PORTO ALEGRE VAI VIRAR PEQUIM

Pequim, durante os Jogos Olimpicos de 2008

Pequim, durante os Jogos Olímpicos de 2008: não são nuvens, não é chuva, não é neblina!

Infelizmente, tudo o que os blogs PORTO ALEGRE RESISTE, MÁRIO RANGEL GEÓGRAFO e o fantástico e incansável HENRIQUE WITTLER têm postado nos últimos meses revela um caminho quase sem volta rumo à insalubridade, à feiúra e à manutenção da pior concentração de renda do mundo nesta cidade.

Por que? Por causa do comportamento despolitizado, covarde, egoísta e ignorante da esmagadora maioria da população porto-alegrense. Todas as classes sociais e faixas etárias são seduzidas pela mera estética do belo e pela já defasada mania de considerar como empreendimento e como forma de desenvolvimento a doutrina taylorista-fordista baseada na moral judaico-cristã.

Eu não vou ter pena das doenças respiratórias, gastro-intestinais, de pele e da multiplicação exponencial de tipos de câncer que proliferam em lugares onde a insolação é substituída pela umidade e onde a vegetação natural – térmica – é substituída pelo concreto que irradia frio e calor em excesso, sem aproveitar um milímetro cúbico sequer dessa imensurável fonte de energia natural.

Esta cidade está-se esvaindo por causa de uma série de fatores interligados, dentre os quais cito: a impaciência e a demora para sair e chegar de qualquer lugar na cidade através de um meio de transporte individualista e caro, no qual 800 Kg de ferro e plástico servem pra mover uma única pessoa na maioria dos percursos; o excesso de gasto de combustível fóssil, que está colaborando diretamente na severa alteração dos microclimas (o tornado em Viamão no ano 2000; pouco depois, em Torres; o atraso do início do inverno e do início do verão no RS; a desolação desta tragédia recente em SC, que foi muito pior do que a da década de 1980 e assim por diante); a falsa fetichização do automóvel como símbolo de status, de independência, de maturidade e de liberdade difundido pelos meus colegas publicitários; o tratamento de quarta classe dado tanto pelos motoristas como pelo Poder Público ao pedestre; a ausência de ciclovias em profusão – este, sim, um verdadeiro símbolo de saúde, de liberdade e de assertividade.

Parte da construção civil só quer saber de ganhar dinheiro fácil, passando por cima das leis ambientais e urbanísticas municipais, estaduais e federais porque não corre riscos nas esferas cível e penal; políticos brasileiros de todos os partidos, de todas as idades e de todos os cargos, de uma maneira geral, são generalistas e tecnicamente despreparados: só pensam no imediatismo da sua continuidade no poder assinando soluções paliativas e momentâneas sob a forma de obras e leis voltadas para solucionar em primeira instância não as questões não do cidadão mas, sim, daqueles que financiam as suas respectivas campanhas.

O que mais dói é saber que não é nada fácil encontrar brechas jurídicas nas articulações entre esses entes econômicos e políticos. Muitas vezes, realmente pode nem haver alguma atividade tacitamente ilegal.

Enfim… Aprendam o que é o VERDADEIRO DESENVOLVIMENTO E A VERDADEIRA GERAÇÃO DE RIQUEZA PENSANDO NO FUTURO e tentem aprender um pouquinho a agirem em prol de sua própria sociedade, conscientizando-se que, acima de tudo, se a maioria da minha comunidade estiver pior do que eu, devo fazer o possível e o impossível para que ela melhore. Melhorando a condição geral, melhora a minha condição também.

POR QUE A INDÚSTRIA DE BASE DEVERIA SER SEMPRE 100% NACIONAL

A reprodução da entrevista do CORREIO DA CIDADANIA com FERNANDO SIQUEIRA, diretor da ASSOCIAÇÃO DOS ENGENHEIROS DA PETROBRAS reproduzida pelo LUIZ CARLOS AZENHA no VI O MUNDO é extremamente elucidativa, honesta e lúcida: assim como reflete um panorama de cobiça, ilegalidade e incontáveis prejuízos ao erário na exploração do petróleo brasileiro, poderia ter sido feita sobre metais preciosos, água, calcário, diversos tipos de rochas e madeira.

A artimanha das megacorporações globais está em subornar o que de pior há nos políticos, pesquisadores acadêmicos e empresários locais e fazer lobby através de paquidérmicos espaços na mídia corporativa (sejam eles anúncios ou notícias positivas a respeito de seus interesses). Tudo o que for divergente é retrógrado, ignorante, intolerante, agressivo, irresponsável, antiquado ou uma blasfêmia.

Falta força, autonomia, inteligência, coragem e, acima de tudo, interesse para realizar um projeto de nação que perceba a imensurável importância estratégica das indústrias de base e das concessões do espectro de ondas eletromagnéticas para transmissões de rádio e televisão.

Sempre aparece algum analfabeto funcional da classe mérdia totalmente desprovido de argumentos técnicos e teóricos disposto a achar que controle em benefício da maioria é igual a censura para a sua casta de privilegiados.

Mas eu prefiro eles vivos, saudáveis e livres falando merda do que presos. Afinal de contas, rir é o melhor remédio! :P

Se fui rude ou desbocado foi porque, se eles podem ficar “cansadinhos”, eu também posso. Mas não do jeito deles. ;)