SEESMIC, BLOG, TWITTER, LINGUAGEM, CONTEXTO, ATIVISMO, COMUNICAÇÃO

Mistura de vodcast com Twitter: excelente p/quem prefere discutir e conversar sem precisar ler/escrever

Mistura de vodcast com Twitter: excelente p/quem prefere discutir e conversar sem precisar ler/escrever

Quando tenho um pouco mais de tempo e saco pra escrever, eu escrevo. Do contrário, gravo um vídeo e converso com vocês de uma maneira mais ágil, embora infelizmente quase ninguém aqui no Brasil tenha ainda sacado a essência do SEESMIC, que não é apenas um serviço pra gravar recados com a webcam e postá-los mas, sim, estabelecer uma CONVERSAÇÃO MAIS DINÂMICA.

Explicando melhor o que já havia dito NESTE POST AQUI, o objetivo, a idéia ou o fundamento para o qual os desenvolvedores do SEESMIC pensaram o serviço não é, de forma alguma, exaltar o ego de alguém que cultiva a singela vontade de aparecer midiaticamente através de um recurso audiovisual: ele foi feito para que possamos estabelecer conversações ou particulares (dá pra configurar a visualização das respostas e do acesso a determinados tópicos restrita a um pequeno grupo de interagentes), ou – e aí é que está o grande barato da ‘brincadeira’ – para muita gente trocar idéias.

A maneira mais produtiva e gratificante de utilizar o SEESMIC consiste em iniciar a conversação a partir de uma pergunta ou de um comentário sobre uma questão cotidiana qualquer a partir de um usuário iniciador, estimulante, instigador. Depois, em resposta ao mesmo vídeo sem criar um assunto ou um título novo, surgem diversas pessoas, cada uma dando o seu pitaco.

Em outras palavras, o SEESMIC possibilita que se evite perder muito tempo para articular um texto complexo. E mais: pelo menos de acordo com observações preliminares sobre as pessoas que eu sigo, boa parte dos meus contatos são canadenses e australianos. A maioria dessa rede social que estou acompanhando apresenta alguns sexagenários, aposentados e free lancers (principalmente de setores que costumam trocar o dia pela noite) não tão jovens quanto a amostragem que a RAQUEL RECUERO e a GABRIELA ZAGO encontraram em relação ao usuário brasileiro do TWITTER. (IMPERDÍVEL: confiram resultados preliminares em três partes: UM, DOIS e TRÊS) Embora precise efetuar uma verdadeira pesquisa quantitativa, qualitativa e netnográfica, até o momento, o SEESMIC parece estimular mais a participação de um internauta mais maduro.

Nesse ponto, penso que o discurso de crítica das práticas jornalísticas e de ativismo político que costuma ser bastante combativo e bem argumentado dentro dos nichos de blogueiros como os compostos pela maioria dos meus amigos gaúchos e também por vários blogueiros espalhados pelo país (a maioria deles vinculada ao coletivo SIVUCA) poderia atingir um público um pouco diferente, tendo em vista dois aspectos (que, por enquanto, ainda não passam de uma mera impressão deste que vos fala):

a) JOVENS QUE NÃO GOSTAM/ACHAM QUE NÃO SABEM ESCREVER: esses, sim, depois de uma experimentação inicial provavelmente baseada no ego e, consequentemente, em um conteúdo singelamente CURCUBITAL, provavelmente tenderão a explorar o SEESMIC com menos filtros sociais e com maior desinibição. Passado o momento de autoidolatria ou de brincadeira, eles irão, aos poucos, passar a discutir sobre assuntos que os afligem ou que os atraem. E é aí que se pode diminuir radicalmente o DESENCAIXE (v. GIDDENS) entre a geração de militantes e ativistas que vivenciaram a ditadura militar e ainda creem em povo, classe operária e em comunicação massiva e a atual geração que, a meu ver, não é tão alienada nem tão hedonista quanto muitos teóricos franceses apocalípticos costumam crer. É a chance de aprender, de praticar e, sobretudo, de fazer parte, de conviver, de compartilhar uma estética e uma retórica condizentes com o contexto no qual essa geração está crescendo;

b) IDOSOS E PESSOAS COM PROBLEMAS DE VISÃO (falando em PNE ou Portadores de Necessidades Especiais e CMC ou Comunicação Mediada pro Computador, sugiro que acompanhem o relevante trabalho que a professora SANDRA MONTARDO faz no MESTRADO PROFISSIONAL EM INCLUSÃO SOCIAL E ACESSIBILIDADE da FEEVALE): definitivamente, esse é um público que apresenta dificuldades em ler e escrever. Além disso, pertence a uma geração que possui muito mais dificuldades em aprender a utilizar as Tecnologias da Comunicação e da Informação do que a juventude atual (aprendizado instintivo e inato) e do que a geração de meia idade (altamente influenciada pela imprensa escrita e pela televisão, meios cuja gramatologia é, para este público, inata).

Escolas, LAN houses, telecentros e, em ambiente doméstico, um contingente cada vez maior de consumidores dos estamentos chamados pelas pesquisas de mercado como ‘classes’ A, B e C que não tem por hábito blogar.

Portanto, considero fundamental jogar com o blog, com o TWITTER e com o SEESMIC em conjunto com as primeiras TICs (listas de e-mail e web fora).

Na primeira vez em que citei e mostrei rapidamente o SEESMIC para alguns amigos ativistas, houve algumas manifestações de preocupação em mostrar a cara. Digo que cada um sabe aonde lhe aperta o calo e que há certas pessoas que, infelizmente, nas empresas públicas ou privadas de qualquer área do conhecimento nas quais trabalham, correm o risco de sofrer perseguições políticas e ideológicas decorrentes de diferenças entre a sua crença em valores mais humanistas e entre a crença de donos e de executivos em valores mais dinheiristas. Outros, temem pela integridade física e moral de suas famílias em função de denunciarem interesses suspeitos.

Todavia, há uma série de questões sociais sérias e politizadas que oferecem um risco muito pequeno de sofrer represálias que não são discutidas à exaustão como deveriam ser, que podem contar com esse público menos afeito à leitura e à escrita como participantes ativos da construção e da retomada da cidadania plena.

O PODER DOS COMENTÁRIOS

A soma de cada uma das conversas torna-se maior do que o todo

A soma de cada uma das conversas torna-se maior do que o todo

Pra quem ainda não entendeu o porquê de alguns probloggers (blogueiros profissionais, que ganham muito bem para escrever amparados pela infra-estrutura privilegiada de algum portal de conteúdo e pelo nome que adquiriram na blogosfera e/ou na mídia corporativa) ou moderarem os comentários em seus posts, ou, simplesmente, negarem-se a oferecer espaço para o internauta dar a sua opinião, eis algumas hipóteses:

1) Estão totalmente desencaixados da realidade na qual o conteúdo não é proprietário mas, sim, compartilhado; de que a mídia de massa não se compara à internet que, por sua vez, é uma mídia de nicho, personalizada e que se espraia em rede, a partir de uma espécie de economia do mérito na qual os blogueiros políticos independentes de esquerda mais citados e mais comentados repercutem dentro de um ambiente permeado por uma massa crítica que dispersa a informação agregando-lhe valor e visões diferenciadas;

2) Pela arrogância de considerarem-se especialistas em comunicar e informar e pela vontade de brincarem de Deus, procurando utilizar a sua técnica como um laboratório de manipulação que não tem como funcionar, neste ambiente, já que nem mesmo a mídia de massa possui mais a crediblidade de antigamente;

3) Porque não percebem o quanto podem aprender com os leitores nem tampouco como o seu fazer jornalístico pode melhorar utilizando um estilo de escrita, uma maneira de investigar a notícia e, acima de tudo, de divulgá-la através de uma semântica compreensível pelo público que detém a experiência nata de ter nascido sob a era da internet.

Abaixo, um estudo de caso recentemente ocorrido no site da revista ÉPOCA que tem tudo para tornar-se emblemático, divulgado inicialmente pelo LUIZ NASSIF (ver O CASO ÉPOCA) e repercutido pelo LUIZ CARLOS AZENHA.

Confere também os [url=javascript:%20loadCommentsBlogFAC('9973',%20'_form_11');void(0);]COMENTÁRIOS[/url] do post do Nassif.

Essa riqueza de opiniões, de debate, de relacionamento e de massa crítica é a forma mais clara de empoderamento da sociedade, visando peitar o status quo através de argumentos que não são valiosos em função do nome de quem escreveu ou da marca da empresa para a qual trabalha mas, sim, de uma soma de posições cujo resultado é sempre maior do que a soma aritmética entre as partes.

Quem não se tocar disso, não entende nada de internet. Ao mesmo tempo, vai perder muito dinheiro no seu negócio baseado na média de massa.

clipped from revistaepoca.globo.com
Desconstrução pouca é bobagem.

Quero ver o editor autorizar fotos do Gilmar Mendes e Daniel Dantas com esta mesma técnica. Ou outra : capa da Epoca no mesmo estilo com os diretores da Globo. Esta seria a única maneira de mostrar que “não” houve má fé.

Jornalismo pobre

Está difícil achar jornalismo investigativo neste país. Revistas semanais, então… Desta vez Época caiu na vala comum, jornalismo de baixíssima categoria.

De Sanctis x $$$ Dantas

Opa! Até que demoraram muito para mostrarem para que vieram, heim?
Que nojo! Jornalismo de 5ª categoria. Falta de vergonha na cara, como diria minha mãe.

Época (Globo) e Dantas , tudo a ver!!!

Não sei pq a surpresa de muitos aqui, com essa nojeira que provem do Senhor Kamel

Cobertura seletiva

Muito estranho, pra não dizer outra palavra, a seletividade na cobertura da Satiagraha. Procuro e procuro por informações sobre o sr Dantas e nada vejo. Agora, sobre os investigadores há bombardeios diários… muito muito estranho.

blog it

REM DEIXA SAUDADE EM POA

06/11/08 23:54:16, upload feito originalmente por HÉLIO SASSEN PAZ.

Show lindo, soberbo, maravilhoso, inolvidável e insofismável: apesar de a OPINIÃO PRODUTORA e a MULTISOM terem que botar pilha para que a diretoria do ESPORTE CLUBE SÃO JOSÉ reforme o mais rápido possível o ZEQUINHA STADIUM a fim de abrir pelo menos uma saída ampla em cada canto ao invés de uma só, foi a melhor acústica que PORTO ALEGRE já assistiu em um show de música.

O tamanho e a localização do PASSO D’AREIA são os melhores possíveis para não apequenar nem agigantar um espetáculo: neste local, a diversão adquire um novo patamar de qualidade.

CONFIRA AS FOTOS NO MEU FLICKR

VÍDEOS, FOTOS E TWEETS NO SITE OFICIAL DO R.E.M.

6/11/2008 – Porto Alegre, Brasil
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APRENDIZADOS DE CAMPANHA PARA O PT-POA

Infelizmente, há nuances político-eleitoreiras que são negligenciadas até mesmo pelas raras pessoas esclarecidas, críticas e socialmente conscientes. Vamos a elas:

1) A mídia corporativa não possui necessariamente o poder que a ela se atribui: caso contrário, não teria havido nenhuma espécie de contestação à administração atual. Portanto, todos os votos não-dados a Fogaça (ou seja, mais da metade dos votos válidos foram destinados a todos os demais candidatos) significam insatisfação – mesmo que seja uma insatisfação predominantemente despolitizada;

2) Tecnicamente, o senso comum confunde marketing, propaganda e publicidade, mas são três técnicas distintas. Ei-las:

- O marketing é um arranjo entre quatro variáveis: produto, preço, escolha dos pontos-de-venda e promoção. Essas quatro variáveis, conhecidas como os 4 P’s (em inglês: product, price, place e promotion), dependem de produção, transporte e transformação material ou produção de um bem intangível como, por exemplo, um site de comércio eletrônico. Portanto, a comunicação (publicidade E/OU propaganda; assessoria de imprensa e relações públicas) é apenas uma parte dentro do composto promocional. Portanto, não existe marketing político;

- Propaganda é a promoção de um produto ou idéia de cunho político-ideológico. Portanto, uma campanha para a Rosário é propaganda, assim como contra o porte de armas ou a favor do presidencialismo. Mas a aparição midiática sob uma linguagem persuasiva, normativa e/ou envolta em um determinado juízo de valores de uma bicicleta, de um perfume ou de um automóvel não são propaganda;

- Finalmente, a publicidade é a promoção de um bem (seja ele simbólico ou material) que precisa ser apresentado e consumido: pacote de viagens, bola de futebol, apartamento, conta bancária, etc. são publicidade e não propaganda.
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Atualmente, a sociedade midiatizada, isto é, a sociedade na qual cerca de 80% de tudo o que se discute é produto de mediações (história premeditadamente editada) e remidiações (atravessamentos entre pautas semelhantes ou contrárias em todos os meios de comunicação), não dá valor nem importância à ágora pública (praças, parques, avenidas). E, sendo predominantemente consumista, pouco letrada e de classe média, não adianta forçar a barra pra tentar “conscientizá-la” acerca do seu papel social, “instruí-la” ou “educá-la” sobre política, cidadania, sociologia, filosofia, psicologia ou pedagogia de maneira informal através de explicações longas. Da mesma forma, é um erro crasso querer impor que a maioria dessas pessoas tenham de crer no discurso de um partido qualquer.

Hoje em dia, os partidos não têm mais cara e todo candidato é um produto. Os pobres, vítimas de racismo, sexismo, maior probabilidade de doenças, subnutrição, ignorância e todo tipo de violência, não são mais a classe operária de Marx, nem tampouco o “povo”: as pessoas podem até se unir em torno de uma causa em comum. Porém, não é por terem-se unido em torno de um determinado objetivo neste instante que terão que unir-se e defender as mesmas demandas sempre, já que não há mais um “povo” uno e nem uma “massa” facilmente manobrável: a sociedade atual é composta por uma MULTIDÃO que não é homogênea e não precisa fazer parte de um determinado grupo classista – é a causa que gera a união e não uma crença e práticas individuais predominantemente comuns, já que todos são diferentes.

Portanto, o desafio é reivindicar por transformações radicais nas leis que regem o sistema político-partidário-eleitoral, as prestações de contas da campanha e repensar o papel da cidadania política separada dos partidos. A falta de consciência a respeito de todos esses fatos fez o PT porto-alegrense parar no tempo em que a sua base militante ainda era formada por uma grande parcela da população representada por operários da indústria e por funcionários públicos moradores da periferia.

Atualmente, os filhos e netos dos operários, dos funcionários públicos e da pequena parcela da classe média que lutou contra a ditadura militar e fez política há 30, 40 ou 50 anos atrás não são mais pobres e compõem a maioria da população da capital sul-riograndense. Distantes do ensino público de qualidade e completamente dissociados da história do país, não possuem a menor identificação com os valores políticos e sociais nos quais seus pais e avós acreditam – ou acreditavam.

A classe média é predominantemente conservadora, pois quer preservar o pouco que possui e almeja ser como os figurões que encontram nos cadernos de “variedades” dos jornais, em revistas de fofocas ou através de programas sensacionalistas de rádio, televisão e portais da internet.

Apesar desse quadro, a esquerda precisa aceitar vender seus candidatos como mercadorias ao mesmo tempo em que deva esmerar-se tecnicamente para saber apresentar suas idéias e suas realizações confrontando as falhas dos seus oponentes com dinamismo, velocidade e sem confrontos contraproducentes.

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