[B14 23ª] GRÊMIO 1×0 CHAPECOENSE

Na noite em que Pará foi o melhor em campo [1], o Grêmio quase arriscou uma vitória certa, dificultando no final uma partida que tinha tudo para ter sido muito fácil.

Quando Luan fez uma jogada sensacional para deixar Dudu livre para marcar o único gol que definiu o jogo a nosso favor, o próprio jogador cometeu uma série de erros de avaliações que reduziram muito as nossas chances de gol.

Quando Barcos quase não cometeu erros bisonhos de posicionamento, de arremate ou de passe, faltaram companheiros bem posicionados para aproveitarem o seu bom trabalho de pivô.

Quando o decisivo Dudu perdeu outras oportunidades fáceis e perdeu a confiança de Luan em outra situação na qual poderia ter recebido livre por recém ter feito uma conclusão desnecessária com a perna errada no canto errado ao invés de servir a um de dois companheiros mais bem posicionados do que ele, o time inteiro foi punido.

Mas isso não foi o que mais me preocupou: a opção do técnico Scolari ao sacar Luan nos deixou sem meias: foram três volantes (Walace, Matheus Biteco e Fellipe Bastos -> Riveros) e três atacantes (Luan -> Fernandinho, Barcos -> Lucas Coelho e Dudu). A partir dessa estratégia equivocada, perdemos o meio-de-campo para a Chapecoense, que passou a deter a posse de bola e nos ameaçou bastante no final.

O Grêmio teve um momento importante, no qual parecia que teríamos uma vitória tranquila: a Chapecoense perdia passes bobos; Dudu e Luan voltavam até a lateral para cobrir Pará e Zé Roberto, ajudando os volantes a permanecerem em suas posições de origem e demonstrando muita garra nos desarmes.

Isso foi muito importante, pois Walace é lento e sua única função é a de desarmar – muito pouco para um time com o tamanho do Tricolor dos Pampas. Além disso, Fellipe Bastos jogou mal pela primeira vez desde que chegou ao clube: ele errou quase tantos passes quantos o hoje reserva Ramiro costuma errar, mas foi surpreendentemente envolvido pelos meias do time de verde do oeste de Santa Catarina. Depois, Riveros não melhorou muita coisa, pois entrou completamente fora de ritmo de jogo, recuperado de uma lesão.

Pois creio ter sido esse desarranjo entre os volantes o responsável pelo crescimento e pelo protagonismo de Pará pela direita: ele foi mais do que lateral, partindo para cima com menos erros de passe do que de costume. Hoje, inclusive, não foi possível criticá-lo por não ir à linha de fundo, pois seus cruzamentos foram bons, com mira, pausa, força, altura, efeito e intensidade regularmente satisfatórios. O que complicou foi o mau posicionamento dos atacantes na hora de recebê-los.

Zé Roberto atirou-se contra a bola como um soldado kamikaze e ouviu-se lá de cima do quarto anel da Arena o estrondo da bola sobre o seu corpo. Essa bola nos salvou de um melancólico empate.

Marcelo Grohe felizmente completou 628 minutos e mais de seis partidas sem sofrer gols. Aqui, ao contrário dos erros do meio para a frente, noto um mérito rotundo do treinador Felipão, que organizou a defesa com rara competência e afirmou o acerto do diretor remunerado de futebol Rui Costa na contratação de Pedro Geromel, além da troca em definitivo do volante Souza pelo outro zagueiro, Rhodolfo.

A Chapecoense demonstrou um nervosismo atroz durante quase todo o primeiro tempo: apesar da lealdade de seus jogadores (que não bateram), notava-se desde o início que, naquele momento de ampla superioridade do Grêmio (infelizmente convertido em um único golzinho), eles espanavam e rifavam a bola de qualquer jeito, no susto, mesmo. Mas não era no estilo “bola pro mato que o jogo é de campeonato”, não: eles estavam quase entregando a rapadura, pois, apesar da dificuldade do trio de volantes tricolor, eles perdiam a bola exatamente no momento em que poderiam servir perigosamente a seus atacantes sozinhos. Perderam para si próprios.

Depois, no final, quando o estrago da ausência de um meia nos retirou a supremacia de jogarmos com a bola no nosso pé, nós só não sofremos o empate porque os alviverdes de Chapecó ou arrematavam muito mal, ou perdiam o tempo da bola de maneira bisonha.

O pior de tudo é que a Chapecoense está muito longe de ter sido o pior time que eu vi atuar por este Brasileirão. E o melhor de tudo é que o Grêmio, depois de muito tempo, agora enxerga o G4 muito, muito próximo, a uma distância de apenas um pontinho.

Tempo louco em que nossa equipe alterna rompantes de extrema competência com falhas graves para um time do nosso porte.

E tempo ainda mais louco em que o nosso teto parece ficar mais alto mas, apesar da distância bastante curta para conseguirmos tocá-lo e tentarmos elevá-lo mais um pouco, o enxergamos como se estivéssemos debaixo de um lago congelado: o sol está ali. A crosta parece não ser muito espessa. Mas, mesmo assim, ainda não conseguimos atingir a força necessária para quebrar esse gelo.

Vamos ver o que rola em dois compromissos como visitantes: na quarta, às 22h, o jogo nacional da TV é contra o perigoso Fluminense, no Maracanã. Depois, temos o Botafogo às 16h de domingo no mesmo palco da final da última Copa do Mundo. Esta é mais uma chance para tentarmos nos sagrar “bicampeões cariocas” dentro do Brasileirão.

Seguimos sonhando… ;)

______

[1] Pará está muito longe de ser um jogador digno dos melhores laterais-direitos que o Grêmio já teve. Também muito me incomoda não termos um reserva minimamente capaz de fazer-lhe uma “sombrinha” que seja. Mesmo assim, para o seu nível de qualidade, ele realmente saiu-se bem. E essa foi a minha opinião. Obviamente, todos estão liberados para discordar, democrática e dialeticamente. ;)

[B14 21ª] ATLÉTICO-MG 0x0 GRÊMIO

O Atlético-MG perdeu apenas três partidas nas últimas 95 como mandante. Isso supera – e muito – o seu período dourado como disputante da Libertadores e como campeão da edição de 2013.

Com ou sem Ronaldinho e Bernard (seus craques nas últimas duas temporadas), isso demonstra que o time tem seus méritos. Afinal de contas, com técnicos diferentes (Cuca, Paulo Autuori e Levir Culpi) e em estádios diferentes (Arena do Jacaré, Mineirão e o seu favorito, o Independência), as escalações variam, a fase de sucesso pode ser mais ou menos longa, mas, mesmo assim, o Galo faz valer a máxima de sua torcida, que diz:

Caiu no Horto, tá morto!

Pois, desta vez, o Grêmio não morreu no Horto: por competência (e uma boa dose de sorte) defensiva e por méritos defensivos do Galo e devido à nossa incompetência ofensiva, não voltamos da linda Belo Horizonte com três pontos no bolso.

O pragmatismo exige que se procure obter o maior número de pontos possível, independentemente do fato de jogar bem… Ou não.

Uma constatação óbvia do futebol prova que o nível de atuação individual e coletiva nem sempre consegue manter a tão sonhada regularidade. O principal motivo para que um time seja neutralizado é a soma de treinamento e muita observação de nossas forças e fraquezas por parte de uma outra equipe que possui exatamente os mesmos objetivos e a mesma infraestrutura técnica disponível para tentar superar a nós.

Tanto o Tricolor dos Pampas como o Galo possuem bons jogadores. Ao mesmo tempo, ambas as equipes carecem de craques e também possuem lá suas “lêndeas” – um problema recorrente no futebol brasileiro atual, onde parece que apenas Cruzeiro, São Paulo e Fluminense tem conseguido comprar e manter planteis qualificados em tempos recentes, com alguma licença para os próprios Grêmio e Galo, além de Corinthians e Internacional.

O que se torna preocupante do ponto de vista tricolor é que, vencendo ou empatando, apesar dos resultados serem satisfatórios na tabela de classificação e da costumeira vantagem proporcionada pela iniciativa ofensiva de ser mandante contra a qual temos sempre que lutar, não é nada seguro atuar apenas no contra-ataque: afinal, a dependência de velocistas e de um pivô só funciona se todos os onze jogadores souberem tocar a bola, além da obrigatoriedade de marcar por parte de todos.

A despeito da falta de bons meias sul-americanos jovens e baratos ou de não termos orçamento (nem competência) suficiente para enxergarmos esses valores no mercado, o volantismo e a rifada para alguém que vive de piques tornam previsível e limitadas as chances do Grêmio.

Por favor: não pensem que acho que o modelo de jogo e a cultura tática  da Holanda de 1974, do Barcelona e da Espanha do Tiki-Taka, do Bayern e da seleção da Alemanha recentes são facilmente adaptáveis ao Grêmio. No entanto, vemos que, contra um adversário bem treinado, é muito difícil a bola chegar em Barcos. Primeiro, porque Dudu e os meias sempre estarão muito bem cercados, sem espaço para progressão; segundo, porque o próprio Barcos marcado não tem como fazer o pivô nem para si, nem para ninguém.

Entendo perfeitamente que o Grêmio não possui dinheiro nem material humano suficientemente qualificados e que Felipão precisa lidar com aquilo que a casa oferece. E ele até tem se saído bem neste início de trabalho. Contudo, é importante procurar alternativas.

Como não vivo o dia-a-dia do centro de treinamentos tricolor, não posso jamais afirmar que o técnico já tenha testado alguma alternativa improvisada. Ao mesmo tempo, percebo que há uma tendência de se improvisar cada vez menos, pois, ao invés de encontrar acertos, essas experiências costumam nos apresentar resultados trágicos.

Na próxima quinta, retornamos à nossa casa para o primeiro de dois jogos consecutivos: enfrentaremos outra vez o conhecidíssimo (e de triste memória) Santos. Esse tipo de adversário, repleto de velocistas dribladores com alguns velhos “cancheiros” na retaguarda, apesar de ser uma fórmula desgastada, tem obtido sucesso contra a nossa fórmula desgastada (isto é, a do contra-ataque com um único homem de referência).

Depois, no fim de semana, receberemos a chatíssima Chapecoense, de quem obtivemos nossa primeira vitória como visitantes no primeiro turno. Apesar de ser um time – supostamente – fraco, a Chape possui a descompromissada liberdade de quem é franco-atiradora. Ultimamente, tem podido manter-se um pouco acima do Z4.

Esperemos, pois.

O GRÊMIO PRECISA ASSUMIR UM COMPROMISSO CONTRA O RACISMO

Hands cropped

Embora a maioria dos gremistas não seja racista em profundidade, infelizmente, grande parte de nós já cometeu o racismo de superfície.

Qual a diferença?

O racismo de profundidade é a crença e a prática de que os negros são inferiores e, em defesa do fato de não ser negro, proceda-se a discriminações explícitas, de consequências excludentes e agressivas.

Já o racismo de superfície é aquele racismo cometido por injúria, em um impulso agressivo por intermédio de um xingamento pelo qual acredita-se não haver maiores consequências na vida, nas oportunidades, na reputação, na economia ou na autonomia dos negros. É aquilo que parece uma brincadeira, cuja desculpa para proferi-lo reside em um hábito que não era tido como crime nem como uma ofensa capaz de gerar reação social ou individual.

Tanto a citação abaixo como o link para seu post completo ao final do texto detalham melhor a questão:

…O combate ao preconceito é mais importante do que o amor ou o ódio (algo bizarro) a um clube de futebol.

A rejeição ao racismo de profundidade passa pela guerra ao racismo de superfície.

Em alguns casos, o racismo de superfície é a ponta do iceberg do racismo de profundidade. Em outros, é o que dele sobrou. Em qualquer situação, é abominável, inaceitável e, no imaginário atual, uma chaga a ser eliminada.

O mundo está mais complexo. Não aceita mais certas simplicidades.

De superfície ou de profundidade, racismo é racismo.

Juremir Machado da Silva no Correio do Povo

POR QUE CHAMAR NEGRO DE MACACO É RACISMO?

Racism_2626191a

Não tenho o hábito de copiar e colar ipsis litteris o post de terceiros, a fim de valorizar o trabalho do autor e de remeter os meus visitantes direto à fonte. Contudo, por ser ativista pelos direitos humanos (inclua-se aí um oposição intransigente, radical e insofismável contra o racismo, contra a homofobia, contra a misoginia, contra o machismo e 100% favorável à legalização da maconha e do aborto, pelo estado laico, pela democratização da Comunicação, pelo Marco Civil da Internet e pela Reforma Política) sou obrigado a solicitar a todos a leitura da brilhante opinião do jornalista paulistano Leandro Beguoci do site esportivo Trivela, um dos melhores do mundo.

Esses valores estão acima de toda e qualquer outra condição, pois julgo que todas as formas de violência física e simbólica; toda a exclusão social, econômica e cultural; todas as formas de corrupção e tudo o que gera falta de civilidade, desrespeito, preconceito, agressividade e ignorância advêm de um modelo de educação que não inclui informações históricas, sociológicas, psicológicas e nem tampouco reflexivas acerca dessas situações tão delicadas.

Nem o futebol, nem a política, nem as empresas e muito menos o Judiciário estão acima disso. Logo, a defesa desse espectro da sociedade é muito mais séria e decisiva para o bem estar da maioria da população do que fazer uma mera defesa do Grêmio, da CBF, da Conmebol, da FIFA ou de qualquer um de seus patrocinadores.

UM GRÊMIO MELHOR DEPENDE DE UMA SOCIEDADE MELHOR. E O GRÊMIO PRECISA COMEÇAR A EVOLUIR DE DENTRO PARA FORA!!!

O post do Leandro sobre o que é racismo e por que não se deve chamar negros de macacos exige uma profunda reflexão por parte de todos. Por favor, LEIAM AQUI!!!

O próprio Trivela tem outros posts que tratam da questão do racismo no Grêmio. Sim, pois o Grêmio é reincidente: aqui, esta chaga é secular, muito em consequência de nossa casta dirigente não fazer absolutamente nada de sério ou de respeitável para eliminar esse rótulo de seus 6,8 milhões de simpatizantes.

A medida é arbitrária?! Que raio de gremista eu sou?! O justo está mesmo pagando pelo pecador?! E por que a maioria (senão todos) os (conscientemente ou não) racistas tricolores não pode aprender rapidamente a parar de agir dessa forma assim como eu e tantos milhares já aprendemos?! Afinal de contas, amar o Grêmio não é evitar ao máximo qualquer atitude que possa prejudicar o clube técnica, financeira e simbolicamente?!

Enfim… Ao invés de pensar que há “patrulha” demais, que está ficando tudo muito “chato” ou que o “politicamente correto” estaria “matando” a “festa”, por que diabos tu não te esforças pra aprender a fazer uma festa muito mais divertida, emocionante, movimentada e – ao mesmo tempo – muito mais respeitosa, hein?!

Eis mais alguns links importantes sobre o tema vindos do espetacular pessoal da Trivela:

História: Como Futebol e Sociedade se Uniram Para Integrar os Negros ao Brasil

Quem será o próximo Vasco, Bangu ou Ponte Preta?

Nenhuma punição ao racismo é exagerada. Mas o que a exclusão Grêmio significa?

Grêmio precisa agir antes que imagem do clube se arranhe por culpa de alguns

Acostumado ao impossível, Grêmio é o time certo para lutar contra o racismo

Por que bicha é xingamento?

O 1º TURNO DO BRASILEIRÃO 2014

Mais uma vez, o excelente trabalho do Footstats nos revela impressões bastante significativas sobre o que todos os nossos clubes viveram nas primeiras 19 rodadas, após a primeira de duas pernas de todos contra todos.

O nosso Grêmio parece estar em um momento crescente. Contudo, o líder Cruzeiro e o novo vice líder São Paulo apresentam uma consistência impressionante. Creio que nosso campeonato seja o de – novamente – brigarmos “apenas” por uma vaga à Libertadores 2015.

Nesse miolo, temos como oponentes: 1) o nosso Tradicional Adversário (ou T.A. – este blog evita ao máximo pronunciar o seu nome); 2) o Fluminense (que, a exemplo da Raposa e do S.P.F.C., também é ofensiva e possui boa qualidade equivalente em várias posições de seu plantel); 3) o Corinthians, que possui muita consistência defensiva, um belo meio-de-campo, mas dificilmente consegue jogar por mais de uma bola por jogo no ataque.

Felipão parece estar muito bem assessorado e motivado: apesar de eu achá-lo defasado (nada a ver com a Copa do Mundo, que foi apenas a “cereja do bolo” em meio a uma série de vários trabalhos insuficientes que o rebaixaram da Europa para o Brasil) e de ter considerada injusta a demissão de Enderson Moreira (que – por sinal – começou muito bem no Santos), parece que a gestão Koff finalmente apresenta uma comissão técnica em sinergia com a cultura do clube e também com o modelo de futebol no qual a direção acredita.

Enfim… Matematicamente, tudo é possível. Contudo, apenas o “campeão” do turno (entre aspas porque tal título é meramente simbólico, pois é somente um indicativo de sucesso que precisa ser confirmado na longa segunda metade do certame) está garantido na Série A para a temporada 2015.

Não duvido da capacidade do Tricolor. Porém, sou muito mais realista, objetivo e pragmático, pois prefiro esperar o tempo rolar: por isso, HOJE, acho tão irreal quanto megalomaníaco pensar no título. Claro que irei torcer MUITO para que isso aconteça. No entanto, a pontuação, a quantidade de gols marcados, o saldo de gols e a grande quantidade de pontos perdidos (ainda que antes de Felipão, por uma série de circunstâncias que todos podemos recordar, jogo a jogo) infelizmente não nos dá esse alento.

Analisemos as tabelas abaixo:

panorama1

Tirar 21% de aproveitamento da Raposa é muito. Quem sabe se melhorarmos em 11% e os mineiros perderem 11%? Por outro lado, é absolutamente plausível podermos tirar 8,8% dos são-paulinos, 5,2% dos colorados, 3,5% dos corintianos e ultrapassarmos os pó-de-arroz pela diferença mínima.

Sendo um pouco mais realista, o Tricolor Paulista vem num momento crescente semelhante ao nosso e é difícil crer que piorem. Além disso, todos os clubes que estão à nossa frente possuem – conforme a avaliação da Bola de Prata Placar/ESPN – vários jogadores mais bem posicionados do que o nosso Tricolor dos Pampas.

Por hora, nosso saldo de gols é risível: somos o oitavo e último time do BR14 com saldo positivo. Ainda assim, é um reles +3, enquanto Cruzeiro (+23), Corinthians e Fluminense (+12), São Paulo (+11), T.A. (+9), Santos (+6) e Atlético-MG (+5) estão à nossa frente.

Por sinal, essa segunda tabela do Footstats – a do saldo de gols – revela exatamente todos os times cujos planteis possuem uma qualidade acima da (baixa) média do nosso futebol nacional: não exatamente nessa ordem, são aqueles que podem até oscilar, mas dificilmente darão mole para os times que estão na rabeira da tabela.

Uma prova disso é que o Flamengo, ainda que venha em uma crescente após amargar a zona do rebaixamento por mais de dois terços do turno, perdeu para todos os seis primeiros colocados, apresentando contra eles um saldo negativo de -16. E que o desgarramento do T.A. para o Cruzeiro resulte de algumas derrotas bisonhas para times da rabeira da tabela.

Somos o terceiro melhor mandante: nosso percentual de pontos obtidos na Arena (74,1%) equivale ao do Botafogo (75% – imediatamente à nossa frente) e é ótimo. O líder Cruzeiro é um ponto fora da curva, com seus monstruosos 92,6%, tendo perdido apenas dois pontinhos em um empate contra o – não por acaso – vice líder São Paulo.

O Grêmio precisa mesmo é melhorar o seu desempenho como visitante: embora até estejamos bem posicionados em oitavo lugar, nosso percentual pode melhorar bastante. Nossos atuais 36,7% podem muito bem chegar até uns 45%. Esse crescimento é bem mais difícil do que melhorarmos o aproveitamento como mandantes em 5%, pois precisaremos crescer como visitantes 8,3% com um índice de trabalho de praticamente o dobro disso para que possamos atingir essa meta.

É bom lembrarmo-nos de que há alguns times seguramente inferiores a nós superando-nos neste quesito: o Figueirense (com 53,3%, em terceiro) e o Flamengo em sétimo, com 37%. No caso de ambos, são franco-atiradores, pois não cairão nem irão à Libertadores do ano que vem. Essa falta de responsabilidade aliada à necessidade de não caírem para a Zona Perigosa (©Luxa 2014) lhes possibilita surpreender fora de casa, pois podem jogar “fechadinhos” explorando os contra-ataques. Inclusive o próprio Figueira provou no último domingo que toda a “faceirice” será castigada (LOL).

Saliento esta tabela: o Cruzeiro tem 60% de aproveitamento como visitante. Na sequência, o São Paulo tem 55,6% (mais uma vez, um indicativo importante do porquê ter finalizado a sua participação no turno em 2º); o Figueirense (53,3%); o Corinthians (51,9% – e tivemos o mérito de vencê-lo bem aqui em Porto Alegre); o T.A., com 48,1% (excelente para o padrão deles, que é bom mas muito menor do que seus irritados fãs imaginam que seja); a dupla Fla-Flu, ambos com 37%… E só aí viemos nós. Precisamos admitir que ainda é pouco.

Em gols marcados, somos apenas o 10º colocado, com apenas 17. O líder Cruzeiro marcou 41 em 19 jogos (média superior a dois/partida). Portanto, ao passo que não chegamos a marcar um gol por jogo (afinal, nossos 17 gols foram marcados em apenas 10 jogos, pois deixamos o placar em branco em quase metade dos confrontos, 9).

Desses 17, gols, quase metade foi assinalada pelo nosso centroavante Barcos (7) que, apesar de tantas críticas devido à perda de vários gols fáceis dentro da área adversária, é o 3º lugar entre os goleadores, perdendo apenas para os cruzeirenses Marcelo Moreno (que é nosso e está emprestado) com 10 e Ricardo Goulart (merecidamente convocado para a Seleção), com 9 gols.

Definitivamente, o que nos deixa bem posicionados e com uma boa margem de crescimento no segundo turno é a nossa estupenda defesa: apesar das justíssimas queixas sobre Pará e sobre Werley pelo lado direito; da inconstância de Geromel; da desconfiança sobre Saimon, após tanto tempo fora do futebol; e do medo que Bressan desperte em muitos torcedores, é preciso notarmos que não é apenas pela regularidade de Rhodolfo, pelo início brilhante do já negociado Wendell ou pelo retorno de Zé Roberto à sua posição original: agora, nós temos volantes que são muito mais do que meros “quebradores de bola”, como os meninos Matheus Biteco e Wallace, além da melhor contratação da temporada, Fellipe Bastos. O pequenino Dudu, apesar de concluir muito mal, é quem mais e melhor prente a bola no campo de ataque, mantendo-a longe da nossa zaga.

E de novo volto para elogiar e reconhecer o esforço do Pirata: além de conferir na frente (menos do que precisamos e gostaríamos, seja dita a verdade), ele é inteligente e muito lúcido na ajuda à defesa nos escanteios contra o Grêmio, pois é quem mais “espana” as cobranças para longe da nossa área.

De novo: o equilíbrio que precisamos atingir graças a um aproveitamento melhor fora de casa e a uma maior eficiência no ataque é a chave para o sucesso. Há clubes com um ataque melhor do que o nosso mas com uma zaga bem mais vazada, cuja classificação é risível e desalentadora. Para provar que nada é por acaso, apenas ter uma defesa fraca não é sinônimo de Z4, desde que o ataque seja bastante eficiente. Por outro lado, o topo da tabela reserva um lugar para quem marca muito e sofre poucos gols. Logo, cada vez mais a antiga assertiva de que “caso sofra três gols, desde que faça cinco, está tudo bem” mostra-se menos verdadeira.

Apenas seis clubes passaram mais jogos do que o Tricolor dos Pampas sem marcar gols no primeiro turno. Ao mesmo tempo, fomos quem teve mais partidas com a ficha limpa. Precisamos ao menos manter essa razão de pouco mais de 0,5 gol sofrido/jogo, mas temos que lutar muito para chegarmos o mais próximos possível dos 2 gols marcados/partida. Se chegarmos a 1,6 feitos e não passarmos de 0,7 tomados, dá pra crescermos horrores.

Após tantos comentários, creio que podemos finalizar o Brasileirão 2014 entre 2º e 4º lugar. Para isso, teremos que passar por uma peleia das brabas. ;)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...