiente, de criminalização e extermínio da cultura, da religião e da alteridade das etnias nativas e a escravidão.

No momento em que essa realidade histórica é ignorada pela classe média, ela torna-se o retrato, o exemplo, a visão e a prática do que existe de mais hipócrita e mais repugnante tanto da visão elitista da maioria dos ricos quanto da ignorância da maioria dos pobres. Independentemente da ação midiática e do poder da marca, do consumismo, do status e da futilidade de se preocupar com a vida dos outros, a classe média ora é passiva, ora está ao lado da oligarquia. Vou dar um exemplo:

– O comportamento da classe média é, muitas vezes, bem pior do que o dos ricos do post ENTRANHAS DA ELITE no blog do EDUARDO GUIMARÃES. A denúncia a seguir é baseada em depoimento informal de uma fonte fidedigna beneficiada mais de uma vez pela descrição da seguinte prática: há profissionais liberais (que não precisam ser de curso superior nem viver em bairros chiques; podem ser donos de oficinas mecânicas, de pequenos salões de beleza, empreiteiros, etc.) que funcionam como formadores de opinião dessa corja da direita. Eles prometem ao candidato arranjar-lhe pelo menos 200 votos (e conseguem) em troca de um x da verba de gabinete que o deputado, vereador, etc. tem direito a fazer o que quiser depois de arcar com as despesas do escritório, estadia, viagens, alimentação e salários de colaboradores. É praxe deputados pagarem faculdades particulares para seus formadores de opinião. Pra mim, isso tem uma dimensão maior do que o cabresto. Ocorre mais nas capitais, não no meio da miséria.

Conforme essa situação, concluo que aqueles que beneficiam-se dessa prática não ilegal mas, sim, anticidadã, antiética, amoral, clientelista e indecorosa, agem como os mesmos náufragos, traficantes e deserdados que vieram não colonizar e tampouco desenvolver mas, sim, meramente depredar o BRASIL.

Então, vejo a eleição de SERRA como quase certa, pois as pessoas votam na pessoa, em uma combinação de reconhecimento de marca e de um suposto carisma. Poucos serão os beneficiados por este Governo que atingiram uma ascensão social a reconhecerem isso, já que não irão votar em DILMA como uma forma de continuidade daquilo que vem funcionando.

A volta desse estamento conservador, mesquinho, chauvinista, hipócrita e defensor da ilegalidade ao poder político formal representa uma competência muito maior dessa gente em estabelecer REDES SOCIAIS.