AMPLIANDO A DISCUSSÃO SOBRE AS PRIORIDADES BRASILEIRAS

O Brasil está em uma encruzilhada e precisa ser firme em seus próximos passos.

"Entender o passado, vivenciar o presente e projetar o futuro": mas em que ritmo?

Esperava há muito tempo por poder me sentir razoavelmente competente para voltar a discutir questões de fundo macroeconômico. Embora não seja economista nem lide com comércio exterior, acredito que possa sair dessa sem ser superficial nem ignorante. ;)

O @eduguim cantou a pedra em seu post sobre a forma com que a China está dominando o mundo. Não estou aqui para discordar dele mas, sim, para ampliar um pouco mais as possibilidades de o Brasil evitar o risco de se ver em um beco sem saída.

O @realjosedeabreu, por sua vez, chama a atenção para uma não menos excelente análise da conjuntura que nos envolve feita pelo @emirsader na @cartamaior.

Do alto da simplicidade da qual disponho por não ter conhecimento suficiente para sofisticar o meu discurso nesta área, para alguns, irei chover no molhado. Mas acho que vale a pena insistir…

Enquanto não pudermos ser produtores abundantes de ciência, tecnologia e produtos de alto valor agregado, o Brasil* seguirá correndo sérios riscos em sua política macroeconômica. Por que? Porque as nossas escolhas de acordos comerciais internacionais não são exatamente as mais justas para conosco.

Obviamente, é muito melhor trabalhar com mercados megapopulosos (China e Índia) e teraendinheirados (Oriente Médio) do que com aqueles que estão quebrados. Refiro-me aos EUA (onde estourou a crise do mercado subprime) e ao Japão (que é a potência econômica mais ligada aos EUA), além da sempre parcimoniosa União Europeia (cujas contradições multiculturais e a eterna lembrança de uma indesejável guerra sempre a fazem puxar o freio de mão – diga-se de passagem, Alemanha, Grécia e Portugal tem sofrido bastante os reflexos da crise de 2008, sendo que, em alguns lugares, a trolha resolveu explodir muito depois).

Sabemos que o mundo está intimamente interconectado e que os laços reforçam-se à medida que deixamos para trás um passado eminentemente periférico. Vimos uma política de relações exteriores deixar de ser submissa e tratar de reforçar outros laços anteriormente tênues. Enfim… Foram medidas louváveis do Governo Lula que – oxalá – tenham continuidade e um bom aperfeiçoamento agora no Governo Dilma.

O Brasil tem condições não apenas de dividir espaço ou de apenas ser parceiro dos demais integrantes do BRIC mas, sim, de fomentar o crescimento pelo menos da África do Sul (Rússia, Índia e China possuem mão-de-obra, commodities e tecnologia bastante competitivas). Dessa forma, o nosso protagonismo em nível mundial tenderia a crescer.

Por mais que já tenhamos melhorado muito em termos de poder de barganha e influência a partir de relações ganha-ganha junto ao Mercosul e à África, precisamos fazer muito mais do que vender carnes para o Oriente Médio. E, em relação à Europa, a saída é investirmos fortemente em educação, em segurança e em infraestrutura, a fim de atrairmos para cá uma massa cada vez mais numerosa de turistas.

No frigir dos ovos, o que mais me preocupa é o estado de dilapidação da educação no país. Apesar dos custos e de termos evoluído bastante desde que Lula assumiu, ainda assim o resultado que temos até o momento é muito lento tanto em quantidade como em qualidade: a formação escolar é risível, pois o desenvolvimento cognitivo, motor, humanista e o fomento à criatividade e ao empreendedorismo dos jovens brasileiros é assustadoramente lamentável.

Me parece que o Governo Dilma determinou que se tirasse o pé do acelerador nos investimentos em saúde e educação (de maneira, a meu ver, inaceitável e injustificável, pois deveria fazer os ricos sentirem nos seus próprios bolsos) por causa dos generosos financiamentos do BNDES para a construção civil especulativa que hoje toma conta das cidades-sede da Copa do Mundo, além da Olimpíada, em um país no qual – paradoxalmente – temos um déficit de 10 MIL quadras esportivas baratinhas, simples, de cimento, nas escolas públicas pelo país afora. E aonde os professores de Educação Física e de Artes (Música, Teatro e Artes Plásticas) são deixados para o último lugar nos PPPs (Projetos Políticos-Pedagógicos) como se fossem “o cocô do cavalo do bandido”.

Ora, está mais do que provado que, em uma sociedade fomentada pelo individualismo, pelo consumismo, pela despolitização e pela alienação, a máxima greco-latina “mens sana in corpore sano” colabora de uma maneira absolutamente fantástica para o fomento da solidariedade, de uma competitividade sadia na qual o adversário não é visto como inimigo, para o respeito, para a criatividade e para a sensibilização do corpo e da mente, abrindo caminhos antes inimagináveis para crianças e adolescentes. Nesse sentido, há OSCIPs que substituem o papel do Estado que, nesta seara, tem-se demonstrado incompetente.

Porém, outra fonte que parece ter baixado substancialmente de nível em seu reservatório é a da Petrobras: o Governo precisa gastar muitos bilhões antes de começar a explorar os poços do Pré-Sal – seja parte por conta própria, seja por parte dos acionistas estrangeiros, que – salvo raríssimas e honrosas exceções – exigem resultado ou certas garantias para liberarem o seu dinheiro para nós.

Por fim, as obras do PAC (algumas aceleradas, outras lentas, algumas sustentáveis, outras não) tem consumido uma significativa alocação do dinheiro disponível no país.

O quadro é bastante complexo e perigoso: afinal de contas, tudo o que deveria passar primeiro pela EDUCAÇÃO iniciou-se pela infraestrutura que, em função dessa escolha, também se vê prejudicada, pois o país tem um déficit de mais de 22000 engenheiros.

Porém, sem Sociologia, sem Filosofia, sem Psicologia, sem História, sem Geografia, sem Português, sem Inglês, sem Espanhol, sem Direito, sem Administração, sem Teatro, sem Música, sem Artes Plásticas e sem Educação Fïsica DESDE O ENSINO MÉDIO, não há sensibilidade, não há humanismo, não há uma percepção mais clara acerca do mundo que cerca cada indivíduo e cada comunidade. Não há o entendimento de que a vida é muito maior do que gastar dinheiro e viver restrito ao seu – normalmente – restrito círculo de conhecidos.

Pior: a ética e o compartilhamento de ideias e de sensações ficam altamente comprometidos. Sempre irão existir e sempre haverá um crescimento para melhor. No entanto, sem essa fundamentação básica, valores como o da HONESTIDADE serão ainda mais comprometidos.

Não basta apenas garantir o alimento, o vestuário, a energia e um ambiente salubre para descansar, estudar e trabalhar: é preciso ter como objetivo formar CIDADÃOS melhores.

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*Por sinal, o nosso portal governamental está muito melhor do que era até poucos meses atrás – hoje, pelo que tenho acompanhado, só perdemos para EUA e Reino Unido; clique aqui e aproveite parte deste feriadão para conhecer melhor as nossas políticas públicas, a hierarquia das nossas instituições e o nível de feedback até agora disponível ao cidadão.

A TECNOLOGIA EVOLUI MAIS RÁPIDO DO QUE A EDUCAÇÃO

O vídeo acima trata-se apenas do vislumbre de um grupo de editores de livros didáticos produzido pelo site CourseSmart sobre como eles imaginam a interação dos estudantes com e-books a partir de uma interface que – esperam – seja a da tablet da Apple.

A partir da dica do excelente blog MacMagazine capitaneado pelo meu amigo Rafael Fischmann; de uma série de tuítes trocados com a profª Sônia Bertocchi e da minha participação no IV Congreso de la Cibersociedad em novembro de 2009, passaram a me ocorrer uma série de preocupações acerca da velocidade do desenvolvimento da educação brasileira por meio do nosso atravessamento com as TIC.

Sempre que surge uma possibilidade concreta como as do New York Times e de várias editoras de livros acadêmicos nos EUA unirem-se à Apple e a alguma operadora de telefonia a fim de garantir o sinal da internet com a máxima velocidade e com o mínimo de interrupções possível segundo aquela realidade, sou paralelamente dominado por duas sensações contrárias:

1) O meu lado de pioneiro da internet; a minha admiração pela evolução da tecnologia digital; a minha confiança no lado visionário de Steve Jobs e, por fim, nos designs de produto e de interface insuperáveis da Apple nesse setor, indicam que o futuro da educação é não apenas promissor como brilhante: afinal de contas, tudo o que precisamos é de estímulo e novidade tanto para professores como para os estudantes. Na sequência, uma forma de transformar o conteúdo estático e enfadonho em um mashup de formas de associar a informação e estimular a criatividade e o raciocínio, acumulando o máximo de informações em um espaço de tempo cada vez menor. Por fim, a relevância e a originalidade da maneira com que cada indivíduo irá processar e transformar esses bits que navegam através de ondas eletromagnéticas contidos em pedaços de plástico, metal e silício. Isso me leva a crer no One Infinite Loop que dá origem ao endereço do campus principal da Apple em Cupertino, Califórnia: UMA VOLTA RUMO AO INFINITO;

2) Segundo, na avassaladora dificuldade econômica e social não apenas das pobres famílias da esmagadora maioria de nossos jovens estudantes, mas também daqueles que – em tese – deveriam sempre estar devidamente preparados, treinados, capacitados, habilitados e, sobretudo, interessados, estimulados e curiosos: os mestres facilitadores e instrumentalizadores do futuro do Brasil.

Acho que não vale a pena ser repetitivo descrevendo, comentando ou criticando as mazelas sociais mais comuns (violência doméstica, falta de comida, desemprego, falta de instrução dos pais, falta de um mínimo de conforto e segurança no vestuário, na alimentação e na moradia, etc.). Também não dá pra me estender demais nas questões políticas, financeiras, burocráticas e técnicas capazes de impulsionar a CORRENTE DO BEM necessária à obrigatória e urgente elevação dos índices de escolaridade (o conservadorismo da pedagogia tradicional; o sucateamento da educação pública; a falta de dinheiro e de treinamento; a ausência de um plano setorial e geográfico para a inserção de docentes em todos os níveis, dentro outras).

De qualquer forma, devo alertar para outros fatores que me preocupam muito dentro desse mesmo contexto:

Manuel Castells já escreveu que um determinado conjunto de fatores técnicos, econômicos e sociais pode, sim, fazer com que as sociedades menos desenvolvidas aprendam rápido e sejam capazes de queimar etapas em seu desenvolvimento a partir do domínio da nova técnica que – felizmente – não chega mais com atraso até nós. Em termos de Cultura Digital e de formação e prática em Ciências da Computação e em Comunicação, é mais do que certo que o Brasil não está para trás de EUA, Japão e Europa Ocidental. Porém, há diferentes graus e ritmos de adoção da tecnologia. Padecemos por um letramento tardio e lento, que não atinge a todo o conjunto de nossos quase 200 milhões de habitantes na mesma medida. Além disso, uma tablet, um notebook, a estrutura de conexão à internet e um bom celular que utilize toda essa estrutura são inacessíveis para a maioria.

Todavia, sabemos que não podemos parar tudo para alfabetizarmos decentemente as pessoas. Sabemos melhor ainda que não podemos esperar para que seja possível subsidiar equipamento ou esperar que o poder de compra cresça para aqueles que mais precisam. E, o que é pior, não existe estrutura logística e nem tampouco quantidade de recursos humanos suficiente para prestar um serviço de assistência e psicologia social capazes de colaborar para que todas as vítimas desse sistema predominantemente desorganizado e corrupto possam aprender bem, com a cabeça mais aliviada de seus graves problemas pessoais.

Nesse ponto, embora eu seja sempre a favor de reverter a lógica do consumismo e de fazer de cada um um agente da sua própria aprendizagem a partir da elevação da autoestima e da coragem de assumir responsabilidades em busca da superação de uma série de desafios que surgem pelo caminho, percebo que há, sim, limites terríveis.

Conversei recentemente com um grupo de amigos professores ou estudantes do ensino médio público. Quando perguntam em uma turma de 30 alunos quem irá prestar vestibular, normalmente não mais do que oito levantam a mão. Ontem, conversei com minha cunhada e com o marido da prima dela, que são professores de História. Diferentes grupos de convivência ligados à Educação infelizmente concluem que prevalece a lógica da falta de confiança e da ignorância acerca do quanto cada um poderá evoluir.

Por mais que pareça ignorância, imobilismo ou pessimismo de minha parte, como há casos pontuais em que a educação no Brasil realmente tem dado alguns saltos de qualidade e também há situações em que torna-se quase inacreditável a impossibilidade de evoluir conforme o planejado, a clássica pergunta de Lênin vem à tona em pleno 2010:

– O QUE FAZER?

Particularmente, não creio mais no quadro negro, no livro-texto, no videocassete ou no DVD. Não creio mais em aulas essencialmente teóricas nem em aulas essencialmente práticas ainda moldadas pela educação verticalizada e hiearquizada constituída na modernidade histórica. Ao mesmo tempo, não há um único ritmo nem um único caminho rumo à ubiquidade, ao pensamento e à ação em rede.

Por fim, me nego terminantemente a ser determinista e sectário como na Suíça, onde as crianças fazem um teste ainda em meio ao equivalente ao nosso ensino fundamental que define categoricamente quem poderá ser direcionado para o ensino superior e quem poderá adquirir no máximo o ensino técnico.

Crianças e jovens aprendem muito rápido. A primeira geração de nativos digitais já está prestes a entrar na universidade. Essa realidade independe de classe social. Contudo, as alternativas para os idosos e para os adultos mais conservadores e mais afastados de uma necessidade econômica e intelectual de conviver com as TICs de forma natural fazem com que seja necessário investir em EJAs voltados não à alfabetização formal mas, sim, ao letramento digital.

MÍDIA BRASIL: POR UM MODELO BBC

Este debate precisa ser expandido. Infelizmente, não tenho tempo nem dinheiro que me possibilitem viajar nem sei de alguma entidade disposta a me ouvir e que concorde em grande parte das questões que eu levanto nessa discussão. Mesmo assim, entre acertos e erros, considero-me razoavelmente apto a falar sobre a questão da democratização nos meios de comunicação no Brasil.

É uma questão muito importante, pois trata da soberania nacional e, acima de tudo, da autonomia social e econômica da maioria de nossa população em relação à sua capacidade de reconhecer o mundo a partir de um determinado conjunto de histórias contadas como se fossem a expressão da verdade de uma época sob um determinado contexto.

Assim como só vejo como possível a capacidade de se atrair novos atores sociais dispostos a exercer a sua cidadania política, econômica, social e simbólica pressionando o poder a partir de iniciativas em rede que podem retomar o espaço público como uma ágora eliminando-se uma visão partidária e sindicalizada,  considero o debate pela democratização dos mídias no Brasil a partir do viés acadêmico influenciado pela escola marxista que resultou na TEORIA CRÍTICA da Comunicação um tanto limitado. Afinal de contas, regular, regulamentar, moralizar, educar, propor ações sociais e quebras de paradigma com autonomia e liberdade é uma equação muito difícil de ser solucionada e, definitivamente, não há almoço grátis.

Um erro nessa resistência à mídia hegemônica é o de não reconhecer a importância da estética da linguagem como um fator de necessidade econômica e simbólica voltado para a produção de bens de consumo mais racionais e gratificantes a partir da experiência social resultante do contato com tudo o que é produzido, transmitido e discutido sob o olhar mediado. Considero que, invariavelmente, a limitação das conquistas em relação à democratização dos meios de comunicação deva-se muito ao fato de que reconhece-se muito pouco a fundamental importância do custo de produção e da falta de apuro estético.

O conteúdo só se torna atraente se a edição e o discurso tiverem uma linguagem adequada à linguagem do público predominante. Em termos de empoderamento de pequenas comunidades, qualquer equipamento serve. Porém, quando entra-se no broadcast, o furo é muito mais embaixo.

Embora sejam fatores nada desprezíveis em relação ao consumo de baixarias e da alienação oferecida por conteúdos frívolos que não podem ser chamados de informação (partindo-se do pressuposto bergsoniano de que informação é aquilo que produz diferença), deve-se levar em conta o fato de que, para muitas pessoas, a sua preferência por esse tipo de programação (bem como a preferência dos mídias pela sua produção) não decorre da ignorância nem da falta de escolaridade ou de politização. A preferência por uma estética funcional costuma estar de acordo com a dinâmica social de seu tempo. A maioria das pessoas não têm tempo nem saco pra assistir a um programa de TV com cenário pobre, trilha sonora mal gravada, linguagem de 10 anos atrás e assim por diante. Ser honesto e tecnicamente correto não é suficiente: é preciso ser surpeendente. E há muita surpresa mesmo naquilo que não possui conteúdo relevante. Essa é a fórmula do sucesso de quem está por cima da carne seca.

Talvez a preocupação moral e conservadora que, em certos pontos, também conquistou a minha adesão no momento em que se descobre o quanto certas mensagens podem transformar a educação de uma criança, não deva ser vista como um cavalo de batalha. Ignorá-la, jamais; porém, que ela não se torne a principal bandeira nessa modalidade de resistência política e simbólica. Digo isso porque cada vez menos pessoas assistem televisão. Conheço dezenas de pessoas que, ao começar a trabalhar e a fazer novas amizades, simplesmente perderam até o prazer de assistir aquilo que costumavam assistir.

TV aberta?! Rádio?! Jornal?! Revista?! A mídia de massa não é mais tão forte quanto já foi. É por isso que eu acho um exagero (e até perda de tempo) discutir algo que nunca irá mudar (isto é, o discurso de sempre da Grande Mídia). A RBS, a ABRIL, a FOLHA, o ESTADO e outros menos votados não exercem a menor influência na minha vida. Sinceramente, não me considero mais culto, mais inteligente e nem tampouco mais “esperto” ou “do contra” por preferir (com restrições) CAROS AMIGOS, CARTA CAPITAL ou coisa parecida. Eu acho que, mesmo sendo uma minoria, há um monte de gente que não é necessariamente de esquerda ou com alto grau de escolaridade capaz de fazer as mesmas escolhas.

Infelizmente, são poucas as pessoas com acesso a TV a cabo e internet. E, o que é mais grave, é a total falta de conhecimento de outros idiomas, a fim de fazer com que o Brasil descubra imediatamente tudo o que está sendo feito em termos de empoderamento.

A minha mãe só estudou até a 4ª série e assiste a todos os programas de fofoca e noticiários espreme-sangue da TV aberta. Ela não consegue acompanhar as legendas e não assiste nada em outras línguas porque não consegue entender.

O mundo, em todos os sentidos, é uma coisa extremamente complexa pra ela. Ela não se interessava e não tinha coragem nem saúde pra assistir a uma programação decente, até que vários dos canais a cabo voltados para questões de família, educação dos filhos, novidades da medicina, evoouções tecnológicas e sexualidade fossem duplados para potuguês. A visão de mundo dela pode até não mudar muito, mas, pelo menos, ela aprende um montão de coisas e apresenta assuntos bem mais interessantes pra gente conversar em casa.

Portanto, não podemos considerar a programação como um todo de baix qualidade ou excludente.

As origens dessas questões são muito mais profundas e complexas do que meramente discutirmos sobre quem são os donos dos poderes político, econômico e coercitivo ou por que a mídia corporativa emburrece a população em geral: por mais leis que se tente aprovar e por mais mecanismos de fiscalização, infelizmente, é tudo uma questão de desligar o botão ou de se arranjar outra coisa pra fazer. Ou, pelo contrário, seria a televisão um meio “hipnótico”?! Creio que não. O que deve-se quebrar é a barreira do condicionamento, a partir de uma campanha voltada à uma vida social mais intensa vivida presencialmente junto a seus afetos e atividades ao ar livre.

Por outro lado, há programas maravilhosos na televisão, em grande quantidade. A maioria deles a cabo.

Então, defendo um modelo igualzinho ao da BBC: 50% + 1 das ações pertencentes à emissora estatal, que oferece educativos de altíssima qualidade e interesse no horário nobre (das 19h às 21h) e possui quatro emissoras abertas com conteúdo diferente entre si, mais ou menos como os canais Discovery (só que com qualidade melhor).

A BBC produz programas de primeira porque contrata o melhr iluminador, o melhor fotógrafo, o melhor maquiador… DO MUNDO, por empreitada (como free-lancer).

Eis o grande impasse: a BBC cobra 10 libras/mês para fornecer uma set-top box  e corta o sinal de quem não paga a mensalidade. Essa set-top box, além de proporcionar todos os canais de qualidade educacional e noticiosa da BBC, também libera o acesso a uma série de outros canais.

No Brasil, há uma lei que fala sobre o direito universal à Comunicação. Com isso, a TV aberta foi baixando a qualidade técnica, subtraindo a relevância social e foi espetacularizando a sua programação, quase unificando o discurso em função da pequena quantidade de proprietários e de centenas de patrocinadores em comum.

Temos uma TV a cabo muito cara e de alcance restrito somente aos grandes e médios centros urbanos dos estados do Sul, do Sudeste e das regiões litorâneas do Nordeste. É uma programação cara, repetitiva e redundante, mas que possui, inegavelmente, uma qualidade média de discurso e de apuro técnico superior às produções abertas.

Há, ainda, a questão da TV PÚBLICA, que não é pública mas, sim, ESTATAL: qualquer governo pode optar entre torná-la chapa branca, extingui-la ou fazer dela um cabide de emprego. Caso a TV BRASIL operasse em condições ideais em TV aberta ou fechada no país, teríamos acesso a toda a sua programação em canal próprio – coisa que não ocorre.

Com o equivalente a R$10,00/mês de todas as pessoas interessadas em possuir programação de TV em suas casas, certamente teríamos acesso a um conjunto de canais de programação segmentada com programação de qualidade suficiente para dar um banho em todas as GLOBO, RECORD, RBS, BAND, SBT e emissoras estatais juntas.

Tudo custa dinheiro. E não se pode aumentar impostos ou realizar descontos compulsórios a torto e a direito. Ao mesmo tempo, leis que definem um percentual x do orçamento público ou privado para o investimento em qualquer setor dependem das oscilações de mercado muito mais do que a oscilação resultante do aumento ou da diminuição da audiência em si.

Por que a TV BRASIL não colou ainda?! Simples: porque sua política de distribuição e sua infra-estrutura são pífias, já que falta coragem e interesse nesse investimento pesado sem uma contrapartida.

No meio textual (impresso ou internet), o cara escreve como e sobre o que quiser. Acredita ou duvida dele quem bem entender. Porém, a propagação da voz e da imagem através de ondas eletromagnéticas é uma concessão pública, que deve obedecer a uma política social e educacional.

COMO USAMOS A MÁQUINA QUE NOS USA?!

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Nem tecnofilia, nem tecnofobia: atravessamos e somos atravessados pelos produtos informacionais resultantes das TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação), assim como nossa sociedade define e é definida pela forma com que ela se apropria desses usos e pelo resultado das interações, que proporcionam, sim, novas formas de discussão, de confronto, de parceria e de multiplicação exponencial de conhecimento.

Se a esquerda guasca parar pra refletir sobre isso, este post terá valido a pena. Caso contrário, melhor se jogar do terraço da USINA DO GASÔMETRO…

MACBOOK DO AGENTE 65

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O AGENTE 65, glorioso blogueiro gaúcho, militante de longa data e amigo recente, criou coragem e resolver vir para o “lado bom da Força“.Parabéns pela aquisição de seu MacBook. Certamente, te dará muitas alegrias e pouquíssimas incomodações.

Meu iMac Intel Core 2 Duo 1.83 GHz c/160 GB de HD 7200 RPM, monitor TFT de 17″, veio com drive Combo (infelizmente, não tive dindim pra comprá-lo já com gravador de DVD) e sem Bluetooth. Mas, assim que puder, compro um adaptador pra poder usar meu celular como controle remoto do iTunes, do iPhoto e das apresentações em Keynote. Profissionalmente, pra lecionar e fazer apresentações, a qualidade do resultado final é de babar, por um preço que não é proibitivo: um Mac é a diferença entre o barato que sai caro e o nada ostentoso que sai por um preço justo.

Os dois investimentos fundamentais que fiz nessa máquina foram: 2 GB de RAM (a velocidade de inicialização de todos os aplicativos bem como a quantidade de arquivos abertos simultaneamente multiplica horrores) e o AppleCare, programa de garantia estendida por mais dois anos e suporte em call center gratuito via Apple Brasil, totalizando três anos de garantia.

Ano que vem ou, no mais tardar, em 2010, precisarei de um MacBook com Bluetooth, Superdrive (nome que a Apple dá para leitor-gravador de CD-ROM, CD-R, CD-RW, DVD-ROM, DVD-R, DVD-RW e, provavelmente em meados de 2009, também DVDs Blue Ray como padrão de fábrica).

AH! Obviamente, assim que os planos das operadoras brasileiras der uma baixada legal, também comprarei um iPhone.Qualquer coisa, é só entrar em contato! :)