DIA SEM GLOBO: PENSAMENTO EM REDE

As formas de mobilização social normalmente costumam reconhecidas e aceitas pela maioria das pessoas ligadas a partidos e sindicatos somente se forem executadas sob a ótica marxista, para a qual a maioria dos conflitos sociais resume-se à luta de classes e à comparação entre fracos/oprimidos (que não são tão fracos assim) e burgueses/oligarcas (que têm, sim, pés de barro).

O ser humano é um ser social. Discordo – em parte – do julgamento simplista de que a sociedade atual seja majoritariamente despolitizada e alienada. Em função disso, considero que grande parte da população, consciente ou inconscientemente, não se comporta como receptora passiva do conteúdo da mídia de massa. Todavia, cada caso é um caso: as reações podem ser muito heterogêneas, oscilando entre mobilizações meramente locais até um alcance global, além da motivação de cada indivíduo poder ser meramente pessoal até um ponto em que haja total desprendimento. E, como lidamos com pessoas, não existe previsibilidade nos resultados dessas mobilizações.

Observo o predomínio da falta de interesse por parte de muitos intelectuais quanto à leitura atenta de autores sérios sobre as teorias de redes sociais. Não são apenas a História, a Sociologia, a Antropologia e a Ciência Política que acumulam teorias, pesquisas e estudos de caso seculares. Acredito que tenha havido um atraso na aceitação de experiências multidisciplinares no campo das Ciências Sociais Aplicadas, que sofrem preconceito de parte da comunidade científica justamente por não virem de uma única ciência ao mesmo tempo. Hoje em dia, felizmente, aceita-se juntar Matemática, Biologia, Antropologia e Ciências da Comunicação em trabalhos complementares, esclarecedores e – acima de tudo  – socialmente úteis, cujo alcance extrapola as estantes das bibliotecas e os congressos em que só se fala para os próprios pares.

Ao contrário do que costuma ser publicado por jornalistas que não se atêm a uma apuração mais aprofundada das pautas relacionadas a fenomenos multitudinários cuja emergência se dá através de fluxos de informação inicialmente originados no ambiente online, a grande maioria dos encontros, conversações e/ou debates online tem como objetivo transferir essa pauta para o ambiente presencial. Porém, muitos ainda pensam da maneira moderna, taylorista-fordista, em modelos de hierarquia e de ação institucionalizada, onde pensam que precisam depender de instâncias superiores para que algo realmente ocorra e, aí, se desmobilizam. E uma desmobilização online precoce resulta na inexistência da prática ou da repercussão desse fato no ambiente offline ou presencial.

É preciso reconhecer que até mesmo o pessoal de esquerda se desmobiliza facilmente. Por negar-se a compartilhar ideias com quem pensa ao contrário, infelizmente, aparenta ser ainda mais ignorante do que a direita, pois afasta-se da centralidade na rede, adotando um posicionamento periférico de onde dificilmente será solicitada. Sobre isso, escrevi recentemente sobre a minha visão acerca do porquê de Lula unir-se a Sarney. O viés das redes, a meu ver, parece muito mais lógico do que tentar procurar alguma razão na Sociologia clássica (embora eu deixe claro que nenhuma ciência ou teoria pode ser considerada em desuso, superada ou atrasada, até porque todos bebemos da mesma fonte). A esquerda é ainda mais obediente às hierarquias do que a direita – a não ser que tenha por filosofia e praxis a comunidade do Software Livre como uma diretriz para pensar em compartilhamento e não em propriedade.

Pensar em Maffesoli (neotribalismo), Multidão (Negri, Hardt), Emergência e Cultura da Interface (Steven Johnson), remidiação (Bolter, Grusin) e procurar entender um pouco mais sobre redes (v. Linked; Connected; Cultura da Convergência; A Cauda Longa) resulta em uma compreensão maior acerca do cotidiano atual das grandes metrópoles.

O cerne da questão é o seguinte: não é preciso ser de esquerda, não é preciso ser partidarizado e é possível sofrer a influência do #pig e, mesmo assim, ser solidário e engajado. Todavia, os sistemas ideológicos clássicos preveem uma inexistente “pureza”: as pessoas que votam em Lula e Dilma são extremamente conservadoras. E o conservadorismo é, usualmente, tido como uma característica da direita. Além disso, todos são egoístas e solidários ao mesmo tempo: sua ação dependerá de como, com quem e para que.

Os sistemas ideológicos e as reuniões de pessoas a partir de partidos, sindicatos, religiões, organização empresarial corporativa e sistemas militares pressupõem uma equivocada dicotomia: ou se pensa, se crê, se mobiliza e se executa TODAS AS AÇÕES POSSÍVEIS E IMAGINÁVEIS do nosso jeito, ou, então, não está do nosso lado.

As pessoas se unem a partir de nichos: pessoalmente, eu não me interesso por fazer crítica da mídia de massa, pois ela não irá melhorar nem mudar enquanto o seu interagente dela não cobrar uma postura diferente. Eu hoje valorizo as mídias sociais, que possibilitam a dissociação do tempo e do espaço e reunem instantaneamente pessoas do mundo inteiro com demandas e interesses em comum – coisas que nem mesmo em nossos vizinhos de porta ou em nossos irmãos de sangue poderemos reconhecer.

Não se pode exigir coerência nem participação de quem quer dar um alerta à Globo e de quem quer ajudar as vítimas da enchente de AL e MA. Não se pode exigir que alguém que lute contra a venda da FASE seja contra a Arena do Grêmio.

O conceito de emergência explica bem essa situação: pessoas de origens heterogêneas surgem de todos os lados para exercer uma determinada pressão. Assim que a sua demanda for satisfeita, cada um voltará a levar a sua vida de maneira normal.

Por exemplo: o movimento Defenda a Orla, que foi responsável pela valorização das associações de bairro de classe média, utiliza-se muito bem desse princípio. Caso a questão da Rua Gonçalo de Carvalho tivesse sido organizada com um cunho político-partidário anti-Fogaça ou petista, menos de 30% das pessoas que conseguiram o tombamento da rua e a não-construção do estacionamento de um suposto novo Teatro da OSPA ao lado do Shopping Total com saída para os fundos teriam participado da mobilização.

Outro grande erro do marxismo e da esquerda partidarizada é desconhecer que multidão não é povo e não é massa: a multidão age de maneira emergente, não pode e nem precisa estar sempre unida e é totalmente heterogênea e contraditória. O que vale é cada mobilização pontual para resolver-se um problema de cada vez, além da aceitação do fato de que, seja por uma questão de interesse, seja por julgar-se inapto, o mesmo grupo que ganhou uma determinada causa não precisa estar totalmente reunido para outra causa.

Negri e Hardt falam em RESISTÊNCIA, jamais em tomar o poder. O poder institucional pode ter o apoio ou o repúdio de um movimento emergente qualquer. Todavia, não possui necessariamente adesão ao candidato ou ao partido ao qual defende. A forma contemporânea de se criticar e de modificar as relações de poder consiste em não almejar o poder. Senão, ao tomar o poder, quem antes era “oprimido” passará a ser conservador, totalitário e excludente para os seus.

Ainda, sofremos com o fato de sermos pouco conectados e de termos uma baixíssima escolaridade média (75% de analfabetos funcionais). Isso faz com que seja necessário começar a mobilização a partir de causas relativamente fúteis ou, então, de haver o encontro presencial apenas em um momento de pressão máxima, pois ninguém quer interromper ou ter o seu fluxo interrompido: fluxo de mobildade urbana, fluxo de trabalho, fluxo de dinheiro, fluxo de pensamento.

Pra terminar, redes sociais sempre existiram. E redes sociais não dependem exatamente da internet, embora o seu fluxo e o seu alcance sejam infinitos e instantâneos. O Orkut, o Facebook, o Flickr, o You Tube, etc. não são redes sociais: esses serviços são mídias sociais nas quais seus interagentes estabelecem diversas redes de relacionamento entre si.

Outra coisa: não existe mundo virtual e mundo real mas, sim, ambiente digital e ambiente presencial. Primeiro, porque o mundo é um só. Segundo, porque virtual vem de “virtus”, falso, em latim. Terceiro, porque as relações e as trocas online são tão reais quanto as presenciais. Finalmente, tudo se complementa.

A RESISTÊNCIA PELO COMUM

O mais lamentável na política partidarizada, sindicalizada e classista de TODOS OS MATIZES IDEOLÓGICOS e também em relação àqueles que costumam criticar as práticas da mídia corporativa e da publicidade sem um mínimo de domínio técnico, econômico, administrativo, jurídico e, sobretudo, SOCIAL do setor é que a polarização tem aumentado vertiginosamente como reflexo dos equívocos do uso dos poderes político, econômico, coercitivo e comunicacional por todo o país.

Seja pela ignorância, pela hipocrisia ou pelo oportunismo, muitos creem e difundem os valores da imparcialidade e da isenção como se isso realmente fosse possível. Todos tem um lado. Porém, o fato de ter um lado não significa que se deva cometer a desonestidade intelectual de considerar que os métodos, as práticas e as teorias utilizadas para analisar o quadro social a partir de um conjunto de valores no qual eu creio sejam sempre os melhores e os mais adequados. Do mesmo modo, também não é honesto crer que todas as premissas que desvelam os valores dos quais duvido estejam sempre 100% equivocados ou que todos os que os defendem sejam corruptos, ignorantes ou picaretas.

Percebo que o discurso de justiça e igualdade prioriza – em ambos os polos – aqueles que são mais parecidos. Uns tem mais o jeitão do meu time; outros, não. Com isso, a igualdade vai para o espaço, já que parte do princípio de que uns são mais ou menos iguais aos outros. Com isso, a solidariedade, a comunhão, o respeito e o valor que se dá a cada um passa a ser muito mais individualmente seletivo do que coletivamente inclusivo.

A igualdade – assim como a verdade, a isenção e a imparcialidade – só existem aos olhos de quem os vê e para aqueles que julgam merecê-las.  Nesse ponto, tanto o discurso da “esquerda” como o da “direita” estão desatualizados, descontextualizados e desencaixados.

Por que é tão difícil pensar que não existe nada nem ninguém igual e que temos muito em COMUM?! Não é a igualdade que se deve cobrar mas, sim, a superação do comum por ele mesmo como uma forma de atrair o interesse de cada vez mais pessoas interessadas em dar mais de si para manter a energia desse fluxo a pleno vapor.

O comum é feito para ser compartilhado e compartilhado. O comum reside na cooperação e na solidariedade. O comum não é único nem privado: ele é ubíquo e social. A ele agrega-se o valor da troca de conhecimento a partir do DISSENSO, pois são as diferenças debatidas em um regime de dialética pacífica que agregam valor ao que só pode evoluir a partir do momento em que não mais se repete.

A sociedade capitalista taylorista-fordista e – posteriormente – a neoliberal lidaram com conflitos de classes cuja premissa básica era a detenção dos meios e o fatiamento do bolo de maneira que poucos não fiquem com tudo e muitos não fiquem sem nada.

O comum é o conteúdo e o continente das práticas sociais que buscam fugir de um controle hegemônico. É o produto da resistência, da horizontalização e da auto-organização – que são os valores que grande parte da esquerda deveria utilizar a fim de superar o da luta pela inclusão a partir de um modelo igualmente verticalizado, burocratizado, clientelista, corrupto e sectário inversamente excludente em relação às práticas da direita.

O comum é o ativo que circula na sociedade em rede. Já o bem material ou simbólico cuja propriedade é institucionalizada e definida pelas leis oficiais ou por algum “contrato social” é aquele que gera uma série de passivos em cascata (juros, latifúndio, monopólio, oligopólio, corrupção, desestruturação do campo de ação dos poderes, miséria, fome, devastação do meio ambiente, excesso de industrialização, ignorância, doenças psicossomáticas, etc.)

As lógicas definem os processos que – por sua vez – redefinem as lógicas alteradas em função da dinâmica sociotécnica. A lógica do comum é a lógica daquilo que circula e que passa por todos: essa apropriação coletiva devolve ao fluxo novas contribuições.

O enorme atraso com que partidos de esquerda e sindicatos apenas começam a aderir lentamente ao pensamento em rede tornou o seu discurso quase inócuo em relação àqueles a quem pretendem atingir para transformar e pouco resolve a condição dos seus próprios filiados. Acho que a chave para o insucesso político-partidário é essa: o desejo de socializar a propriedade ao invés de entrar no fluxo de produção e compartilhamento de conhecimento.

REDES SOCIAIS: POR QUE NÃO DÁ MAIS PRA PARTIDARIZAR AS REIVINDICAÇÕES

Agora há pouco, em função do POST onde critico o fato de a ação multitudinária predominante na resistência dos movimentos sociais do campo e proponho ações de conexão com atores que podem simpatizar com o seu movimento (os favelados e os sem-teto) de maneira que a mídia corporativa e a classe média sofram um inevitável e irresistível nó epistemológico, troquei idéias com A CARAPUÇA.

A CLÁUDIA CARDOSO do DIALÓGICO, o GUGA TÜRCK do ALMA DA GERAL, o JEAN SCHARLAU, A CARAPUÇA e o RODRIGO CARDIA do CÃO UIVADOR tem opiniões que, de maneira geral, não divergem da minha quanto à defesa incondicional da intenção humanística, laboral, de saúde pública, de sustentabilidade e de desenvolvimento econômico acima da média que a pequena agricultura sem transgênicos nem agrotóxicos baseada na policultura proporciona aos municípios que assentaram antigos sem-terra.

Todavia, discordo de algumas posições dos amigos quando considero que as ocupações (sempre necessárias) seriam a única, a melhor ou a mais eficiente solução possível para a questão agrária. O Guga diz que a única solução possível é realizar as ocupações. A Cláudia diz que as ocupações costumam agilizar a desapropriação de terras para assentamento de pequenos agricultores. O Jean crê que, na contemporaneidade, as soluções de resistência que considero eficientes apenas em ambientes onde predomine o modo de produção taylorista-fordista permanecem sendo as melhores sem levar em consideração o fenômeno da MIDIATIZAÇÃO da sociedade. O Rodrigo, por sua vez, diferencia muito bem os termos ‘invasão’ e ‘ocupação’.

Aliás, de maneira geral, acho que não apenas o Rodrigo manifestaram-se com certa contrariedade por eu ter usado invasão ao invés de ocupação. Não é que eu tenha me enganado ou que eu ache que o ‘certo’ seria dizer ‘invasão’. Naquele post, eu não estava chamando única e exclusivamente o pessoal assumidamente militante e ativista de esquerda para conversar, mas também a CLASSE MÉRDIA FORREST GUMP.

Costuma-se falar em CLASSE MÉRDIA HOMER SIMPSON por causa de uma antiga declaração do âncora do JORNAL NACIONAL (nome bom de marketing: dá a impressão de ser oficial e confiável), WILLIAM BONNER. Acho que essa classe que tem um certo poder de consumo mas é conservadora, despolitizada e ignorante não é apenas fruto da concentração dos meios de comunicação de massa nas mãos de poucos, nem do ‘pensamento único’ resultante dessa configuração de forças em nosso país. Ela também é, sem perceber, o resultado da cultura do medo, da alienação, do consumismo e da omissão que, salvo nas rarar ocasiões nas quais se percebe que o BRASIL chegou ao fundo do poço, predomina neste país desde 1500, mesmo quando ainda não havia mídia de massa, alfabetização em massa, políticas de saúde pública, projetos de desenvolvimento e assim por diante.

Como essa parcela considerável da sociedade deixou-se abater sem reagir pelo sucateamento da educação iniciado durante a ditadura e maquiavelicamente aperfeiçoado no período puramente neoliberal que predominou até o início do lulopetismo, ela lê mal, interpreta mal e não sabe pensar em rede: ela considera-se desconectada do mundo que está além de suas preocupações com dívidas e consumismo. Então, por mais deprimente que isso seja, é necessário explicar-lhes as coisas como a mãe do FORREST GUMP fazia para o seu meninão de QI baixo: “falar de uma forma que ele possa compreender”. Se os Forrests da vida pensam que ocupação e invasão são a mesma coisa, primeiro temos que dourar a pílula para depois apresentarmos as diferenças fundamentais.

Não sei se eu menosprezo ou se tenho um preconceito acima do normal em relação ao perfil desse substrato populacional brasileiro. Só sei que os movimentos sociais precisam alcançá-los e conquistar pelo menos 20% deles como massa crítica. É mais ou menos como se faz pra uma criança entrar em conexão e em sintonia com a fala do adulto: o adulto precisa se agachar para ficar do tamanho do pequeno ser. Do contrário, a distância dificultará consideravelmente o contato tão necessário entre as gerações.

A discussão se estendeu num post do Guga através de comentários tão legais quanto os que eu recebi.

Obviamente, não tenho o contato pessoal com o pessoal do MST que o Guga tem. Realmente, a realidade do MST é como o Guga disse: eles não se sentem pertencentes, integrados e nem mesmo interessados no modus operandi da sociedade de consumo. Primeiro, porque eles não são notícia positiva; segundo, porque eles ainda estão correndo atrás de um mínimo de bens para poder sobreviver com dignidade; terceiro, porque eles tem uma política clara e engajada de defender a sustentabilidade e a saúde; e quarto, porque eles não são público-alvo de nenhum tipo de bem de consumo defendido pela publicidade. Eles assistem pouca televisão, ouvem pouco rádio, leem pouco jornal e, em seu meio, ainda é raro ter acesso à internet. Isso tudo é muito claro.

Contudo, o fato de saber que, NORMALMENTE, os movimentos sociais não costumam ter um espaço minimamente aceitável de veiculação massiva de suas demandas e a APARENTE inviabilidade deles serem apresentados por esse PIG sob uma agenda positiva não poderia funcionar como um incentivo à dissociação deles em relação ao principal consumidor e cliente da mídia hegemônica.

Um movimento civil que não sustenta e não é sustentado por ONGs, partidos e empresas é, por si só, um oásis no meio do Saara. As ocupações são 100% legais, pois eles vão direto nas terras improdutivas. Todo novo assentamento é uma vitória inimaginável para quem não passa pelo que eles passam. Todavia, há uma confusão muito grande entre dissociar-se e isolar-se de quem costuma nos fazer mal ao invés de mantermos uma convivência que possibilite aumentar o nosso contato com outros grupos que têm forte ligação com a mídia que pode funcionar como CONECTORA entre os movimentos sociais e nós sociais relevantes no meio urbano mesmo que essa mídia hegemônica tente evitar apresentar um ao outro.

Vou dar um exemplo bobo do pensar em rede que ilustra bem essa questão. Digamos que eu tenha uma turma de futebol sete e esteja desempregado. Quase sempre, os caras que jogam nos dois times são os mesmos. De vez em quando, uns dois ou três não podem jogar. Pra completar os times, é preciso convidar alguns “amigos dos amigos”. Como a gente não mistura os times, o que era uma brincadeira virou rivalidade. Aí, quando um dos times ganha duas ou três partidas seguidas e começa a rolar aquela corneta, as ‘chegadas’ começam a ficar mais fortes. Aí, rola um revide. Pronto: o pau comeu.

Eu nunca falto ao jogo. O cara com quem eu briguei, também não. No meio dessa turma, ninguém trabalha ou tem algum conhecido na minha área. Só que, um dia, o ‘pau no cu’ traz um parceiro que, mesmo que seja amigo íntimo do primeiro, por mais que o PNC tenha falado mal de mim pra ele, de alguma forma, eu vou com a cara dele e vice-versa. Aí, depois do jogo, mesmo que o PNC esteja entre nós na mesma mesa, não dá pra eu deixar de sentar ali pra conversar com o boleiro convidado por causa do meu desafeto, assim como não precisamos andar armados um diante do outro. Basta que um ignore o outro. Da mesma forma, é preciso aceitar que o meu problema é só com o PNC e vice-versa. Não necessariamente ele é um mau caráter e tampouco eu. Por isso, a relação do PNC com os meus amigos e a minha relação com os mais chegados dele não pode ser interrompida nem por mim, nem por  ele.

Pois esse parceiro que o PNC trouxe é chefe de uma equipe de representantes de uma fábrica de chocadeiras de carrapatos – a única coisa com que eu havia trabalhado antes de ser demitido. Pois graças ao PNC, fiz um novo amigo e, de quebra, recebi uma nova oportunidade de trabalho.

O PNC é um hub ou conector altamente ligado a uma grande quantidade de nós. Eu, que sou meio retraído e ando sem grana pra ir a botecos, jantas, festas, etc. com meus contatos, tenho poucas conexões. E a minha ausência nos encontros com os amigos verdadeiros aos poucos vai enfraquecendo os nossos laços. De alguma forma, preciso voltar a tornar esses laços fortes ao mesmo tempo em que administro os novos laços recém estabelecidos.

Com a auto-estima recuperada, passo a jogar melhor. O PNC vai pensar duas vezes antes de torrar o meu saco, pois seu amigo também é meu amigo e, por alguma razão, a amizade entre os dois é tão cara ao PNC que ele não vai mais bulir comigo de maneira ostensiva. Senão, o laço entre eles vai enfraquecer e tornar o meu laço com o novato mais forte.

Pensar e agir em rede articulando táticas de guerrilha a partir das ENORMES brechas que essa mesma mídia corporativa sempre apresentou deveria ser objetivo da maioria da esquerda.

Ao contrário do pensamento social verticalizado, centralizador, burocrático, pouco criativo e segregador que prevalece nos ambientes onde ainda se utiliza o modo de produção capitalista moderno (taylorismo-fordismo, baseado na uniformidade e na linha de produção), os movimentos sociais não estão à margem da sociedade nem da mídia corporativa e, menos ainda, do consumidor, do produtor ou do financiador dessa mídia hegemônica.

Os grupos humanos são multifacetados e, hoje em dia, não se pode mais pensar na separação ou na padronização do que seriam o povo, a classe operária, a burguesia ou a oligarquia. Só que a experiência mostra que a esquerda ortodoxa quase sempre perde porque evita ter que cruzar o caminho do grande conector para juntar-se a outro grupo de esquerda que segue um caminho paralelo. Já a direita quase sempre ganha porque sempre percebeu a importância dos laços fracos, dos laços fortes e dos conectores: se ela tiver que pedir penico para um grande conector de esquerda, ela pede sem constrangimento, pois é a maneira mais rápida dela juntar forças com a outra parte da direita que corre em paralelo.

Esse antagonismo é representado em ambientes modernos por dois móveis que iniciam suas respectivas trajetórias a partir do mesmo ponto zero e seguem a direção horizontal. Porém, um deles segue o sentido da esquerda e o outro segue o sentido da direita. Isso na cabeça da esquerda ortodoxa…

A direita, por sua vez, sacou muito antes direita que a representação físico-matemática da pós-modernidade através de um gráfico consiste em uma circunferência. os dois móveis partem do mesmo ponto em direção circular. Porém, um dos móveis desloca-se sempre para a esquerda (sentido anti-horário) e o outro desloca-se sempre para a direita (sentido horário). Dessa forma, ao invés de se afastarem ad infinitum como na representação linear, suas trajetórias ao redor da circunferência sempre irão proporcionar pontos de cruzamento que nem sempre serão opostos, isto é, nem sempre a distância entre os dois móveis será exatamente inversa (180º), já que a velocidade de cada um deles é sempre variável ao invés de ser constante ou de ir acelerando sem parar.

Vamos agora para uma representação biológica com traços marxistas: em um formigueiro, a vida em comunidade e o cumprimento integral das atividades que cabem a cada um de seus diferentes grupos de membros (rainha, sentinelas, operárias, enfermeiras e larvas) é a condição moderna de sobrevivência da colônia. Tudo parece sempre igual: a primeira gera larvas; as segundas protegem o castelo; as terceiras constroem e reformam e as quartas alimentam as quintas que, com o passar do tempo e de acordo com a necessidade da colônia, serão uma nova rainha, novas sentinelas, operárias e enfermeiras. Ao dono dos meios de produção, a manutenção dessa estrutura funcional é muito cômoda. Inicialmente, os funcionários não percebem a força que tem ao submeterem-se à ordem vertical, imutável, purista desse modelo.

A pós-modernidade, por sua vez, pode funcionar como uma colônia de formigas antropomórficas a la VIDA DE INSETO: um indivíduo, FLIK, destaca-se na sociedade não por ser o mais rico, o mais forte, o mais inteligente e nem mesmo um grande líder mas, sim, por ser o mais conectado. Criativo e visionário, cometeu um erro grave ao permitir que o poder hegemônico (HOPPER, o chefe dos gafanhotos – conectado a seus subordinados e às formigas) pusesse a colônia em risco. Ele foi isolado pelo hub do formigueiro, que é a RAINHA. Seus laços enfraqueceram com a maioria dos membros da colônia, menos com a princesa DOT, que o manteve conectado tanto à sua mãe quanto à sua irmã, a princesa ATTA.

Mais adiante, ele próprio virou o maior de todos os conectores: primeiro, DOT convenceu-o a não desistir, a não fugir, a fazer por si o que ele havia dito à sua pequenina amiga e fã para fazer.

PORTO ALEGRE: OU MUDA AGORA, OU ACABA DE VEZ

O custo em eletricidade para iluminar e bombear água em prédios e a diminuição da sociabilidade tornam o porto-alegrense mais frio, menos politizado, indiferente, passivo e pouco participativo

O altíssimo custo em eletricidade para iluminar e bombear água em prédios; a diminuição da sociabilidade; a mega produção concentrada de lixo e de esgoto e as doenças respiratórias cada vez mais comuns em função da poluição gerada pelo excesso de pessoas que trafegam sozinhas em seus automóveis tornam o porto-alegrense mais frio, menos politizado, indiferente, passivo e pouco participativo

Fonte segura me informou sobre algo muito grave que, infelizmente, não foi e nem será veiculado na mídia corporativa com o devido destaque.

O deputado federal ELISEU PADILHA (PMDB, senhor feudal do Litoral Norte que, conforme meus pensamentos mais descrentes na falta de inteligência e de politização dos gaúchos em geral, deverá ser, dentro de no máximo 12 anos, governador do RIO GRANDE DO SUL) foi incumbido pelos intere$$e$ da construção civil a fazer lobby junto ao ministro da AERONÁUTICA em Brasília para que seja liberada a construção de prédios de até 82m de altura em PORTO ALEGRE. O argumento do pouco competente e nada técnico ex-ministro dos transportes de FHC foi na seguinte linha: caso as construtoras possam fazer quase tudo o que quiserem na cidade, seriam gerados 30 mil empregos na construção civil.

Esse papo faz com que os sindicatos dos operários ou inocentes úteis (contratados com salário mínimo e que dificilmente ganham hora extra ou buscam seus direitos) apoie incondicionalmente essa iniciativa tanto por necessidade como por ignorância. Então, a contrariedade técnica, política, simbólica, ideológica e afetiva representada pelos movimentos sociais, pelas ONGs, pelas associações de bairro e por uma multidão de classe média quase excluída das entrevistas, das colunas e dos comentários não é vista pelos consumidores mais conservadores do noticiário regional. Dessa forma, os empresários da construção civil, que representam uma das parcelas mais significativas dos anunciantes corporativos dos veículos impressos da RBS (juntamente com bancos, montadoras de automóveis, operadoras de telefonia móvel, grande varejo e o agronegócio monocultor, extensivo, transgênico, latifundiário, exportador e comoditizador) são blindados pelo discurso 100% favorável a seus intere$$e$ por essa mídia hegemônica.

Enfim, é ASSIM que a coisa funciona…

A falta de liberdade e de descentralização nos meios de comunicação alija-nos de um dos direitos mais importantes registrados na CONSTITUIÇÃO DE 1988, que é o direito à comunicação, isto é, de sermos bem informados, da maneira menos imparcial e mais massiva possível, com democracia e pluralidade de opiniões, a fim de ajudar a sociedade a DEBATER, DISCUTIR, ENVOLVER-SE com a política econômica, simbólica e partidária que, queiram ou não, definem, sim, grande parte de nosso futuro como habitantes de uma urbe cuja preservação, evolução, planejamento e salubridade depende, mais do que nunca, da SUSTENTABILIDADE que NÓS MESMOS somos capazes de definirmos a partir de um AGIR SOCIAL voltado para o BEM COMUM.

Segundo o Ministério da Aeronáutica e a ANAC, o ângulo mais agudo possível em termos de segurança para aterrissagens e decolagens em função da distância dos supostos espigões comerciais e residenciais do entorno da ‘arena’ permitiria, “estourando a tanga” (como diria o filho da minha noiva), 64m – o que já é um absurdo.

Até onde se sabe, a animação que ainda não transformou-se em um projeto suficientemente formal a ponto de poder ser apreciado por técnicos competentes (biólogos, engenheiros civis, arquitetos urbanistas e advogados). No entanto, a intenção é construir prédios de 72m.

Para vocês terem uma idéia, moro em um prédio construído em 1972 no bairro Petrópolis. Na época, era o prédio residencial mais alto da cidade, assim como o prédio vizinho também da mesma época e com um projeto quase igual, executados pela mesma construtora, que é (ou era, não sei mais se existe) de São Paulo. Cada um desses dois condomínios possui 15 andares e mais as torres dos elevadores com antenas de operadoras de telefonia móvel, totalizando aproximadamente 50m cada.

Como ambos ficam no início da descida de uma colina em uma avenida muito movimentada e há uma série de outros prédios (os menores com quatro, os maiores com 12 andares) até o pé da colina, todos lado a lado em uma curva aberta, forma-se um paredão que, no inverno, é responsável pelo encanamento e pelos uivos de ventos fortes e gelados em função do atrito com os cantos das fachadas dos prédios. Dada a sombra desses prédios sobre a calçada, a sensação térmica e a dificuldade de evaporação da umidade no inverno são terríveis.

Quando viemos morar aqui há quase 15 anos atrás, podíamos enxergar até mesmo os veículos trafegando na Av. Carlos Gomes. Hoje, quase não se consegue enxergar além da primeira quadra paralela à Av. Nilo Peçanha naquela direção.

Naquela época, eu pegava sol durante grande parte do dia nas calçadas de quase todas as ruas nos quadriláteros compreendidos entre Anita Garibaldi, Carlos Gomes, Carlos Trein Filho e Nilo Peçanha e também entre Carlos Gomes, Nilo Peçanha, Carazinho e Protásio Alves. Atualmente, apenas os privilegiados moradores da feia e triste paisagem formada pelos prédios com 15 anos ou menos de construção e pelo menos oito andares de altura que dizimaram no mínimo 80% das casas dessa região recebem insolação durante boa parte do dia. Mesmo assim, dentro de seus apartamentos de R$250.000,00 a R$1.200.000,00, localizados em “pombais de luxo”. Nas calçadas das ruas que não tangenciam a direção que o sol faz do nascente ao poente, o que antigamente era sinônimo de qualidade de vida agora tornou-se um ambiente menos salubre.

A população de Porto Alegre, no censo de 1980, apresentava pouco menos de 1.300.000 habitantes. Hoje, passadas quase três décadas, é a capital que apresentou o menor crescimento vegetativo de sua população, não chegando ainda a 1.500.000 segundo a última estimatica do IBGE.

Então, COMO JÁ FALEI, a supervalorização dos imóveis muito acima da inflação, do dólar e das necessidades do CUB e a construção desenfreada de prédios que empilham famílias umas sobre as outras é MUITO SUSPEITA: muito MESMO. Em termos de qualidade de vida, a segurança – ao contrário do que o uso incompetente e a dilapidação do patrimônio e do corpo funcional da Polícia militar por parte de um estado que mente o tempo inteiro sobre uma suposta solvência de suas pesadas dívidas – é resultado de educação, saúde e respeito à diversidade das pessoas que compõem a nossa paisagem. Não é passando o tempo inteiro dentro de casulos móveis poluidores e enclausurados dentro de fortalezas (in)violáveis com grades e pesados custos condominiais com a contratação de portaria e segurança que a situação irá melhorar. É importante salientar, ainda, que as empresas particulares de vigilância estão também entre os grandes anunciantes da mídia. O resultado desse investimento publicitário que sustenta a mídia é o aumento sensacionalista da proporção da violência urbana a fim de disseminar o medo entre a parcela mais conservadora e inculta da classe média, aquela mais egoísta e que menos se mistura com o povo a qual chamo carinhosamente de CLASSE MÉRDIA.

O que inibe a ação dos criminosos é a presença maciça de pessoas NAS CALÇADAS, nas PRAÇAS, nos PARQUES. O que atrai os criminosos é o fato da maioria das pessoas preferirem trafegar dentro de casulos dos quais dificilmente tem como escapar de uma ação violenta vinda por trás ou pelos lados.

A falta de preocupação com a qualidade do ar, com a biodiversidade e com o risco de aumento de doenças respiratórias sobretudo durante o inverno facilitaram a construção desses monstros, abrindo o precedente para que a região mais nobre da cidade entre o Centro e a zona norte (São João, Higienópolis, Auxiliadora, Petrópolis, Bela Vista, Mont Serrat, Três Figueiras, Chácara das Pedras, Independência e Rio Branco) fosse, com o tempo, tornando-se cravejada por esses prédios residenciais.

É por isso que eu, como todo bom apocalíptico, penso sempre no pior antes de pensar no melhor, já que esta é a única maneira de nos prevenirmos ou de modificarmos radicalmente o estado das coisas. A pressão feita pelo pessoal do FÓRUM DE ENTIDADES é fundamental, engajada, esclarecedora, madura e, acima de tudo, honesta e altruísta. Todavia, se não houver uma pressão real da CLASSE MÉRDIA (egoísta, IGNORANTE e DESPOLITIZADA) que se cala e deixa que decidam tudo por ela, PORTO ALEGRE vai acabar, pois já possui traços marcantes DO QUE DE PIOR EXISTE EM SÃO PAULO E NO RIO DE JANEIRO.

Enquanto a mídia corporativa e a maioria das pessoas não se conscientizarem de que o excesso de concreto, cimento, tijolos, vidro e o aço propagam calor piorando a sensação térmica do verão e que esses materiais não funcionam como substitutos do equilíbrio térmico proporcionado pela evapotranspiração da terra nua, das árvores e das plantas em geral, PORTO ALEGRE está caminhando para a beira do abismo.

Conheço as capitais de 16 estados brasileiros. Só não tive o prazer de visitar as capitais das regiões norte e centro-oeste, além de Teresina e São Luís. Posso afirmar sem medo de errar que, em termos de pior qualidade de vida, São Paulo é a primeira e Porto Alegre é a segunda, seguida de perto por Curitiba e Goiânia.

Não por acaso as cidades onde a construção civil deita e rola.

SEESMIC, BLOG, TWITTER, LINGUAGEM, CONTEXTO, ATIVISMO, COMUNICAÇÃO

Mistura de vodcast com Twitter: excelente p/quem prefere discutir e conversar sem precisar ler/escrever

Mistura de vodcast com Twitter: excelente p/quem prefere discutir e conversar sem precisar ler/escrever

Quando tenho um pouco mais de tempo e saco pra escrever, eu escrevo. Do contrário, gravo um vídeo e converso com vocês de uma maneira mais ágil, embora infelizmente quase ninguém aqui no Brasil tenha ainda sacado a essência do SEESMIC, que não é apenas um serviço pra gravar recados com a webcam e postá-los mas, sim, estabelecer uma CONVERSAÇÃO MAIS DINÂMICA.

Explicando melhor o que já havia dito NESTE POST AQUI, o objetivo, a idéia ou o fundamento para o qual os desenvolvedores do SEESMIC pensaram o serviço não é, de forma alguma, exaltar o ego de alguém que cultiva a singela vontade de aparecer midiaticamente através de um recurso audiovisual: ele foi feito para que possamos estabelecer conversações ou particulares (dá pra configurar a visualização das respostas e do acesso a determinados tópicos restrita a um pequeno grupo de interagentes), ou – e aí é que está o grande barato da ‘brincadeira’ – para muita gente trocar idéias.

A maneira mais produtiva e gratificante de utilizar o SEESMIC consiste em iniciar a conversação a partir de uma pergunta ou de um comentário sobre uma questão cotidiana qualquer a partir de um usuário iniciador, estimulante, instigador. Depois, em resposta ao mesmo vídeo sem criar um assunto ou um título novo, surgem diversas pessoas, cada uma dando o seu pitaco.

Em outras palavras, o SEESMIC possibilita que se evite perder muito tempo para articular um texto complexo. E mais: pelo menos de acordo com observações preliminares sobre as pessoas que eu sigo, boa parte dos meus contatos são canadenses e australianos. A maioria dessa rede social que estou acompanhando apresenta alguns sexagenários, aposentados e free lancers (principalmente de setores que costumam trocar o dia pela noite) não tão jovens quanto a amostragem que a RAQUEL RECUERO e a GABRIELA ZAGO encontraram em relação ao usuário brasileiro do TWITTER. (IMPERDÍVEL: confiram resultados preliminares em três partes: UM, DOIS e TRÊS) Embora precise efetuar uma verdadeira pesquisa quantitativa, qualitativa e netnográfica, até o momento, o SEESMIC parece estimular mais a participação de um internauta mais maduro.

Nesse ponto, penso que o discurso de crítica das práticas jornalísticas e de ativismo político que costuma ser bastante combativo e bem argumentado dentro dos nichos de blogueiros como os compostos pela maioria dos meus amigos gaúchos e também por vários blogueiros espalhados pelo país (a maioria deles vinculada ao coletivo SIVUCA) poderia atingir um público um pouco diferente, tendo em vista dois aspectos (que, por enquanto, ainda não passam de uma mera impressão deste que vos fala):

a) JOVENS QUE NÃO GOSTAM/ACHAM QUE NÃO SABEM ESCREVER: esses, sim, depois de uma experimentação inicial provavelmente baseada no ego e, consequentemente, em um conteúdo singelamente CURCUBITAL, provavelmente tenderão a explorar o SEESMIC com menos filtros sociais e com maior desinibição. Passado o momento de autoidolatria ou de brincadeira, eles irão, aos poucos, passar a discutir sobre assuntos que os afligem ou que os atraem. E é aí que se pode diminuir radicalmente o DESENCAIXE (v. GIDDENS) entre a geração de militantes e ativistas que vivenciaram a ditadura militar e ainda creem em povo, classe operária e em comunicação massiva e a atual geração que, a meu ver, não é tão alienada nem tão hedonista quanto muitos teóricos franceses apocalípticos costumam crer. É a chance de aprender, de praticar e, sobretudo, de fazer parte, de conviver, de compartilhar uma estética e uma retórica condizentes com o contexto no qual essa geração está crescendo;

b) IDOSOS E PESSOAS COM PROBLEMAS DE VISÃO (falando em PNE ou Portadores de Necessidades Especiais e CMC ou Comunicação Mediada pro Computador, sugiro que acompanhem o relevante trabalho que a professora SANDRA MONTARDO faz no MESTRADO PROFISSIONAL EM INCLUSÃO SOCIAL E ACESSIBILIDADE da FEEVALE): definitivamente, esse é um público que apresenta dificuldades em ler e escrever. Além disso, pertence a uma geração que possui muito mais dificuldades em aprender a utilizar as Tecnologias da Comunicação e da Informação do que a juventude atual (aprendizado instintivo e inato) e do que a geração de meia idade (altamente influenciada pela imprensa escrita e pela televisão, meios cuja gramatologia é, para este público, inata).

Escolas, LAN houses, telecentros e, em ambiente doméstico, um contingente cada vez maior de consumidores dos estamentos chamados pelas pesquisas de mercado como ‘classes’ A, B e C que não tem por hábito blogar.

Portanto, considero fundamental jogar com o blog, com o TWITTER e com o SEESMIC em conjunto com as primeiras TICs (listas de e-mail e web fora).

Na primeira vez em que citei e mostrei rapidamente o SEESMIC para alguns amigos ativistas, houve algumas manifestações de preocupação em mostrar a cara. Digo que cada um sabe aonde lhe aperta o calo e que há certas pessoas que, infelizmente, nas empresas públicas ou privadas de qualquer área do conhecimento nas quais trabalham, correm o risco de sofrer perseguições políticas e ideológicas decorrentes de diferenças entre a sua crença em valores mais humanistas e entre a crença de donos e de executivos em valores mais dinheiristas. Outros, temem pela integridade física e moral de suas famílias em função de denunciarem interesses suspeitos.

Todavia, há uma série de questões sociais sérias e politizadas que oferecem um risco muito pequeno de sofrer represálias que não são discutidas à exaustão como deveriam ser, que podem contar com esse público menos afeito à leitura e à escrita como participantes ativos da construção e da retomada da cidadania plena.