Eu estava muito, mas muito pessimista durante o jogo (via Twitter). Ainda acho que, caso Renato não passe a escalar Pessali como enganche; deixe Souza e Douglas FORA DO BANCO em pelo menos três partidas consecutivas com ambos saudáveis e sem estar pendurados com dois cartões amarelos… Seremos candidatos seriíssimos ao rebaixamento.
Não credito ao mero pessimismo, ao não-reconhecimento de um empate com sabor de vitória como o de ontem ou a uma eventual miopia em relação às mudanças empreendidas pela visão e pela personalidade de Renato sobre o plantel. E, até determinado ponto, é preciso entender que muitos oposicionistas têm razão quando o seu comentário é técnico-tático.
Ainda vejo o Grêmio muito a perigo. O nosso campeonato é tão-somente escapar do rebaixamento. Nada mais almejamos porque não temos jogadores de personalidade – e os de pior atitude são os mais caros, os mais experientes (à exceção de Victor, Rochemback e Jonas).
Não há virtude pessoal em quem deveria servir de exemplo tanto aos recém chegados com currículos ainda incipientes quanto àqueles que deveriam ser encarados com muito mais carinho e responsabilidade por todos – os guris oriundos das categorias de base.
Quando é que uma criança irá comer salada? Quando vir seus pais comendo salada. Quando é que uma criança será querida mesmo quando estiver triste ou de mau humor? Quando não tiver pais gritões e quando tiver em seus pais tutores e também uma plateia atenta aos seus feitos.
Souza e Douglas já contaminaram o ambiente de uma maneira quase irreversível: eles são como tênias que minam a energia do corpo que lhes dá a vida.
O Brasileirão não é um campeonato difícil de se sobreviver: o Avaí está aí para provar. Uma gestão de futebol correta implica em disciplina, atenção e participação dos dirigentes no vestiário. Podem mudar os jogadores, pode não haver formação de atacantes de velocidade nem de meias de ligação na base e pode faltar dinheiro para contratar esses homens decisivos, mas dá pra aplicar um padrão “feijão com arroz” na preparação física (isto é, sem pôr toda a carga em um único semestre pra apostar todas as fichas do clube em uma única competição e estourar o grupo no semestre seguinte) e também taticamente (jogadores medíocres com tendência a APRENDER treinam mais motivados e demonstram PERSONALIDADE em momentos decisivos).
Pra cair, tem que querer. E, infelizmente, mesmo tendo apoiado Duda, Meira e Silas enquanto eles ainda não haviam sido suficientemente incompetentes, teimosos e sem atitude, ainda não sei se é isso o que o presidente quer.
Claro, falo em querer cair no sentido figurado: afinal de contas, ninguém deseja isso para si, para quem trabalha consigo e nem tampouco para quem financia o clube e, acima de tudo, para quem enxerga no clube um poço de paixão e de virtude que define grande parte da identidade sociocultural de tantas pessoas que vivem de maneira heterogênea mas que encontram no futebol um ponto de união.
Eu já vi batatas podres e um aproveitamento insuficiente dos meninos da base em 1991. Já vi uma falta de atitude melancolidamente parecida com a de 2010 em 2004.
Ainda não vi aquele brilho no olhar da maioria do plantel e nem aquela força emocional no departamento de futebol que nos levaram à reação de 13 pontos em 15 nas cinco rodadas finais de 2003.
Ontem, eu vi uma centelha de reação na iniciativa de Jonas e na escalação do único lateral esquerdo que sabe cruzar uma bola alta disponível no plantel do Grêmio: Lúcio. Também vi um progresso no fato de não termos levado um gol nos acréscimos do 2º tempo e de nós termos buscado um ponto quase aos 41′ do 2º tempo.
Esse é o dado positivo de um festival de horrores, de mais uma atuação lastimável, que não condiz com a grandeza do Grêmio.
Aliás, estamos no limiar de nos transformarmos durante décadas em um clube que só vive do passado, como Atlético-MG (que eu não considero grande), Santos (que demorou três décadas para voltar a ser grande) e Botafogo (que é menor do que nós mas que se comporta de maneira tão claudicante quanto o Tricolor dos Pampas).
O Grêmio precisa mudar ONTEM. Ainda estou desconfiado de que seremos rebaixados – a não ser que as batatas podres sejam eliminadas do saco e que o sangue novo seja imediatamente aproveitado.
Por que insisto nisso? Porque não há mais comprometimento nem identificação da esmagadora maioria dos jogadores com a torcida, com as cores, com a cidade, com a história do clube. Quem ainda sente isso são os jogadores criados pelo clube.
Já está muito cansativo (diria até insalubre) viver pressionado, correndo riscos graves sem uma compensação contundente.
GRÊMIO, TU NÃO PRESTAS. MAS EU TE AMO, PORRA!!!