QUEDA DA LEI DE IMPRENSA E DO DIPLOMA DE JORNALISMO TENDEM A MELHORAR O SETOR

Já postei algumas vezes sobre minha posição contrária ao diploma de Jornalismo como obrigatoriedade para o exercício da profissão. Os blogs O DilúvioTrezentos e a posição de dezenas de seguidores meus (e de pessoas a quem sigo) no Twitter que são ligados ao ativismo político de esquerda também usaram argumentos muito interessantes contra o diploma. Façam uma busca e vejam as posições de dezenas de blogueiros políticos independentes, de ativistas do Software Livre, de cientistas políticos nunca vinculados ao conservadorismo, ao neoliberalismo ou à indústria cultural e também de muitos jornalistas e professores universitários que já foram tanto beneficiados quanto prejudicados pela ação dos sindicatos e da mídia corporativa para verem que essa não é a posição de um mero publicitário que desconhece os ritos e a história desse setor…

Nos moldes em que foi feita a defesa do diploma e também da Lei de Imprensa, prevaleceu a miopia de jornalistas vassalos da mídia corporativa, de professores que lidam predominantemente com estudos de recepção da mídia de massa e de sindicalistas que ignoram o volume cada vez maior de profissionais autônomos, freelancers e pequenos empresários em extrema dificuldade (financeira, jurídica e de venda de seus produto. Desenvolvo essa questão logo mais adiante.

A área da Comunicação como um todo carece de algo que nem o mercado de trabalho, nem as universidades e tampouco os sindicatos podem oferecer enquanto o currículo dos cursos e a mentalidade clientelista, corporativista e o sonho de ter um crachá da Globo, da Record, da Band, do SBT, da Folha, do Estadão, da Abril ou da RBS serem dominantes no senso comum. Esse algo chama-se PREPARO DE ADMINISTRAÇÃO, ECONOMIA, EMPREENDEDORISMO E LETRAMENTO DIGITAL. Está mais do que provado que quem não entende nada de REDES SOCIAIS e da dissociação entre tempo e espaço proporcionada pelas mídias digitais é analfabeto em termos de CAPITAL SOCIALECONOMIA DO MÉRITOCREATIVE COMMONS. Se não o for, é porque defende, ao contrário mas também a favor dos interesses das corporações, o corporativismo, o clientelismo e o paternalismo.

Repito mais uma vez: os valores relacionados à dissociação entre tempo e espaço na economia e no ativismo político ocasionam na não-necessidade e na não-obrigatoriedade de estabelecermos laços geográficos nem tampouco afetivos quando participamos de comunidades distribuídas globalmente mas que são fundamentais na reivindicação e na pressão sobre governos e corporações de todos os viezes ideológicos.

Movimentos REDES SOCIAIS, CAPITAL SOCIAL, ECONOMIA DO MÉRITO e CREATIVE COMMONS são os que verdadeiramente trazem repercussão, legitimidade, credibilidade e reflexão. São os que, não importa onde nem quando sejam originados, atravessam e são atravessados por relações sociais, políticas e econômicas que buscam uma solução prática no ambiente físico mas que precisam passar pelo ambiente virtual. Mídias sociais precisam repercutir na mídia de massa e vice-versa e a ágora deve oscilar entre a praça pública e a tela da TV.

Isso posto, na prática, desde 2006, pelo menos informalmente, já não havia nenhuma obrigatoriedade do diploma de Jornalismo. Ao contrário do que professores desencaixados dessa realidade pensam, a procura pelos cursos de Jornalismo e a abertura de novas vagas e de algumas novas faculdades no país inteiro tem crescido desde então. Nas redações da mídia corporativa, a esmagadora maioria dos salários mais altos é destinada a formadores de opinião generalistas de posições fortes e conservadoras que estão no mercado há décadas. Entre excelentes e maus profissionais; entre opiniões inteligentes e estúpidas; entre ser éticos e aéticos, há gente conhecidíssima que sequer passou perto de uma sala de aula numa faculdade de Comunicação. Juca Kfouri é sociólogo; Ruy Carlos Ostermann é filósofo; Paulo Sant’Anna é advogado e ex-delegado; Alexandre Garcia não terminou a faculdade de Jornalismo na PUCRS; um montão de escritores hiperbem remunerados não são jornalistas e sequer formados em Letras; diversos comentaristas políticos são ou sociólogos, ou advogados, ou apenas meros “corneteiros”. O Jornalismo não se restringe e não é melhor nem pior se não for possível trabalhar em algum veículo da mídia corporativa. Com INTELIGÊNCIA, TALENTO, PRÓ-ATIVIDADE e TENACIDADE, sabendo administrar o tempo e aprendendo a competência vital de estabelecer redes sociais amplas e diversificadas, as oportunidades são múltiplas e não param de crescer. A produção de programas em geral e de documentários para vender para emissoras a cabo, rádio digital e TV digital estão aí pra provar isso. Publicitários nunca tiveram um sindicato corporativista, clientelista nem paternalista como salvaguarda. Agências de publicidade sempre foram muito mais neoliberais, raramente assinam a carteira e a rotatividade sempre foi muito maior do que nas redações da mídia corporativa. Apesar disso, em média, mesmo concorrendo contra pessoas vindas de escolas técnicas de criação publicitária e também com profissionais mais antigos sem curso superior, a média salarial para quem está na base da pirâmide é mais alta do que para os jornalistas iniciantes ou funcionários de pequenas empresas do setor. Eu sou de esquerda e socialista. Porém, acho que não é possível inverter valores de maneira significativa a ponto de eliminarmos a economia de mercado da sociedade em função do total desconhecimento de um sistema de troca alternativo. Até mesmo a essencial economia popular solidária, a reforma agrária e o fim da criminalização dos movimentos sociais só funcionam até o ponto em que a garantia da satisfação das necessidades básicas estiver garantida para todos. De maneira geral, em mais de 20 anos como ativista político, sempre vi tanto sindicalistas quanto empresários falando uma série de bobagens que JAMAIS tem o objetivo de procurar satisfazer às demandas da sociedade como um todo. Cada um, à sua maneira, procura apenas defender o corporativismo, o clientelismo e o paternalismo, Sindicalistas e empresários são, cada qual em um extremo diferente, excludentes e exclusivistas. Ao mesmo tempo, as faculdades de Comunicação costumam jogar ora contra, ora a favor de duas maneiras opostas que não possuem mais competência nem para puxarem a sardinha para o seu próprio assado. Alguém já viu algum sindicato de Jornalismo defender e trabalhar para assistir a um autônomo, a um freelancer e/ou a um pequeno empresário do setor com dificuldades financeiras, de planejamento de carreira, de captação de novos clientes e de necessidade de assessoria jurídica contra empresários maiores, contra os governos em geral e contra clientes que os lesaram?! Posso até estar redondamente enganado. Porém, se o fazem, possuem todos os meios necessários de divulgarem sua atuação aos quatro ventos. Como em QUALQUER profissão regida pela economia de mercado pertencente ao ramo das Ciências Sociais Aplicadas, à exceção do Direito, quase todas as demais áreas de Humanas não recebem nem benefícios, nem são cobradas através de leis especiais e diferenciadas pelo ônus de prejudicarem a sociedade. Nesse sentido, até mesmo o fim da Lei de Imprensa foi benéfico, pois qualquer um que vocifera e denuncia sem provas e omite ou distorce qualquer coisa sobre algo ou alguém pode ser denunciado por injúria, calúnia, difamação, perturbação da ordem pública, crime hediondo, homicídio culposo e homicídio doloso. Ora, se um jornalista canalha não tem seu diploma nem o direito de exercer a profissão cassados em função de alguma atrocidade cometida, logo, não pode ser comparado a um médico, que pode furar uma artéria e matar um paciente na cirurgia; a um engenheiro que, ao calcular errado o peso e os apoios de uma viga, pode esmagar pessoas quando essa estrutura rui

Portanto, o fim do diploma e o fim da Lei de Imprensa tendem a facilitar processos e prisões de maus profissionais que não são maus por serem jornalistas ou por não serem jornalistas de formação mas, sim, são maus caracteres. Por que o mau caratismo, a negligência, o oportunismo, o lobby e a maldade deliberada podem ser punidos pelos códigos Civil e Penal e o jornalista era munido de um anteparo?!

JORNALISMO: SINDICATOS, FACULDADES, DIPLOMA

EM PLENA ERA DA MOBILIDADE E DA INTEGRAÇÃO ENTRE MÍDIAS SOCIAIS E MÍDIA DE MASSA, POR QUE DIABOS SEGUEM DEFENDENDO INSTITUIÇÕES CLIENTELISTAS, PATERNALISTAS E OPORTUNISTAS TANTO À ESQUERDA QUANTO À DIREITA?! POLÍTICA E ECONOMIA NA MÍDIA CORPORATIVA É VASSALAGEM. SINDICALISMO BASEADO NA DICOTOMIA BURGUESIA x PROLETARIADO É LENTO E IGNORANTE P/DAR CONTA DAS NECESSIDADES DA CLASSE AUTÔNOMA.

EM PLENA ERA DA MOBILIDADE E DA INTEGRAÇÃO ENTRE MÍDIAS SOCIAIS E MÍDIA DE MASSA, POR QUE DIABOS SEGUEM DEFENDENDO INSTITUIÇÕES CLIENTELISTAS, PATERNALISTAS E OPORTUNISTAS TANTO À ESQUERDA QUANTO À DIREITA?! POLÍTICA E ECONOMIA NA MÍDIA CORPORATIVA É VASSALAGEM. SINDICALISMO BASEADO NA DICOTOMIA BURGUESIA x PROLETARIADO É LENTO E IGNORANTE P/DAR CONTA DAS NECESSIDADES DA CLASSE AUTÔNOMA.

Pessoalmente, creio que o papel dos sindicatos de quase qualquer classe profissional não consegue – e nem pode mais – cumprir o papel dicotômico, maniqueísta e preconceituoso que o contexto socioeconomico de antigamente assim dele exigia. A despeito da qualidade inegável de muitos profissionais cultuados através dos tempos, o mercado de trabalho na Comunicação, independentemente de haver maior ou menor número de profissionais com 3º grau, sempre foi repleto de despreparo e paternalismo. Forjado e semre mergulhando nessa mesma onda, a função sindical como um todo caducou no Brasil.
Com isso, não quero dizer que os sindicatos não sejam necessários nem que eles não possam modificar a si mesmos. No entanto, eles apenas repetem o modelo que os forjou há muitas décadas atrás sem a necessária adaptação à realidade contemporânea. E isso não se refere apenas à área da Comunicação: o desencaixe (v. Giddens) em função da incompreensão perante a política atual em função da dissociação entre o tempo e o espaço que determinam e são determinadas por novas relações de trabalho decorre do desinteresse das novas gerações pelo sindicalismo. Afinal de contas, não faz mais sentido desejar ou aceitar evangelizar e ser evangelizado por doutrinas que não conseguem mais dar conta de tantas modificações.
Ao contrário do atraso brasileiro nessa área, os EUA já estão reinventando o papel e a forma de atuar dos sindicatos de todas as categorias como reflexo da liderança de Obama, forjada a partir do voluntariado e do sindicalismo de Chicago, uma das cidades com maior população negra e pobre daquele país. O sindicalismo gringo reergue-se sob uma postura menos peleguista em relação ao patronato e passa a contemplar também os autônomos, os freelancers e as pequenas empresas. O discurso perante a postura da mídia corporativa não é mais o de vitimização do funcionário nem tampouco de vilanização pura e simples do empresário.
No nosso caso, o Brasil ainda é um país neoliberal e oligárquico – independentemente da parcela de ações positivas do Governo Lula no combate dessas mazelas. Aqui, o sindicalismo restringe-se tão-somente a considerar os funcionários como vítimas indefesas e os donos da mídia corporativa como o demônio sob a forma humana. Essa postura meramente confrontante e conflituosa de resultados geralmente inócuos decorre do purismo marxista e socialista, que também afasta o interesse de novas lideranças profissionais de atuarem sob o predomínio dessa linha de pensamento. O exemplo que vem do norte mostra que, com assertividade e com o uso da internet como veículo de armazenagem e de troca de informações, os pés de barro do gigante ficam mais expostos.
Informação e intercâmbio é o que não falta. Então, por que os sindicatos brasileiros de jornalistas não integram à sua agenda os diversos níveis econômicos de empresas de mídia?! Quando falo em empresas, falo em funcionários e patrões…
Embora não seja jornalista e não domine o conhecimento das ações da FENAJ, do Sindicato dos Jornalistas do RS e demais entidades do setor, os sindicalistas tradicionais sempre pareceram NÃO executar o que uma classe inteira deles possa esperar. Qual o papel educativo, administrativo, jurídico e representativo que os sindicatos realizam a não ser para o restrito grupo de funcionários da mídia corporativa? Se estiver errado, me perdoem. Todavia, se penso assim por ignorância, são eles que precisam vir à sociedade para não deixar com que alguém como eu tenha essa imagem acerca da instituição. Afinal de contas, mesmo alijados dos veículos de massa, os sindicalistas da Comunicação certamente possuem os meios necessários de divulgar dados suficientemente contundentes a fim de contestar a minha maneira de vê-los.
No Brasil, a meu ver, freelancers, autônomos e pequenas empresas de Comunicação Social (mais especificamente, neste caso, de Jornalismo) são vistos pelos sindicatos da área como uma subclasse ou como privilegiados que não necessitam de seus serviços como os funcionários dos grupos da mídia de massa precisam.
Eis aí a grande contradição do modelo, responsável pelo visível desinteresse de novas lideranças da área em relação a uma futura participação sindical: os sindicatos de jornalistas tem como origem o socialismo. O socialismo puro é uma ideologia de esquerda. Porém, tudo aquilo que a esquerda prega (solidariedade, pró-atividade, transparência, diversidade, igualdade, etc.) está sendo sumariamente ignorado pelos próprios sindicatos de jornalistas. Por que? Porque o mercado em constante expansão formado por freelancers, autônomos e pequenas empresas do setor não compõe mais um pequeno nicho. Esses profissionais não estão enquadrados na única divisão classista com a qual os sindicatos tradicionais sabem se relacionar (categoria que, para quem trabalha em nível superior, inexiste – o “proletariado”). Porém, quem trabalha por conta ou trabalha em empresas de pequeno porte não pode ser considerado privilegiado nem em termos políticos, nem em termos econômicos.
O modelo sindical praticamente exclui do debate um significativo grupo que, queiram ou não, pertence à mesmíssima categoria profissional. Dessa forma, verifica-se uma grave falta de acesso igualitário aos benefícios que um sindicalismo sério deveria oferecer. Portanto, estamos diante de uma segregação dentro da própria categoria. Sob o mesmo modus operandi, o pensamento de defesa dos interesses da classe não segue essa cartilha ortodoxa e parada no tempo. E a defesa intransigente dessa maneira caduca de fazer sindicalismo repete o mesmo peleguismo sempre tão condenável, só que do lado oposto da moeda. Sem perceber, os sindicalistas acabam endossando o lado dos donos da mídia corporativa e de seus mecenas. E isso não vem de hoje.
Outro grupo interessado na manutenção do diploma de jornalista é o grupo de quem leva a formação de novos profissionais e, acima de tudo, de cidadãos mais conscientes acerca do contexto sociocultural em que vivem: o medo de todo professor, de todo estudante e de todo reitor (sobretudo das universidades particulares que vivem do valor das mensalidades) é o de que, com a abolição da obrigatoriedade do diploma para jornalista, os cursos de Jornalismo percam a razão de existir. Contudo, ao contrário do que muitos pensam, não são nem a questão do diploma e tampouco a relativa juventude da existência da profissão e da sua consequente indústria os principais fatores de dificuldade da consolidação da Comunicação como um campo social no significado bourdieuano da palavra: por tratar-se de uma disciplina técnica e teórica enquadrada tanto científica como mercadologicamente sob uma faceta multidisciplinar, os ritos, a natureza vicária e a especialização supostamente inimitável por integrantes de outros campos sociais (p. ex.: jurídico, militar, religioso, médico, político, esportivo, financeiro, etc.) já é, na prática, descentralizada e pulverizada. Apesar desses problemas, felizmente, a procura pela aprendizagem e pelo domínio de uma técnica capaz de traduzir os discursos vicários de cada um dos demais campos sociais de uma maneira que toda a sociedade seja capaz de decodificar mensagens tão específicas tem sido cada vez maior ao longo do tempo. Afinal de contas, sem conhecimento e sem empenho, não existe competitividade nem autopreservação em um meio selvagem. No momento em que essa visão se tornou um lugar comum, os riscos de demolição das bases responsáveis pela credibilidade percebida dos mídias de qualquer porte não interessam aos empresários sérios, enquanto reforçam a autonomia de quem trabalha por conta própria.
No caso das universidades e dos professores em particular, a defesa que a maioria faz do diploma refere-se à necessidade sempre presente e justa de haver uma representatividade que proteja os interesses da base da pirâmide que sustenta esse campo social. Além da técnica, os professores técnico-científicos preocupam-se com a ética e com a reflexão acerca dos fazeres em função do contexto sociocultural que os molda e é moldado por esses mesmos fazeres. Já os professores essencialmente técnicos preocupam-se tão-somente em preparar novos profissionais para alimentar a mesmíssima indústria hegemônica. Todo curso de qualidade apresenta essa saudável mistura e não apenas o prevalecimento de um tipo ou de outro.
Para as corporações midiáticas, para os estúdios cinematográficos, para as gravadoras, para as agências de publicidade, para as produtoras web e para as assessorias de imprensa, seria maravilhoso que houvesse apenas meros cursos técnicos profissionalizantes, a fim de que seus novos contratados não sejam nada além de âncoras, repórteres, cinegrafistas, iluminadores, editores, sonoplastas, figurinistas, maquiadores, motoristas, eletricistas, engenheiros, diretores, arte-finalistas, produtores e porta-vozes altamente especializados. Esse modelo é interessante para formar uma enorme reserva de mercado e para incentivar uma competição acirrada pelas vagas dentro dessas marcas que dominam a superestrutura, desunindo os profissionais que preferem viver 100% integrados a esse modelo de mercado.
Portanto, salvo raríssimas e honrosas exceções, os donos, os financiadores e os clientes da indústria midiática sempre preferiram e sempre irão preferir especialistas restritos ao papel de meras engrenagens de um sistema taylorista-fordista de linha de produção. Porém, a perda de credibilidade dos veículos das grandes corporações em função da desvalorização de profissionais experientes que são desprezados como lapidadores de jovens promessas tem resultado na perda de qualidade técnica e de talento no jornalismo. Trabalhar para paquidermes burocratizados repletos de eminências pardas diante da internet e da TV digital definitivamente não é uma boa alternativa.
Nesse aspecto, muitas faculdades de Jornalismo, muitos chefes antigos dentro das corporações e, acima de tudo, a decrepitude metodológica dos sindicatos estão deixando muito a desejar. Portanto, vejo universidades e sindicatos obrigados a aprender rapidamente e com a máxima competência a proporcionar a assistência, a assessoria, a consultoria gratuita ou muito barata, as palestras, os seminários, os congressos, os debates e as missões de visita a órgãos no Brasil e no exterior que sirvam como referência mundial dentro dessa roda viva: é para conhecer advogados de gabarito, para conhecer o SEBRAE, para contar com profissionais de economia e de marketing que deveriam servir as universidades e os sindicatos. Mais do que aenas ajudar os jornalistas a se defender, seu papel deve necessariamente ser o de possibilitar a seus alunos e filiados o conhecimento do empreendedorismo e da administração de um negócio.
Isso posto, jornalista responsável, minucioso, competente, criativo, tecnicamente correto, livre e inovador não precisa nem de uma lei especial para receber privilégios, nem de uma lei que o obrigue a responder por falhas ou por má fé relacionadas à má prática social e econômica de sua atividade. Isso é o mínimo que se espera de QUALQUER profissional. Para isso, com alguns ajustes, ao invés da Lei de Imprensa da década de 1960, basta dar uma garibada no Código Civil.
No mais, com ou sem a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista, tanto o público fará a sua seleção natural como o profissional precisará aprender a escolher a opção de vida e de trabalho que o fará sentir-se mais à vontade para preservar a sua autonomia e a sua independência. Se, por outro lado, ele preferir seguir o Lado Negro da Força, todo indivíduo, sem exceção, tem escolha. Afinal de contas, ninguém é obrigado a nada.

ESQUERDA NÃO SABE USAR A INTERNET NEM FAZER MÍDIA ALTERNATIVA

Pra corroborar ainda mais com meus argumentos contra o diploma de jornalismo em função da visão corporativista, paternalista e oportunista da FENAJ e dos sindicatos em relação ao tema devido ao fato de não estarem interessados nem em aprender/financiar o empreendedorismo e a autonomia de seus filiados e nem tampouco em propor melhoras no currículo e na pedagogia das faculdades de Jornalismo brasileiras, eis o post de RODRIGO ÁLVARES do blog NOVA CORJA.

IMPERDÍVEL: LEIAM JÁ!!!

O mito da imparcialidade é conversa mole pra boi dormir, assim como o coitadismo de querer/precisar ser funcionário da Grande Mídia.

Afinal de contas, até onde eu sei, nenhum jornalista é obrigado a ser escravo, omisso ou pelego, certo?

ILUSÕES E DESILUSÕES DE UM MILITANTE DE ESQUERDA BURGUÊS

Bem sei que minha opinião formada por um olhar que me força sempre a duelar contra as minhas crenças a fim de encontrar nelas as suas próprias idiossincrasias ou contradições através do distanciamento crítico cria muitas discordâncias em relação ao pensamento da própria esquerda bovina (sim, os bovinos estão por toda a parte na capital e no RS).

Fui líder estudantil no final do 1º grau em escola pública. Estudei em universidade pública, gratuita e, até então, ainda de qualidade. Viajei pelo país em três ENECOMs; fui militante do PT durante quase duas décadas e, sempre que tiver tempo ou julgar minha opinião útil e – acima de tudo – passível de ser devidamente ouvida, respeitada e aceita, ainda participarei eventualmente de reuniões no diretório municipal.

Tenho vários episódios de embates urbanos durante campanhas partidárias-eleitorais que, felizmente, posso garantir com toda a honestidade do mundo que JAMAIS foram provocadas por mim ou por qualquer um dos millitantes que estavam junto comigo em tais ocasiões:

1) No canteiro defronte à Praça da ENCOL, um homem com menos de 40 anos muito bem vestido e bem grande (gordão e com cerca de 1,90m de altura), arrogante e irônico, atravessou a rua para provocar a nossa militância. Algumas professoras estaduais e seus filhos queriam apelar para a ignorância. Felizmente, meu distanciamento permitiu-me ser o único do grupo a enxergar um carro estacionado defronte à praça com um cara de estilo muito parecido com o do que veio nos provocar cujo motorista estava sorrindo com uma câmera de vídeo. Prontamente, apontei-o para todos e apartei o princípio de desentendimento (1994);

2) Quase fui atropelado com o sinal fechado por um jovem motorista de um Gol que sentiu-se muito incomodado com as bandeiras do PT tomando conta do cruzamento da Mostardeiro com a Goethe defronte ao Parcão de maneira alegre, pacífica e hegemônica (1998);

3) Me deixei ser “espancado” pelo inócuo “pauzinho de plástico” da bandeira de uma eleitora do Rigotto defronte ao HSBC da 24 com Olavo Barreto Viana. Se o filho dela não fosse um guri sensato, a merda estaria feita: eu tinha tanta razão que fiquei parado e ameacei processá-la e chamar a imprensa (2002);

4) De 1989 até 2006 (a última campanha da qual participei nas ruas), sempre bandeirando nas avenidas Nilo Peçanha, Carlos Gomes, Plínio Brasil Milano, 24 de Outubro, Goethe, Independência, Osvaldo Aranha, Parcão, Redenção, Gasômetro e indo a todos os comícios no Largo da EPATUR (em 2008, foi a primeira vez que eu sequer soube quando haveria algum comício e perdi os dois ou três que ocorreram), cansei de ser abordado por pessoas que perguntavam se eu era CC, professor, funcionário público, dirigente sindical, delegado de partido, desempregado, se não tinha coisa melhor pra fazer, “como é que um moço tão ['bonito, inteligente, alegre, cheio de energia', etc. - dependendo do interlocutor, que quase sempre, esteve enganado em relação a mim] é capaz ‘disso’?”

Além dessas histórias urbanas, sempre tive calorosas, pouco civilizadas e extremamente traumatizantes discussões familiares (sobretudo quando eu era muito novo e era conscientemente censurado e inconscientemente humilhado perante estranhos pelo meu pai e pelo meu irmão), as quais durante muitos anos, mesmo coberto de razão, não conseguia saber me defender nem contra-atacar de maneira racional e fidalga. Essas são as marcas que mais doem e que nunca irão se apagar: mesmo sem ódio, sem raiva e procurando evitar esse tipo de desgaste, não nego minha fraqueza de, mesmo conseguindo entender o porquê deles serem assim, é impossível para mim não guardar rancor. Nenhuma demonstração atual ou futura de amor, carinho, atenção, respeito, solidariedade ou coisa parecida até hoje foi capaz de fazer com que eu esqueça, minimize ou seja capaz de me sentir melhor em relação a esses sentimentos.

Meus bons e velhos amigos, em muitos momentos foram mais significativos e mais importantes em termos de empatia e de afinidade do que com a minha própria família. Contudo, hoje sei que não há como contar nem com os amigos, nem com a família para tudo: cada grupo de afeto e de identidade supre determinadas necessidades individuais e coletivas, mas é incapaz de satisfazer a todas.

As escolhas profissionais e a maneira com que cada um foi criado, mesmo tendo uma adolescência de esquerda a partir de pais entre 10 e 20 anos mais jovens do que os meus que efetivamente tentaram lutar contra a ditadura civil e militar de direita, hoje são muito divergentes das minhas: pode-se dizer que eu nunca consegui ser pragmático e que sempre tive severas divergências em relação a me tornar ou a me sentir como um escravo do “deus-mercado”. Mantendo-me parcialmente à margem do sistema, ainda não tive filhos, não possuo patrimônio, não viajei pelo mundo e não consegui estabelecer uma rede social capaz de me ajudar profissionalmente.

Foi extremamente difícil tentar integrar-me a esse sistema. Demorei muito tempo até descobrir minha vocação autêntica e para entender que politicagem, subjetividade e, acima de tudo, a necessidade de estabelecer laços HONESTOS e SINCEROS com pessoas influentes (ou muito populares, ou dotadas de um alto poder político, social e/ou financeiro) é a única forma de se conseguir chegar aonde se quer sem sectarismo e com a capacidade de poder circular com respeito por vários ambientes diferentes inclusive em meio a severas divergências.

Jamais mudarei de lado. Porém, sei que que meu ponto-de-vista baseado em uma matriz teórica contemporânea gera um afastamento da visão reducionista e simplista que é progressivamente irreversível e autofágica em função da miopia da única forma aceita e conhecida de se fazer política: partidos e sindicatos mandam, os outros “bedecem”.

A paixão, a idolatria e a defesa incondicional de práticas e de pessoas cuja contribuição política e cidadã não vale meio centavo furado em relação a tudo o que OLÍVIO DUTRA protagonizou me fez estudar e pesquisar seriamente outras alternativas legitimamente políticas, politizadas e politizantes, atuantes, ativistas, cidadãs, esclarecidas e mobilizantes ainda emergentes cujos resultados têm sido muito mais eficientes do que sob lideranças centralizadoras baseadas em uma visão atrasada e retrógrada (que não tem nada a ver com o discurso direitista do ‘novo’).

Para mim, o declínio do sistema representativo político baseado em partidos cujo financiamento de campanha funciona de maneira X e que depende de uma espécie de relacionamento Y a fim de sobreviver às forças conservadoras (banqueiros, megacorporações globais, latifundiários, agronegócio, políticos de direita e corporações de mídia) exige uma ampla discussão a fim de buscar uma nova legislação capaz de fazer com que alterações profundas nesse modelo falido possam fazer com que ele volte a fazer sentido para a sociedade como um todo.

Enfim… Tudo o que demanda centralização, autoritarismo e pensamento único me torna extremamente pessimista e faz com que eu, alguém disposto e interessado em debater a respeito de qualquer coisa desde sempre, chegue ao extremo de considerar perda de tempo discutir política sob os moldes partidários, eleitorais e representativos sob este modelo.

Há muita gente extremamente lutadora, de biografia tão longa quanto significativa e que é muito conhecida no meio da esquerda sul-riograndense por uma quantidade enorme de militantes mergulhando em uma espiral de ilusão, de auto-enganação e de incapacidade total de analisar o macroambiente, por mais que leia, por mais que participe de palestras e cursos, por mais que viaje.

Há, tamb

POR QUE O PT NÃO VAI GANHAR EM PORTO ALEGRE

Depois de ter lido os COMENTÁRIOS do post do RS URGENTE sobre a pesquisa CORREIO DO POVO/METHODUS para a PREFEITURA DE PORTO ALEGRE, pensei em escrever o seguinte texto:

No dia em que muitas pessoas (que passam por aqui ou não; que são vinculadas a partidos políticos ou não) lerem IMPÉRIO e MULTIDÃO de ANTONIO NEGRI e MICHAEL HARDT e as obras de ZYGMUNT BAUMAN, ELISEO VERÓN, NÉSTOR GARCÍA-CANCLINI (principalmente CONSUMIDORES E CIDADÃOS, CULTURAS HÍBRIDAS, DIFERENTES, DESIGUAIS e DESCONECTADOS, LEITORES, ESPECTADORES E INTERNAUTAS e LATINO-AMERICANOS À PROCURA DE UM LUGAR NESTE SÉCULO) e ALBERT-LASZLÓ BARABÁSI (LINKED) talvez as coisas clareiem um pouco mais.

Não adianta: em uma sociedade na qual a classe média é predominante, ela vai pender sempre à direita, pois julga que, assim, corre menos riscos de perder suas conquistas materiais.

Hoje em dia, como o fluxo constante é muito mais importante do que parar e olhar para os lados e como a função dos sindicatos é, na melhor das hipóteses, controversa à medida que a classe mais excluída, mais injustiçada e mais pobre não é mais composta por “proletários”, a ágora não é mais a praça pública ou a rua. Ninguém dá bola para manifestações, passeatas, piquetes, etc. Mais de 80% de toda a discussão sobre política, economia, direito e cotidiano se dá através da mídia: é através dela que a classe média se identifica e reconhece a sua pertença.

Da mesma forma, os partidos políticos perderam o sentido, pois o Executivo (municipal, estadual ou federal) só considera como cidadão quem possui poder de consumo(ismo). Senão, os latifundiários, as multinacionais, os EUA, os banqueiros, as indústrias do tabaco, do álcool, automobilística e das corporações de mídia derrubam qualquer governo.

A bem da verdade, antigamente havia cerca de 25% de pessoas convictamente identificadas com todas as nuances da esquerda, 25% de reaças assumidos ou enrustidos e os outros 50% pendiam para o lado que representava melhor as suas demandas ou cujo discurso os ludibriava melhor.

Hoje, temos alguns deputados estaduais e alguns vereadores combativos, além de ex-prefeitos como OLÍVIO e RAUL. O resto se bandeou para o lado pragmático de ser, pois crê que é necessário fazer severas concessões ambientais, legais e econômicas aos oligarcas a fim de poder realizar de maneira paulatina e meio às avessas em relação ao estatuto do PT um certo grau de inclusão social.

O PT não vai para o 2º turno em POA, mas pode eleger mais vereadores aqui do que nunca. Que sirva de consolo para daqui a 4 ou 8 anos o cercamento da capital por vários municípios governados pela FRENTE POPULAR: só mesmo a propaganda de boca a boca feita pelas pessoas da GRANDE POA que trabalham e estudam na capital junto a seus amigos e parentes daqui poderá ajudar a reverter esse quadro.

Não dá pra ser ingênuo e achar que o PT está mal em POA só por causa da FARSUL, da FEDERASUL, da RBS e da IURD: muitas comunidades afastadas não tiveram suas demandas satisfeitas pelo OP que, além de tudo, era aparelhado. O fato da maioria dos participantes das assembléias com voz ativa ser composta por líderes sindicais ou filiados ao partido fez com que pessoas apartidárias que só queriam saber quando a escola, a creche, o esgoto ou a calçada seriam construídos na sua comunidade pegaram nojo.

Pra terminar: nos moldes atuais, só creio na resistência pós-moderna da multidão, que é a arma contemporânea que Negri e Hardt vêem como o antagonismo possível ao império.

Quem não sabe agir de maneira descentralizada, desinstitucionalizada, em rede e, de quebra, não aceita que as mesmas pessoas que reúnem-se somente para resolver uma determinada demanda coletiva não queiram (ou não precisem) estar sempre lado a lado em todas as demandas sociais possíveis, não tem condições de fazer política.

Ou se luta para mudar o sistema representativo político-partidário e para evitar a intersecção de um dos Três Poderes em qualquer um dos outros dois, ou até a palavra luta passa a perder o sentido.

Portanto, eu não creio na tomada do poder mas, sim, em pressionar o poder para satisfazer demandas. Uma oposição de esquerda sem os vícios de sindicatos e de partidos, que siga mais ou menos o que o EDUARDO GUIMARÃES preconiza através do MOVIMENTO DOS SEM-MÍDIA.

Já pararam pra pensar que a maioria das pessoas pode estar satisfeita com o estado das coisas no RS independentemente da RBS e do neoliberalismo ou que, por outro lado, cansaram de tentar porque toda vez que levantaram seus ricos traseiros da cadeira deram com os burros n’água?

A desilusão e a frustração vêm daí.

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