GRÊMIO x CRUZEIRO: VIOLÊNCIA DA POLÍCIA NO OLÍMPICO (2)

quinta-feira, 2 de julho de 2009 23:00:44, upload feito originalmente por heliop@z®.

A desculpa, seja da Direção, seja da Brigada (acredito que seja dos dois, pois o que mais se viu no episódio foi um jogo de empurra, arrogância e falta de autoridade), foi a de que haviam quebrado “todo” o Quadro Social e “toda” a Gremiomania. MENTIRA: foram ALGUNS vidros e a atitude lamentável partiu de ALGUNS gremistas inconsequentes.

Sob hipótese alguma, o justo deve pagar pelo pecador. Nenhum tipo de incidente justifica a agressão de policiais despreparados técnica e psicologicamente. Homens medrosos sob uma farda e com as costas quentes por detrás de uma instituição sesquicentenária, se sofreram abuso ou carência na infância e se tudo o que veem lhes tira a sensibilidade não podem mais pertencer à corporação. Pra mim, são tão bandidos quanto os mortos de fome a quem costumam prender. Diria mais: uma polícia aloprada é muito mais perigosa para a sociedade do que delinquentes.

GRÊMIO x CRUZEIRO: VIOLÊNCIA DA POLÍCIA NO OLÍMPICO (1)

 

quinta-feira, 2 de julho de 2009 23:06:19, upload feito originalmente por heliop@z®.

A foto saiu fora de foco por dois motivos. Primeiro, o menos importante: a sensibilidade da câmera do celular Sony Ericsson W380 é muito fraca na captura de objetos no escuro e também em movimento.

O segundo motivo é o mais grave: minha Lu, que chegou atrasada a Grêmio 2×2 Cruzeiro na última quinta-feira no Estádio Olímpico Monumental em Porto Alegre em função da aula, quase não pode entrar para assistir ao 2º tempo.

Enquanto isso, assustada e tremendo, ela registrou algumas imagens bizarras.

Fui adolescente na década de 1980 e quase apanhei da FICO na saída do Grenal decisivo do Gauchão de 1988 na Av. Princesa Isabel pouco antes da esquina com a Rua Santana. No penúltimo Grenal do Gauchão de 1991, quase apanhei na saída do Beira-Rio. Ambas as vezes saindo em silêncio, apesar de duas vitórias tricolores, pois havia muitos colorados ao redor.

Foram momentos de horror: como frequentador assíduo do Estádio Olímpico Monumental desde 1979, ainda não havia visto tamanho descaso de uma diretoria do Grêmio contra o seu próprio associado ao aceitar passivamente (e, diga-se de passagem, com a sua própria conivência) a humilhação do maior patrimônio do clube (isto é, do seu próprio corpo associativo).

Digam o poder coercitivo da polícia e o poder econômico que sustenta a mídia corporativa o que disserem, apesar da banalização da violência e da intempestividade da juventude atual, quase sempre volto de ônibus do estádio e vou a todos os jogos. Briga e quebra-quebra, felizmente, são fatos isolados. Sou testemunha de que tanto os motoristas como os cobradores e fiscais da Carris sob um apoio RACIONAL da Brigada Militar tem apresentado um bom preparo: tanto é que as depredações e as batucadas nas portas dos veículos praticamente terminaram.

De cerca de seis anos atrás para trás, presenciei muitos Grenais nos quais colorados e gremistas se cruzavam dentro do pátio do Olímpico praticamente sem agressões. Quando ocorria algum incidente, seus protagonistas eram imobilizados e presos com rapidez e sem estardalhaço, preservando a sensação de segurança dos demais espectadores.

Isso posto, tanto a ordem quanto o método de repressão utilizados contra uma maioria de associados patrimoniais, proprietários e torcedores e de locatários de cadeiras em dia com o clube não se justificam sob hipótese alguma.

Seguirei o tema no próximo post.

DITADURA E MÍDIA: HERANÇAS SOCIAIS NADA BRANDAS

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O EDUARDO GUIMARÃES diz uma coisa com a qual concordo. Se nosso país fosse como a Suécia, a Noruega, a Dinamarca ou a Finlândia, até poderíamos aceitar (e inclusive sermos) a direita numa boa. Afinal de contas, pelo menos no papel, lá não falta nada pra quase toda a população. Porém, em um país tão desigual quanto o nosso, por uma simples questão de humanismo, solidariedade, cooperação, respeito e compreensão, somente a má fé, a ignorância e o egoísmo justificam a preferência bovina do gaúcho pelo pior dos conservadorismos – o racista, sexista, preconceituoso, belicoso, reacionário e estúpido.

Agradeço ao meu amigo RODRIGO CARDIA por ter citado dois ou três posts meus no CÃO UIVADOR ao tratar do COMEÇO DO FIM DE PORTO ALEGRE. Foi ele quem inspirou este post.

Como TRAGÉDIA POUCA É BOBAGEM, ontem nossa cidade foi brindada pela omissão da maioria passiva. Apesar de eu trabalhar com isso e conhecer muito bem os seus efeitos, não se pode creditar à mídia corporativa toda e qualquer espécie de manipulação ou de persuasão das pessoas, que possuem seu livre arbítrio até mesmo quando não possuem cultura ou estabilidade emocional para lidar com essa mecânica.

A bem da verdade, como PORTO ALEGRE quase sempre teve uma classe média proporcionalmente maior do que a da maioria das outras capitais brasileiras, quem deixou de ser pobre e almeja ser rico torna-se naturalmente egoísta, oportunista e conservador. E o pessoal da mídia corporativa que trabalha com política e economia também é recrutado por ser conservador.

Um jornalista, mesmo bem intencionado, tende a pensar que possui uma capacidade de brincar de Deus com as palavras. É mais do que normal eles caírem na armadilha de superestimar a sua retórica e a sua discursividade e de subestimar a inteligência e a existência (eventualmente até predominante na sociedade, dependendo da agenda em discussão) da resposta dissonante de uma audiência multifacetada cujo perfil é, hoje em dia, impossível de ser determinado a partir de um certo padrão.

Acho que os grandes males da sociedade pós-moderna não são exatamente o consumismo, o egoísmo, a discussão mediada, as tentativas oligárquicas de se obter falsos consensos, as famílias desfeitas, nem tampouco o amadurecimento forçado e forjado de crianças e adolescentes: todos esses elementos (além de diversos outros que tomariam muito tempo pra citar) são meras consequências do estrago ESTRUTURAL iniciado durante a ditadura.

Pra quem insiste em DITABRANDA, além dos gravíssimos casos de perda das liberdades civis, de cerceamento da liberdade de expressão, do patrulhamento de pessoas que pensavam de maneira diferente, das mortes, prisões, torturas e exílio, as consequências culturais, sociais e materiais da ditadura nos devastam até hoje: a piora constante na qualidade do ensino; o sucateamento e o investimento inútil em obras faraônicas e a gênese do modus operandi da corrupção atual são as heranças para o presente.

Convivemos com uma maioria passiva, covarde, egoísta, sexista, dinheirista, pouco solidária, fria e indiferente. Em todas as classes sociais, em todas as profissões, honestos, desonestos, francos ou enroladores, não importa: o Brasil passa por uma crise de HUMANISMO, responsável pelo desconhecimento de que o desenvolvimento sustentável de um país depende do compartilhamento de experiências e da composição de uma nova realidade a partir das trocas multiculturais entre gêneros, raças, ideologias e religiões.

A sofisticação da corrupção civil, militar, econômica e moral hoje realizada pelos herdeiros dos primeiros ícones do colarinho branco incentivadores dos golpes contra Getúlio Vargas e Jango corrompe também o sentido de alteridade de um povo a partir do não-aproveitamento coletivo de muitos saberes seculares e regionalizados capazes de mudar o mundo paulatina e continuamente.

Portanto, a DITADURA não tem nada de branda, pois ela ainda define comportamentos e tendências sociais. Sua contribuição gerou um atraso mental, moral, legal, social e racional que precisará de décadas para ser parcialmente desfeito.

O nacionalismo, o investimento maciço nas universidades federais e na qualificação de muitos professores no exterior durante a década de 1970 e aquela sensação de segurança nas ruas, de respeito dos jovens perante os mais velhos e outros argumentos de sustentação insuficiente usados com insistência por muitas pessoas das classes A, B e C não  compensa, não justifica, não inverte a equação que trouxe como principal resultado perdas incalculáveis para o país em praticamente todas as áreas do conhecimento.

Não quero com isso dizer que todo empresário é safado nem que todo militar é sanguinário. Porém, os bons empresários, os bons militares e as pessoas que sofreram durante a ditadura sabem muito bem separar o joio do trigo.

A tristeza maior está na incapacidade do eleitor, do consumidor e do cidadão médio não terem se ligado ainda que é preciso pensar em rede. Que tudo se mistura e que tudo vai e vem, se atravessa em um determinado ponto e depois muda de direção. Graças a esse comportamento covarde e omisso, todos pagam por isso.

Inclusive quem acha que o problema é dos outros e não deles…

SANTA CATARINA, TRAGÉDIA: AJUDE

Deserto verde, latifúndio, monocultura, rodoviarismo, industrialização insustentável, rodoviarismo, plástico e desinteresse em investir em fontes de energia renováveis.

A justa vingança da natureza contra o homem

Ao meio-dia de sexta (ontem), um assinante de Blumenau comentou via blog MURAL no BATE-BOLA 1ª Edição da ESPN BRASIL (canal 70 da NET – aquele do imperdível programa CARAVANA DO ESPORTE) o retrato do desespero em SC: após terem visto vizinhos terem sido arrastados pelas águas, esmagados por carros à deriva, arremessados contra muros e postes e soterrados por deslizamentos de terra e pelo desabamento de suas próprias moradias, muitos cidadãos catarinenses acreditam que o fim do mundo chegou.

Conseqüentemente, negam-se a deixar seus lares semisubmersos. Pior: o estado de choque dessas pessoas é tamanho que há casos de agressões à pedradas sobre a Defesa Civil e a Cruz Vermelha.

O mesmo telespectador disse que o caos é absoluto: a quantidade de deslizamentos de terra dos morros adjacentes a Blumenau é bem maior do que o que foi mostrado na TV. Enviamos, via rede de farmácias PANVEL (onde minha Lu trabalha), o equivalente a uma pick-up lotada com roupas e sapatos apenas da nossa família. Supõe-se que seja preciso 250 BILHÕES de reais para recuperar o estado.