PREOCUPAÇÕES COM O RIVAL APEQUENAM O GRÊMIO

Defendo veementemente a rivalidade sem precisarmos nos comparar diretamente com o Tradicional Adversário.

Devemos mandar executivos em todas as áreas para conhecer o Real Madrid, o Barcelona, o Milan, o Manchester United, o Arsenal, o Liverpool, o Chelsea e o Bayern. As qualidades organizacionais de nossos principais rivais no país (T.A., Flamengo, São Paulo, Cruzeiro, Palmeiras, Corinthians, Vasco, Fluminense e Atlético-MG – não necessariamente nessa ordem) já são bastante conhecidas.

Pela breve convivência com alguns movimentos políticos de conselheiros do clube e por uma observação mais próxima com a atual gestão posso te afirmar sem receio algum de que o Grêmio está à frente de vários desses grandes clubes brasileiros em uma série de ações de departamentos específicos. Então, se é pra crescer de verdade e se é pra nos mirarmos em exemplos de um nível mais alto, precisamos aprender com os fodões.

Nesse aspecto, nosso marketing (que, por sinal, está começando a produzir iniciativas interessantes, porém ainda lentas e de resultado ainda incerto, embora promissor) deveria ir até o Velho Mundo pra aprender.

Em termos de categorias de base, nosso trabalho é de Primeiro Mundo. Nas Finanças, as preocupações, o cuidado e a excelência técnica do Irany não devem nada a ninguém.

Nosso Departamento de Comunicação possui iniciativas interessantes como a rádio e a TV Grêmio, mas não possui intimidade nem agilidade na geração de relacionamento, adesão e fidelização do torcedor via internet. Felizmente, o site oficial agora está nas mãos da Bianca e da Mel, pois antes não tinha uma unidade ou um padrão de veiculação das informações. Ainda assim, falta gente e o design do site não favorece o destaque de efemérides importantes nem a associação ou o fácil acesso à incrição no Exército Gremista e na conferência dos “gols” e dos parceiros da Artilharia Tricolor, que são o que mais deveria importar hoje em dia (além da geração de notícias sobre as categorias de base e de uma sessão de História do clube e também a publicação das estatísticas dos jogadores em cada partida).

Embora o Quadro Social tenha conquistado o certificado ISO 9001:2008 e o Grêmio com isso tornou-se o clube brasileiro mais atualizado nos padrões de atendimento ao associado, o que pode-se queixar da gestão Duda é a subserviência em relação à ignorância e a estupidez dos policiais truculentos e mal educados dentro da sua própria casa. Mas é preciso registrar que isso vem desde a gestão anterior, conforme bem relatado pelo Josias, que dela participou.

Nosso maior problema é termos direção de futebol, assessoria de imprensa e concatenação entre a base e os profissionais de maneira que o técnico profissional privilegie a continuidade do método de trabalho da base.

Isso posto, toda e qualquer preocupação com a vida ou com os títulos do Tradicional Adversário é contraproducente: cada um com os seus problemas e cada um com as suas virtudes.

Gremista pode – e deve – secar. Gremista pode – e deve – tocar flauta. Todavia, ninguém pode ficar pra matar ou morrer caso leve uma flauta de vez em quando. Ganhar e perder é da vida. O que não pode é se conformar. E o que se deve fazer é buscar evoluir constantemente.

Ser um dirigente calmo, polido e fidalgo não implica em não demonstrar o seu lado sanguíneo. E ser um dirigente sanguíneo não permite que se tenha um comportamento adolescente, de fazer e acontecer, de prender e arrebentar. Tudo o que o Grêmio menos precisa é de um presidente bipolar.

O que não pode é ser passivo. O que não pode é ser omisso. O que não pode é tapar sol com a peneira nem fazer uso de um cobertor curto.

Concordo que, hoje, o futebol não tem sido administrado com sapiência e com propriedade. Também clamo por uma mudança. No entanto, me parece essencial salientar que não adianta ter carisma se não há transparência e o discurso para agradar adolescentes não leva a lugar algum.

Sim, acho que Duda poderia melhorar em termos de demonstrar que ocupa o cargo máximo do clube. Sim, acho que Meira é insuficiente. Porém, eu não tenho a menor condição de preferir um diretor de futebol que diz que o Boca é um “Caxias com grife” e uma gestão que mantém jogadores segundinos como se fossem ídolos ou craques e põem tudo por água abaixo (Sandro Goiano?! Só sabia dar carrinho e se impor. É o típico caso da geração que desconheceu um jogador de verdade para a posição; Patrício?! Olha… Essa dupla pra conter Riquelme, Palermo e Palácio?!).

Subir para a primeira divisão é O-BRI-GA-ÇÃO. Não é uma conquista. Não é demonstrar que o clube é grande. É tão-somente voltar para o lugar de onde JAMAIS poderia ter saído. O futebol da Batalha dos Aflitos é o futebol bagaceiro, é o futebol desorganizado, é pão e circo, não é futebol (fora o Andershow).

Ganhar Gauchão não significa QUASE NADA.

A única diferença entre nós e o T.A. é que eles se deram conta disso há muito tempo. E eles foram muito inteligentes e hábeis ao já terem firmado contratos de trabalho com todos os meninos acima de 14 anos da base antes mesmo de a Lei Pelé entrar em vigor.

Quando o futebol deixa a desejar (e não poderia), o que a torcida deve fazer pra ajudar o Grêmio a voltar às cabeças é não deixar a Geral morrer. Ao mesmo tempo, ela precisa se reciclar e se depurar, pois a maioria é de gente muito boa que deve viver de puxar o bonde. Ela precisa ampliar a divulgação das suas ações sociais e deve frear o ímpeto dos poucos que se utilizam dela para cometer crimes. Uma Geral entusiasmada E segura significa a chance de o estádio lotar mais (principalmente se a Direção tomar as medidas que sugeri em relação aos ingressos e à imposição de horários mais ‘humanos’ para se ir ao estádio).

O Grêmio precisa das famílias. O Grêmio precisa das mães que cuidam dos filhinhos pequenos, gremistinhas. O Grêmio precisa das gatinhas lindas que dizem palavrão e têm um fôlego muito superior ao de muitos guris que se acham os “galinhos”. Se o Grêmio se elitizar, nossa torcida será de golfe. E com uma torcida de golfe, qualquer estádio deixa de ser um alçapão, uma trincheira, um pântano, um vulcão em erupção, um canto escuro.

Vamos nos preocupar com isso. Não com eles. Se fizermos a nossa parte por nós mesmos, sabemos que seremos maiores.

GRÊMIO, TORCIDA, FLAUTA INTELIGENTE

Conversando recentemente com a minha LU e com os amigos MARCELO e RODRIGO CARDIA nas Sociais, pensei muito sobre se deveria ou não postar sobre o assunto. Primeiro, porque interpretações equivocadas e precipitadas poderiam levar alguns a crer que eu seria contra as torcidas organizadas, que eu sou careta ou que gostaria de ‘orientar’ a atitude da massa. Nenhuma dessas três afirmativas é verdadeira.

Isso posto, considero total falta de inteligência os cânticos e palavras de ordem da torcida TRICOLOR DOS PAMPAS contra o tradicional adversário quando NÃO jogamos contra eles e, principalmente, quando a condição deles (seja no mesmo certame que estivermos disputando, seja em um outro torneio qualquer) não puder melhorar nem piorar naquele instante.

Há alguns anos atrás, assisti no SPORTV um documentário sobre a estrutura do Real Madrid. A TV do clube tem programação em pay-per-view 24h/dia e sete dias/semana com especiais sobre a carreira de dezenas de craques do clube merengue através dos tempos, reprise de jogos históricos e narração e comentários dos coletivos, além de entrevistas exclusivas com os atuais jogadores e dirigentes.

Dois fatos me chamaram a atenção nesse programa:

a) A DIRETORIA, O PLANTEL E A COMISSÃO TÉCNICA TEM ORDEM EXPRESSA PARA EVITAREM AO MÁXIMO PROVOCAR, TOCAR FLAUTA E RESPONDER A PROVOCAÇÕES DOS BLAUGRANA. Um dirigente do Real Madrid disse que, quando um está mal e o outro está bem, a fase varia em função da virtude administrativa e técnica de um e do infortúnio ou da incompetência do outro. Em outras palavras, UM NÃO DEPENDE MAIS DO OUTRO COMO PARÂMETRO PARA CRESCER.

Secar, comparar um com o outro e provocar de maneira saudável em confrontos diretos é totalmente válido. Mas não faz o menor sentido cantar ‘Chora macaco imundo que nunca ganhou de ninguém’ a partir de dezembro de 2006, nem tampouco cantar ‘Atirei o pau no Inter…’ quando nosso adversário for outro. Que se vibre quando der um gol contra eles no rádio, mas que se use o cérebro.

b) TODOS TEM AMIGOS, PARENTES E COLEGAS DO OUTRO LADO. Um funcionário da TV do Real Madrid nasceu em e torce para o Barça, mas sabe que é bom para toda a comunidade madridista quando o Madrid ganha, pois eles tem participação nos lucros.

Em suma: CADA UM COM SEUS PROBLEMAS. Mesmo seguindo essa dica, obviamente a rivalidade não irá se arrefecer e, de certa forma, um sempre irá se preocupar com os destinos do outro. Em condições normais, um jamais irá torcer pelo outro. Só que não se pode tirar o foco dos jogadores, como ocorrera na última rodada do BRASILEIRÃO de 2008: ainda tínhamos chance de sermos campeões caso vencêssemos o ATLÉTICO-MG e o SÃO PAULO perdesse para o GOIÁS. Em certo momento, a vibração dentro do OLÍMPICO MONUMENTAL fora enorme em função do rádio: enquanto eu e alguns milhares de torcedores acreditávamos que o PERIQUITO DO CERRADO havia feito um gol, essa vibração desproporcional que em nada contribuía para nossos interesses na competição, eis a surpresa – estavam vibrando ensandecidamente com um gol do… FIGUEIRENSE sobre o tradicional adversário.

Essa atitude foi tão ridícula, que, momentaneamente, até tirou o foco da vitória dos nossos jogadores. Ao mesmo tempo, cá pra nós: se os fragários já estavam garantidos na COPA SULAMIRANDA 2009 e se não faria a MENOR DIFERENÇA para o campeonato ou para eles caso houvessem vencido ou perdido por 20×0, não seria mais inteligente esquecer deles quando o futuro deles já estava selado?!

Pra terminar: briga séria entre parentes, amigos e vizinhos por causa de futebol é uma atitude condenável e inaceitável sob todos os sentidos em qualquer lugar do planeta.

Gostaria muito que tudo o que eu escrevi neste post fosse refletido. Contudo, sei que nada irá mudar…

GRENAL: ODONE DÁ MUNIÇÃO AO ADVERSÁRIO

O presidente falastrão

O presidente falastrão

A terça-feira da última Semana Grenal de 2008 foi marcada por declarações infelizes do presidente tricolor Paulo Odone: empolgado com o bate-pronto do perspicaz repórter de rádio, falou o seguinte, sem pensar:

Eles são favoritos, mas VAMOS PASSAR A MÁQUINA EM CIMA DELES.

Portanto, o presidente TRICOLOR não apenas incentivou a motivação do tradicional adversário como também obrigou o time de CELSO ROTH a obter como único resultado aceito pela torcida a vitória na casa de um adversário fisicamente na ponta dos cascos, motivado, confiante em virtude de três vitórias consecutivas, ciente de sua responsabilidade e totalmente de sangue doce, pois não tem absolutamente nada a perder. Felizmente, nosso técnico é inteligente e tratou de minimizar o estrago da diretoria (tentativa de condicionamento da arbitragem do diretor de futebol ANDRÉ KRIEGER, o ‘ atropelamento’ de Odone, o desdém do assessor de futebol deles, etc.). Contudo, terá sido tal providência suficientemente forte para conter a impetuosidade física e emocional do plantel TRICOLOR? Afinal de contas, o risco de lesões e expulsões sem sentido sempre aumenta exponencialmente após episódios como esse.

Se o GRÊMIO perder no domingo, a torcida culpará diretamente o treinador, contra quem muitos nutrem um preconceito e uma má vontade quase irracionais. Nessa hora, ninguém irá lembrar-se das causas realmente diretas caso o infortúnio se confirme (esta e esta).

A própria passionalidade do torcedor incendiada pela espetacularização da notícia encarregar-se-á de instaurar uma CRISE no OLÍMPICO MONUMENTAL, pois a escolha do dirigente pelo óbvio não foi feita.

Até onde sei, O GRENAL É APENAS UM JOGO DE TRÊS PONTOS, ASSIM COMO O SERIA CONTRA O REAL MADRID OU CONTRA O ÍBIS: embora apresente toda uma tradição de intensa rivalidade e de momentos tão insólitos quanto bizarros em 99 anos de história após quase 400 duelos, como o BRASILEIRÃO não é disputado em grupos, fases e mata-mata sucessivos, o GRENAL nada mais é do que um jogo qualquer.

A bem da verdade, tanto os maiores sucessos nacionais e internacionais do GRÊMIO e do TRADICIONAL ADVERSÁRIO foram obtidos mediante comparação única e exclusiva de si próprios em relação aos melhores do planeta em cada contexto: se o vizinho do lado não é o melhor, porque diabos deveríamos nos preocupar com ele se temos mais o que fazer?

Torçamos, pois, para que a retomada do caminho do TRI seja constante.

NO INTERIOR: – FUTEBOL, + ESPORTE AMADOR

Para que não reste nenhum mal-entendido em relação ao post anterior: não sou contra a existência de clubes pequenos nem contra a existência dos campeonatos estaduais. Contudo, estes certames menores deveriam ser disputados única e exclusivamente pelos clubes que fazem parte apenas das séries C e D do BRASILEIRÃO – e também como forma de classificação à Série D.

O que torna difícil o crescimento e a racionalidade nos clubes pequenos é o paternalismo das federações estaduais e o caciquismo, isto é, apenas o mesmo cacique local e sua turma é que comandam a gestão desses clubes, sem nenhum preparo profissional (administração, direito, economia, marketing, psicologia, educação física, comunicação social e visão empreendedora).

À exceção de rivalidades de bairro e de classes sociais no início do século XX e da necessidade puramente pessoal de pequenos grupos de se fazerem representados no mundo do futebol profissional, não existe nenhum motivo técnico ou racional que justifique a existência de SEIS clubes profissionais em Pelotas e em Rio Grande, CINCO entre Passo Fundo, Ijuí, Erechim e Três Passos, mais OITO na Grande POA (à exceção da Dupla), TRÊS entre Bagé e Alegrete, SETE entre Santa Maria, Cachoeira do Sul e Santa Cruz do Sul, mais alguns na Fronteira Oeste e diversos outros na Serra (além de Esportivo, Caxias e Juventude).

Afinal de contas, de carro ou de ônibus, o tempo de viagem e o trânsito entre essas cidades para assistir a um jogo de futebol seria quase sempre mais curto e mais rápido do que entre bairros dentro de Porto Alegre, por exemplo. E seria um programa barato.

De aproximadamente 40 clubes ditos profissionais de futebol, o RS poderia ter 10, todos com mais torcida, reduzindo a torcida do Grêmio e do tradicional adversário, reforçando os laços de várias comunidades e aumentando enormemente as chances de o RS ter representantes em todas as divisões nacionais e na Copa do Brasil quase sempre.

Tanto a paixão pelos grandes e centenários clubes dos grandes centros como a pequena capacidade econômica de lugares menores impedem que haja futebol competitivo e bem planejado.

Já falei e vou repetir: um belo time de futsal, vôlei, basquete ou handebol, escolas, patrocinadores e clubes sociais aglutinando e oferecendo estrutura para esportes individuais (tiro esportivo, tiro com arco, atletismo e natação) custam centenas de vezes menos, criam novos pólos de referência para atividades específicas e, finalmente, mobilizam uma comunidade inteira para torcer e consumir com mais força do que no futebol em uma série de casos.

Quem sabe não estaria aí também a grande oportunidade de popularizar e desenvolver o futebol feminino no Brasil?

Pra terminar: não seria um belíssimo motivo de incrementar o turismo no interior a partir da atração de entusiastas de esportes com pouca representatividade e com baixa qualidade técnica provenientes da capital e de outros estados e países?