POR UM DCE DECENTE NA PUCRS

O grupo dos Eblog – Blogueiros de Esquerda – apoia os estudantes combativos da PUCRS e repudia veementemente as agressões desferidas pelo Diretório Central de Estudantes (DCE) dessa universidade há mais de 20 anos. As agressões – físicas ou não – se repetem ano após ano, a cada eleição fraudada, ameaça ou via de fato, e a Reitoria da PUCRS, vergonhosamente, se omite, assim como o Ministério Público, deixando à própria sorte milhares de estudantes de uma das universidades mais importantes do país, mas que não consegue sequer garantir aos próprios alunos a segurança e o direito à democracia interna. Dessa forma, repudiamos não apenas as ações do DCE, mas as omissões dos diversos órgãos que deveriam proteger a liberdade dos estudantes contra uma máfia instalada desde a década de 1990. Ao mesmo tempo, manifestamos nosso apoio e solidariedade não apenas aos estudantes da PUCRS envolvidos nos recentes protestos, mas a todos os agentes e entidades sociais presentes nessa importante luta democrática, e os convidamos a usar nossos espaços da mídia independente e popular para publicizar e defender suas demandas.

Eblog – Blogueiros de Esquerda:
Alexandre Haubrich – jornalismob.wordpress.com
Lucas Morais – diarioliberdade.org
Thiago Miranda dos Santos Moreira – ruminantia.wordpress.com
Luka – bdbrasil.org
Renata Lins – chopinhofeminino.blogspot.com
Gilson Moura Henrique Junior – tranversaldotempo.blogspot.com
André Raboni – acertodecontas.blog.br
Rodrigo Cardia – caouivador.wordpress.com
Niara de Oliveira – pimentacomlimao.wordpress.com
Mayara Melo – mayroses.wordpress.com
Hélio Sassen Paz – heliopaz.com

[EWC'10 CAF G] EGITO x ARGÉLIA É GUERRA

Diante de tanta tradição dentro do continente africano, o que diabos faz o Egito degringolar na hora H? Síndrome de Roth?!

Hoje, a Argélia é o grande rival. No 1º turno, em Argel, os donos da casa enfiaram 3×1 com certa facilidade:

Como não poderia ser diferente, o assunto da semana no Cairo é o jogo decisivo de hoje. Os egípcios precisam vencer por três ou mais gols de diferença para carimbarem seu passaporte para a África do Sul. Uma vitória por dois gols provoca um jogo extra em campo neutro:

Desconheço questões políticas e econômicas que porventura incitem a violência por motivos extra-campo, mas o clima lá está pesadíssimo: o ônibus dos argelinos foi alvejado por pedras em sua chegada ao Cairo e quatro jogadores ficaram feridos. A FIFA exigiu por parte das autoridades egípcias garantias de segurança por escrito para os visitantes.

Como sempre, eu tenho lado: por mais que seja apaixonado por egiptologia como um profundo admirador das ciências humanas, sou algeriano desde pequenininho. Se querem saber por que, tenho várias razões para pensar assim:

1) O Egito é a grande pedra no sapato de Camarões;

2) Quem formou sua paixão por seleções a partir da Copa de 1982, é torcedor do Porto e viu Madjer acabar com Alemanha, Bayern, Peñarol e Nigéria não pode pensar diferente;

3) O Egito deixou uma péssima imagem no pior grupo F da história das Copas: Egito, Inglaterra, Holanda e Irlanda empataram cinco de seis jogos em 1990 na Itália, quando os hooligans foram isolados na Sicília e na Sardenha.

Vamos ver no que dá. Com paz, por favor! ;)

TRÂNSITO EM PORTO ALEGRE = EUA ANOS 1950′s

A paródia de Walt Disney que transformou o Pateta em uma espécie de Dr. Jeckyll e Mr. Hyde da modernidade taylorista-fordista infelizmente cabe cada vez mais no trânsito de Porto Alegre deste ano de 2009.

Aos 17 anos, me acidentei de carro como caroneiro e sobrevivi por sorte. Desde então, nunca me interessei pelo carro como um símbolo de independência ou de ascensão social. Como pedestre, sinto que a quantidade de vantagens é muito menor do que a quantidade de desvantagens que se pode ter na condição de motorista.

Essa construção antropológica me aproximou muito de dois grupos de pessoas que admiro bastante: a dos cicloativistas e a dos ativistas pela sustentabilidade do planeta.

Nesse sentido, o uso individual, individualista, consumista e pouco – ou nada – solidário de um meio de transporte motorizado inviabiliza até mesmo o seu uso racional e civilizado. A economia de escala tornou a montagem de um veículo a partir de materiais que destroem o meio ambiente e um modo de vida mais saudável e menos veloz muito barata.

O condicionamento gerado por esse tipo de auto-regulamentação econômica dificulta enormemente qualquer tipo de campanha educativa que procure diminuir o peso do automóvel de uso individual no trânsito. Com isso, tudo o que não é veloz nem “bacana” como um carro é automaticamente excluído e intolerado pela classe média urbana.

Há uma série de vídeos e de blogs que tratam sobre o assunto. Mas eu deixo aqui apenas algumas referências: a dos blogs Pedalante e Apocalipse Motorizado.

DIGA NÃO À PALMADA

Concordo com o Marcos Donizetti e não tiro nenhuma vírgula do seu argumento.
Discutindo o assunto mais profundamente, considero que toda relação é – ao mesmo tempo – um jogo e uma negociação: o jogo é o recurso lúdico que procura substituir a necessidade de ter que utilizar argumentos demasiadamente complexos que tomariam muito tempo e demandariam uma bagagem cultural extensa demais para ser devidamente compreendidos.
Toda negociação busca satisfazer demandas manifestas ou implícitas. Quando se depende de terceiros para se chegar a um determinado objetivo, a conversação tende a iniciar-se por uma relação mais assertiva. Caso não haja concordância inicial de ambas as partes, o ambiente vai-se tornando tenso, pois os dois lados fazem força para puxar a corda – cada um para o seu respectivo lado.
Portanto, surge uma disputa: caso os dois lados percebam que cada um precisa ceder um pouco para ambos ganharem, é sinal de que sabe-se que não se pode ter tudo ao mesmo tempo. E que abrir mão de alguns pontos não significa uma derrota. A falta de paciência e de respeito faz com que se procure tentar afirmar posições extremadas por meio da agressão.
Se a agressão é aprendida, é sinal de que houve um exemplo – um mau exemplo, diria eu. Se não há uma reação calma e racional apaziguadora e reparadora, para mim parece claro que não está havendo nenhuma sinalização nem pedagógica, nem de arrependimento.
Logo, o entendimento está fora de questão para quem foi o vetor da agressão: desde que seu poder esteja sendo afirmado pela lamentável atitude que exerceu um sentimento negativo junto ao outro, aquilo que o outro sentiu quando sofreu a agressão torna-se irrelevante.
Se um agressor conseguir “ganhar” com frequência utilizando-se frequentemente desse método, a superioridade do seu poder tende a “naturalizar-se” tanto para ele como para os agredidos que não sentem-se emocionalmente preparados para deixarem de ser subjugados.
Porém, ou um dia os agredidos procuram virar a mesa extravasando uma forma de agressão exponencialmente mais violenta do que todo o somatório do seu sofrimento físico ou moral, ou, então, terceiros que apenas conhecem essa relação conturbada poderão reagir sem violência por não estarem nem na condição de opressores, nem na de oprimidos.
Enfim… A desconstrução simbólica da violência, embora lenta e altamente dependente da ação de indivíduos externos ao conflito sempre ocorre – mais cedo ou mais tarde.
[]‘s,
Hélio

Volta e meia, algum tuiteiro me traz algum link muito valioso. Para quem crê nos blogs como ambientes de conversação e de relações transformadoras, um tuíte da minha querida, sensível e inteligente seguidora @jaquelinapacks que, por sua vez, o recebeu de @doni.

As tags deste justificam exatamente a abordagem e os tópicos relacionados ao post do blogueiro Marcos Donizetti sobre a minha concordância sobre a NÃO-validade do uso de palmadas nos filhos como método pedagógico.

Discutindo o assunto mais profundamente, considero que toda relação é – ao mesmo tempo – um jogo e uma negociação: o jogo é o recurso lúdico que procura substituir a necessidade de ter que utilizar argumentos demasiadamente complexos que tomariam muito tempo e demandariam uma bagagem cultural extensa demais para ser devidamente compreendidos.

Toda negociação busca satisfazer demandas manifestas ou implícitas. Quando se depende de terceiros para se chegar a um determinado objetivo, a conversação tende a iniciar-se por uma relação mais assertiva. Caso não haja concordância inicial de ambas as partes, o ambiente vai-se tornando tenso, pois os dois lados fazem força para puxar a corda – cada um para o seu respectivo lado.

Portanto, surge uma disputa: caso os dois lados percebam que cada um precisa ceder um pouco para ambos ganharem, é sinal de que sabe-se que não se pode ter tudo ao mesmo tempo. E que abrir mão de alguns pontos não significa uma derrota. A falta de paciência e de respeito faz com que se procure tentar afirmar posições extremadas por meio da agressão.

Se a agressão é aprendida, é sinal de que houve um exemplo – um mau exemplo, diria eu. Se não há uma reação calma e racional apaziguadora e reparadora, para mim parece claro que não está havendo nenhuma sinalização nem pedagógica, nem de arrependimento.

Logo, o entendimento está fora de questão para quem foi o vetor da agressão: desde que seu poder esteja sendo afirmado pela lamentável atitude que exerceu um sentimento negativo junto ao outro, aquilo que o outro sentiu quando sofreu a agressão torna-se irrelevante.

Se um agressor conseguir “ganhar” com frequência utilizando-se frequentemente desse método, a superioridade do seu poder tende a “naturalizar-se” tanto para ele como para os agredidos que não sentem-se emocionalmente preparados para deixarem de ser subjugados.

Porém, ou um dia os agredidos procuram virar a mesa extravasando uma forma de agressão exponencialmente mais violenta do que todo o somatório do seu sofrimento físico ou moral, ou, então, terceiros que apenas conhecem essa relação conturbada poderão reagir sem violência por não estarem nem na condição de opressores, nem na de oprimidos.

Enfim… A desconstrução simbólica da violência, embora lenta e altamente dependente da ação de indivíduos externos ao conflito sempre ocorre – mais cedo ou mais tarde.

GRÊMIO E POLÍCIA: AJUDEM A DIREÇÃO

BOA VONTADE DO COMANDO GERAL DA BM E DA DIREÇÃO TRICOLOR

BOA VONTADE DO COMANDO GERAL DA BM E DA DIREÇÃO TRICOLOR

Este blog apóia a gestão atual com as devidas críticas, assim como elogiou – e muito – os acertos da gestão anterior, cujas práticas políticas e financeiras dentro e fora do clube não iam de encontro à minha visão de mundo. Portanto, não sou nem cordeiro de uns, nem lobo de outros.

Por fonte segura do clube mas não da administração direta, soube que o comandante geral da BM gaúcha, cel. Trindade, é um profissional exemplar e, principalmente, um cidadão de alto nível, ao contrário do pitbull anterior. Portanto, minha hipótese de que a violência deu-se sob o comando exclusivo do responsável pelo jogo infelizmente confirmou-se.

Nada justifica a ação da BM que, à revelia, sem diálogo com a direção do Grêmio, saiu lacrando todos os portões. Isso é ilegal. Além disso, não se tem notícias de ingressos falsos e o número de não-pagantes foi baixo. A diretoria ficou ilhada nas cadeiras. E a BM não é treinada nem para tomar posse de patrimônio privado, nem para bater. Afinal de contas, uma instituição sesquicentenária está sendo manchada por atos isolados de boçais dentro da corporação. Corregedoria, sindicância e um comandante geral honesto existem para por ordem na casa e confio nisso.

É importante que todos saibam que a punição à Geral é coisa exclusiva da BM, é 100% ilegal e NUNCA contou com o aval da atual direção do Grêmio. Mesmo diante da falta de pulso e da incompetência demonstradas no futebol e no discurso de fala exageradamente mansa, a gestão Duda apóia muito a Geral. Ela só não compactua com líderes de torcida que fazem bolo, vendem produtos piratas e vendem ingressos gratuitos. Pra bom entendedor, meia palavra basta: apoio não significa bajulação nem doação em troca de apoio político-partidário.

Enfim, a imagem da gestão Duda foi manchada por algo que fugiu à sua esfera. Nisso, infelizmente, quase ninguém acredita. Agradeçam à fábrica de crises da mídia corporativa (louca por uma polêmica e por um sensacionalismo que ficam acima da verdade factual apenas para vender mais) e ao fato do Inter possuir departamentos de marketing e de comunicação muito mais competentes do que os nossos…

Participem. Denunciem. Não tenham medo. Mas procurem se informar melhor. Como ficou demonstrado hoje, o diálogo entre Grêmio (o dono do Olímpico) e Brigada Militar (responsável pela segurança e proteção de todos) vai melhorar. Apesar da inesquecível, traumática e inaceitável agressão e humilhação física e emocional sofrida por alguns milhares de gremistas, o mea culpa foi feito por ambas as partes. O clube agora terá um interlocutor melhor habilitado para essa difícil relação entre poder e medo, que precisa ser transformada em cooperação e respeito. E a Brigada trabalhará da maneira que dela se espera.

Os blogs Sempre Imortal e Grêmio Copero (aqui e aqui também) se manifestaram com veemência a respeito da gravíssima e imperdoável questão pessimamente apurada pela imprensa e muito mal interpretada pela torcida. Vale a pena acompanhar as discussões desses espaços de interação tricolor tão importantes.