ARENA: TODOS OS 131 CAMAROTES DE R$220.000,00 ESTÃO RESERVADOS

Informações bastante positivas sobre a rentabilidade dos camarotes e das cadeiras Gold da Arena do Grêmio. Obrigado ao Bruno por compartilhá-las com os gremistas no Twitter. :)

O depoimento da visita do grande Bruno Saraiva à Arena hoje traz uma revelação importantíssima para levarmos em conta mais adiante: nem o Grêmio e tampouco a OAS tem do que se queixar em relação à ocupação dos lugares extra VIP negociados com empresas, não com os associados do clube. Dessa forma, podemos concluir que há, sim, uma margem muito significativa para trabalhar uma redução dos valores das cadeiras mais caras do estádio, sem que para isso seja necessário jogar tanto com a quantidade de cadeiras por setor em função dos 21M que adiantamos de receita à superficiária. ;)

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TRANSIÇÃO À ARENA: DEPOIMENTO DE SÓCIO ESPECIALISTA EM MARKETING

O amigo tricolor @felipecb_ comentou sobre o post anterior:

“Está de acordo com tudo que eu penso. Essa projeção da OAS + Grêmio é fantasiosa! Tenho certeza que se basearam em dados “sócio-econômicos” sem fazer a distinção se as pessoas REALMENTE QUEREM IR NO JOGOS.

Também não vejo levarem em conta que nem todos que vão hoje continuarão indo. Duvido muito que a leva de torcedores novos que pagarão o preço alto irá superar as dos que não irão pagar.

As mensalidades praticadas são superiores a realidade européia! O Season Ticket mais caro do Manchester é 980 libras. E lá sabemos que o poder de compra deles é muito maior que o nosso.

O único lugar que vale a pena é o de 92 reais no nível do campo (sem cadeiras). Até porque com aquela área custando 92 e a do outro lado custando 183, só deixa uma mensagem: o custo de ficar sentado é de 91 reais.

O Grêmio “comprou” aquele espaço pra poder fazer um valor mais acessível aos seus sócios. Logo, fica evidente que a única parte do GRÊMIO do estádio é o quarto anel e a área da geral. O resto é da gestora… a receita da gestora PODE retornar ao Grêmio em um cenário de lucros… cenário esse que até onde eu vi a apresentação só começa a partir de 49% de ocupação do estádio.

Convenhamos, é sonhar muito alto esperar 30 mil pessoas. Talvez isso aconteça caso o Grêmio esteja na Libertadores e com um BAITA time. Sendo campeão em 2012 e engrenando de vez até o fim do ano.

Sem contar que os sócios diamante só terão seus descontos de 50% no quarto anel e na área da geral. No resto só 10% (e os Ouro é 10% em tudo). Imagina a LUTA pelos ingressos do quarto anel…

TRANSIÇÃO À ARENA: DEPOIMENTO DE ALGUNS REMIDOS

Como faço na maioria das noites de terça-feira, convivo com algo entre 10 e 30 gremistas bastante antigos. A maioria deles sequer ousou criticar os proedimentos da atual gestão do Grêmio FBPA e da Grêmio Empreendimentos Ltda. Também não posso jamais afirmar que a posição deles seria uma posição majoritária entre associados patrimoniais antigos, remidos, de título de Fundo Social, beneméritos, grandes beneméritos e por aí afora.

Detalhe importantíssimo: todos sempre foram entusiastas da Arena, conhecem muito bem o projeto e não irão largar o Grêmio. Vários deles já foram chamados para escolherem os seus devidos assentos na Arena do Grêmio. E as falas foram – via de regra – as seguintes:

Para alguns acima dos 70 anos, obesos ou não, altos ou baixos, mas já com alguma dificuldade de locomoção: “Só vai ter braço nas cadeiras Gold?! Mas eu não pago 360 nem 330…”

De alguns emprésários bem-sucedidos, com décadas de contribuição, sem nenhum interesse patrimonialista, assíduos no Olímpico e que querem permanecer sempre frequentando a Arena: “269 ou 220 pra assistir a dois jogos por mês?! Pô, é só futebol, não tem frescura: não tem problema ir pra um lugar parecido com o que a gente fica nas cadeiras do Olímpico por 120.”

De um outro grande empresário: “Pô… Eu pago quatro cadeiras. Vou migrar pras de R$120,00!”

Se houver um pensamento predominante entre os – ainda que relativamente poucos – sócios mais antigos que possuem alto poder aquisitivo no sentido que relatei acima, o Grêmio e a OAS tenderão a ter muito mais trabalho para vender as cadeiras Gold e as centrais do 1o anel que se possa imaginar.

Um outro problema surgirá para parte dos patrimoniais/proprietários e para os raros Sócios Torcedores que poderão pagar R$92 ou R$120: um percentual indefinido desses (que pode atingir algo entre 10% e 20% com pouca possibilidade de reposição ou substituição na mesma quantidade), infelizmente, terá que se contentar em EVENTUALMENTE fazer uma economia para poder frequentar somente jogos decisivos. Alguns patrimoniais/proprietários tendem a migrar para a modalidade Sócio Torcedor e outros fatalmente irão abandonar o clube.

MIGRAÇÃO À ARENA: FALTOU AO GRÊMIO ENTENDER O PÚBLICO DO GRÊMIO

Não sou nada favorável ao “terrorismo” e tampouco pretendo “melar” o negócio. Entendo, depois de muitas conversas com muitas pessoas, que a Arena TENDE (isto é, ainda não há como afirmar porque tudo gira ao redor de projeções) a dar bastante certo.

Por outro lado, é fundamental ser extremamente exigente e bastante atento para que haja o máximo de honestidade e para que o resultado seja o melhor possível. Dessa forma, avalio que a análise do INDG foi realizada muito em função da ideologia reinante nos executivos do Grêmio FBPA, da OAS, da Grêmio Empreendimentos Ltda. e da Arena Porto-Alegrense: no seu modelo de negócio, definiram-se por uma forte tendência a minimizar a importância da subjetividade. Portanto, nem o sentimento, nem a percepção e tampouco a estratificação econômica e social são fatores importantes para as suas análises de fundo.

De onde eu venho (das Ciências Humanas), as variáveis econômicas são tão humanas quanto matemáticas. Pois é a partir de uma visão HOLÍSTICA E MULTIDISCIPLINAR que deveríamos ter definido uma política de preços que proporcione o melhor retorno possível AO CLUBE sem perda de dinheiro, de simpatizantes e sem manchar a imagem da marca Grêmio – feitas as ressalvas para as necessidades contratuais da nossa sócia OAS.

O vídeo que o Marcos publicou (a coletiva de Eduardo Antonini no final da manhã da última sexta) apresenta um trabalho muito caro, realizado por pessoas muito competentes e a muitas mãos. Todavia, embora quem esteja no poder tenha as suas convicções e o direito de executar suas políticas como melhor lhe convir, entendo que a principal parte interessada não foi sequer consultada. E é tanto do respeito ao associado contratual e ao Estatuto do clube quanto da ética que – antidemocraticamente – o clube falhou.

Se houve algumas dezenas de cenários e simulações, estas deveriam ter sido apresentadas ao associado (e também ao simpatizante que ainda não se associou ao clube) para que ele entendesse melhor o que está por vir e demonstrasse o que ele esperava e até que ponto ele poderia (por ter ou não posses suficientes) ou quereria (isto é, mesmo tendo dinheiro, pode optar por não enxergar valor nem interesse no produto que lhe está sendo proposto) consumi-lo.

Em uma sociedade heterogênea composta muito mais por nichos multifacetados do que por uma massa de pensamento e de atitudes supostamente previsíveis e uniformes, não é nada óbvio supor que a paixão seria demonstrada por uma relação direta de consumo impulsivo – nem que, independentemente de qualquer coisa, pelo Grêmio valesse a pena fazer qualquer “sacrifício”. Afinal de contas, dentro da mesma região geográfica, pessoas com a mesma formação profissional, ética e moral podem pensar e agir de maneiras completamente diferentes em função de muitas outras variáveis capazes de definir os seus valores (igreja, clube, religião, etc.). A prioridade e a intensidade com que cada indivíduo convive com o e sente o Grêmio varia enormemente dentro da mesma residência. E isso ainda deve ser minuciosamente avaliado.

Na metodologia apresentada por Antonini, não houve qualquer menção ao uso de cartões de simulação com as principais possibilidades de preços; não se ressaltou a clareza acerca do percentual de valor que irá para a gestora ou para o clube; já deveríamos ter disponibilizada a oferta de um simulador virtual da visibilidade/distância/ângulo/serviços relacionados a cada setor da Arena, bem como a importante simulação do tempo necessário para percorrer a distância da esplanada para chegar a cada setor com o estádio cheio, tendo rampas, elevadores e escadas disputados por dezenas de milhares de corpos que – como diz a Física – não podem ocupar o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo.

Também faltou pensar no uso do Google Docs (ferramenta gratuita), de anúncios nos sites oficiais do Grêmio e da Arena (com as devidas replicações para dezenas de blogs e centenas de perfis no Twitter e milhares no Facebook e no Orkut) e em mensagens SMS ou “torpedos” via telefone móvel ou “celular” para questionar e incentivar a resposta do máximo possível de componentes do universo de mais de 350.000 cadastrados no ex-Exército Gremista (o maior banco de dados de torcedores do país) acerca de todas essas questões.

Os mais autoritários, simplistas e conservadores podem dizer que custaria muito caro, ou que, caso se consulte as pessoas, elas irão optar sempre pelo mais barato porque são oportunistas e ignorantes. Há, ainda, aqueles que defendem que nada nunca precisou nem precisaria passar pela Assembleia Geral tanto em função dos argumentos da frase anterior como também pela arrogante e nada científica desculpa de que “se alguém não patrolar, nada será feito”.

Mas eu penso em um sentido muito mais amplo do que seria a necessária e tão vilipendiada democracia tricolor: penso em evitar perder dinheiro e – acima de tudo – em evitar perder tempo e ter que recuar caso a procura não seja tão acentuada para os lugares mais caros em função de uma lógica que os dados do IBGE e da FEE indicam que não sou eu e nem tampouco algum “colorado” que inventamos, já bastante exposta.

A MIGRAÇÃO DOS SÓCIOS PARA A ARENA DO GRÊMIO

Peço desculpas àqueles que pensam que tudo é lindo, perfeito e que, por mais seriedade, responsabilidade, honestidade e esforço que tenha havido na migração, dificilmente tenham avaliado o fator HUMANO. Até onde conheço as pesquisas de mercado sem base empírica previamente observável, como foi o caso da migração, isso não ocorreu. Entendo que houve um investimento para se chegar a um resultado mercadológico que não apresentou simulações nem entrevistas com a parte interessada, que é quem será sócio e cliente… Enfim, quem terá o poder de definir financeiramente uma das principais fontes de receita do clube infelizmente parece não ter sido ouvido.
R$269,00 (gramado central) e R$220,00 (gramado lateral) está acima do razoável: R$240,00 e R$200,00 seria mais justo, assim como R$160,00 atrás do gol, embaixo. A central do 4º anel, de R$169,00, teria mais sentido se custasse R$150,00.
Já postei aqui uma série de motivos pelos quais a elitização não pode ser excludente nem exagerada com base nos dados de 2010 do IBGE, a partir de uma estimativa da população/renda dos 31 municípios da Grande POA. Além disso, a pesquisa da Pluri Consultoria de março de 2012 concluiu que a esmagadora maioria dos sócios frequentadores dos estádios provêm da região metropolitana de suas respectivas sedes.
Nos domingos de tempo bom e em jogos decisivos, algo em torno de 12% do público pode vir de mais longe. Contudo, esse mesmo contingente reduz-se drasticamente nas rodadas de meio de semana e num torneio que não vale nada, do qual não deveríamos sequer fazer parte (o Ruralito).
A Arena terá 60540 lugares. As classes A e B na Grande POA somam aproximadamente 48000 pessoas (segundo o IBGE, são 12000 famílias e – pelo menos por enquanto – ainda considera-se como núcleo familiar um conjunto médio de quatro moradores por residência). Pouco mais da metade é gremista (26000 a 27000). Desses, há bebês, idosos, uma grande parcela de mulheres que não se interessam por futebol e aqueles que não trocam qualquer coisa por futebol. Não saberia dizer quantos desses 26500 ficariam de fora ou seriam sócios adimplentes e assíduos, mas é difícil imaginar que passaria de – se tanto – 60% do total. Coloquemos aí uns 17000.
O residual de novos sócios oriundos da Grande POA não será tão significativo quanto se pensa. À exceção da capital, são outros 30 municípios. Apenas Canoas, c/400000 habitantes; mais Gravataí, Alvorada, Novo Hamburgo e São Leopoldo na faixa dos 280000 – 220000 podem ser considerados grandes. Todos os demais possuem populações muito baixas. Pior: o percentual de gremistas de classe A e B é menor do que o de POA em quase todos.
Mesmo diante do esforço do Departamento Consular e de termos como movimento mais numeroso no CD o Grêmio Sem Fronteiras (com mais de 70 nomes quase todos oriundos do interior do RS), apesar do “fator novidade” da Arena e da pujança de municípios como Bento Gonçalves, Garibaldi e Caxias do Sul, não basta ter mais conforto, melhores serviços e maior facilidade de chegar à capital: a distância e o tempo de viagem realmente influenciam bastante – sobretudo no meio da semana.
O Grêmio e a OAS contam muito com a adesão de um tipo de público que não vai ao estádio por falta de segurança e conforto. Concordo que deverá haver um acréscimo desse público – mas bem abaixo dos patamares avaliados pela consultoria.
Por enquanto, o que parece ser mais concreta é a possibilidade de que os mesmos remidos, proprietários de títulos de Fundo Social e beneméritos que pouco frequentam o clube irão voltar a consumir, adicionando, ainda, alguns poucos familiares.
Ao mesmo tempo, é compreensível que a modalidade de Sócio Torcedor não chega nem a 20% da receita do Quadro Social. A maioria para de pagar em dezembro e só volta em março com uma nova matrícula, por ter estourado a tolerância de três meses. Além disso, ao contrário do que se pensa, mesmo na Geral, a quantidade de Sócios Torcedores que vem à maioria dos jogos é pequena. E, nesse setor, a rotatividade é muito grande. Em função dessas variáveis, a quantidade de sócios adimplentes há pelo menos 24 meses a contar da data da eleição é muito pouco significativa. Portanto, poucos votam.
Isso demonstra que não há contingente suficiente nas classes A e B para bancar o espetáculo e que, HOJE, NO OLÍMPICO, para um público de menos posses, há uma oferta tremendamente equivocada, que cobra um preço de classe B para a classe C e oferece um produto de classe D. Afinal de contas, o Sócio Torcedor que porventura tiver condições de pagar os 50% equivalentes da mensalidade full para o Sócio Proprietário MAIS o valor oscilante dos ingressos em função da determinação mínima da CBF e da FGF (sem contar as majorações nas fases decisivas ou nos clássicos) hoje gasta no mínimo 30% a mais do que um Sócio Proprietário.
Concluo que essa política de preços tende a ser adequada para um patamar mais elevado de empregabilidade e renda média na Grande POA para daqui a cinco anos. E uma elitização definitiva que culminará em uma maioria da população como de classes B- e C+ a partir de aumentos paulatinos que trouxesse preços similares aos que serão inicialmente oferecidos pela Arena deverá se concretizar somente daqui a dez anos. Portanto, me parece que houve precipitação sobre qual seria o poder de compra tricolor na atualidade.
Já conheço sócios que recebem R$1.300,00 com boa assiduidade que irão tornar-se sócios torcedores e irão aos jogos na Arena apenas uma vez por mês ou menos. Outro gremista tradicional com um bom poder aquisitivo tinha três cadeiras e, hoje, possui apenas uma, a partir dos aumentos bastante altos dos últimos cinco anos.
O grande problema é que a área mais nobre à exceção das cadeiras Gold e dos camarotes (isto é, o anel inferior da Arena) dificilmente lotará e a torcida que irá sustentar o clube de fato (a do 4º anel) estará longe para fechar o ciclo do “bafo na nuca” que só a Geral atrás de uma das goleiras não será suficiente para “puxar o bonde” rodeada por um público bem mais elitizado do que o atual.
Em função do que foi acima exposto, salvo se eu tiver a felicidade de estar redondamente enganado (e quero estar, do fundo do coração), percebo uma tendência maior de Grêmio e OAS terem que rever a política de mensalidades.
Sei que o futebol de ponta é caríssimo. Todavia, Ainda não temos uma sociedade capaz de manter o Grêmio em patamares europeus. O Borussia Dortmund cobra o equivalente a apenas R$27,00 por INGRESSO (isto é, não são sócios com mensalidade) para a chamada Curva Sul, onde fica o seu famoso “Paredão Amarelo”, correspondente à nossa Geral.
Aguardemos pelos próximos acontecimentos…
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