GRÊMIO: COM SORTE, A LIBERTADORES

Agência Estado

Conforme havia cansado de alertar para amigos mas não aqui no blog, o GRÊMIO, caso perdesse a liderança nas últimas sete ou oito rodadas do BRASILEIRÃO 2008, perderia o título nacional de uma vez por todas nesta temporada. Em caso de tropeço em casa e de atuações vergonhosas contra adversários diretos fora, a hipótese infelizmente tenderia a confirmar-se.

O que eu sempre disse aqui? Recapitulemos:

1) CELSO ROTH nunca foi o técnico dos sonhos de ninguém. Porém, com um pouco de capacidade de abstração, poder-se-ia perceber, tentando esforçar-se para enxergar o TRICOLOR DOS PAMPAS sem olhos passionais, que entramos no BRASILEIRÃO para não sermos rebaixados e, até começarmos a sofrer com lesões e suspensões (independentemente dos erros das arbitragens, time que não sabe marcar com inteligência acaba cometendo faltas em excesso e, conseqüentemente, os cartões proliferam), a prática estava provando que, embora jamais saibamos como o time se comportaria nas mãos de VAGNER MANCINI, o segundo provou ser um técnico FACEIRO – tanto é que o VITÓRIA, clube cujo plantel considero PARELHO com o do GRÊMIO, terminou na zona da SUL-AMERICANA mesmo tendo um lateral-direito muito bom, um volante de qualidade no passe e um centroavante bem mais eficiente do que os nossos;

2) Sem WILLIAN MAGRÃO e RAFAEL CARIOCA, o meio-campo do GRÊMIO NUNCA EXISTIU: mesmo que o primeiro errasse passes em profusão, ao menos tem estatura e vitalidade e não joga plantado nas imediações do círculo central. O segundo, sim, é extra-classe e sempre faz falta;

3) NUNCA TIVEMOS UM LATERAL QUE PRESTE EM 2008: todos são ruins na marcação e no apoio. Contra isso, não há técnico capaz de impor um estilo ou um discurso: FALTOU MATERIAL HUMANO – culpa mais da direção do que do técnico;

4) NENHUM atacante do GRÊMIO foi regular e eficiente no maior número de partidas que cada um disputou: problemas de posicionamento, de técnica e, acima de tudo, de inteligência e de auto-confiança minaram o nosso ataque, que foi tão bom enquanto o time não sofreu com o excesso de suspensões;

5) TCHECO é idolatrado pela GERAL, mas é um jogador mentalmente fraco para servir de exemplo como capitão: afinal de contas, falta-lhe vitalidade e sobra-lhe intempestividade. Um líder deve deixar o time TRANQÜILO dentro de campo e não o contrário;

6) FUTEBOL SÓ SE FAZ COM DINHEIRO: sem dinheiro, não adianta reclamar dos paulistas, da COBRAF, do STJD, da CBF, do técnico ou do plantel como se fôssemos coitados ou como se fosse impossível ganhar da “máquina”;

7) Se CELSO ROTH sonegou impostos ou se o sonho do superintendente da POLÍCIA FEDERAL no RS é ser presidente do tradicional adversário;  se a diretoria foi conivente ou não com os cupinchas da MÁFIA DO DETRAN infiltrados no clube; se houve eleição presidencial em um período delicado no qual poderíamos ter consolidado a possibilidade de título até o final do certame… NADA DISSO IMPORTA, pois são fatores extra-campo que deveriam ter sido relegados a um segundo plano tão logo tenham emergido da mídia.

Diante de todos os sete ítens explicativos acima, declaro que CELSO ROTH FEZ MÁGICA COM ESSE PLANTEL e que nem FELIPÃO faria desse time campeão.

O negócio é contratar com critério jogadores mais experientes e velozes para 2009.

Porém, antes disso, temos a árdua disputa pela última vaga para a LIBERTADORES 2009, que será muito mais difícil do que se imaginava até uma ou duas rodadas atrás.

PARABÉNS AO SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE, O PRIMEIRO TRICAMPEÃO BRASILEIRO DA HISTÓRIA.

[B'08 17ª] GRÊMIO 2×0 VITÓRIA

William e Tcheco gol Grêmio

Foi um jogo complicado como era de se esperar: o VITÓRIA provou ser um adversário de contra-ataque veloz, bem postado em campo, com zagueiros altos, um excelente marcador de bom passe no meio (o nº 7 Jackson) e um bom lateral direito, “insinuante” como gostam de dizer os comentaristas cariocas. VÁGNER MANCINI foi aplaudidíssimo e retribuiu o carinho e o reconhecimento da torcida tricolor na entrada do seu time em campo.

Foi um jogo muito truncado, onde o GRÊMIO foi surpreendido com a coragem do rubro-negro soteropolitano desde o início: eles apresentaram um bom toque de bola e ofereceram perigo com o apoio do bom lateral direito Marco Aurélio e com a inteligência do nº 10 Marquinhos.

Tal postura durou cerca de 12 a 15 minutos, quando o primeiro gol surgiu: WILLIAN MAGRÃO (à esq. na foto) dominou mal uma bola alçada na área, mas conseguiu enganar seu marcador. A bola sobrou para o próprio nº 11 TRICOLOR dominar e fuzilar de bate-pronto sem chances para o goleiro VIAFARA.

Daí para a frente, o jogo ficou muito feio: o Vitória não conseguia arrematar de dentro da área em função do comportamento perfeito de todos os zagueiros gremistas. THIEGO foi soberbo, ganhando no corpo com lealdade, posicionamento perfeito e uma saída de bola anos-luz melhor do que a do LÚCIO do BAYERN MÜNCHEN. LÉO não tem deixado a menor saudade. PEREIRA pelo meio deve ter saído com fortes dores de cabeça, de tanto afastar com energia a maioria das tentativas baianas pelo alto. RÉVER, por sua vez, fez sua melhor partida com a camisa do EXÉRCITO DE FERRO COM A ALMA CASTELHANA: limpava como queria os atacantes adversários pelo lado esquerdo da nossa zaga e saía jogando, muitas vezes com o cada vez mais indispensável RAFAEL CARIOCA, com o regular e bom WILLIAN MAGRÃO e com o sempre veloz e esforçado PEREA, que hoje pecou bastante no passe e no posicionamento.

TCHECO se impôs com muita autoridade, centralizando o jogo, abrindo nos lados e ajudando na marcação pelo lado direito da defesa, compensando talvez a pior partida do lateral direito PAULO SÉRGIO neste BRASILEIRÃO. MARCEL, por sua vez, só teve uma grande chance, em um cruzamento de ANDERSON PICO (de belíssima atuação, esculhambada pelos ridículos – ou tendenciosos? – auxiliares, que viam impedimento até nos ninhos dos quero-queros).

MARCEL não chegou a tempo de testar para dentro o cruzamento de PICO forte, pelo alto. Ah, se fosse o JARDEL (rimou sem querer).

A grande chance de gol perdida pelo Vitória não foi na verdade uma chance perdida: foi a maior defesa que eu já vi um goleiro gremista fazer em um cabeceio livre e à queima-roupa. VICTOR é, definitivamente, o melhor goleiro do Brasil.

Sei que é um saco reclamar da arbitragem. Mas tanto contra o FLAMENGO (quatro impedimentos inventados e dois pênaltis não-assinalados) como hoje, a quantidade de erros foi de chorar: o sr. SÁLVIO ESPÍNOLA e seus auxiliares EDINEY GUERREIRO MASCARENHAS e EMERSON AUGUSTO DE CARVALHO marcaram uma quantidade fora do normal de impedimentos de ANDERSON PICO e PEREA. Os primeiros três impedimentos e mais um ou outro no decorrer da partida até foram, mesmo. O colombiano camisa 7 costuma vacilar na linha burra adversária. Mas mesmo em pelo menos quatro oportunidadaes nas quais tanto o lateral como o atacante esperaram dois ou três segundos para começarem a arrancada, o instrumento de trabalho dos linesmen teimava em apontar para o alto e avante. Talvez o pólo magnético sul tenha-se deslocado inesperadamente cerca de 23º para o norte, em um fenômeno estratosférico fora do normal. Seria este um efeito do fim da chuva e do retorno do frio?!

Tá certo que o Grêmio abusou das bicancas para o alto enquanto não conseguia jogar com a bola dominada (mérito absoluto do preparador físico do Vitória e do técnico Mancini). O adversário, por sua vez, quando tocava a bola, na maioria das vezes mostrava-se inoperante em função da estupenda atuação do trio de zagueiros e dos dois volantes.

O que complicou muito a vida do Grêmio e tornou o jogo feio foi que o rubro-negro baiano fez o possível para evitar as trocas de bola tricolores.

Digno de registro foi o arremate de Perea no fim do 1º tempo, colocado, de muito longe, pelo lado do goleiro adiantado. Caprichosamente, um zagueiro adversário tirou quase de cima da linha fatal.

No último terço da partida, CELSO ROTH trocou a dupla de ataque: SOUZA entrou no lugar do colombiano, REINALDO entrou no lugar de Marcel e, mais adiante, só pra matar tempo, MAKELELE entrou no lugar do capitão Tcheco.

Aos 43′, quando a torcida já estava furiosa com a arbitragem, Souza esticou para Reinaldo. O avante driblou o marcador na entrada da área, esticou a bola com a perna direita para ganhar ângulo e arrematou forte, no ângulo, com direito a um toquinho de raspão na mão direita do goleiro Viafara, dando números finais ao marcador.

Foi uma linda festa para mais de 37.700 gremistas. Este foi o jogo mais difícil do Grêmio em casa depois do clássico. Nem mesmo a vitória sofrida contra o CRUZEIRO, o empate contra o PALMEIRAS ou o sofrimento para fazer o resultado contra o NÁUTICO CAPIBARIBE foram tão complicados assim.

Esperemos agora pelo lanterna IPATINGA na próxima quarta-feira, às 19:30h (belíssimo horário noturno, diga-se de passagem). Liderança assegurada por mais uma rodada, chegou a hora dos principais rivais pelo título começarem a ratear um pouco. Afinal de contas, a paridade é tão grande nesta temporada que não podemos dar-nos o luxo de perder pontos bobos.

Confira a avaliação do GLOBOESPORTE.COM.