A COPA É MUITO MAIOR DO QUE O BRASIL

Não posso afirmar que eu “seque” o Brasil. Mas também não posso afirmar que eu não “seco”. Por motivos bem pessoais, me dou o direito de amar futebol e de detestar a Seleção Brasileira Masculina Adulta da CBF e de seus patrocinadores graúdos que paga pau para a Rede Globo.

A primeira Copa que acompanhei foi a de 1982. Eu era uma criança de apenas nove anos de idade. Tinha o álbum Ping-Pong da Copa do Mundo, colei os adesivos que vinham nas bandejas de yogurte Yoplait na porta do meu quarto, andava pra lá e pra cá com a minha bandeira nacional de plástico com o Naranjito colado nela. O narrador titular da Globo era o Luciano do Valle e o comentarista era o Márcio Guedes. O eslógão da emissora na época era “Mundial’82: todos em ação para um Brasil campeão”.

Na 3ª série do Daltrão, éramos dispensados mais cedo para assistirmos aos jogos do escrete canarinho.

28 anos e sete Copas depois, sem  querer desmerecer ninguém e sem comparar alhos com bugalhos, revi há poucas semanas atrás o fatídico Brasil 2×3 Itália que desclassificou a Seleção e causou um clima de velório bem maior do que o Maracanazo dos bravíssimos e categóricos orientais Obdulio Varela, Schiaffino, Ghiggia e também maior do que o da verdadeira morte – a morte do piloto de F1 Ayrton Senna da Silva.

Valdir Peres era um frangueiraço de marca maior. Um goleiro tenebroso, de deixar o pobre goleiro argelino de 2010 corado. Leandro e Júnior eram excelentes laterais NO APOIO, pois não marcavam absolutamente ninguém. Oscar e Luizinho jogavam o fino da bola. Todavia, zagueiro que se preze não pode ganhar o prêmio Belfort Duarte e precisa honrar o ditado “bola pro mato porque o jogo é de campeonato”. Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico jogavam bem demais. Todos os quatro meias, sem exceção, com a bola nos pés e em termos de movimentação ofensiva, eram brilhantes. No entanto, quem marcava? Quem cobria o avanço dos laterais? Todo contra-ataque era praticamente fatal: tivemos muita sorte de não termos, naquela época, uma Alemanha de 2010. Senão, seríamos uma presa muito mais vulnerável do que o foi a Argentina treinada por Maradona.

Cerca de 1/4 da população brasileira vive nos estados de RJ e SP. O grosso da indústria, do dinheiro, dos empregos, da mídia de circulação nacional e dos grandes patrocinadores concentram-se nesses dois estados. Eles possuem oito clubes que já foram campeões brasileiros e detém a esmagadora maioria dos convocados para todas as seleções. Naturalmente, quando uma maioria pensa em uníssono porque existe um forte vínculo cultural e a referência informacional é praticamente unânime, torna-se extremamente difícil racionalizar – o que dirá então tentar enxergar o contexto procurando adquirir uma visão externa…

Salvo raríssimas e honrosas exceções, em todas as classes sociais, castas, estamentos, etnias, sexos, religiões e faixas etárias, a esmagadora maioria da população brasileira não possui motivos objetivos nem para ser otimista, nem para ser patriota. Com ou sem razão, há muitas gerações, o relato do senso comum é permeado por discussões simplistas, pois ou sofreu-se a forte influência de ascendentes ultraconservadores e de pouco estudo, ou tomou-se como referência a mídia corporativa, que veicula notícias conservadoras voltadas à satisfação dos interesses de seus patrocinadores em detrimento da exposição de múltiplas visões com paridade de juízos de valor nas opiniões e sem misturar notícia e opinião. E um outro fator que complica a predominância de uma visão ais ampla por parte da sociedade como um todo refere-se à modernidade taylorista-fordista, na qual todos não passam de meras engrenagens que fazem a máquina do sistema funcionar. Quem trabalha de maneira mecânica tem o tempo ocupado demais com atividades pouco gratificantes e perde a capacidade de se pôr no lugar de pessoas cuja realidade a sua rotina limitada de “casa-trabalho-casa” os impede de vislumbrar.

Por outro lado, entendo, louvo e respeito demais que muitos não tenham interesse nem necessidade de conhecer ou sequer de gostar de futebol. Também acho sensacional que haja uma vontade de pertencer a uma coletividade, de encontrar um elemento de identidade sociocultural e que este elemento seja a Seleção…

…Contudo, o futebol não é nem o ópio do povo, nem a mais bem acabada metáfora da vida: afinal de contas, é tão difícil ocorrer uma onda de viciados em drogas, de vagabundos e de alienados como é mais difícil ainda que o mesmo futebol sirva de exemplo para solucionar a maioria dos problemas pessoais e coletivos que assolam o país.

A minha formação e a minha identidade não me permitem sentir-me integrado à maioria que apenas faz festa e torce sazonalmente pelo Brasil. Eu sou muito emotivo, me comovo bastante e choro facilmente com o esporte. E, ao contrário do que muitos possam imaginar, por ser sul-riograndense, não acho nada positivo quem pensa que o RS é melhor do que o Brasil ou que este estado deveria ser um país independente. Não canto mais a hipocrisia do hino riograndense, assim como não hastearia a sua bandeira. Pelo contrário: adorava hastear a bandeira do Brasil na hora cívica e gosto muito de cantar o nosso hino, que não é belicista nem racista como os hinos da França, da Alemanha e da Itália, que são os três com melodias tão belas quanto as do Brasil.

Mas daí a achar que o ato de torcer pelo Brasil em uma Copa do Mundo ou não fará de mim uma pessoa “melhor” ou “pior” do que quem torce ou deixa de torcer; que eu seria “mais” ou “menos” patriota ou que eu seria mais ou menos inteligente, segue uma distância de 23 universos. Realmente admito que não sou uma boa companhia, pois sou muito crítico e não tenho saco para patriotadas hipócritas ou por uma pseudoeuforia. Eu prefiro que quem jogue um futebol melhor, isto é, mais competitivo e com menos falhas, ganhe. Apesar de eu ter predileção pelas seleções africanas e por todas as latinoamericanas de língua espanhola (principalmente as do Prata), muitas vezes me ponho em uma posição de neutralidade, que irá me emocionar quando o melhor vencer e fazer com que sinta-me triste pela desclassificação de quem perde.

Digo que foi muito mais significativo para mim ter podido torcer pela Argentina de Diego Maradona e está sendo muito mais prazeroso e intenso torcer pelo Uruguai do que o foi pelo Brasil. Me reservo o direito de sentir-me mais integrado ao Prata e ao Grêmio do que a Porto Alegre, ao Rio Grande do Sul ou ao Brasil e de perceber que é esse futebol aguerrido e desacreditado de povos bem mais empobrecidos do que o nosso e de governos que normalmente investem muito mais na educação básica do que o brasileiro o fez em todos os tempos que me comove.

Afora o diário esportivo Olé e os excessos isolados de um portenho ou de outro, não consigo enxergar nenhum motivo inteligente e sério para me fazer tripudiar ou odiar os argentinos. Eles nos recebem bem demais nas suas cidades, assim como amam de paixão as nossas praias. Muitos podem ser excêntricos por cultivarem emoções bipolares e superlativas. No entanto, são pessoas agradabilíssimas de se conviver.

A ternura de um homem argentino beijando outro homem na testa ou no rosto demonstra afeto, compreensão e respeito fraternos e sinceros.

O futebol por estas bandas só terá chances de minimizar ao máximo as falcatruas e os desmandos que vitimam a sua respeitabilidade e a constância na sua qualidade no dia em que o Brasil ficar de fora de uma Copa do Mundo. Acho que só assim teremos uma chance de formarmos melhores dirigentes, melhores jornalistas e de termos uma cultura torcedora mais consciente e mais positiva.

GRÊMIO: APOIO INCONDICIONAL DEIXA O FUTEBOL ACOMODADO

O post de hoje é muito sério. Escrevo em um tom grave, porém, de maneira alguma, alarmista ou inquisidor. Acredito que chegou a hora de pensar um pouco na forma de torcer, de acompanhar e de se importar com o Grêmio. Acima de qualquer ideologia, religião, atração física ou desgosto profundo e inexorável em função de uma sucessão de ocorrências totalmente contrárias aos nossos valores, me parece que a instância mais incondicional de amor e de devoção ora corrente no Brasil seja o futebol.

Se não fosse pelo futebol, nenhum interagente interessado pelo tema que lê este blog saberia que eu existo. Tal constatação é o suficiente para que, concordando ou não com as minhas posições, tenhamos uma preferência em comum.

Muito me incomoda as tentativas ou ingênuas ou hipócritas de se buscar um consenso. Não existe nem uma maneira correta ou ideal de torcer, nem de jogar futebol ou de dirigir um clube. Porém, as pessoas são todas diferentes. Até mesmo nos pontos em que concordam, cada uma apresenta diversas contradições  referentes à forma com que irão agir.

Por isso, não é “feio” nem “errado” criticar. Não é incoerente nem contraditório expor os problemas daquilo em que se acredita ou as virtudes daquilo em que não se acredita. Fazendo bom uso do nosso privilegiadíssimo e ímpar cérebro, a crítica pode construir – e muito.  Ao contrário do que muitos pensam, a intriga, a inveja, a polêmica, a manobra diversionista buscando retomar o poder e a ignorância não fazem parte da contrariedade sadia e podem estar camufladas até mesmo na mais  cordial das “unanimidades”.

De maneira simplista, muitos dizem que é fácil falar de fora. Ou, de maneira arrogante e ignorante, outros, em um arroubo de autoafirmação, tentam destituir a crítica afirmando “quem és tu pra dizer isso se eu sou conselheiro há 40 anos e tu és um reles associado?”

Isso posto, cada um dos 50 e poucos mil associados e dos mais de seis milhões de gremistas podem E DEVEM discutir a sua relação com o clube. Afinal de contas, o amor é turbulento e dramático; é confiante e desconfiado; é fogoso e distante ao mesmo tempo. Porém, quando apenas um dos lados de qualquer uma dessas dicotomias prevalece sobre o outro, é sinal de que algo vai mal. Então, chegou a hora de eu por os meus pratos sobre a mesa. E seria extremamente salutar se todos os gremistas fizessem o mesmo.

O fato de eu racionalizar demais e de me intrometer em questões referentes ao clube as quais, na prática, não posso sequer ser chamado de coadjuvante não significa que eu pretenda esvaziar o tão necessário espírito de irmandade, de colaboração, de paixão e de sacrifício inerentes à qualidade de torcedores do Grêmio. Afinal de contas, o apoio, a crença, a tenacidade, a curiosidade e a esperança tornam as pessoas mais alegres e, consequentemente, mais produtivas e mais criativas em todos os aspectos de suas vidas. Se não fosse por isso, o Grêmio não passaria de um dentre tantos simpáticos grupos de amigos que jogam bola e fazem churrasco no areião do carismático Parque Ararigboia entre os bairros Petrópolis e Jardim Botânico em Porto Alegre.

Antigamente, muitos reclamavam do excesso de cornetagem e da falta de vibração da maioria dos poucos associados que contribuíam com o clube. Hoje, muitos desses pioneiros já morreram. No Grêmio do século 21, a torcida rejuveneceu. A atual geração, criada de uma maneira mais liberal e menos engajada, é mais lúdica, mais tribalista e menos ligada a dogmas. Por isso, agarra-se a algo que norteia as suas crenças. Em função de uma série de necessidades, desejos, carências e objetivos, determina um valor intangível a um elemento abstrato de coesão massiva. Porém, esse elemento abstrato precisa ter um escape palpável e visível para não poder ser confundido com uma religião qualquer, apesar de uma relação metafórica muito forte existente entre os atos de orar e torcer.

O conceito da “imortalidade” inexiste na natureza animal e vegetal e também na ciência tal qual a conhecemos. Ele é parte da necessidade que muitos (nem todos, que fique bem claro) tem de correr atrás de um argumento complexo que explique o inexplicável ou que justifique o injustificável. Ele está em nosso hino e é muito gostoso de se utilizar quando ocorre alguma conquista ou alguma reviravolta de proporções acima da média a nosso favor. É provocador, é irônico, é cômico e pode até intimidar.

A imortalidade faz parte da loucura da qual tantos geraldinos afirmam viver. Contudo, além dessa comovente e emocionante característica social comum a grande parte dos adolescentes e dos jovens adultos deste início de século 21, a crença na imortalidade tricolor também possui um lado sombrio, que mascara, que tergiversa, que funciona como uma manobra diversionista para desviar a atenção dos verdadeiros problemas enfrentados pelo clube.

Quanto mais a direção do clube aposta na imortalidade, menos ela investe no futebol, que é o objetivo-fim do Grêmio. Quanto mais o clube e seus fornecedores faturam na venda de produtos licenciados, mais comercial e menos humana vai ficando essa relação. O torcedor, associado ou não, vai acumulando belíssimas histórias da sua relação com o clube. Eu, mesmo, poderia escrever uma enciclopédia de 10 volumes só com o que eu já vivenciei dentro e fora do Olímpico junto a amigos e parentes em função do nosso tricolor.

Porém, a cada dia que passa, até mesmo o próprio associado é encarado como apenas um consumidor. Quando o clube vira um produto, o seu cliente pode simplesmente deixar de considerar a sua compra algo corriqueiro como ir à padaria diariamente e passar a questionar, a exigir especificações, a desconfiar do vendedor, a denunciar a má qualidade do produto e a não recomendá-lo para mais ninguém.

Como já cansei de dizer, tenho 36 anos, meu avô nasceu em 1903, meu pai foi associado durante mais de 30 anos, tenho irmão e sobrinhos gremistas e convenci minha esposa, colorada de família, a amar e a sofrer com o Grêmio e comigo. Hoje, ela nem simpatiza mais com o tradicional adversário.

Por não crer em imortalidade e por ser um cientista social, embora tenha esperança em ser enganado pelo imponderável ocasionado pela impossibilidade de se prever fatos e reações totalmente subjetivas, ao contrário do chapabranquismo de vários blogs que pregavam o “alento”, a “loucura” ou uma virada “épica” tida como “certa”, prefiro ser realista e sincero desejoso da surpresa do que ser enganosamente otimista ou pessimista. Há uma semana atrás, eu disse que o mais provável seria nem Grêmio e nem Inter conseguirem os seus respectivos objetivos. Contudo, eu esperava que não perdessem e que não jogassem mal. Enfim: me sinto desconfortável se tiver que dizer que o gato morreu ou que ele saltou corajosamente para um galho a 4m de distância do telhado. Tem gente que prefere dizer que o gato está na relva e que aquilo que está no telhado é um ectoplasma, mas eu não sou assim.

Isso não é por água no chope de ninguém. E não pensem que eu não fiquei chateado. Ontem, cheguei ao Olímpico vacinado, o que é diferente. Eu apenas estava ciente das seriíssimas limitações do Grêmio. Isso não é motivo pra ninguém achar que eu sou mais ou menos gremista do que quem procurava se iludir.

Há muito o que reclamar no Grêmio. Muita coisa precisa melhorar. O “alento” em excesso torna os jogadores, a comissão técnica e a direção tranquilos, achando que seu trabalho é da maior importância e da melhor qualidade existentes no mercado. Enquanto isso, o torcedor menos crítico vai limpando as suas necessidades com folha de mamoneiro pagando o triplo do valor de um rolo de papel ultramacio, perfumado e picotado.

25% da gestão Duda Kroeff já se passou. O saldo dentro de campo é de uma incompetência que, na última década, só foi superada pelo último ano da gestão Guerreiro e pela gestão Obino. Enquanto isso, há outros mais modestos, de torcida menor, de tradição bem menos contundente e com cofres bem mais raspados do que os nossos fazendo mais com menos.

Cavalos paraguaios ou não, tanto o Atlético-MG de CELSO ROTH (um técnico usualmente defenestrado pela imprensa golpista e pela ala mais passional da torcida) e o Vitória de Paulo César Carpegiani (tido como ultrapassado) estão anos-luz à nossa frente.

ROTH: DEIXA QUE DIGAM, QUE PENSEM, QUE FALEM, DEIXA ISSO PRA LÁ…

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clipped from colunas.globoesporte.com
Fica Roth porque a trégua é mais que necessária. Mais de 20 gols feitos desperdiçados em dois jogos desenham a necessidade de tranqüilidade no Olímpico. Passou o momento da rebelião, Juarez recebeu mais uma dose da pressão receitada a sua saúde. Agora é alento. Que fique vaiando sozinho, de preferência no pay-per-view, quem é mais anti-roth que Gremista. Os outros tem uma Libertadores a conquistar, nem que seja no grito.
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Sempre defendi a permanência do técnico CELSO ROTH por N MOTIVOS (ESTE, ESTE OUTRO e PRINCIPALMENTE ESTE AQUI). Descrevê-los é perda de tempo e vocês sabem como eu penso.

O futebol brasileiro é feito de resultados. Continuidade e tranquilidade não são palavras muito utilizadas pela imprensa repleta de abutres que, ao invés de fazer jornalismo, vivem do sensacionalismo de torcer pela desgraça dos outros pra vender jornal e pra fazer os mais corneteiros terem orgasmos ouvindo o baixo nível predominante no radialismo esportivo gaúcho. Sem contar que a esmagadora maioria deles nunca entendeu como é conduzir uma bola, ler o jogo e tomar mais decisões acertadas do que erradas dentro de campo. Nesse ponto, creio que muitos gremistas perdem seu tempo assistindo, lendo e ouvindo grande parte dos comentaristas dos veículos da RBS, da BAND, da RECORD e da PAMPA. Afinal de contas, embora cada um tenha a sua opinião, as quatro maiores corporações de mídia do RS, salvo raríssimas e honrosas exceções como RUY CARLOS OSTERMANN, MAURÍCIO SARAIVA, OTACÍLIO GONÇALVES, CLÁUDIO CABRAL e HILTOR MOMBACH, costumam divulgar uma espécie de pensamento único.

Eu preferia outros dirigentes de futebol. Isso já foi dito. Mas me parece que, apesar da inexperiência e da volta de alguns conselheiros mais amigos do que competentes em postos importantes dentro do clube, esse problema é crônico e não deverá mudar tão cedo. É sempre assim. Pelo menos esta gestão deverá confirmar meu voto de confiança com mais honestidade, mais responsabilidade com o dinheiro do clube e, acima de tudo, com menos polêmica do que a anterior.

Quase todas as torcidas se enganam achando que um time que obtém resultados acima da média é praticamente uma máquina. Inconscientemente, boa parte dos gremistas tende a cobrar de RUY CABEÇÃO uma performance de NELINHO, ALFINETE ou CHIQUI ARCE; de LÉO, uma cópia do venerável ADILSON BATISTA; de quem quer que seja o centroavante (ALEX MINEIRO ou REINALDO), como se fosse um ANDRÉ CATIMBA, BALTAZAR, LIMA ALAZÃO ou JARDEL. E de JONAS, algo que ele não pode oferecer: atuações de JUAREZ, RENATO PORTALUPPI ou PAULO NUNES.

Ao contrário do que se pensa, mesmo que os esforços tenham sido bastante vigorosos na remontagem do plantel para esta temporada, nosso time é bom para o momento atual do futebol brasileiro. Todavia, é fraco se pensarmos em vários exemplos de futebol bem jogado, tanto no passado quanto no presente.

Acima do julgamento da competência de qualquer treinador competente, consagrado ou dos sonhos da torcida tricolor, está a nossa PENÚRIA FINANCEIRA (+ AQUI). Tudo o que consideramos falho em nossos jogadores permanecerá falho enquanto nossas dívidas não forem substancialmente pagas e nossa receita não subir na mesma proporção.

Conforme já disse em um dos recentes posts em vídeo, o TCHECO vai ficando porque os raríssimos meias de ligação mais jovens, mais vigorosos, mais corajosos e que poderiam acelerar mais o nosso contra-ataque são caríssimos e, em sua maioria, não querem saber de voltar a jogar no Brasil durante um bom tempo.

Acho que este exemplo, por si só, já é suficiente. Reflitam com o parágrafo final do post do CRISTIAN BONATTO logo acima do texto. Sigam torcendo!

E DÁ-LHE GRÊMIO SEMPRE!!!

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PAIXÕES CLUBÍSTICAS: ALGUMAS TEM EXPLICAÇÃO; OUTRAS, NÃO

A minha defesa sempre veemente da ética, da honestidade, da transparência e do profissionalismo sem exclusão social dentro do GRÊMIO soa estranho para alguns amigos como o EDUARDO BERNARDON (cuja entrevista no blog GRÊMIO ACIMA DE TUDO merece ser lida).

No comentário que fez sobre meu post preliminar de REAL MADRID x LIVERPOOL, Bernardon surpreendeu-se por eu torcer para um clube vermelho. A resposta vem abaixo e vale para que todos os gremistas procurem olhar o futebol de uma maneira mais aberta, menos preconceituosa, apenas porque nosso tradicional adversário veste vermelho e branco.

A COR PREFERIDA DE RENATO PORTALUPPI É O VERMELHO. APESAR DE TER SIDO COLORADO NA INFÂNCIA, JAMAIS TORCEU PARA O TRADICIONAL ADVERSÁRIO APÓS TER SIDO PRETERIDO POR ELES E ACEITO DE BRAÇOS ABERTOS POR NÓS.

Isso basta! :)

GRÊMIO, TORCIDA, FLAUTA INTELIGENTE

Conversando recentemente com a minha LU e com os amigos MARCELO e RODRIGO CARDIA nas Sociais, pensei muito sobre se deveria ou não postar sobre o assunto. Primeiro, porque interpretações equivocadas e precipitadas poderiam levar alguns a crer que eu seria contra as torcidas organizadas, que eu sou careta ou que gostaria de ‘orientar’ a atitude da massa. Nenhuma dessas três afirmativas é verdadeira.

Isso posto, considero total falta de inteligência os cânticos e palavras de ordem da torcida TRICOLOR DOS PAMPAS contra o tradicional adversário quando NÃO jogamos contra eles e, principalmente, quando a condição deles (seja no mesmo certame que estivermos disputando, seja em um outro torneio qualquer) não puder melhorar nem piorar naquele instante.

Há alguns anos atrás, assisti no SPORTV um documentário sobre a estrutura do Real Madrid. A TV do clube tem programação em pay-per-view 24h/dia e sete dias/semana com especiais sobre a carreira de dezenas de craques do clube merengue através dos tempos, reprise de jogos históricos e narração e comentários dos coletivos, além de entrevistas exclusivas com os atuais jogadores e dirigentes.

Dois fatos me chamaram a atenção nesse programa:

a) A DIRETORIA, O PLANTEL E A COMISSÃO TÉCNICA TEM ORDEM EXPRESSA PARA EVITAREM AO MÁXIMO PROVOCAR, TOCAR FLAUTA E RESPONDER A PROVOCAÇÕES DOS BLAUGRANA. Um dirigente do Real Madrid disse que, quando um está mal e o outro está bem, a fase varia em função da virtude administrativa e técnica de um e do infortúnio ou da incompetência do outro. Em outras palavras, UM NÃO DEPENDE MAIS DO OUTRO COMO PARÂMETRO PARA CRESCER.

Secar, comparar um com o outro e provocar de maneira saudável em confrontos diretos é totalmente válido. Mas não faz o menor sentido cantar ‘Chora macaco imundo que nunca ganhou de ninguém’ a partir de dezembro de 2006, nem tampouco cantar ‘Atirei o pau no Inter…’ quando nosso adversário for outro. Que se vibre quando der um gol contra eles no rádio, mas que se use o cérebro.

b) TODOS TEM AMIGOS, PARENTES E COLEGAS DO OUTRO LADO. Um funcionário da TV do Real Madrid nasceu em e torce para o Barça, mas sabe que é bom para toda a comunidade madridista quando o Madrid ganha, pois eles tem participação nos lucros.

Em suma: CADA UM COM SEUS PROBLEMAS. Mesmo seguindo essa dica, obviamente a rivalidade não irá se arrefecer e, de certa forma, um sempre irá se preocupar com os destinos do outro. Em condições normais, um jamais irá torcer pelo outro. Só que não se pode tirar o foco dos jogadores, como ocorrera na última rodada do BRASILEIRÃO de 2008: ainda tínhamos chance de sermos campeões caso vencêssemos o ATLÉTICO-MG e o SÃO PAULO perdesse para o GOIÁS. Em certo momento, a vibração dentro do OLÍMPICO MONUMENTAL fora enorme em função do rádio: enquanto eu e alguns milhares de torcedores acreditávamos que o PERIQUITO DO CERRADO havia feito um gol, essa vibração desproporcional que em nada contribuía para nossos interesses na competição, eis a surpresa – estavam vibrando ensandecidamente com um gol do… FIGUEIRENSE sobre o tradicional adversário.

Essa atitude foi tão ridícula, que, momentaneamente, até tirou o foco da vitória dos nossos jogadores. Ao mesmo tempo, cá pra nós: se os fragários já estavam garantidos na COPA SULAMIRANDA 2009 e se não faria a MENOR DIFERENÇA para o campeonato ou para eles caso houvessem vencido ou perdido por 20×0, não seria mais inteligente esquecer deles quando o futuro deles já estava selado?!

Pra terminar: briga séria entre parentes, amigos e vizinhos por causa de futebol é uma atitude condenável e inaceitável sob todos os sentidos em qualquer lugar do planeta.

Gostaria muito que tudo o que eu escrevi neste post fosse refletido. Contudo, sei que nada irá mudar…