A paródia de Walt Disney que transformou o Pateta em uma espécie de Dr. Jeckyll e Mr. Hyde da modernidade taylorista-fordista infelizmente cabe cada vez mais no trânsito de Porto Alegre deste ano de 2009.
Aos 17 anos, me acidentei de carro como caroneiro e sobrevivi por sorte. Desde então, nunca me interessei pelo carro como um símbolo de independência ou de ascensão social. Como pedestre, sinto que a quantidade de vantagens é muito menor do que a quantidade de desvantagens que se pode ter na condição de motorista.
Essa construção antropológica me aproximou muito de dois grupos de pessoas que admiro bastante: a dos cicloativistas e a dos ativistas pela sustentabilidade do planeta.
Nesse sentido, o uso individual, individualista, consumista e pouco – ou nada – solidário de um meio de transporte motorizado inviabiliza até mesmo o seu uso racional e civilizado. A economia de escala tornou a montagem de um veículo a partir de materiais que destroem o meio ambiente e um modo de vida mais saudável e menos veloz muito barata.
O condicionamento gerado por esse tipo de auto-regulamentação econômica dificulta enormemente qualquer tipo de campanha educativa que procure diminuir o peso do automóvel de uso individual no trânsito. Com isso, tudo o que não é veloz nem “bacana” como um carro é automaticamente excluído e intolerado pela classe média urbana.
Há uma série de vídeos e de blogs que tratam sobre o assunto. Mas eu deixo aqui apenas algumas referências: a dos blogs Pedalante e Apocalipse Motorizado.
