DESIGN + MARKETING SOCIAL = PROJETOS IMATERIAIS APARTIDÁRIOS

Graças à popularização da edição do conteúdo de blogs, a dinâmica das interações gera conversações em vários ambientes simultâneos dentro de um mesmo espaço [1][2].

Um serviço online voltado para a conversação e para a troca consiste num lugar virtual de compartilhamento de conteúdo e de relacionamento. Cada serviço apresenta um design específico, a fim de diferenciá-lo dos demais a partir de um projeto de atribuição de sentido baseado no posicionamento, na interação, na estética e na funcionalidade [3] dos elementos multimídia contidos nesse espaço.

Esse projeto, cuja estética e função são usualmente propostas por um projetista profissional, também pode definir-se via apropriação coletiva e des-hierarquizada de produção e criação, independentemente dos interesses e dos propósitos sob diferentes graus de domínio sociotécnico [4].

Dentro da blogosfera, temos como identificar diferentes ambientes de conversação. Os mais comuns são os links dentro do próprio post; os comentários (com ou sem adição de conteúdo audiovisual externo); a lista de links recomendados (o blogroll) e as citações do post de um blog dentro dos posts ou comentários em outros blogs [5].

O hipertexto possibilita a convergência de várias mídias digitais, que potencializam a disseminação de uma determinada informação. Extrapolando o atravessamento entre os ambientes contidos em um ou mais blogs, surgem como outros ambientes paralelos de interação mediada por computador as interfaces do Twitter (que pode ser dividida em links twittados no tuíte, em tuítes dialógicos, em tuítes declaratórios; na lista de seguidores; na lista de seguidos; nas listas feitas pelo tuiteiro em questão ou onde esse tuiteiro está listado, etc.), do Facebook (no status, nos comentários do status e em n outros ambientes internos ao FB), do You Tube, do Flickr e de várias outras mídias sociais.

Isso posto, projetos de financiamento social em rede (crowdfunding) como o Catarse.me; ou de resgate da memória, denúncias e sugestões de melhorias urbanas e sociais e um vislumbre de como projetar o futuro de uma dada cidade como o Porto Alegre.CC e de conscientização, debate e aprendizagem política sob a dinâmica da nova sociedade como, por exemplo, a Rede Liberdade e a Teia Livre, constituem em tentativas exploratórias com algum resultado prático: coletivamente, cada um desses projetos representa – para os seus respectivos nichos – um espaço de discussão repleto de ambientes nos quais as pessoas se atravessam. Todos produzem afetos e tensionamentos, de forma que a aprendizagem e a intenção de colaborar sejam constantes.

Não existe perda de dinheiro nem tampouco desperdício de tempo: o desprendimento, o comprometimento e a capacidade de difundir a informação ali compartilhada multiplicam o valor de cada uma dessas redes. Ao longo do tempo, essa dinâmica certamente resultará em uma superação do modelo gráfico, de arquitetura da informação e de usabilidade ora existentes, inclusive aperfeiçoando a simplicidade da interação desses sites com várias redes sociais.

Uma tendência é a de internacionalizar o processo, de forma que, apesar das suas particularidades e das questões socioculturais inerentes à realidade da maioria de seus interagentes, venhamos a formar um híbrido entre o Ushahidi, a The Real News Network e o Global Voices.

Dentro desse espectro, destaco como atores importantes a Coolmeia, que tende a estar mais próxima da realização não-burocrática com resultados sociais mais rápidos do que os proporcionados pelo Estado; o Gabinete Digital do Governo do Estado do Rio Grande do Sul (via @tarsogenro), por ser uma iniciativa em rede diferenciada articulada pelo Poder Público com o intuito de tentar radicalizar a democracia representativa e a CUFA (Central Única das Favelas), como fator de inclusão social, econômica e de reconhecimento da cidadania. Finalmente, em termos ideológicos e de excelência na prática do compartilhamento de trabalho imaterial, há, ainda, a riqueza imensurável da comuidade do Software Livre como o fio condutor sociotécnico e ideológico de uma rede cuja união e multiplicação depende prioritariamente do apartidarismo formal.

Todavia, a convergência sociotécnica e os exemplos a serem pinçados das iniciativas desses atores precisam necessariamente tomar o caminho da DEMOCRACIA EMERGENTE.

Considero extremamente importante que as formas de agregação e de convergência tenham como base para discussão os três projetos acima, que são bem-sucedidos e longevos. Isso pode nos aproximar mais da necessidade de atrair a classe média urbana e o jovem para o centro da discussão.

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[1]  No início do conceito que desenvolvi, chamo o blog de espaço autoral. Na sequência, proponho, dentro desse espaço, uma divisão em três ambientes distintos que caracterizam tipos de interação e de conversação em função da colocação de seus autores e dos atravessamentos gerados por esses relacionamentos. Tal decisão surgiu após a necessidade de observar que as relações estabelecem-se ora dentro de cada um desses espaços, ou circula entre eles. Portanto, ora encontramos cruzamentos de conversas entre diferentes compartimentos, ora as conversas restringem-se a um desses espaços em particular. (v. PAZ, H.S. 2009a, p. 27). 

[2] Se defendo o motto macluhaniano-johnsoniano-manovichiano da Comunicação Digital de que “o meio é a mensagem”, da cultura da interface, da emergência e de que vivemos em um mundo no qual grande parte das nossas relações pessoais e da nossa produção e transformação da informação se dá em grande parte através da interação de, com e para com os bancos de dados em rede, logo, entendo que não posso chamar aplicativo e software mediador de afetos, de trabalhos e de lazer compartilhado de “ferramenta”. Isso traz ao meu discurso uma conotação pós-moderna e não moderna, já que o que importa mais a mim é a fluidez e a organicidade das relações e não o formão, a tinta, o martelo ou o serrote que constroem as peças da casa. Afinal de contas, a sua existência material só faz sentido a partir do uso funcional e afetivo que seres humanos fazem desse espaço. Portanto, o meu lugar na pesquisa não se refere ao código, ao número, ao comando, ao algoritmo e à programação mas, sim, `a apropriação eminentemente social do produto.

[3] O Prof. Dr. Wilton Azevedo entrou em contato comigo reclamando por ter suposto que eu teria me apropriado indebitamente do conceito de design que esse excelente pesquisador cunhou em seu livro “O Que é Design?” na seguinte coluna que eu tive a honra de ver publicado no WebInsider. Declaro categoricamente que essa JAMAIS foi a minha intenção. Eu tão-somente cometi o equívoco de ter dado a ele os devidos créditos naquela ocasião. Já me desculpei pessoalmente, mas lamento muito pela abordagem nada assertiva que recebi. Por outro lado, hoje, meu trabalho ainda incipiente na EDU (sigam @designunisinos) e a leitura de algumas apresentações do prof. dr. Gustavo Fischer  (sigam @gusdf) ampliaram o meu conhecimento. Hoje, creio que, além do conceito do prof. dr. Wilton Azevedo (design = estética + funcionalidade agregadas a produtos), percebo que design é projeto e que esse projeto também pode ser voltado para produtos e serviços imateriais.

[4] v. SHIRKY, Clay, 2011 p. 70-80, sobre a questão da estética, do trabalho e do modo de produção amador em rede. O autor define o atual momento histórico como “a cultura da participação“, na qual a motivação e o resultado de um esforço coletivo empreendido em rede não precisam ser nem estética e nem funcionalmente brilhantes, desde que sejam suficientemente divulgados e possuam um apelo suficientemente forte a ponto de que tal produto produza alguma diferença para a sociedade.

[5] Blog: unidade potencial de construção, manutenção, reforço e abandono de relações contida em um espaço autoral individual ou coletivo que espalha-se na rede através do diálogo, da conversação, da discussão e do debate proporcionados por três ambientes – blogroll; posts (links, citações e conteúdo próprio)e comentários – que caracterizam o lugar desse ser e a sua forma de interagir em um ambiente marcado pela remediação. (PAZ, H.S. 2009a, p. 27). 

PAREM BELO MONTE!!!

A necessidade da obra da usina hidrelétrica de Belo Monte é altamente questionável sob todos os aspectos. Na hipótese menos desonesta, menos agressiva e mais inclusiva possível, este blogueiro pós-moderno condena veementemente a manutenção de políticas que consideram a industrialização taylorista-fordista como a principal forma de desenvolvimento.

Mas me preocupa ainda mais a questão humana, animal e vegetal: quem diz que não haverá perdas significativas ou está mentindo, ou está muito mal informado. Para mim, a natureza finita precisa de um manejo sustentável do ponto de vista socioeconômico e cultural.

CHEGA DE POR O HOMEM ACIMA DE ANIMAIS E PLANTAS. AFINAL DE CONTAS, DEPENDEMOS DELES PARA SOBREVIVER.

CIBERSOCIEDAD: UM CONGRESSO DIGITAL

Estou participando do congresso mais democrático do mundo conectado: o IV CIBERSOCIEDAD. Nada mais adequado: afinal de contas, se o objetivo é o de discutir as relações entre as TICs* e a sociedade, embora a seriedade e os ritos acadêmicos e institucionais sejam necessários, é fundamental que seja seguido o modelo de descentralização e de desierarquização horizontal cujo objetivo é a colaboratividade em rede.

Esse é um exemplo que pode vingar em todo e qualquer congresso. Afinal de contas, devido ao fato de eu ainda não ter tido a oportunidade de poder voltar a lecionar neste ano de 2009, não consegui dinheiro para poder viajar para participar de algum congresso. No caso desta iniciativa catalã, tenho tido acesso a mais de 500 artigos juntamente com mais de 5000 participantes.

Antes que alguém pense que não é possível organizar um evento ou se entender dessa forma, cada participante pode adicionar como favoritos os artigos de outros pesquisadores em uma página pessoal com o seu perfil. Ao mesmo tempo, todos poderão acompanhar o parecer de cada um sobre um determinado tema.

Dessa forma, passo a integrar uma nova rede social de pesquisadores com uma abordagem mais multidisciplinar.

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*Tecnologias da Informação e da Comunicação: mensageiros instantâneos, (como o Microsoft Messenger, p. ex.) listas de e-mail, condomínios de blogs, web fora (plural de forum em latim), sites de redes sociais (Orkut, Facebook, LinkedIn) e ferramentas colaborativas de troca de informação e de conhecimento (Twitter, YouTube, Flickr Slideshare, Blip.FM)

FELIZ NATAL, 2009, TUDO DE BOM SEMPRE!

O mundo só anda de maneira honesta, solidária, produtiva e inteligente quando se crê em uma utopia.

O mundo só anda de maneira honesta, solidária, produtiva e inteligente quando se crê em uma utopia.

Este presente singelo cuja força está mais no valor da mensagem e na simpatia das personagens da turma da MAFALDA, a melhor personagem de história em quadrinhos de todos os tempos criada pelo cartunista argentino QUINO foi um presente sensacional da minha querida amiga CLÁUDIA CARDOSO do DIALÓGICO, que repasso a todos com toda a amizade, respeito e carinho.

A realidade pragmática, matemática, jurídica e administrativa por si só é fria, calculista e brochante. A realidade puramente artística baseada em devaneios ou incapaz de provocar tensão, choque, surpresa, questionamento e originalidade é infrutífera. Por fim, a realidade de quem acredita piamente na mídia corporativa é uma realidade ora fútil, ora apocalíptica, ora fragmentada ao extremo e vazia de sentido.

Sejamos mulstidisciplinares. Sejamos mais abertos. E, acima de tudo, sejamos mais críticos, mais ativistas, mais politizados.

[]‘s,
Hélio

MÍDIA BRASIL: POR UM MODELO BBC

Este debate precisa ser expandido. Infelizmente, não tenho tempo nem dinheiro que me possibilitem viajar nem sei de alguma entidade disposta a me ouvir e que concorde em grande parte das questões que eu levanto nessa discussão. Mesmo assim, entre acertos e erros, considero-me razoavelmente apto a falar sobre a questão da democratização nos meios de comunicação no Brasil.

É uma questão muito importante, pois trata da soberania nacional e, acima de tudo, da autonomia social e econômica da maioria de nossa população em relação à sua capacidade de reconhecer o mundo a partir de um determinado conjunto de histórias contadas como se fossem a expressão da verdade de uma época sob um determinado contexto.

Assim como só vejo como possível a capacidade de se atrair novos atores sociais dispostos a exercer a sua cidadania política, econômica, social e simbólica pressionando o poder a partir de iniciativas em rede que podem retomar o espaço público como uma ágora eliminando-se uma visão partidária e sindicalizada,  considero o debate pela democratização dos mídias no Brasil a partir do viés acadêmico influenciado pela escola marxista que resultou na TEORIA CRÍTICA da Comunicação um tanto limitado. Afinal de contas, regular, regulamentar, moralizar, educar, propor ações sociais e quebras de paradigma com autonomia e liberdade é uma equação muito difícil de ser solucionada e, definitivamente, não há almoço grátis.

Um erro nessa resistência à mídia hegemônica é o de não reconhecer a importância da estética da linguagem como um fator de necessidade econômica e simbólica voltado para a produção de bens de consumo mais racionais e gratificantes a partir da experiência social resultante do contato com tudo o que é produzido, transmitido e discutido sob o olhar mediado. Considero que, invariavelmente, a limitação das conquistas em relação à democratização dos meios de comunicação deva-se muito ao fato de que reconhece-se muito pouco a fundamental importância do custo de produção e da falta de apuro estético.

O conteúdo só se torna atraente se a edição e o discurso tiverem uma linguagem adequada à linguagem do público predominante. Em termos de empoderamento de pequenas comunidades, qualquer equipamento serve. Porém, quando entra-se no broadcast, o furo é muito mais embaixo.

Embora sejam fatores nada desprezíveis em relação ao consumo de baixarias e da alienação oferecida por conteúdos frívolos que não podem ser chamados de informação (partindo-se do pressuposto bergsoniano de que informação é aquilo que produz diferença), deve-se levar em conta o fato de que, para muitas pessoas, a sua preferência por esse tipo de programação (bem como a preferência dos mídias pela sua produção) não decorre da ignorância nem da falta de escolaridade ou de politização. A preferência por uma estética funcional costuma estar de acordo com a dinâmica social de seu tempo. A maioria das pessoas não têm tempo nem saco pra assistir a um programa de TV com cenário pobre, trilha sonora mal gravada, linguagem de 10 anos atrás e assim por diante. Ser honesto e tecnicamente correto não é suficiente: é preciso ser surpeendente. E há muita surpresa mesmo naquilo que não possui conteúdo relevante. Essa é a fórmula do sucesso de quem está por cima da carne seca.

Talvez a preocupação moral e conservadora que, em certos pontos, também conquistou a minha adesão no momento em que se descobre o quanto certas mensagens podem transformar a educação de uma criança, não deva ser vista como um cavalo de batalha. Ignorá-la, jamais; porém, que ela não se torne a principal bandeira nessa modalidade de resistência política e simbólica. Digo isso porque cada vez menos pessoas assistem televisão. Conheço dezenas de pessoas que, ao começar a trabalhar e a fazer novas amizades, simplesmente perderam até o prazer de assistir aquilo que costumavam assistir.

TV aberta?! Rádio?! Jornal?! Revista?! A mídia de massa não é mais tão forte quanto já foi. É por isso que eu acho um exagero (e até perda de tempo) discutir algo que nunca irá mudar (isto é, o discurso de sempre da Grande Mídia). A RBS, a ABRIL, a FOLHA, o ESTADO e outros menos votados não exercem a menor influência na minha vida. Sinceramente, não me considero mais culto, mais inteligente e nem tampouco mais “esperto” ou “do contra” por preferir (com restrições) CAROS AMIGOS, CARTA CAPITAL ou coisa parecida. Eu acho que, mesmo sendo uma minoria, há um monte de gente que não é necessariamente de esquerda ou com alto grau de escolaridade capaz de fazer as mesmas escolhas.

Infelizmente, são poucas as pessoas com acesso a TV a cabo e internet. E, o que é mais grave, é a total falta de conhecimento de outros idiomas, a fim de fazer com que o Brasil descubra imediatamente tudo o que está sendo feito em termos de empoderamento.

A minha mãe só estudou até a 4ª série e assiste a todos os programas de fofoca e noticiários espreme-sangue da TV aberta. Ela não consegue acompanhar as legendas e não assiste nada em outras línguas porque não consegue entender.

O mundo, em todos os sentidos, é uma coisa extremamente complexa pra ela. Ela não se interessava e não tinha coragem nem saúde pra assistir a uma programação decente, até que vários dos canais a cabo voltados para questões de família, educação dos filhos, novidades da medicina, evoouções tecnológicas e sexualidade fossem duplados para potuguês. A visão de mundo dela pode até não mudar muito, mas, pelo menos, ela aprende um montão de coisas e apresenta assuntos bem mais interessantes pra gente conversar em casa.

Portanto, não podemos considerar a programação como um todo de baix qualidade ou excludente.

As origens dessas questões são muito mais profundas e complexas do que meramente discutirmos sobre quem são os donos dos poderes político, econômico e coercitivo ou por que a mídia corporativa emburrece a população em geral: por mais leis que se tente aprovar e por mais mecanismos de fiscalização, infelizmente, é tudo uma questão de desligar o botão ou de se arranjar outra coisa pra fazer. Ou, pelo contrário, seria a televisão um meio “hipnótico”?! Creio que não. O que deve-se quebrar é a barreira do condicionamento, a partir de uma campanha voltada à uma vida social mais intensa vivida presencialmente junto a seus afetos e atividades ao ar livre.

Por outro lado, há programas maravilhosos na televisão, em grande quantidade. A maioria deles a cabo.

Então, defendo um modelo igualzinho ao da BBC: 50% + 1 das ações pertencentes à emissora estatal, que oferece educativos de altíssima qualidade e interesse no horário nobre (das 19h às 21h) e possui quatro emissoras abertas com conteúdo diferente entre si, mais ou menos como os canais Discovery (só que com qualidade melhor).

A BBC produz programas de primeira porque contrata o melhr iluminador, o melhor fotógrafo, o melhor maquiador… DO MUNDO, por empreitada (como free-lancer).

Eis o grande impasse: a BBC cobra 10 libras/mês para fornecer uma set-top box  e corta o sinal de quem não paga a mensalidade. Essa set-top box, além de proporcionar todos os canais de qualidade educacional e noticiosa da BBC, também libera o acesso a uma série de outros canais.

No Brasil, há uma lei que fala sobre o direito universal à Comunicação. Com isso, a TV aberta foi baixando a qualidade técnica, subtraindo a relevância social e foi espetacularizando a sua programação, quase unificando o discurso em função da pequena quantidade de proprietários e de centenas de patrocinadores em comum.

Temos uma TV a cabo muito cara e de alcance restrito somente aos grandes e médios centros urbanos dos estados do Sul, do Sudeste e das regiões litorâneas do Nordeste. É uma programação cara, repetitiva e redundante, mas que possui, inegavelmente, uma qualidade média de discurso e de apuro técnico superior às produções abertas.

Há, ainda, a questão da TV PÚBLICA, que não é pública mas, sim, ESTATAL: qualquer governo pode optar entre torná-la chapa branca, extingui-la ou fazer dela um cabide de emprego. Caso a TV BRASIL operasse em condições ideais em TV aberta ou fechada no país, teríamos acesso a toda a sua programação em canal próprio – coisa que não ocorre.

Com o equivalente a R$10,00/mês de todas as pessoas interessadas em possuir programação de TV em suas casas, certamente teríamos acesso a um conjunto de canais de programação segmentada com programação de qualidade suficiente para dar um banho em todas as GLOBO, RECORD, RBS, BAND, SBT e emissoras estatais juntas.

Tudo custa dinheiro. E não se pode aumentar impostos ou realizar descontos compulsórios a torto e a direito. Ao mesmo tempo, leis que definem um percentual x do orçamento público ou privado para o investimento em qualquer setor dependem das oscilações de mercado muito mais do que a oscilação resultante do aumento ou da diminuição da audiência em si.

Por que a TV BRASIL não colou ainda?! Simples: porque sua política de distribuição e sua infra-estrutura são pífias, já que falta coragem e interesse nesse investimento pesado sem uma contrapartida.

No meio textual (impresso ou internet), o cara escreve como e sobre o que quiser. Acredita ou duvida dele quem bem entender. Porém, a propagação da voz e da imagem através de ondas eletromagnéticas é uma concessão pública, que deve obedecer a uma política social e educacional.