Peço mil perdões pelo atraso no post, mas estou procurando emprego como professor universitário, estudando para um concurso público e mantendo contato com ativistas de Porto Alegre para importantes eventos a seguir. Naturalmente, todos esses assuntos são prioridade absoluta no momento.
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MOTIVAÇÃO E COLETA DE INFORMAÇÕES
Se Abedi Pelé foi “O” cara na França, no mesmo período brilhou na Alemanha e na Inglaterra um conterrâneo seu que primava não exatamente pela mesma habilidade como meia-atacante mas, sim, por ter-se caracterizado como um centroavante de gols bonitos e decisivos. Falo de Anthony Yeboah.
Comecei a acompanhar tanto a carismática, equilibrada e vigorosa CAN como também a Bundesliga graças às saudosas transmissões da TV Cultura (cujo narrador me foge à memória), com comentários de José Trajano, Flávio Prado e Gerd Wenzel (Bundesliga only) e reportagens de Helvídio Mattos (CAN only). Trajano, Wenzel e Mattos hoje estão na ESPN Brasil, meu canal de esportes predileto.
Naquele comecinho dos anos 1990′s, o time que despontava na terra das deliciosas bratwursts era o Eintracht Frankfurt. Embora não tenha sido campeão nenhuma vez, manteve-se entre os quatro primeiros da 1.Bundesliga durante cerca de quatro temporadas. Nem mesmo no site do Leeds United, um grande clube inglês que, infelizmente, quase faliu e hoje amarga a terceira divisão, encontrei algo.
Após uma busca exaustiva no Google em vários idiomas, como Yeboah foi um craque do último período imediatamente anterior ao início da internet comercial, infelizmente não encontrei artigos, notícias e entrevistas nem em quantidade nem em qualidade suficientemente significativas. Não há quase nada a ser aproveitado nem mesmo nos sites dos clubes por onde passou e tampouco no da própria Federação Ganesa de Futebol. No caso de Abedi Pelé, a França e a UEFA possuem um acervo bem maior pelo fato de Pelé ter sido campeão francês, campeão da Liga dos Campeões da Europa e, de quebra, ter atuado por um clube de massa. Quanto a Yeboah, a Wikipedia e o You Tube foram suficientes.
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Assim como eu, Yeboah é um geminiano: nasceu no dia 06/06/1966. Fará, em 2010, 44 anos. Ele é de Kumasi, terra do poderoso Asanté Kotoko, um dos grandes clubes de Gana. Já falei um pouco sobre rivalidade e tradição neste post.
Tony Yeboah disputou três edições da CAN na década de 1990. O atacante disputou 59 partidas e marcou 29 gols entre 1985 e 1997, segundo a Wikipedia. Ele é o segundo maior goleador da história das Estrelas Negras, ficando atrás apenas de… Abedi Pelé. ;)
Naquela época, a esmagadora maioria dos jogadores africanos ainda era contratada primeiro por pequenos clubes do Velho Mundo. De 1988 a 1990, Yeboah precisou mostrar serviço no modestíssimo Saarbrücken. Naquele período, ele foi o segundo jogador negro a disputar a Bundesliga, sendo precedido – e também contemporâneo – de um outro patrício e seu xará que, por sua vez, não vingou (Anthony Baffoe). Portanto, os jogadores africanos que anteriormente haviam jogado na Alemanha haviam lá trabalhado no período pré-Bundesliga. Portanto, antes da temporada 1963-1964 – como foi o caso de Charles Kumi Giamfi.
Yeboah foi o goleador da Bundesliga em duas temporadas consecutivas: 1992-1993 e 1993-1994. Aquele grande time do técnico Jupp Heynckes tinha também o nigeriano Jay-Jay Okocha e o suíço Maurizio Gaudino fechando um trio ofensivo bastante poderoso no Eintracht.
Foram quatro temporadas e meia de (infelizmente) poucos registros internéticos na Alemanha. Em Frankfurt, Yeboah disputou 154 partidas e marcou 88 gols. Porém, suas duas temporadas e meia em Elland Road foram igualmente marcantes e muito mais midiatizadas – apesar de ter jogado pouco em função de várias lesões, que permitiram que atuasse apenas 65 vezes para guardar 32 cocos nas redes adversárias.
Na temporada 1995/1996, Yeboah marcou dois golaços inesquecíveis. Ele obteve o raríssimo feito de ter feito o gol mais bonito do mês na Inglaterra em dois meses consecutivos. O primeiro deles, contra o Wimbledon, também foi um dos indicados para o gol da década de 1990. Percebam a bicanca do zagueiro, o domínio, a limpada em dois oponentes e a bucha indefensável de fora da área. O gol foi tão explosivo que até o narrador soltou a franga. Depois, o time inteiro amontoou o craque na comemoração:
Como se a pintura acima não bastasse, Tony Yeboah nos brindou com mais uma de suas mágicas. Já que nem tudo é perfeito, foi sobre o meu querido Liverpool:
Muitos dizem que o futebol africano é primitivo e que falta-lhes disciplina, profissionalismo e organização. Em parte, os defensores dessa hipótese não estão totalmente equivocados. Contudo, ninguém mais pode dizer que a ocorrência de histórias bonitas e de episódios inesquecíveis protagonizados por jogadores da Mãe Negra África são meramente eventuais… ;)