Há dois posts atrás, declarei uma séria crise de identidade: vale a pena ou não eu seguir blogando? Se vale, quando, como, sob quais condições e em que circunstâncias eu devo blogar? A quem consigo atingir? A quem gostaria de atingir?
Depois da minha dissertação de mestrado, concluí que os semelhantes se atraem. Portanto, é extremamente raro produzir a diferença a partir do confronto de ideias.
Porém, o ideal seria que, após um estranhamento inicial, os interagentes se vissem instigados a ponderar sobre a informação recebida de lados bastante diferentes de uma mesma questão. Após essa reflexão, procurariam então multiplicar o mesmo estranhamento que tiveram quando viram seus valores confrontados pela visão antagônica ao seu referencial sociocultural rotineiro.
Sob uma ótica completamente otimista, via a etapa seguinte como a concretização de um engajamento capaz de produzir diferença na sociedade: seria a perfeita junção da prática com a teoria.
A isso os gringos dão o nome de “pensar fora da caixa”*.
Todavia, a espetacularização contida e continente nos e dos produtos ficcionais falsamente vendidos como informativos pela mídia corporativa associada ao corre-corre do dia-a-dia (p. ex.: o tempo perdido e o estresse do trânsito; a necessidade de cumprir várias tarefas ao mesmo tempo; a tensão constante de ter a subjetividade e a força de trabalho de cada um tratada como uma mercadoria descartável, etc.) põem por terra quase todos os esforços capazes de transformar um pensamento consumista em um pensamento de consumo consciente; e – pior – de mudar um modus operandi individualista para uma prática verdadeiramente social, isto é, solidária, horizontal e voltada ao compartilhamento e à circulação do conhecimento.
Infelizmente, a grande derrota do humanismo reside na falta de intensidade da busca e da filtragem daquilo que deveria ser mais profundo em termos coletivos. Poucos estão aptos a questionar, a procurar alternativas, a inovar, a empreender, a investigar. E raros têm coragem de tentar, de admitir, de deixar cair a máscara que criaram para proteger a si mesmos de algo que – no frigir dos ovos – não precisariam se proteger.
Encerro este post com a certeza de que, apesar do desânimo, ainda há fortes motivos para acreditarmos que alguns querem e podem ser ajudados a pensar fora da caixa… ;)
__________
* Thinking outside the box.
