NESTLÉ: MORTE EM BIAFRA NÃO FOI SUFICIENTE

Matéria do jornal O GLOBO* inicialmente repercutida pelo excelente BLOG DO MELLO informa que os EUA não aceitaram vender e distribuir a FARINHA LÁCTEA NESTLÉ produzida no BRASIL, pois ela contém pesticidas proibidos pela lei estadunidense por serem comprovadamente nocivos à saúde de toda a fauna, flora e água do planeta.

Em nosso país, desde 1500, todas as formas e personas responsáveis pelos poderes econômico, político e coercitivo fazem o que querem com a necessidade de produzir, distribuir e forçar o consumismo a fim de manterem vivo o seu modelo social, econômica e ecologicamente insustentável e insalubre.

Dói mais saber que aqueles que um dia foram supostamente contrários a essa visão de mundo excludente dividem-se entre os que se vendem e os que se curvam em função do toma-lá-dá-cá chamado de “governabilidade”.

ALIMENTO INDUSTRIALIZADO DE BAIXO POTENCIAL ALIMENTÍCIO QUE CONTÉM ADITIVOS QUÍMICOS DESNECESSÁRIOS É PIOR DO QUE COMER LIXO: se não puderes evitá-los por ordem de suas finanças pessoais ou por falta de consciência social e ambiental, procura informar-te melhor. Afinal de contas, o maior legado que podes deixar a teus filhos, netos e bisnetos é espraiar a vontade de viver e de deixar os outros viverem de forma independente, honrada e tolerante. Isso exige a eliminação de produtos que provocam câncer, diabetes, alergia e problemas respiratórios e circulatórios muitas vezes irreversíveis, independentemente do fator de risco genético.

Esta não é a primeira – e nem será a última vez – em que a Nestlé poderá ser responsabilizada pela MORTE. Contudo, não posso propor boicote à empresa porque eles baixaram substancialmente o preço de um produto caríssimo para diabéticos, me apresentaram um distribuidor aqui em Porto Alegre e atenderam prontamente à minha solicitação. Isso colaborou para a melhora na qualidade e também ajudou a aumentar um pouco o tempo de vida do meu pai em 2002.

A lição que fica: o mundo precisa de empreendedores sustentáveis e solidários que não procuram passar por cima das leis. Riqueza honesta, sem sonegação, sem corrupção e sem lobby é possível, sim. Como vimos, a mesma empresa é passível de contradições incríveis.

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* Este é um daqueles casos nos quais concordo com a gurizada da NOVA CORJA: apesar das intenções políticas e econômicas dos financiadores das corporações midiáticas normalmente pautarem pelo conservadorismo, pela distorção e pela omissão de informações socialmente importantes, ainda há uma parte do seu agendamento que não pode ser declarada “má, feia e bobona”. Do contrário, a blogosfera independente e ativista estaria sendo incoerente ao criticar essa mesma mídia enquanto seguem sendo pautados por ela que, bem ou mal, orienta e situa o consumidor de informação mediada no mundo em que vive.

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ENTENDENDO A CONJUNTURA ATUAL

O GUILLERMO e o GUGA TÜRCK fizeram dois comentários bem inteligentes e observadores sobre o post anterior. Eles viram os erros do PT aqui em PORTO ALEGRE (ou no RS como um todo com reflexo na capital) de uma forma que eu não havia abordado, através da lembrança das escolhas de candidatos errados para o momento errado.

Concordo com eles. E se fosse voltar no tempo com a ajuda de outros blogueiros (RS URGENTE, DIÁRIO GAUCHE, DIALÓGICO, AGENTE 65, PORTO ALEGRE DE FOGAÇA, CÃO UIVADOR KAYSER, A CARAPUÇA, JEAN SCHARLAU, JULIO GARCIA e tantos outros) pra lembrar de decisões pontuais – todas diretamente relacionadas às estratégias de articulação eleitoral e de propaganda política – certamente apareceriam ainda mais fatos.

Porém, eu acho que a conjuntura é muito mais complexa e foge do âmbito da discussão sobre tendências, candidatos e suas declarações pessoais; sobre o que seriam esquerda e direita; sobre até que ponto poder-se-ia aceitar ser vice; de quais partidos seria possível aceitar um papel de coadjuvante e sob quais condições…

…Faltou uma análise conjuntural, estrutural, contextual não do comportamento do eleitor ou do monitoramento da mídia corporativa mas, sim, da transformação da visão de mundo dos estamentos porto-alegrenses em função da maior capacidade de consumo dos pobres que migraram para o meio da pirâmide em função das políticas de distribuição de renda e de fomento realizadas pelo PT nacional: o lulo-petismo de resultados tão combatido por nós (alguns com menos concessões, outros mais condescendentes) fez emergir um grande contingente de pessoas.

Porém, o foco da nossa insatisfação em relação às escolhas à direita feitas em Brasília sempre esteve equivocado: nos preocupamos demais com políticos, partidos e com a mídia corporativa ao invés de observarmos mais atentamente à maior homogeneidade entre os ex-pobres (a quem chamo de classe média) e aqueles que nunca moraram na periferia e não passam dificuldades financeiras há pelo menos três gerações (a quela a quem chamo de classe mérdia).

Os pobres não tiveram suas cabeças feitas pelos seus patrões de classe mérdia quando votaram em Lula em 2002 e em 2006. Todavia, a ascensão social tornou a NOVA classe média mais alheia às suas origens. A fim de evitar ao máximo o risco de perder suas novas conquistas, passam a adotar uma visão de mundo conservadora não apenas pela preocupação econômica mas, sobretudo, para aproximarem-se da classe mérdia que ainda os discrimina, não aceitando dividir seu espaço como “pré-elite” com quem era pobre há até bem pouco tempo atrás.

Em termos de propaganda, de formação de alianças, da escolha de candidatos e das discussões programáticas e ideológicas dentro de TODOS os partidos, nada mudou. Sobre a forma com que a mídia corporativa produz subjetividades, mudam as moscas, mas a merda permanece a mesma…

…O que mudou foi a severa diminuição de pessoas mais interessadas em melhorar a sociedade a partir de uma visão coletiva e complexa para uma visão mais individualista e simplista.

Com isso, mais uma vez retorno à falência do sistema político-partidário-eleitoral, que precisa encontrar uma ponte provisória por sobre o abismo que separa os objetivos dos políticos, dos técnicos e dos empresários que financiam campanhas e alteram leis a favor de seus interesses comerciais e o ato prático independente e solidário de tentar melhorar o mundo sem ter que pedir a bênção.

Nesse ponto, os conservadores são mais ágeis. Através de clubes sociais e de ONGs vinculadas a empresas, os ricos reunem a classe média para receber desconto nos impostos e para fazer publicidade gratuita de suas empresas que, politicamente, passam a representar o “bem”, substituindo o papel do estado.

O estado de direita faz pouco pelo cidadão carente. Porém, seus defensores que não atuam na política partidária fazem mais do que o estado de esquerda em ações pontuais porém muito mais visíveis do que o macro que uma prefeitura competente e bem-intencionada realiza e mostra.

Portanto, a atual sociedade não se importa muito em COMO, POR QUEM e COM QUE OBJETIVO IMPLÍCITO os atos solidários e cidadãos são realizados: para eles, o que importa é que seja eficiente e que apareça bastante.

Em suma: o estado, por mais que distribua renda e melhore as condições de vida daqueles que mais precisam, inevitavelmente deixará uma enorme quantidade de demandas não-atendidas. Logo, assim como para o pobre o traficante pode não ser tão mau assim porque substitui o Estado ao suprir várias de suas necessidades, a classe média assim vê as grandes empresas. Não é à toa que os governantes sempre comparecem às inaugurações de fábricas, lojas e demais tipos de empreendimento: afinal de contas, o governo deixa o recado de que endossa as iniciativas que atraem mais impostos e geram empregos por parte do seu benfeitor, que, por tabela, dá uma demonstração de poder, reforçando sua imagem de marca e conqistando o respeito e a admiração da classe média emergente e também da classe mérdia.

No cassino das meias-verdades, a banca sempre ganha: ela pode perder três ou quatro rodadas seguidas para um cliente mais sortudo no poker. Porém, na roleta, ela logo se recupera…

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MST EM COQUEIROS: ASSISTAM

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Agradeço de coração por ter conhecido pessoas como o GUGA TÜRCK e a TÊMIS NICOLAIDIS do COLETIVO CATARSE e do blog ALMA DA GERAL e uma série de outros ativistas que, blogueiros ou não; sindicalizados ou não; filiados a partidos ou não; da área de Comunicação ou não; militantes de movimentos sociais ou não, trabalham duro para apresentar ao mundo uma visão completamente diferente daquela que a mídia corporativa apresenta sobre o mesmo assunto.

Pra mim, a opinião da maioria da classe mérdia gaúcha é lixo puro: não discuto aqui os motivos, as referências e nem tampouco as influências que os fazem pensar como pensam. Pelo contrário: perdi totalmente a paciência com eles. Também não é o momento de ser acadêmico: simplesmente o que vai nos separar para sempre é a verdade na qual eu acredito e a verdade na qual eles acreditam.

VIVA AS PESSOAS DE VERDADE DOS MOVIMENTOS SOCIAIS!!! :D

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