O QUE É TWITTER?

Há muitas matérias e entrevistas na mídia de massa em diversas línguas sobre o Twitter – assim como uma quantidade cada vez maior de artigos, dissertações, teses e debates acadêmicos sobre o aplicativo.

Seja para uso solidário e cidadão, seja para uso noticioso, publicitário e corporativo (sobretudo em Relações Públicas), o Twitter é uma ferramenta que entra no rol das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) como uma das mais significativas mídias sociais da atualidade.

A conferência que o CEO do Twitter, EVAN WILLIAMS (@ev no Twitter), concedeu no TED no vídeo acima é uma síntese muito bem feita sobre o que o serviço pretendia ser e em como os usuários apropriaram-se do meio técnico dando a ele novos usos.

A técnica faz o usuário, que refaz o uso da técnica – que refaz o usuário – e assim sucessivamente…

Essa é a mensagem que fica! ;)

BLOGOSFERA POLÍTICA GAÚCHA: O QUE FALTA PRA BOMBAR?

Agora há pouco, li a imperdível e obrigatória série de posts do Marco Weissheimer (editor-chefe da AGÊNCIA CARTA MAIOR) no RS URGENTE sobre o desmascaramento da hipótese falaciosa de que o PT havia mandado a Ford (por enquanto, parte Iparte IIparte III) embora do Bovinão. Pra quem não sabe, a hiperexposição midiática dessa grande mentira foi a grande orquestração articulada por empresários, pela mídia corporativa e pelos políticos vinculados ao conservadorismo e ao reacionarismo guasca, cujos reflexos a bovinidade sente fundo e geme abafado até hoje.

O Marco está contribuindo com jornalismo histórico e investigativo de primeira qualidade (coisa rara neste país): a partir de depoimentos e de notícias oriundas de pessoas e de instituições de viezes ideológicos e de práticas muitas vezes antagônicas disponíveis na web, chegou a hora não apenas do Brasil, mas de todo o mundo lusófono terem contato com essa realidade. Afinal de contas, renúncia e guerra fiscal são um círculo econômico vicioso: primeiro, porque leva à exponenciação da dívida pública; segundo, porque favorece amplamente a corrupção e, consequentemente, porque o Estado para de investir em saúde, educação, infraestrutura e em várias dezenas de setores da sociedade.

Elogios à parte, o que era para ser uma sugestão voltada a ele em um singelo comentário dentro de um dos posts dessa série, agora virou uma sugestão geral a todos os blogueiros gaúchos independentes que se envolvem com política. Sei que muitos estão com medo dos processos contra blogs amigos (o PONTO DE VISTA do professor Wladimir Ungaretti, o MILTON RIBEIRO e o NOVA CORJA (processos umdoistrês), só para ficarmos no RS). No entanto, mesmo com a famigerada LEI AZEREDO rondando a liberdade de expressão como um fantasma, ainda sinto-me confiante para afirmar que a internet é livre e que há muitos mecanismos para desviarmos dessas arbitraridades.

Imagino que as conclusões da minha dissertação de mestrado em março possam ter frustrado um pouco aqueles que a assistiram e também aos raros que tiveram tempo e interesse para baixá-la no meu SCRIBD (link DISSERTAÇÃO na barra à direita do conteúdo). Primeiro, porque talvez eu tenha sido muito superficial; segundo, porque talvez não tenha sido claro nem na apresentação do trabalho diante da banca e da audiência; terceiro, porque meu trabalho não podia, de forma alguma, trabalhar com análise de conteúdo (senão, não poderia ter feito pós em Ciências da Comunicação mas, sim, em Linguística Aplicada) nem com Sociologia ou Ciência Política (de competência das Ciências Sociais, dominadas pelo CRISTÓVÃO FEIL).

Já escrevi bastante sobre redes sociais aqui no blog. Porém, parece que o conceito não foi bem assimilado. Pra compensar a minha incompetência, deixo aqui uma dica valiosíssima: o blog da RAQUEL RECUERO (o TWITTER dela é @raquelrecuero ), uma pesquisadora bem mais experiente do que eu, está repleto de posts que explicam uma série de conceitos com bastante propriedade. Melhor: ela acaba de publicar uma versão atualizada de sua tese de doutorado em uma linguagem menos academicista de graça para download do livro em PDF aqui ou disponível para compra por R$30,00 no site da SULINA.

Voltando à vaca fria, não tenho a menor dúvida de que o blog independente de jornalismo político e opinião de maior credibilidade e de maior influência no RS é o RS URGENTE. Durante anos, o Marco trabalhou com o problemático e limitadíssimo domínio zip.net, que não oferecia widgets nem grandes possibilidades de interação. Depois, ele foi para o Blogspot, mais flexível e mais popularizado. Ainda com seu conteúdo hospedado no Blogspot mas já com domínio registrado, teve seu domínio inexplicavelmente perdido. Felizmente, o banco de dados de posts, comentários e blogroll não foram perdidos. Hoje, o RS URGENTE é um blog vinculado ao blogring O PENSADOR SELVAGEM (OPS), a convite do grande MILTON RIBEIRO.

As três maiores vantagens de se possuir um domínio próprio são as seguintes:

a) Sem restrição de acessoo em órgãos públicos cujos servidores web bloqueiem domínios zip.net, blog.uol.com.br, blogspot.com, blogger.com, blig.com.br, wordpress.com, blogdrive.com e qualquer subdiretório …/blog;

b) Facilitar a memorização do endereço ou URL por parte dos interagentes que visitem o blog ao evitar nomes compridos e ininteligíveis como http://www.jambolaopereira.org/work/blogdojuvenal.html;

c) Ser reconhecido a partir de um nome que signifique uma marca própria (um dos requisitos que facilitam a visibilidade do blog em campos de busca).

Além do domínio próprio, é essencial na busca por maior audiência seguir o ditado popular “a união faz a força”: como todos os blogs d’OPS são subdomínios desse criativo nome que virou marca, cada blog d’O PENSADOR SELVAGEM que for acessado acaba aumentando enormemente a possibilidade de que outros blogs que façam parte desse blogring ou condomínio de blogs também sejam visitados. Isso aumenta o ranking do blog nas páginas do Google, tornando-o mais acessível nas páginas de busca. Em virtude disso, tenho certeza de que, depois que o pessoal tiver se acostumado com o novo endereço do RS URGENTE n’OPS, a audiência do Marco irá aumentar um monte – isso se já não estiver maior do que nos tempos em que o blog estava desvinculado do blogring.

Finalmente, todo blogueiro deve ter um perfil no TWITTER. Um blog não é suficiente pra gerar tráfego pra si mesmo, assim como copiar e colar posts inteiros em listas de e-mail só funciona quando se joga pra torcida, isto é, sem atingir redes sociais de pensamento diferente porém não radicalmente oposto. Acima de qualquer outro, blogs como o RS URGENTE e o DIÁRIO GAUCHE estão perdendo uma oportunidade gigantesca de potencializarem as visitas ao twittar links para seus posts assim que eles saírem do forno, bem como se deve divulgar quase à exaustão links para notícias e artigos que os próprios blogueiros endossam como formadores de opinião.

Por que isso? As pesquisadoras Raquel Recuero da UCPel (provavelmente a maior sumidade em redes sociais da América do Sul) e GABRIELA ZAGO constataram em pesquisa recente sobre o uso do Twitter no Brasil que, entre mais de 1100 twitteiros (amostragem impressionantemente alta, o que dá grande credibilidade à interpretação desses dados), eles e seus seguidores costumam clicar em 94% (!) dos links recebidos.

SEESMIC, BLOG, TWITTER, LINGUAGEM, CONTEXTO, ATIVISMO, COMUNICAÇÃO

Mistura de vodcast com Twitter: excelente p/quem prefere discutir e conversar sem precisar ler/escrever

Mistura de vodcast com Twitter: excelente p/quem prefere discutir e conversar sem precisar ler/escrever

Quando tenho um pouco mais de tempo e saco pra escrever, eu escrevo. Do contrário, gravo um vídeo e converso com vocês de uma maneira mais ágil, embora infelizmente quase ninguém aqui no Brasil tenha ainda sacado a essência do SEESMIC, que não é apenas um serviço pra gravar recados com a webcam e postá-los mas, sim, estabelecer uma CONVERSAÇÃO MAIS DINÂMICA.

Explicando melhor o que já havia dito NESTE POST AQUI, o objetivo, a idéia ou o fundamento para o qual os desenvolvedores do SEESMIC pensaram o serviço não é, de forma alguma, exaltar o ego de alguém que cultiva a singela vontade de aparecer midiaticamente através de um recurso audiovisual: ele foi feito para que possamos estabelecer conversações ou particulares (dá pra configurar a visualização das respostas e do acesso a determinados tópicos restrita a um pequeno grupo de interagentes), ou – e aí é que está o grande barato da ‘brincadeira’ – para muita gente trocar idéias.

A maneira mais produtiva e gratificante de utilizar o SEESMIC consiste em iniciar a conversação a partir de uma pergunta ou de um comentário sobre uma questão cotidiana qualquer a partir de um usuário iniciador, estimulante, instigador. Depois, em resposta ao mesmo vídeo sem criar um assunto ou um título novo, surgem diversas pessoas, cada uma dando o seu pitaco.

Em outras palavras, o SEESMIC possibilita que se evite perder muito tempo para articular um texto complexo. E mais: pelo menos de acordo com observações preliminares sobre as pessoas que eu sigo, boa parte dos meus contatos são canadenses e australianos. A maioria dessa rede social que estou acompanhando apresenta alguns sexagenários, aposentados e free lancers (principalmente de setores que costumam trocar o dia pela noite) não tão jovens quanto a amostragem que a RAQUEL RECUERO e a GABRIELA ZAGO encontraram em relação ao usuário brasileiro do TWITTER. (IMPERDÍVEL: confiram resultados preliminares em três partes: UM, DOIS e TRÊS) Embora precise efetuar uma verdadeira pesquisa quantitativa, qualitativa e netnográfica, até o momento, o SEESMIC parece estimular mais a participação de um internauta mais maduro.

Nesse ponto, penso que o discurso de crítica das práticas jornalísticas e de ativismo político que costuma ser bastante combativo e bem argumentado dentro dos nichos de blogueiros como os compostos pela maioria dos meus amigos gaúchos e também por vários blogueiros espalhados pelo país (a maioria deles vinculada ao coletivo SIVUCA) poderia atingir um público um pouco diferente, tendo em vista dois aspectos (que, por enquanto, ainda não passam de uma mera impressão deste que vos fala):

a) JOVENS QUE NÃO GOSTAM/ACHAM QUE NÃO SABEM ESCREVER: esses, sim, depois de uma experimentação inicial provavelmente baseada no ego e, consequentemente, em um conteúdo singelamente CURCUBITAL, provavelmente tenderão a explorar o SEESMIC com menos filtros sociais e com maior desinibição. Passado o momento de autoidolatria ou de brincadeira, eles irão, aos poucos, passar a discutir sobre assuntos que os afligem ou que os atraem. E é aí que se pode diminuir radicalmente o DESENCAIXE (v. GIDDENS) entre a geração de militantes e ativistas que vivenciaram a ditadura militar e ainda creem em povo, classe operária e em comunicação massiva e a atual geração que, a meu ver, não é tão alienada nem tão hedonista quanto muitos teóricos franceses apocalípticos costumam crer. É a chance de aprender, de praticar e, sobretudo, de fazer parte, de conviver, de compartilhar uma estética e uma retórica condizentes com o contexto no qual essa geração está crescendo;

b) IDOSOS E PESSOAS COM PROBLEMAS DE VISÃO (falando em PNE ou Portadores de Necessidades Especiais e CMC ou Comunicação Mediada pro Computador, sugiro que acompanhem o relevante trabalho que a professora SANDRA MONTARDO faz no MESTRADO PROFISSIONAL EM INCLUSÃO SOCIAL E ACESSIBILIDADE da FEEVALE): definitivamente, esse é um público que apresenta dificuldades em ler e escrever. Além disso, pertence a uma geração que possui muito mais dificuldades em aprender a utilizar as Tecnologias da Comunicação e da Informação do que a juventude atual (aprendizado instintivo e inato) e do que a geração de meia idade (altamente influenciada pela imprensa escrita e pela televisão, meios cuja gramatologia é, para este público, inata).

Escolas, LAN houses, telecentros e, em ambiente doméstico, um contingente cada vez maior de consumidores dos estamentos chamados pelas pesquisas de mercado como ‘classes’ A, B e C que não tem por hábito blogar.

Portanto, considero fundamental jogar com o blog, com o TWITTER e com o SEESMIC em conjunto com as primeiras TICs (listas de e-mail e web fora).

Na primeira vez em que citei e mostrei rapidamente o SEESMIC para alguns amigos ativistas, houve algumas manifestações de preocupação em mostrar a cara. Digo que cada um sabe aonde lhe aperta o calo e que há certas pessoas que, infelizmente, nas empresas públicas ou privadas de qualquer área do conhecimento nas quais trabalham, correm o risco de sofrer perseguições políticas e ideológicas decorrentes de diferenças entre a sua crença em valores mais humanistas e entre a crença de donos e de executivos em valores mais dinheiristas. Outros, temem pela integridade física e moral de suas famílias em função de denunciarem interesses suspeitos.

Todavia, há uma série de questões sociais sérias e politizadas que oferecem um risco muito pequeno de sofrer represálias que não são discutidas à exaustão como deveriam ser, que podem contar com esse público menos afeito à leitura e à escrita como participantes ativos da construção e da retomada da cidadania plena.

DITABRANDA: REPERCUSSÃO

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Eis a lista de TWITTEIROS que me mantiveram informados (os grandes responsáveis pela existência deste post):

GUTO CARVALHO

MARIA FRÔ

PAULA GÓES

CLÁUDIA CARDOSO

DEA VG

AWHITTICK

JOILDO

ERICK TOSTES

AMANDA GOMEZ

ANTONIO ARLES

FELLIPE VERNON

MARCELO BRANCO

DITABRANDA: RESISTÊNCIA CHAMA ATENÇÃO DA SOCIEDADE

Fiquei bastante contente com o resultado inicial e visivelmente superior para o campo democrático e social de esquerda desvinculado de oligarquias, empresas, sindicatos e partidos políticos de qualquer natureza (embora seu APOIO nunca como protagonista seja sempre bem-vindo) realizado hoje de manhã (sábado 07/03/2008) contra a DITABRANDA defronte à sede da ‘FALHA’ DE S. PAULO, na maior cidade da AMÉRICA LATINA. Hoje, depois de muitos esforços, o movimento andou para a frente de uma maneira que me dá esperanças de que não haja retrocessos.

Embora de maneira ainda tímida e envolvendo uma quantidade extremamente reduzida de cidadãos politizados, inconformados e motivados contra a manutenção do status quo conservador, arbitrário, oligárquico e judicialmente parcial a favor da mesma minoria de sempre, hoje, sim, pude verificar um progresso verdadeiro rumo ao que ANTONIO NEGRI e MICHAEL HARDT chamam de RESISTÊNCIA PÓS-MODERNA (MULTIDÃO x IMPÉRIO) aqui no BRASIL.

Se a dimensão da EMERGÊNCIA (STEVEN JOHNSON) que levou o movimento de nível mais baixo (trocas de informações, organização descentralizada e repercussão do ato público via internet) ao nível mais alto (significativo volume de reação presencial com repercussão na mídia de massa e em comunidades alheias ao fato em si) foi suficiente ou não, isso só saberemos a partir do momento em que os três únicos veículos da considerada mídia corporativa presentes na cobertura do evento, a BAND, a RECORD e a TV BRASIL veicular e editar imagens e textos sobre o movimento. O cuidado agora é esperar a editorialização, a decisão do ‘aquário’ da BAND sobre o que e como mostrar ou omitir; como relatar, descrever, romancear, distorcer a manifestação pública e ordeira.

Pra mim, a maioria das tentativas anteriores de utilizar a internet para organizar, informar e, fazer um CHAMAMENTO À PARTICIPAÇÃO PRESENCIAL (BRETAS, 2006) aqui no BRASIL foi tênue e quixotesca. Porém os fatores que fizeram da manifestação de hoje defronte à ‘FALHA’ DE S. PAULO o início de uma reação em cadeia que poderá atingir o país inteiro conforme a motivação, as necessidades e a cultura de cada local fizeram toda a diferença.

Enquanto a crítica ao PIG feita por veículos alternativos, segmentados e de baixíssima tiragem com uma linha editorial e ideológica antagônica à editorialização da Grande Mídia brasileira ocorria sob o mesmíssimo procedimento de um colunista de maior exposição perante a classe média urbana, a repercussão de nossos argumentos arrazoados e inteligentes era abafada pelo efeito de empate, isto é, por utilizarmo-nos do mesmíssimo discurso do oponente, porém estando no lado oposto. Quando o uso de uma linguagem mais adaptada à ironia, à coloquialidade e à busca de um resultado imediato prevalecer, a juventude pós-moderna terá condições de juntar-se a nós. Eles são experts natos em movimentar-se através de redes e em aceitar um mundo descentralizado e auto-0rganizado com quem podemos aprender MUITO.

Também vejo como outro complicador para o crescimento de manifestações multitudinárias em rede aqui no BRASIL a intenção de muitos blogueiros alternativos em postar meras cópias integrais do conteúdo daqueles blogs e portais que deram o ‘furo’ e publicaram as primeiras críticas. Com essa atitude, eles não estarão agregando valor à blogosfera. Afinal de contas, a audiência deles coincide com um elevado percentual da audiência dos blogueiros com os quais possuem afinidades e trocam figurinhas, já que o critério de noticiabilidade da proximidade, isto é, de dar prioridade a fatos ocorridos em um local geograficamente próximo da audiência, atrai principalmente leitores, interagentes e outros blogueiros da mesma região, reduzindo a expansibilidade da massa crítica a fim de aumentar o alcance da sua mensagem e, consequentemente, de tentar fazer as pessoas refletirem a partir de um ponto-de-vista diferente.

Uma das maiores virtudes da blogosfera alternativa é o seu posicionamento político, econômico, social, cultural e desportivo plenamente justificado. A demonstração do lado em que o blogueiro acredita versus o lado antagônico do qual ele duvida resulta no tensionamento, na crítica, na denúncia, na investigação e em um agendamento diferenciado. Embora a mídia corporativa faça de tudo para abafar e omitir essas manifestações contrárias a si, seus pés são feitos de barro adocicado e os pequenos blogs são como formigas. Nesse ponto, nosso maior desafio consiste em convencermos o senso comum de que a maioria dos veículos que ele acompanha durante o dia inteiro também tem um lado e que não necessariamente por serem hegemônicos o seu lado seja o melhor.

O ato de blogar permite a utilização dos mais variáveis gêneros discursivos, sejam eles híbridos ou puros – se é que a remidiação ainda oferecem a existência de gêneros puros característicos de cada meio de comunicação. Dsse caldo, podemos criticar, denunciar, investigar, utilizar ironia, sarcasmo, humor, conto, crônica, reportagem, romance, etc. Estilo e gênero discursivo a serem utilizados são escolhas pessoais de cada blogueiro. Muitas vezes, uma escolha inconsciente. Afinal de contas, todo blog é auto-organizado e funciona como a casa e o ‘aquário’ particular de cada um. A agenda, a pauta e a linha editorial são decisões estritamente pessoais. Isso não é falha nem defeito. Faz parte. E que bom que é assim.

Salvo quando estou com pressa ou mal-humorado, procuro seguir a escola acadêmica francesa: primeiro, assopra, pra depois morder. Pois agora chegou o momento de usar meus dentes. Não se preocupem: eu não vou arrancar um naco. Algumas marcas na pele já me satisfazem… ;)

Copiar um trecho maior do que um ou dois parágrafos do conteúdo postado em outro blog é um ato contraproducente em todos os sentidos. Mesmo que se mande o link para a referência, como o texto está total ou parcialmente disponível no meu blog, meus leitores dificilmente irão visitar o blog do post original. Por melhor que seja a intenção (‘o cara escreveu sobre o que eu penso de uma maneira que eu não conseguiria me expressar’; ‘vou postar isso aqui porque meu leitor talvez não leia o blog/site de quem eu achei esse post tão interessante’), é fundamental termos em mente que, dentro de uma rede, os nós devem necessariamente estabelecer ligações que façam com que o público circule entre muitos dos blogs de um mesmo grupo. Do contrário, a rede terá apenas um caminho de ida e não chegará à circularidade que possibilitaria ao internauta encontrar um volume significativo de massa crítica alinhada aos seus valores porque os nós estão separados e não interligados.

Se eu copiasse um texto inteiro do site do PT, tiraria audiência do site do PT. Se eu copiasse um texto inteiro do EDUARDO GUIMARÃES, tiraria audiência do EDUARDO GUIMARÃES. Afinal de contas, se eu já li o mesmo texto no blog do fulano, por que entrar no site do partido? É bom lembrar que o comportamento do internauta tende a repetir o mesmo comportamento de busca midiática que ele realiza no ambiente offline. Isso significa que esse padrão tende mais a concentrar a sua visitação aos portais do PIG do que a aguçar a sua curiosidade a ponto de achar que vale a pena entrar e explorar outros conteúdos dentro do site do PT. Da mesma forma, mesmo que eu seja um nó de poucos laços, caso meus laços sejam bem mais significativos do que os laços daquele blog que consegue ser ainda menos conectado e, portanto, ainda menos conhecido do que o meu, se eu copio todo o post dele, então quem tende a concentrar a audiência dentro desse nicho sou eu. Ao invés de contribuir para a descentralização e para a auto-organização, eu estarei matando um aliado ou um parceiro.

O prof. HENRIQUE ANTOUN da ECO/UFRJ trabalhou em vários de seus artigos e também com seu ex-orientando e um outro negriano como eu, o prof. FÁBIO MALINI, da UFES, um conceito chamado ECONOMIA DO MÉRITO (cujo teórico ainda não estudei), que consiste em aumentar o prestígio, a referência, o respeito e a visibilidade em rede através da TROCA. Quem dá mais, é mais lembrado. Quem dá menos, vai para o limbo. A troca ou o escambo de arquivos digitais em redes telemáticas torna o reconhecimento de seus praticantes mais assíduos que, ao invés de apenas sugar, têm muito o que oferecer, muito mais valiosos dentro desse grupo do que a comparação do ‘valor’ de alguém que possui muitos bens materiais.

Logo, não é de graça que eu insisto tanto para que os blogueiros evitem ao máximo reproduzir as notícias dos portais ou os  posts de outros blogueiros. Se for algo legal, uma frase de efeito, um ou, no máximo, dois parágrafos importantes são mais do que suficientes. Afinal de contas, quem só copia perde valor dentro da economia do mérito, pois se eu copio o conteúdo integral do post de alguém, diminuo enormemente a possibilidade do meu leitor clicar no link para o blog que originou a minha cópia.

Outro ponto: quando um determinado blogueiro independente apropria-se de alguma matéria encontrada em um portal de notícias pertencente ao PIG e copia seu conteúdo para um espaço no GOOGLE DOCS para eliminar a possibilidade do seu leitor dar audiência para o portal da mídia corporativa, essa atitude trata-se de um enorme equívoco, que fará com que esse pequeno blogueiro perca uma chance de ouro de ter sua audiência aumentada. Mesmo que seja pouco em quantidade, só o fato de o portal possuir uma linha editorial e um público de valores normalmente opostos aos do blogueiro já é suficiente para funcionar como um potencial laço de expansão do blog independente rumo a uma rede social formada por pessoas diferentes. Mesmo que não se consiga mudar a cabeça da maioria, há sempre uma grande quantidade de pessoas e de blogueiros que pensam como a gente mas que não pertencem à nossa rede social, pois são sócios de outro clube, trabalham em outra profissão, vivem em outra cidade, resistem e denunciam o poder de outras formas e assim por diante. Por mais contraditório que seja, o portal do PIG é um hub gigantesco que, bem aproveitado, pode ajudar a reunir seus críticos antes dispersos.

Cada post feito em uma das mais conhecidas ferramentas chamadas de Sistema de Gestão de Conteúdo (Content Management System ou CMS) tal como o BLOGGER, o WORDPRESS ou o MOVABLE TYPE normalmente apresenta um recurso que poucos conhecem chamado PINGBACK. É preciso observar cada ferramenta para saber se o PINGBACK é arbitrário ou opcional. Se for opcional, é melhor habilitá-lo.

Se eu copiar um PEQUENO trecho de uma matéria do CLICRBS (mídia má, feia e golpista como bem diz a galera da NOVA CORJA) e puser o devido link para ele, não estarei sendo nada trouxa por colaborar com o aumento da audiência de uma corporação cuja linha editorial vivo a criticar: acima de tudo, serei compensado com a possibilidade de receber audiência do PIG através do link para o meu blog que estará registrado nos comentários da matéria original. Logo, o portal malévolo, que tem uma visibilidade diária centenas ou milhares de vezes maior do que a minha, estará enviando, como uma forma de agradecimento, um caminho que faz o caminho de volta do seu nó para o meu, trazendo-me parte de sua audiência.

Portanto, o PINGBACK significa o seguinte: o que parece uma pagação de pau para o barão da mídia é, na verdade, uma forma de obrigá-lo a me dar algo em troca. Afinal de contas, ele não pode nem me explorar, nem me ignorar o tempo todo. O fato de eu enviar-lhe um sinal de que um blogzinho mané perdido no ciberespaço o lê e também ajuda a multiplicar o alcance da  sua audiência automaticamente faz com que ele, queira ou não, também me endosse e proporcione que alguns de seus leitores cheguem até mim. O PINGBACK seria, mitologicamente falando, senão um portentoso cavalo, pelo menos uma espécie de PÔNEI DE TRÓIA.