DITADURA E MÍDIA: HERANÇAS SOCIAIS NADA BRANDAS

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O EDUARDO GUIMARÃES diz uma coisa com a qual concordo. Se nosso país fosse como a Suécia, a Noruega, a Dinamarca ou a Finlândia, até poderíamos aceitar (e inclusive sermos) a direita numa boa. Afinal de contas, pelo menos no papel, lá não falta nada pra quase toda a população. Porém, em um país tão desigual quanto o nosso, por uma simples questão de humanismo, solidariedade, cooperação, respeito e compreensão, somente a má fé, a ignorância e o egoísmo justificam a preferência bovina do gaúcho pelo pior dos conservadorismos – o racista, sexista, preconceituoso, belicoso, reacionário e estúpido.

Agradeço ao meu amigo RODRIGO CARDIA por ter citado dois ou três posts meus no CÃO UIVADOR ao tratar do COMEÇO DO FIM DE PORTO ALEGRE. Foi ele quem inspirou este post.

Como TRAGÉDIA POUCA É BOBAGEM, ontem nossa cidade foi brindada pela omissão da maioria passiva. Apesar de eu trabalhar com isso e conhecer muito bem os seus efeitos, não se pode creditar à mídia corporativa toda e qualquer espécie de manipulação ou de persuasão das pessoas, que possuem seu livre arbítrio até mesmo quando não possuem cultura ou estabilidade emocional para lidar com essa mecânica.

A bem da verdade, como PORTO ALEGRE quase sempre teve uma classe média proporcionalmente maior do que a da maioria das outras capitais brasileiras, quem deixou de ser pobre e almeja ser rico torna-se naturalmente egoísta, oportunista e conservador. E o pessoal da mídia corporativa que trabalha com política e economia também é recrutado por ser conservador.

Um jornalista, mesmo bem intencionado, tende a pensar que possui uma capacidade de brincar de Deus com as palavras. É mais do que normal eles caírem na armadilha de superestimar a sua retórica e a sua discursividade e de subestimar a inteligência e a existência (eventualmente até predominante na sociedade, dependendo da agenda em discussão) da resposta dissonante de uma audiência multifacetada cujo perfil é, hoje em dia, impossível de ser determinado a partir de um certo padrão.

Acho que os grandes males da sociedade pós-moderna não são exatamente o consumismo, o egoísmo, a discussão mediada, as tentativas oligárquicas de se obter falsos consensos, as famílias desfeitas, nem tampouco o amadurecimento forçado e forjado de crianças e adolescentes: todos esses elementos (além de diversos outros que tomariam muito tempo pra citar) são meras consequências do estrago ESTRUTURAL iniciado durante a ditadura.

Pra quem insiste em DITABRANDA, além dos gravíssimos casos de perda das liberdades civis, de cerceamento da liberdade de expressão, do patrulhamento de pessoas que pensavam de maneira diferente, das mortes, prisões, torturas e exílio, as consequências culturais, sociais e materiais da ditadura nos devastam até hoje: a piora constante na qualidade do ensino; o sucateamento e o investimento inútil em obras faraônicas e a gênese do modus operandi da corrupção atual são as heranças para o presente.

Convivemos com uma maioria passiva, covarde, egoísta, sexista, dinheirista, pouco solidária, fria e indiferente. Em todas as classes sociais, em todas as profissões, honestos, desonestos, francos ou enroladores, não importa: o Brasil passa por uma crise de HUMANISMO, responsável pelo desconhecimento de que o desenvolvimento sustentável de um país depende do compartilhamento de experiências e da composição de uma nova realidade a partir das trocas multiculturais entre gêneros, raças, ideologias e religiões.

A sofisticação da corrupção civil, militar, econômica e moral hoje realizada pelos herdeiros dos primeiros ícones do colarinho branco incentivadores dos golpes contra Getúlio Vargas e Jango corrompe também o sentido de alteridade de um povo a partir do não-aproveitamento coletivo de muitos saberes seculares e regionalizados capazes de mudar o mundo paulatina e continuamente.

Portanto, a DITADURA não tem nada de branda, pois ela ainda define comportamentos e tendências sociais. Sua contribuição gerou um atraso mental, moral, legal, social e racional que precisará de décadas para ser parcialmente desfeito.

O nacionalismo, o investimento maciço nas universidades federais e na qualificação de muitos professores no exterior durante a década de 1970 e aquela sensação de segurança nas ruas, de respeito dos jovens perante os mais velhos e outros argumentos de sustentação insuficiente usados com insistência por muitas pessoas das classes A, B e C não  compensa, não justifica, não inverte a equação que trouxe como principal resultado perdas incalculáveis para o país em praticamente todas as áreas do conhecimento.

Não quero com isso dizer que todo empresário é safado nem que todo militar é sanguinário. Porém, os bons empresários, os bons militares e as pessoas que sofreram durante a ditadura sabem muito bem separar o joio do trigo.

A tristeza maior está na incapacidade do eleitor, do consumidor e do cidadão médio não terem se ligado ainda que é preciso pensar em rede. Que tudo se mistura e que tudo vai e vem, se atravessa em um determinado ponto e depois muda de direção. Graças a esse comportamento covarde e omisso, todos pagam por isso.

Inclusive quem acha que o problema é dos outros e não deles…

REFORMA AGRÁRIA FAZ MUITO MAIS POR MUITO MENOS

desenvolvimento sustentável, ICMS e ISSQN extra para centenas de pequenos municipios falidos, crianças educadas por suas familias, alimentação saudável para todos e, acima de tudo, muita solidariedade

REFORMA AGRÁRIA: desenvolvimento sustentável, ICMS e ISSQN extra para centenas de pequenos municípios falidos, crianças educadas por suas famílias, alimentação saudável para todos e, acima de tudo, muita solidariedade

A oligarquia guasca (oligarquia porque desejam o monopólio de tudo, são excludentes e não têm cultura – é muito diferente de ter dinheiro, bom nível e pensar na sociedade como um todo como uma verdadeira elite o faria – portanto, o RS não possui elite) obteve mais uma vitória em uma batalha da qual sua retórica imediatista e entreguista doutrinada por um pensamento único político, econômico e social que quebrou o planeta inteiro foi amplamente tornada como um fato positivo pela mídia amiga, que sempre trata de esconder as contradições de seus poderosos financiadores.

Na época do charque, os abigeateiros como o sempre impune e falsamente heróico imperador da “Grande Bagé” Bento Gonçalves da Silva (cuja quinta geração de descendentes até hoje não precisa trabalhar – só se quiser) mandavam seus filhos para aprender francês e bons modos em Paris.

Hoje, a moral judaico-cristã que diz que a única chance de uma pessoa ser digna na Terra e de prosperar no céu é trabalhar feito um cão sarnento e ser chutada por todos achando bonito ganhar um salário de fome sem dar um pio forja uma burguesia que sabe de tudo um pouco, mas não sabe bem sobre nada. E, quando sabe, sabe fazer o seu ofício apenas segundo uma única forma, um único estilo, que é o que todos devem seguir.

A preocupação da oligarquia urbana forjada nos MBAs é apenas com o macro: processos de gestão, parcerias, etc. tão-somente têm valor midiático e simbólico caso sejam feitas com outros cachorros grandes. Se existe corrupção, troca de favores, compra de votos, sonegação de impostos, latifúndio, monoculturas e especulações imobiliária e financeira agradeçam a esses caras, que não pensam no micro, isto é, naquelas milhões de pequenas coisas que resolvem imediatamente a vida de dezenas de milhões de pessoas que, somadas, valem muito mais do que o todo do conjunto das grandes.

Por mais que o digam, a eles não interessa ver a distribuição de renda, o fim da miséria e da violência através do empoderamento, da autonomia e do culturamento da multidão. Isso explica, ao lado da atual confusão entre o público e o privado, entre o legal e o justo, a inversão de prioridades no tocante aos investimentos público e privado: bastaria um volume de financiamento minimanente digno a fim de proporcionar um padrão mínimo de sobrevivência aceitável em saúde, alimentação, higiene, vestuário, moradia e consciência social, política e ecológica.

Da próxima vez que tu, um sul-riograndense de classe média, perder um emprego ou faltar dinheiro pra fazer aquele curso de especialização que pode te trazer uma promoção ou que o SEBRAE se negar a te ajudar a andar pelos teus próprios pés porque ele exige de ti uma renda mínima impensável pra poder te financiar e te ensinar a trabalhar melhor com o menor risco possível de quebrar, lembra que, ao invés de pensar em ti, governos e empresas (de vários setores, de várias origens) tendem a usar a sempre falha desculpa de fazer crescer primeiro o seu próprio bolo para depois distribuí-lo.

Pra enganar os incautos, eles usam termos como “reengenharia”, “gestão por competências”, “ISO 287573475″ e por aí afora.

Pois é por essas cabeças que a prefeitura de Porto Alegre, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, boa parte do Governo Federal, todas as grandes empresas de todos os setores, sejam elas nacionais ou multinacionais, pensam e procedem.

ARENA DO GRÊMIO, GIGANTE PARA SEMPRE, PONTAL DO ESTALEIRO, AZENHA, HUMAITÁ, VILA ASSUNÇÃO, VILA CONCEIÇÃO, CRISTAL e por aí afora: eis a falta de sensibilidade, o dinheirismo e a falta de zelo com o meio ambiente.

Porto Alegre está cada vez mais parecida com o que há de pior em SÃO PAULO e PEQUIM. Enquanto o modelo de “desenvolvimento” for esse, baseado na velha lógica taylorista-fordista, desde quando eu era criança, o RS era o 5º estado mais rico do país e o 1º em ensino público. Hoje, cerca de 25 anos depois, é apenas o 17º.

Até onde sei, desenvolvimento não-sustentável baseado no latifúndio e na monocultura jamais ocorreu no mundo inteiro. É fruto da exploração e da violência dos brancos sobre os mestiços e os pobres na América Latina. E desenvolvimento sustentável baseado em concreto, asfalto, cimento, espigões e excesso de automóveis (responsáveis por 33% da emissão de gases tóxicos que causam o aquecimento global) simplesmente não existe, salvo em regiões desérticas.

O Brasil vai mais ou menos. O RS está pior do que nunca. Enquanto isso, Porto Alegre está-se encaminhando para a insalubridade.

GRÊMIO, ARENA: FATOS, PESSOAS E INTERESSES II

Charge de EUGÊNIO NEVES, que mostra o que está oculto na ação dos vereadores de Porto Alegre

PLANO DIRETOR, PONTAL e ARENA SÃO PROBLEMAS AMBIENTAIS, SOCIAIS E ECONÔMICOS DE TODOS OS PORTO-ALEGRENSES. DEFENDE A TUA CIDADE

Sou porto-alegrense nativo, gremista da terceira geração de uma família que já está na sua quarta geração de tricolores, profissional de Comunicação e, acima de tudo, um professor e pesquisador que tem por ofício e responsabilidade civil o exercício pleno da política e da cidadania.

Fazer política não é estar vinculado às práticas clientelistas ou à obtenção de benesses individuais através do envolvimento com partidos, sindicatos, entidades patronais, clubes e grupos de interesses econômicos que pretendem obter suas demandas a partir de alterações na lei que beneficiem tão-somente a si próprios: fazer política é informar-se com empresários, funcionários públicos e pesquisadores acadêmicos de diversas áreas a fim de conhecer as carências de pequenas comunidades e de estimulá-las a pressionar o poder público sem jamais almejar a tomada desse poder. Essa é a única maneira de obter-se adesões significativas em todos os setores da sociedade e também de manter-se com a razão e o direito de contestar, denunciar, demonstrar e melhorar o ambiente em que vivemos.

Pois bem: isso posto, fica claro que minhas posições veementemente contrárias ao modo pelo qual configuram-se as profundas alterações na vida do GRÊMIO, da ORLA DO GUAÍBA e de QUILÔMETROS DE VIAS pela cidade inteira afetando MAIS DE UM MILHÃO de pessoas não possui nenhum ranço pessoal nem político-partidário, embora não esconda de ninguém que sou de esquerda. A maioria das pessoas com as quais convivo são de direita e são muito conservadoras. Mesmo assim, poucas delas agem de má fé. Diferentes maneiras de se ver o mundo não podem ser anuladas e o embate deve-se dar tão-somente no campo das idéias.

Quem não possui esse entendimento de maioridade, não consegue discutir com argumentos racionais. Pra mim, fazer dinheiro do jeito que for é muito menos importante do que garantir a sobrevivência da nossa espécie e prepararmos um mundo que ofereça a nossos filhos, netos e bisnetos uma longevidade e uma saúde bem maiores do que as nossas, com solidariedade, respeito e inteligência. Nunca na história da humanidade o imediatismo trouxe benefícios duradouros em lugar algum do mundo, independentemente da época, do regime político e da personalidade e conhecimento de seus protagonistas.

PORTO ALEGRE está gravemente enferma e tem poucas décadas para voltar a ser tão salubre quanto já o foi. E o futuro indica riqueza, prosperidade, saúde e desenvolvimento pleno e sustentável para novas práticas de obtenção de energia renovável e para moradias e estrutura viária com menos interferência no curso da natureza. Com boa vontade, desde já, poder-se-ia, com certeza, investir pesado hoje para colhermos frutos imensuravelmente mais robustos do que os proporcionados pelo modus operandi político, econômico e social da atualidade.

Amigos, diante de informações tão seguras quanto graves, conclamo-os a ter uma postura mais cidadã, mais envolvida, mais participativa, mais justa, mais honesta, mais veemente e mais firme sobre os interesses que prejudicam a nossa cidade.

Conforme o prometido no POST ANTERIOR, vamos ao trecho que interessa da brilhante reportagem da jornalista MARINA AMARAL nas páginas 6 e 7 da edição especial nº 26 da revista CAROS AMIGOS (novembro de 2008), que aponta as relações de poder, economia e blindagem midiática diretamente relacionadas à construtora OAS, que foi a “vencedora” da “concorrência” que, se nada for feito, deverá ser a dona da parte mais importante da arrecadação e do patrimônio de um empreendimento eminentemente particular que, de quebra, ainda conta com o arrego financeiro e da cessão de um terreno enorme por parte do poder público do RS sem nenhuma consulta à população.

…Antônio Carlos Magalhães nasceu em um sobradinho modesto em Salvador…

…Trabalhava desde os 18 anos nos DIÁRIOS ASSOCIADOS, antes mesmo de entrar na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia…

…ACM começou na política como deputado estadual da UDN, em 1954, e subiu bajulando políticos influentes e fazendo denúncias pesadas contra seus adversários – muitas vezes os mesmos que havia bajulado…

…[ACM foi filiado] à UDN antes de passar para a ARENA e [nomeado] para [cargo executivo] pela DITADURA MILITAR em 1967…

…ACM prefeito de Salvador (seu primeiro gesto ao assumir o cargo foi comandar pessoalmente a destruição de uma invasão de sem-teto)…

…[no meio da década de 70] ACM já tinha sido nomeado governador da Bahia e articulava com o banqueiro ÂNGELO CALMON DE SÁ recursos para comprar seu primeiro jornal, aquele que publicara uma matéria que o desagradou – uma denúncia comprovada de favorecimento fiscal de uma empresa, a MAGNESITA, da qual era acionário (o jornalista que escreveu a matéria  foi por ele processado pela LEI DE SEGURANÇA NACIONAL)…

…ACM FAZ LOBBY PARA EMPRESAS DE MÍDIA E CONSTRUTURAS, E  DELAS RETIRA SUA FORÇA.

…Já ACM, embora também cultive o hábito de colocar os negócios em nome de parentes, acumulou tantos desafetos como imperador da Bahia – ficou vinte anos no poder – que não conseguiu mantê-los em segredo. Nos primeiros anos da ditadura militar, TRABALHAVA PARA A ODEBRECHT CONSEGUIR CONTRATOS NAS OBRAS DO GOVERNO MILITAR e, depois que sua filha TEREZA casou com CÉSAR MATA PIRES, também para a OAS – que ganhou dos baianos o apelido sintomático de “OBRIGADO AMIGO SOGRO”.

Nomeado ministro das COMUNICAÇÕES, deu a grande cartada para fundar sua rede de comunicação e obter o VALIOSO E INCONDICIONAL APOIO DA REDE GLOBO: rompeu um contrato vultoso de fornecimento de equipamentos de informática e telecomunicação com a multinacional japonesa NEC, cujo principal cliente era o governo, por um preço irrisório. Assim que a venda foi concretizada, o Ministério das Comunicações retomou o contrato de cerca de 300 MILHÕES DE DÓLARES.

ROBERTO MARINHO LHE FOI GRATO ATÉ A MORTE E TRANSFERIU A PROGRAMAÇÃO DA GLOBO NO ESTADO – havia dezoito anos nas mãos da TV Aratu – PARA A TV BAHIA DE ACM. Em seguida liberou OITENTA CONCESSÕES de estações de retransmissão à sua televisão.

Assim foi criada a REDE BAHIA, integrada pela TV Bahia, TV Norte, TV Subaé, TV Santa Cruz, TV Sudoeste, TV Oeste, Bahiasat, Bahia Cinema Vídeo, Globo FM, FM Sul, Gráfica Santa Helena, Bahia News e Correio da Bahia.

Esses empreendimentos – rede de televisão e construtora OAS – estão reunidos na holding BAHIAPAR Participações e Investimentos Ltda., QUE ESTÁ EM NOME DO GENRO, DOS FILHOS E DOS NETOS, INCLUINDO ACM NETO, FILHO DE ACM JR., O PRINCIPAL GERENCIADOR DOS INTERESSES DOS MAGALHÃES.

ACM sempre lidou com as denúncias de corrupção e tráfico de influência, IMPEDINDO QUE OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DA BAHIA DIVULGASSEM OS FATOS – ATRAVÉS DE PROMESSAS E AMEAÇAS – E CONTANDO COM A SIMPATIA DA REDE GLOBO.

Também dominava politicamente a Assembléia Legislativa do Estado, que jamais negou a aprovação para nenhum dos projetos do Executivo quando ele ou seus aliados estavam no cargo, e a Justiça de seu Estado – NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA BAIANO, OS DESEMBARGADORES O TRATAM POR “CHEFE”.

Em 2001, depois de passar pela humilhação de ter de renunciar ao mandato de senador por ter sido flagrado violando o sigilo do painel do Senado, ACM viu pela primeira vez notícias contra ele na REDE GLOBO, comandada agora pelos filhos de MARINHO, o que estimulou uma série de reportagens em jornais e revistas sobre seus desmandos logamente conhecidos na Bahia.

Foi quando veio pela primeira vez a público uma investigação conduzida pelo Ministério Público desde 1994 SOBRE DESVIO DE RECURSOS PÚBLICOS E LAVAGEM DE DINHEIRO NA OAS.

A investigação, que ocorria sem seu conhecimento, também flagrou uma remessa de 6,8 MILHÕES DE REAIS para a ILHA DE JERSEY feita em 1997. No mesmo ano, o Banco do Brasil aprovou um empréstimo de 324 MILHÕES DE REAIS À PREFEITURA DE SÃO PAULO, comandada por CELSO PITTA, QUE DESTINOU 110 MILHÕES DE REAIS AO PAGAMENTO DA EMPREITEIRA DA FAMÍLIA MAGALHÃES PARA SALDAR O QUE RESTAVA DA DÍVIDA PELAS OBRAS DE UMA AVENIDA CHAMADA ÁGUAS ESPRAIADAS.

O SUPERFATURAMENTO DA CONSTRUÇÃO DA AVENIDA, TIDA COMO A MAIS CARA DO MUNDO, JÁ ESTÁ COMPROVADO NO PROCESSO MOVIDO PELO MP CONTRA O EX-PREFEITO PAULO MALUF, QUE CONTRATOU OS SERVIÇOS E TAMBÉM MANDOU DINHEIRO PARA JERSEY.

As denúncias foram publicadas cinco anos depois, em 2002.

Embora nenhum fato jornalístico ou jurídico até aqui apurado demonstre ou comprove que exista qualquer relação direta ou indireta entre a condução da política, da economia, do grupo hegemônico de comunicação e de alguma empresa da construção civil local anunciante desse grupo de mídia , juntemos os pontos e verifiquemos as semelhanças, que podem ser honesta e minuciosamente investigadas pelo Ministério Público do RS, pelo Ministério Público Federal e pelas polícias Civil, Federal e ABIN:

- A atual facção política que controla o RS provém de oligarquias regionais, à semelhança da biografia de ACM;

- A atual corporação hegemônica de mídia do sul do país (RBS) também obteve concessões a torto e a direito burlando a lei durante a mesma ditadura militar;

- O ex-governador ANTÔNIO KARAN DE BRITTO FILHO começou o processo irresponsável de multiplicação exponencial da dívida do RS em dólar e das privatizações totalmente descriteriosas cuja mesma política tem sido levada a cabo pela mesma facção política que  ora também domina o Estado através do comando de YEDA RORATO CRUSIUS. Tanto entre 1994-1998 como agora entre 2007-2010, um dos deputados estaduais mais salientes dessa aliança conservadora na defesa desse modelo de governo falimentar e anti-popular é exatamente o ex-presidente do GRÊMIO PAULO ODONE CHAVES DE ARAÚJO RIBEIRO;

- BRITTO e YEDA são ex-funcionários da RBS (a GLOBO daqui);

- A RBS é quem mais recebe anúncios de toda a indústria da construção civil (muito mais do que a concorrência);

- A RBS também possui uma construtora, chamada MAIOJAMA;

- O  presidente do SPORT CLUB INTERNACIONAL, sr. VITTORIO PIFFERO, também é um grandissíssimo interessado na expansão da construção civil em nossa capital, pois é um dos grandes players desse mercado no RS;

- Com ou sem comprovação ou não da responsabilidade criminal de quem quer que seja, todo e qualquer cidadão gaúcho, independentemente de ser partidário de A ou B, gremista ou colorado, porto-alegrense ou travesseirense, pode, de maneira informal e coloquial, pensar que houve demora demais tanto na resposta da presidência do GRÊMIO quanto no GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL em relação ao afastamento de seus partidários clubísticos, políticos e ideológicos das esferas diretivas de ambas as instituições.

No mínimo poderíamos considerar desinformação, negligência, irresponsabilidade, incompetência ou falta de preocupação em preservar o nome de instituições tão caras à identidade e ao imaginário gaúcho o fato de ir empurrando essas mazelas com a barriga. E só por estarmos lidando com desinformação, negligência, irresponsabilidade, incompetência e desleixo junto ao peso social, econômico, jurídico e moral de ambas as instituições, todas as informações acima não seriam mais do que suficientes para que o Conselho Deliberativo, o Conselho Consultivo e o Conselho de Ética do GRÊMIO FOOTBALL PORTO-ALEGRENSE e as instâncias equivalentes dentro da Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul dessem por suspensas as negociações que envolvem a mudança de sede do GRÊMIO para o pântano poluído de solo frágil e oxigênio insalubre do bairro Humaitá na divisa municipal com Canoas?

NÃO SERIA MAIS HONESTO E MAIS ESCLARECEDOR PARA O MUNDO INTEIRO SE AS SERIÍSSIMAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS E PRIVADAS  RELACIONADAS A OUTRAS NEM TANTO CITADAS NESTE POST TRATASSEM DE TRABALHAR COM AGILIDADE A FIM DE EVITAREM QUE SEUS BONS NOMES SEJAM CONFUNDIDOS COM INICIATIVAS POUCO TRANSPARENTES?

AFINAL DE CONTAS, TODA A LISURA DO PROCESSO ESTÁ ALTAMENTE COMPROMETIDA.

Não em função do que um mané como eu pensa ou interpreta a respeito de muitas notícias amplamente divulgadas na internet, nas rádios, TVs, jornais e revistas do mundo inteiro sobre o PONTAL DO ESTALEIRO, sobre a ORLA DO GUAÍBA e sobre as obras de GRÊMIO e INTERNACIONAL para a suposta COPA DO MUNDO de 2014 mas, sim, em relação ao que CENTENAS DE MILHARES de manés como eu podem pensar.

Afinal de contas, mesmo que a mídia escondendo uma série de questões relevantes para a nossa vida nesta cidade e que a Justiça conclua por limpar a barra de vários dentre os suspeitos, indiciados, envolvidos e acusados citados por todos os cantos, o pior julgamento que uma empresa, um governo, uma pessoa ou uma profissão pode receber é o julgamento de uma multidão anônima que perdeu totalmente a confiança em seus produtos, serviços, publicidade e marca, deixando de consumi-los, de contratá-los  ou de recomendá-los.

RBS E FEIJÓ: EXERCÍCIO FUTUROLÓGICO

O clipping abaixo citado do meu querido professor da FABICO/UFRGS WLADIMIR UNGARETTI, explica parcialmente mas não explica totalmente o porquê do envolvimento da RBS no escândalo do DETRAN. Concordo com ele, mas pretendo ir mais adiante.
A visão do WU é a do editor experiente e honesto, que não briga com a notícia como ele mesmo fala. É, ainda, reflexo de um minucioso processo de comparação entre jornais impressos brasileiros, permeada por opiniões contundentes adquiridas a partir de suas incontáveis leituras sociológicas e filosóficas como acadêmico de Comunicação.

Além disso, há uma questão bastante complexa de ordem prática, mercadológica e pragmática, que segue a lógica neoliberal. É minha opinião pessoal, sem nenhum viés acadêmico ou comprovação factual. Posso até estar enganado, mas que vai de encontro àquilo que posso deduzir dos movimentos dos empresários em função do que aprendi com alguns deles no MBA.

Normalmente, empresários MEGAPODEROSOS (não estou falando nos chinelões que viraram vereadores, deputados estaduais ou federais e possuem uma afiliada da Globo aqui, uma olaria ali, uma empresa de ônibus acolá) obtêm afrouxamento legal para praticarem o seu livre mercado a partir de lobby plantado na mídia corporativa a qual patrocinam e dos financiamentos de campanha a políticos que não fazem parte do seu meio social.

Tal processo sempre se deu de maneira muito mais eficiente sem que esses megaempresários precisassem sujar suas mãos candidatando-se a algum cargo público de alta visibilidade e poder decisório direto.

Ao mesmo tempo, muitos empresários chinelões já chegaram quase ao status de “mega” em função de seus cargos públicos. Também não é nenhuma novidade o fato de que, eventualmente, a agenda do empresariado nacional e transnacional em busca do “laissez-faire laissez-passaire” exija que alguns deles envolvam-se diretamente na gestão, a fim de transformarem a coisa pública em coisa particular com maior rapidez.

Pois bem: PAULO AFONSO FEIJÓ é o atual vice. Ao que tudo indica, muito em breve, será o governador do RS.

Não vou especular em torno de supostas teorias da conspiração, pois quero que este post seja motivo de reflexão e não de chacota. Que fique bem claro.

Ainda não há fatos para comprovar que a corrupção no DETRAN, o envolvimento do BANRISUL na questão e o desdém com a TVE, com a educação, com a saúde e com a previdência no RS tenham sido meticulosamente orquestrados para facilitar a aceitação das privatizações por parte da sociedade laica.

Já ouço os emebeeístas dizerem que “se o DETRAN fosse uma empresa, esse roubo JAMAIS teria acontecido”. O próprio delegado Tubino (de cuja honestidade pessoal e competência técnica não se pode desconfiar – ele apenas pensa alto porque foi criado sob uma lógica de mercado que indica um discurso e um caminho único a seguir rumo à transparência e à honestidade, nada mais do que isso) revelou à CPI do DETRAN que “O BANRISUL e o DETRAN são duas torres que precisam ser investigadas e derrubadas. Isso vai mudar para melhor a vida política do RS”.

Feijó assumiria com todo o respaldo da RBS que, por sua vez, passaria uma borracha por cima de quase um ano e meio de apoio incondicional a YEDA.

Feijó seria visto como um baluarte da moral e dos bons costumes. Um exemplo de prosperidade, de inteligência. Ele iria “arrumar a casa”.

Feijó jamais seria vinculado ao governo do qual foi o vice-governador eleito. Ao contrário, seria tratado como se fosse o mui valeroso representante da “verdadeira oposição” gaúcha – fórmula discursiva a qual estamos mais carecas do que ele de conhecer.

A parcela da classe média que é conservadora, racista, ignorante, reacionária e ainda dá ouvidos para a mídia corporativa irá odiar ainda mais o PT, pois este não se juntou à “unificação” do Rio Grande parte 5.

Tais argumentos ficarão ainda mais verossímeis agora do que o foram nos governos Britto, Rigotto, Fogaça e Yeda. Afinal de contas, uma séria crise de confiança e um escândalo inédito suficientemente violento a ponto de abalar o mito do gaúcho raçudo, confiável e destemido provocaria um verdadeiro DESENCAIXE (v. Giddens).

Os carinhas pintadas gaudérios das escolas particulares serão insuflados a pedir a cabeça de Yeda através da RBS, assim como suas mães que não ralam estarão todas em peso defronte ao PIRATINI.

AH! E a comoção será tamanha que mostrará a indignação e o arrependimento de quem votou em Yeda mas jamais irá admitir que o fez. E nem precisam: afinal de contas, manter-se-á no poder um representante dos valores que acostumaram-se a defender ou por advogarem sempre em causa própria, ou por comportarem-se como melancólicos inocentes úteis.

Alguma dúvida de que tamanho ardil seria anos-luz mais pesado do que o da Globo, Estadão, Abril e Folha em São Paulo pró-Serra, Alckmin, Kassab, FHC e outros menos votados?!

A RBS é, para o povo, pior do que a mídia hegemônica do resto do país. Primeiro, porque seu objetivo é o de sempre manter o status quo. Segundo, porque espetaculariza a notícia de uma maneira ainda mais maniqueísta e sectária do que suas confrades do centro do país.

clipped from www.pontodevista.jor.br
Relacione todas as informações desta postagem e pense a conjuntura, o momento que estamos vivendo. E deixe de ler o lixão que é Zerolândia, boletim de propaganda do PRBS. Não estamos dizendo que um jornal seja melhor do que o outro. Todos, na mídia corporativa, têm a mesma função. A guerrilha midiática atua nas fissuras. Nas brechas. Utilizando, em alguns casos, informações do próprio sistema. Contra o sistema, evidentemente. Ações de fustigamento do inimigo. Com vara longa e dura.
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