ROTH: RUIM COM ELE, PIOR SEM ELE

Eu valorizo profissionais sérios.

Eu valorizo profissionais sérios.

Só o tempo dirá. Mas vou repetir o que já dissera no final de março ou no início de abril, diante da turbulência provocada pela demissão de VAGNER MANCINI, pela renúncia de PAULO PELAIPE, pelas desclassificações na CARAVANA DA MISÉRIA (CBF: cria cinco ou seis divisões nacionais mas, por favor, acaba com os estaduais, que não ajudam os pequenos a crescer nem os grandes a disputar algo que lhes traga reconhecimento de alto nível) e na COPA DO BRASIL, já sob o comando de CELSO ROTH com outras palavras:

O time é extremamente limitado. Toda a capacidade técnica, física e emocional foi hiperdimensionada. Se não fosse o VICTOR e o inacreditável 1º turno aproveitando-se do desinteresse dos clubes que disputavam a LIBERTADORES e da sorte dos fragários terem remontado o time no meio do campeonato, o GRÊMIO chegaria em 10º lugar – e olhe lá. A classificação final – seja qual for – terá sido muito acima da expectativa inicial. E é bom lembrar que todos os times de média para baixa qualidade decaíram muito no 2º turno e que os médios que foram mal no 1º turno cresceram porque se entrosaram e resolveram seus problemas táticos, físicos e emocionais do início do certame. Além disso, basta observar que todos os melhores do 2º turno foram os mais ricos ou os menos endividados.

Dessa forma, eu não responsabilizo ROTH mais do que à DIREÇÃO, pois ele não teve o direito de escolher jogadores de nível e herdou uma bagunça. É bom lembrar que ele revelou DIEGO e ROBINHO no SANTOS, DANIEL CARVALHO nos fragários e RONALDINHO no GRÊMIO. Além disso, já foi semifinalista de uma LIBERTADORES com o PALMEIRAS, nos colocou em uma quase impensável semifinal do BRASILEIRÃO em 1998 contra o poderosíssimo CORINTHIANS e também na semifinal da JOÃO HAVELANGE.

O cara é muito trabalhador, meticuloso e possui uma equipe de auxiliares altamente qualificada (melhor do que os do Mano, na minha opinião); as entrevistas dele são de uma lucidez e de uma franqueza que merecem todo o meu respeito; e, finalmente, quando grande parte do plantel manifesta-se publicamente pedindo a permanência do “professor”, isso deve ser muito levado em conta.

Enfim, tô cansado de miguelagem no futebol. E Roth não é picareta nem burro.

Trazer quem pra técnico? CUCA e CAIO JR. têm personalidade fraca e baixa capacidade motivacional, assim como também tenho essa desconfiança em relação a outro colega promissor, que parece um pouco melhor (DORIVAL JR.; GENINHO, NELSINHO BAPTISTA e VALDIR ESPINOSA ganharam um campeonato só. Talvez o primeiro e o segundo ainda possam recuperar-se em suas respectivas carreiras. RENATO GAÚCHO? Infelizmente, nosso ídolo-mor dentro de campo ainda não pode ser considerado técnico de futebol. Ouso arriscar que ele seria pior do que DUNGA (a quem, em princípio, ainda merece permanecer na Seleção).

ADILSON BATISTA? Caríssimo e está onde sempre quis estar – no CRUZEIRO; PROFESSOR DOUTOR IWL? Impensável, devido ao seu valor astronômico e à rejeição dos gremistas; LEÃO? Idem. HÉLIO DOS ANJOS? Acessível, porém de péssima lembrança. MANO MENEZES?! Foi muito bem no embalo da manutenção da base da Série B e tinha um plantel MUITO MELHOR do que o de 2008. Aliás, não dá nem pra comparar as condições de trabalho do hoje ídolo corintiano na casamata em relação ao que o caxiense discípulo de FELIPÃO teve em suas mãos neste conturbado 2008: Mano tinha LÚCIO, HUGO, DIEGO SOUZA, RÔMULO, WILLIAM e LUCAS. Além disso, na média, foi muito pior do que o Roth fora de casa e, hoje, é um popstar que quer chegar à Seleção.

De técnicos bons e conhecidos, sobrou apenas MURICY RAMALHO: infinitamente caro, é a bola da vez na Seleção e costuma honrar seus contratos (o dele com o SPFC vai até 31/12/2009).

Por isso, na hora de julgarmos CELSO ROTH, não consideremos as coisas tão simples como uma mera relação de causa e efeito.

MERITÍSSIMO, SEM MAIS PERGUNTAS. Diante desse quadro, ainda me vejo forçado ou a fechar em ROTH, ou a dar uma chance a RENÊ SIMÕES.

GRÊMIO: BALANÇO 2008

não foi à toa que ROTH evitou utilizá-lo tanto quanto possivel

Na primeira postagem, usei uma ironia e algumas palavras ofensivas por estar de sangue quente logo ao final do jogo. Minha Lu leu o post e considerou que ninguém gostaria de ler algo sobre si dessa forma. Em respeito aos jogadores (e pensando que algum aluno poderia escrever sobre mim mais ou menos na mesma linha), revisei algumas partes. Mas a essência da minha opinião não foi alterada, certo? ;)

O GRÊMIO NÃO VAI SAIR CAMPEÃO. ESQUEÇAM. Já havia dito em várias oportunidades que o nosso plantel é extremamente limitado e que, apesar de tudo o que se dizia do técnico CELSO ROTH, ele fez milagre com esse plantel de qualidade média 4.

Estaria eu desvalorizando o plantel e supervalorizando o técnico?! Não, considero que não. Como sou muito exigente, o melhor time do país, o tricampeão SÃO PAULO, que possui o melhor técnico da década no país e que foi o menos irregular, superou-se e também contou com a sorte de seus principais oponentes terem rateado feio justamente no 2º turno, terminará o ano com a melhor defesa, o melhor ataque e com a maior série invicta do campeonato. Cresceu na hora certa, mesmo com um plantel inferior ao dos anos anteriores. Mesmo assim, é um plantel nota 5,5.

Sou totalmente contrário à política de “terra arrasada”. Também reconheço a importância dos bons momentos que nos trouxeram até os 52′ da antepenúltima rodada do BRASILEIRÃO ainda com chances de título. Todavia, o que mais me deixou preocupado com a forma do TRICOLOR DOS PAMPAS ter entregado o caneco foi a falta de coragem, de iniciativa, de força física e de superação. Em termos de falta de cojones, nosso plantel padece de uma baixa auto-estima semelhante à do claudicante BOTAFOGO. Ao invés de xingar todo mundo, uma mudança de fotografia CRITERIOSA faz-se mais do que necessária.

Pensando nesses termos, em um ano no qual jamais se esperava que o GRÊMIO pudesse concorrer a algo melhor do que a SUL-AMERICANA e que, antes do certame começar, muitos diziam que seríamos candidatos ao rebaixamento, diante dos revezes do primeiro quadrimestre, pode-se dizer que o trabalho foi amplamente exitoso. Com uma folha de pagamento equivalente a apenas 1/3 da folha do tricampeão SPFC e talvez até mais baixa do que a dos fragários e do time do PROFESSOR DOUTOR, do URUBU e da RAPOSA, chegar aonde o GRÊMIO pode chegar (do 2º ao 5º lugar), com ou sem título, com ou sem vaga na LIBERTADORES, foi feito o máximo em função da estrutura disponível. Todavia, de agora em diante, deve-se considerar seriamente a possibilidade de dar um passo além daquele que foi dado em 2008.

Já havia cansado de falar sobre as posições carentes tanto na titularidade como na reserva. Portanto, minha avaliação estritamente pessoal baseada na opinião de alguém que foi a quase todos os jogos no OLÍMPICO neste ano (só perdi o jogo contra o Sapucaiense) refere-se à temporada como um todo e não a esse momento de decadência física, técnica e emocional do 2º turno:

VICTOR: foi o principal responsável pelo fato de o GRÊMIO ter chegado tão longe: ele salvou o time muito mais do que todos os homens que atuaram na zaga, nas laterais e como centromédios. Isso prova não apenas a sua excelência e a sua importância para o grupo, mas também a certeza de que a nossa zaga não foi tão bem nem mesmo quando atuou no auge da forma física e técnica e antes da série de lesões e suspensões. Afinal de contas, o goleiro segurou o rojão de um time tão fraco tecnicamente que não conseguia superar seus adversários com mais tempo de posse de bola.

SOUZA: errou muitas cobranças de escanteio; levou um monte de bolas nas cotas; tentou resolver vários jogos trocando de posição a la loca no desespero; arrisca de fora da área menos do que arriscava no SPFC; nunca jogou com a camisa do GRÊMIO mais do que 30% do que jogava pelo tricampeão SÃO PAULO. Como atenuante, na pá de cal de hoje, fez um golaço de falta quando não adiantava mais nada e foi acintosamente caçado dentro de campo – inclusive levou uma solada na anca esquerda, que o colorado BATISTA disse não ter sido nada. Jogador muito caro que, às vezes, fala demais e motiva os adversários com suas palavras. Como disse o amigo André, de Rio Grande, ele pode render um bom futebol caso passe por uma pré-temporada. Vamos torcer e esperar.

RÉVER: no afã de ajudar, seguidamente atuou fora de posição dentro das partidas em que o Grêmio esteve pior. Mesmo assim, é bom e inteligente.

JEAN: Duas ou três boas partidas foram a exceção. A regra é entregar boas fáceis e ficar nervoso demais quando o panorama não está a seu favor. Emocionalmente instável e sem paciência para esperar a sua vez, creio que também possa render mais após uma pré-temporada.

AMARAL: a atuação dos três zagueiros e as borboleteadas de Souza comprometeram a defesa tricolor desde o início do Brasileirão. Sua expulsão, talvez rigorosa demais e apitada pelos jogadores do VITÓRIA e não pelo costumeiramente péssimo (pra não dizer outra coisa) HEBER ROBERTO LOPES, não pode ser usada como justificativa para a goleada sofrida no Barradão, já que ele foi o único boi corneta que deu condição regular ao autor do segundo gol do rubro-negro da Boa Terra. A exemplo de Jean, também teve apenas uma ou duas atuações decentes com a camisa do Grêmio. Seja como zagueiro, seja como volante, no máximo a reserva.. Mesmo sendo um bom caráter e obediente, talvez ele seja pouco para o clube.

HÉLDER: o de sempre. Erra passes em demasia, não tem velocidade, deixa uma avenida para o lado direito do ataque adversário. Parecia ter aprendido a manter-se na posição correta, mas ele sempre tem recaídas. Não sei se pode crescer o suficiente.

RAFAEL CARIOCA: forte, pouco faltoso, inteligente, disciplinado, de futuro muito promissor. Devido à sua juventude, nos piores momentos, mostrou-se desesperado e perdido. Bom jogador, porém peca pela inexperiência no momento decisivo. Fica e permanece como titular. Tem tudo pra aprender com os próprios erros e fazer um 2009 mais regular do que 2008. Mas precisa de um parceiro de personalidade, liderança e vigor a seu lado para crescer mais.

WILLIAN MAGRÃO: parece perder a vontade de jogar quando o time está mal. Como virtude, dribla e chega com facilidade tanto na cara do gol como na linha de fundo. Contudo, o último lance é quase sempre falho: cruza e conclui normalmente com muito mais erros do que acertos. Isso não se aprende com o tempo: ele funcionou bem apenas enquanto os veteranos do time conseguiram compensar as suas deficiências. Caso não evolua e apareça algum interessado por mais de €3 milhões, acho que a perda não será significativa.

TCHECO: não possui mais aquela força física, desanima-se com facilidade sob situações adversas, mas é um bom líder, inteligente e bem articulado. Porém, não é meia de ligação. Embora prenda bem a bola e auxilie com muita boa vontade na marcação, não possui qualidade para acelerar o jogo. Em outro momento, seria um bom banco e nada mais. Hoje, na atual penúria do futebol brasileiro, é tido como peça importante para a maioria dos clubes da atual Série A. Mesmo assim, gosto de sua presença.

REINALDO: infelizmente, lesionou-se muitas vezes. Gente boa, jogador razoável, teve azar de ir para o estaleiro justamente quando começava a se destacar nos contra-ataques em velocidade. Também fica. Um dos poucos atacantes do plantel de 2008 que eu manteria no Grêmio – mas como reserva.

MARCEL: sob a orientação de técnicos bem diferentes; administrado por diretores de futebol como perfis bem diferentes e integrando plantéis também diferentes, o centroavante mostrou lentidão, excesso de erros nas conclusões e fez um número muito baixo de gols para um time que luta pelo título. De vez em quando, até consegue aproveitar uma bola parada ou outra, mas não é e nem nunca foi um exímio cabeceador, apesar do seu tamanho avantajado. Pouco útil – não por falta de chances.

PAULO SÉRGIO, FELIPE MATTIONE, ÂNDERSON PICO, HÉLDER: nenhum deles é suficientemente bom para um grande clube como o Grêmio. É impossível ser campeão sem laterais competentes. Talvez eu ficasse com o Mattione para banco e exigisse do técnico (ROTH ou qualquer outro) testá-lo como atacante aberto pela direita desde que tivesse um centroavante mais eficiente do que os que estão aí. Mas com prazo de validade até a janela de julho.

LÉO, PEREIRA e HÉVERTON: titulares e mais confiáveis do que seus substitutos.  A ausência deles e a queda de produção vertiginosa dos centromédios foram fatores determinantes para a degringolada do 2º turno.

ORTEMAN: a segunda maior decepção da temporada, logo depois de Souza. Lento, especialista em errar passes fáceis e entregar contra-ataques, foi responsável direto por falhas que resultaram em pelo menos duas derrotas para adversários bisonhos. Normalmente, as falhas são coletivas. Porém, no caso do uruguaio, seus erros individuais foram muito gritantes.

ANDRÉ LUÍS: não adianta ter velocidade se não tem força nem malandragem. Não prende a bola na frente tanto quanto precisaria saber fazer, costuma cruzar mal e concluir pior ainda.

PEREA: não adianta reclamar que quer ir embora porque não foi relacionado se nem para a seleção da Colômbia tem sido mais convocado. Ele voltou de lesão errando mais. Decaiu mais pelos seus erros do que pelas deficiências coletivas.

MORALES: pouco aproveitado, demora muito tempo para recuperar-se fisicamente de lesão. Porém, me parece melhor do que Marcel, André Luís e Perea. Caso não esteja bichado, pode ser um bom reserva junto com Reinaldo.

MAKELELE: pode ser útil, apesar de pequenino. Uma das maiores falhas de ROTH creio que tenha sido o subaproveitamento desse centromédio.

RUDINEI e todos os outros jogadores que esqueci de listar, exceto os goleiros reservas acho que encerraram definitivamente o seu ciclo no clube.

CELSO ROTH: mais acertos do que erros. Excelente nas entrevistas, foi o técnico mais honesto e observador do seu próprio time dentro do campeonato. Fez a crítica do próprio plantel em várias oportunidades sem jamais desvalorizar os jogadores. Só há duas formas de sabermos se ele é o que a maioria dos gremistas precipitados, passionais e impacientes pensa que é ou se ele é o que eu penso que é: a) Se o Grêmio pode crescer ou não com outro técnico no comando mantendo a mesma base de 2008; b) Se ROTH fizer o Grêmio crescer vertiginosamente com uma mudança de fotografia baseada em jogadores predominantemente indicados por ele.